AMIGO, ISSO NÃO É ARREPENDIMENTO!

arrepend“Agora, porém, me alegro, não porque vocês foram entristecidos, mas porque a tristeza os levou ao arrependimento. Pois vocês se entristeceram como Deus desejava, e de forma alguma foram prejudicados por nossa causa.”
2 Coríntios 7:8

A primeira tese que Lutero pregou na porta da Igreja foi: “Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos… etc., certamente Ele quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja de contínuo e ininterrupto arrependimento.” Veja que, como nos aponta Lutero, a vida do cristão deve ser uma vida com arrependimento continuo, dia após dia, ano após ano, pecado após pecado; não é uma coisa que cessa quando somos convertidos, mas que continua, mesmo após a conversão ao cristianismo.

Ao falar de arrependimento devemos ter em mente a ideia de que tudo o que fazemos, cada um dos nossos pecados, estão descobertos diante de Deus. Nada do que você fez se oculta a vista dele. E a única forma de se livrar dos seus pecados é confessá-los ao Senhor. Entretanto, essa geração perdeu o real sentido do que é arrependimento. Hoje, a confissão do pecado é algo que se faz para amanhã continuar fazendo as mesmas coisas, criando um ciclo-vicioso: peço desculpas e faço a mesma coisa. Ou seja, não há mudança.

Martyn Lloyd-Jones, numa de suas maravilhosas exposições nos explica que a verdade nos segue e nos atormenta. O homem sabe qual é a diferença entre o bem e o mal, entre o certo e o errado. Este conhecimento está sempre confrontando o homem; não só confronta como também perturba. E o que fazem então? Tentam detê-lo. Se esforçam o máximo que podem para o sufocar, para o destruir. Os homens tentam extinguir esse conhecimento da verdade que há dentro deles. As maneiras pelas quais fazem quase não têm fim. Tentam de diversas maneiras, de diversas formas aniquilar o conhecimento da verdade. Eles argumentam contra ela e tentam dar razões para se livrarem da culpa. Negam a verdade, tentam racionalizar seus erros, tentam até vencer a consciência utilizando termos da psicologia. Qualquer coisa, não importa o que seja, se torna uma ferramenta cujo objetivo é silenciar a sua voz e que os tire da condenação. E, quando nem a argumentação, nem a negação ou até mesmo a persuasão funcionam, os homens deliberadamente se afundam ainda mais no pecado na esperança de afoga-los. Recusam-se a pensar; fazem de tudo para evitar a verdade e se esforçam ao máximo, achando que podem ocultá-las de si mesmos.

A verdade, amigo, é que o coração do homem almeja um mundo onde ele possa pecar em paz.

O que temos hoje é um ‘arrependimento’ egoísta e hipócrita que tem em mente o pensamento de que “eu tenho que me arrepender para Deus ficar feliz e não trazer juízo”; “eu tenho que me arrepender para Deus não tirar as minhas bênçãos, minha saúde”. Esse tipo de ‘arrependimento’ tenta barganhar, é baseado no ego, e não gera a conversão do erro. Os homens sempre desejam os benefícios do Cristianismo sem pagar o preço. Tudo o que eles sentem é uma falsa tristeza que tenta enganar Deus!

Mas porque temos esse tipo de arrependimento?

Porque falta a exposição do pecado. É sempre mais agradável amenizar e confortar do que causar dor e provocar reações desagradáveis. Entretanto, esse é um engano terrível! Nada pode ser mais fatal do que a impressão que se tem em geral de que a única tarefa da Igreja é acalmar e confortar os homens e as mulheres que se tornaram infelizes. Agindo assim deixamos de querermos mudar a função da Igreja para uma instituição que fornece algo como o ópio para dopar as pessoas. A Igreja de Cristo não pode ficar presa a essa tarefa! As pessoas que fazem tais coisas ficam meramente usando paliativos para sintomas, em vez de tratar positiva e ativamente da doença! Nenhum médico chega para um paciente com câncer e diz que se deve tratar do casamento e tudo estará resolvido!

As pessoas, principalmente os falsos mestres, acreditam e tentam fazer-nos acreditar que a Palavra de Deus já não é mais suficiente para o avanço do Evangelho e tentam arrumar maneiras e técnicas fora das Escrituras para fazer a igreja ser relevante. Existe um certo pastor que acredita que se você não souber, em suas palavras, vender o Evangelho a um jovem à sua maneira, ele jamais “compraria” essa ideia.

Tais atitudes vêm da ideia de que a nossa religião, o nosso culto, deve ser algo leve com dicas para a vida, como por exemplo “10 motivos para não se estar casado”, “Cinco razões pela qual você não é prospero”, etc. Esse pensamento é derivado da psicologia humanista, que busca trazer “leveza” para a vida do homem, isto é, a psicologia diz que a culpa é o problema do homem, e não o pecado. Como consequência das influências dessa corrente psicológica, a igreja tem se tornado algo como um teatro, cinema, ou qualquer outra coisa cujo objetivo é promover entretenimento ao invés de expor o pecado.

Amigos, o que poderíamos acrescentar se a revelação de Deus não fosse suficiente para nossa fé? Quem pode responder essa pergunta? O que qualquer pessoa tentaria acrescentar à Palavra Sagrada? Se nós refletíssemos sobre isso veríamos quão insignificantes e absurdas são essas ideias, se fosse proposto acrescentá-las à Palavra de Deus. O tecido não estaria em uma peça única. Você adicionaria remendos a uma veste real? Não, não e não!

Hoje vemos toda uma geração que sempre quer descobrir um novo evangelho, uma nova verdade, para encherem as suas igrejas. Na mente dessas pessoas o tecido real não é suficiente. E eles querem remendos fracos e sem beleza da psicologia moderna, dos humanistas, dos unitaristas, dos agnósticos ou mesmo dos ateístas.

Não precisamos de achismos da psicologia humanistas e o marketing mundano acreditando que levaremos mais pessoas a Cristo. Precisamos é de pregação da Palavra! Um trem não anda sem a sua locomotiva! Por quais motivos, então, devemos tirar a locomotiva e acrescentar vagões, que não se encaixam nos trilhos, para que se mova todo o resto?

Spurgeon disse:

A Palavra de Deus é suficiente para atrair e abençoar a alma do homem ao longo dos tempos; mas as novidades logo fracassam. Alguém pode bradar: “Certamente, precisamos acrescentar nossos pensamentos a isso”. Meu irmão, pense o que quiser, mas os pensamentos de Deus são melhores do que os seus. Você pode ter lindos pensamentos, como as árvores no outono soltam suas folhas, mas há alguém que sabe mais sobre seus pensamentos do que você e os julga de pouco valor. Não é verdade que está escrito: “O Senhor conhece os pensamentos do homem, e sabe como são fúteis?” (Sl 94.11). Comparar nossos pensamentos aos grandes pensamentos de Deus, seria total absurdo. Você traria sua vela para mostrá-la ao sol? O seu nada para reabastecer o todo eterno? É melhor calar diante do Senhor, do que sonhar em complementar o que ele falou. A Palavra do Senhor está para a concepção dos homens como um pequeno jardim, para o deserto. Mantenha-se no escopo do livro sagrado e estará na terra que mana leite e mel; por que tentar lhe acrescentar as areias do deserto? 

Porque queremos comer terra enquanto há um banquete na nossa frente? Paulo não mudava a mensagem do evangelho porque ele viu a sua glória. Não precisamos de métodos para fazer a diferença no mundo. Precisamos é ser consumidos pela glória e o poder do evangelho!

Mas, afinal, o que é arrependimento?

Podemos definir o arrependimento como “a disposição carnal e corrupta dos homens que é mudada numa posição mudada e santificada.” É o abandono das atitudes que afrontam a Deus; é uma mudança de mente tão forte que todos os seus caminhos são mudados também. Arrependimento é uma transformação de visão, desejos; é saltar do caminho errado e volver-se para o caminho correto.

Quando se tem um arrependimento verdadeiro você percebe que falhou para com Deus, trocando o certo pelo errado, e principalmente, percebe que pecou contra a santidade de Dele. Surgindo dentro de si uma profunda tristeza por ter desonrado a Deus. Arrependimento envolve o pedido pelo perdão divino e a purificação da consciência. É um ódio, uma aversão ao pecado por tê-lo feito desrespeitar a Deus, e por ter lhe tirado de comunhão com o mais santo ser que existe.

Para aqueles que buscam um arrependimento com o interesse de “agradar” a Deus tentando enganá-lo, a si mesmo enganam e não a Deus. Esses tais acreditam que o arrependimento trará uma vida de luxos e tentam fazer com que Deus acredite que eles têm um arrependimento sincero, quando, na verdade, é egoísta e sujo. Quero lembrar não só a essas pessoas, mas também a todas as outras que o arrependimento correto trás mais aflições, pois a cada dia o regenerado se torna mais diferente do restante do mundo. A cada dia que se passa, o regenerado deixa de andar a favor do vento e passa a andar contra ele. E, ao andar na contramão do mundo, recebemos pancadas fortes. Mas não nos preocupemos muito, outros passaram por tais coisas e seu testemunho nos diz: “Vale a pena!”

Que haja em nós verdadeiros arrependimentos.

Lucas Dantas.
Facebook: https://www.facebook.com/LucasDantas19

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