DEUS NÃO SE ESQUECE DO SEU POVO!

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Por diversas vezes olhamos a nossa volta e vemos muitas atrocidades que acontecem diariamente; vemos casos e mais casos que nos cercam e, muitas vezes nos enchem de terror. Mas, não existe nada que deixe um cristão mais atormentado do que ver a noiva de Cristo se prostituir. Como pode isso?! Observamos no meio evangélico que é bastante comum ter relações sexuais fora do contexto do casamento, cristãos que se drogam, que são viciados em pornografia, em bebidas, cristãos que adulteram, que são infiéis nos seus negócios e muito mais. Então, a pergunta que vem a mente de um crente em Cristo e que ama a igreja não pode ser outra: Porque Deus não faz algo?

Quando olhamos para essas circunstâncias com um olhar iluminado pelas Escrituras, somos tomados por um profundo pesar. Imagine você que seu filho – ou irmão, ou marido… Alguém que você realmente se importe – tem cometido cada uma das coisas descritas no primeiro parágrafo. E para piorar a situação ele vem até você e pede para que você custeie tudo. Se você, meu amigo, não tem se entristecido com a situação da igreja, e que muitas vezes é a sua, você precisa rever seu cristianismo, afinal, uma das provas que o apóstolo João deixou para que nós pudéssemos saber se fomos realmente salvos é que nós amamos nossos irmãos (1 Jo 2.7-11).

Mas ainda assim a questão continua: Porque Deus não faz algo? Porque Ele vê seu povo pecar contra ele dia e noite, e mesmo assim parece inerte? Ele abomina a sua igreja? Essas pessoas perderam a sua salvação? Esqueceu Deus de sua aliança? Como responder a isso?

Quando olhamos para a Bíblia, em especial o Antigo Testamento, vemos Deus manifestar sua paciência e misericórdia em sua aliança com um povo rebelde, que era o povo de Israel. E muitos dos santos do Antigo Testamento viram que muitas vezes Deus parecia apático, como se estivesse a dormir e chegaram a fazer essas indagações as quais citei anteriormente. E como é de se esperar, Deus usou o exemplo desses homens para ensinar a nós ainda hoje.

Assim, gostaria de chamar a atenção do leitor para o Salmo 77.

Nos três primeiros versículos vemos o profundo pesar do salmista. A angustia é clara: “Elevo a Deus a minha voz e clamo”, “No dia da minha angustia, procuro o Senhor”. Quando lemos os três versículos iniciais podemos notar alguns detalhes interessantíssimos, como por exemplo, que o tempo do texto no hebraico indica que o salmista tinha a plena certeza de que suas orações haviam chegado a Deus e que ele não via como perda de tempo a sua insistência em oração. Calvino nos diz em seu comentário dos salmos que “ao dizer que buscava ao Senhor no dia de sua angústia, e que suas mãos se lhe estenderam nos momentos noturnos, isso denota que a oração era seu exercício contínuo – que seu coração estava tão solicita e incansavelmente engajado nesse exercício, que não podia desistir dele.”

Mas, o salmista apresenta ainda uma maior profundidade de sua dor. Embora ele confessasse insistentemente a Deus a sua queixa, ele não recebe alívio; o autor lamenta que nenhuma consolação era enviada da parte de Deus, o que tornava sua provação ainda mais pesada. A sua perturbação se torna tão grande que ele passa as noites em claro, acordado; ele não consegue ter o pouco de alívio que uma noite de sono traria. Oh, quão profundo pesar! Sua tristeza o enche de tal modo que já não consegue mais expressar, “tão perturbado estou, que não posso falar” (v. 4).

O salmista também relembra do favor de Deus para com a sua Igreja, e para com ele próprio; o autor, com o desejo de ter sua aflição aliviada trás a memória as misericórdias de Deus. Ele relembra das alegrias de outrora experimentada por ele, pelo povo, e a compara com o sofrimento, com a perturbação presente. E ele diz “a noite…”, por que é justamente nesse período do dia em que estamos sozinhos e pensamos em coisas que normalmente não pensamos durante o dia cercado de pessoas; nesse período temos a liberdade de analisar a nós mesmos sem sermos incomodados. E é isso que ele diz no restante do versículo. Ele buscou no seu íntimo as causas do porque ser tão severamente afligido. Ele olhou para cada direção em busca de conforto, mas não encontrou.

Então, o salmista passa a argumentar consigo mesmo, embora suas queixas se definam mais precisamente nos versos 8 e 9, tendo como base a natureza divina. Ora, se a graça é uma promessa da aliança que Ele fez com seu povo, dificilmente ela poderia desaparecer; a fidelidade é um atributo divino!

Dando continuidade a sua argumentação consigo mesmo, ele diz “caducou sua promessa…”, essa frase é traduzida por Calvino como “seu oráculo falhou”. O que isso nos diz? Nos reafirma que o salmista estava destituído de qualquer consolação; podemos entender o desespero do autor quando atentamos para um detalhe muito importante, a saber, os profetas (oráculos) eram meios que Deus usava para responder ao seu povo e também para falar com eles; se não há profetas para fortalecer a fé, se não há respostas de Deus, se Ele já não fala com seu povo, que sentimentos se poderia ter senão desespero e angustia? (Ver Salmo 74.9). Quanto mais fortemente vem a tentação, mais ele se volta para natureza divina (v. 9), é como se disse: “Deus mudou de tal maneira que já não é mais misericordioso?” Então, o salmista chega a conclusão de que embora Deus tivesse disciplinando o salmista e seus irmãos, isso não significava que Deus não iria se reconciliar com seu povo e voltar a lhes conferir bênçãos, visto que sua ira dura apenas um momento.

Chegamos agora ao versículo que faz conexão entre as duas partes principais do salmo, o versículo 10. Há um debate entre os comentaristas sobre a tradução, e, por conseguinte, a interpretação desse versículo. Alguns entendem que Deus o entregou à completa destruição, fazendo com que o texto fosse uma confissão de desespero. Outros, como o próprio Calvino, entendem que o salmista se refere a uma doença temporária, na qual ele compara indiretamente a morte. Entretanto, prefiro uma tradução e interpretação diferente, mais parecida com as antigas, a saber: “E eu disse: Isto é enfermidade minha; mas eu me lembrarei dos anos da destra do Altíssimo”. E a minha interpretação é esta: O salmista que outrora questionava a Deus, agora reprova a si mesmo, isto é, ele acusa a si próprio por não mais resistir à tentação, sendo essa falta de força sua enfermidade mental. É como se ele dissesse: “Que loucura estou dizendo! Olhe para tudo quanto Deus já fez! Estou agindo feito um louco!”, desse modo, o falar do salmista aponta para um plano mais alto.

Agora, o salmista é reaquecido pela lembrança do passado, pela lembrança da destra de Deus agindo no meio de seu povo. Então o salmista, agora reaquecido, começa a extravasar a sua alegria! Ora, recordo (v. 11) significa, a rigor, “farei menção de”, ou seja, falar de maneira audível tais atos; agora, o autor sente o profundo desejo de narrar os feitos do Senhor! As tentações que antes o faziam falar em voz alta e suas tristezas; passam a ser esmagadas com a alegria do salmista que, assim como falou de suas agonias, falará de sua felicidade. O salmista está persuadido de que Deus é o mesmo; é o mesmo Deus da antiguidade e será o mesmo Deus no futuro, assim como é no presente. O versículo 12 fala de uma meditação particular acerca deles. O salmista não só narrará as grandiosas obras de Deus, como também meditará nelas! Isso evidencia uma mudança completa de pensamento do autor.

Depois de haver encontrado paz, de ter sido reaquecido, ele agora olha os caminhos de Deus e percebe quão maravilhoso e quão superior ele é; não há como não glorificá-lo, se os homens vissem teus feitos, veriam que todos os deuses por eles criados são nada! É como se ele dissesse: “Ó, Deus, Tu sabe todas as coisas; tu diriges o mundo com sua sabedoria eterna! Quem há como ti? ‘Quão insondáveis teus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos! ’ (Rm 11.33b) Teu caminho é de justiça; teu caminho é de santidade! Glorificado seja o Teu nome!”.

O versículo seguinte, isto é, o verso 14, reafirma aquilo que foi dito no verso 13 e ainda ressalta o poder maravilhoso de Deus na sua criação, sua glória manifesta entre os povos, sua sabedoria, sua justiça, sua bondade. Não há como negar! Não há como argumentar que não conhecia! A glória do Deus Soberano enche a terra e está tão próxima de nós que não há como argumentarmos por causa da ignorância.

No verso 15 vemos, então, uma celebração do salmista sobre as maravilhosas obras de Deus, celebração que começa nesse verso e perdura até o fim do salmo. Estes eventos tremendos tomam conta da mente do autor; o problema é reduzido ao mínimo. O autor começa ressaltando a libertação do povo do cativeiro egípcio; trás a memória que Deus prova seu amor para com seu povo eleito – isto se ressalta no fato de que o autor fala “os filhos de Jacó e de José” -, fazendo com que o salmista (e todo o crente) nutrisse esperança de salvação. No verso 16 as águas do Mar vermelho são personificadas ressaltando o poder, a glória e a majestade de Deus. Não há nada que ele não tenha poder sobre; seu poder é tão grande, tão tremendo, que penetrou até o mais profundo abismo e eles foram abalados. Ou seja, Deus não é um criador ou pai que se ausenta, mas ao contrário, se faz presente e controla soberanamente todas as coisas; tudo está debaixo de seu poder.

Toda essa glória e poder nos são apresentada na descrição poética dos versos seguintes (17-19). Os trovões e relâmpagos são símbolos que nos mostram o tremendo poder de Deus, não havia para onde olhar e não ver a glória e o poder de Deus! A história do povo de Israel, seu êxodo do Egito nos dão testemunho hoje, assim como dera na época, do testemunho de Seu poder. Que descrição poderosa! Que imagem cheia de glória! Os céus ecoavam em som estrondoso, o mar se abria de forma maravilhosa, os abismos mais profundos eram cheios da Sua infinita glória, do Seu infinito poder! Que Deus poderoso! Ele não levou o povo por outro caminho, não usou de soluções humanas, mas ele usou de seu poder tremendo e fez o povo caminhar a chão seco e toda a criação reverenciou Aquele é digno de glória para todo sempre. Amém! E Deus guiou seu povo, como rebanho. Essa é a segurança do salmista! Deus é quem guia seu povo! Ele é quem está no controle!

Assim, tendo em vista essas considerações sobre o salmo 77, gostaria de tirar algumas lições dele.
1) Quanto mais experimentarmos angústia, irritação, tristeza, etc, mais devemos perseverar diante de Deus. Ora, Deus prova seu povo e o ensina de diversas maneiras; não devemos, portanto, limitar a ação de Deus sobre nós.
2) Devemos sempre trazer a memória os feitos de Deus, mesmo que isso muitas vezes não nos traga conforto; é necessário olhar para os feitos do Senhor e meditar sobre eles sempre apresentando nossas questões diante Dele.
Por fim,  3) Devemos sempre glorificar a Deus pelo que Ele tem feito, quer isso nos agrade ou não. Lembre-se que Ele é que governa soberanamente todas as coisas; Ele é infinito em sua sabedoria, você não.

Lembremos de dois exemplos do Antigo Testamento: Jó e Habacuque. O primeiro disse “o Senhor deu e o Senhor tirou, bendito seja o nome do Senhor!”(Jó 1.21) E, ao fim do livro, vemos que tais sofrimentos foram necessários para a vida de Jó e sua relação com Deus. No caso de Habacuque, é ressaltado o fato de que Deus é o que está assentado no trono em seu santo templo e que toda a terra deve calar-se diante Dele. Por isso, mesmo a figueira não floresça, mesmo que não haja fruto na vide, ou que nossas orações não sejam respondidas logo, ou pareça que algo foge do controle, devemos sempre confiar na destra do altíssimo, pois Ele é quem controla tudo. Esse é o nosso conforto, essa é a nossa segurança.

Bendito seja Deus que não se esquece do seu povo!

Lucas Dantas
https://www.facebook.com/LucasDantas19

 

 

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