HOMENS FORTES, VOZES PROFÉTICAS

“Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno.” (1 Jo 2.14) ¹

Nos últimos dias temos vivido mais uma escalada no confronto entre Israel e o Hamas, grupo terrorista palestino e isso é algo que tem me inquietado bastante. Tenho ficado triste não apenas com as mortes de civis palestinos e de soldados israelenses, mas principalmente com a atitude da Igreja diante de tudo isso. O que temos visto é uma campanha a nível mundial de exploração e vitimização do sofrimento palestino paralela à criminalização moral de Israel. É notável a hipocrisia de determinadas ideologias, sobretudo as de esquerda no que diz respeito a isso. Há um verdadeiro silêncio quanto a uma série de atrocidades que vem ocorrendo no mundo hoje. Milhares de cristãos tem sido forçados a deixarem suas casas no Iraque, quando não são estuprados, espancados, mortos e até crucificados. Isso sem citar os milhares de civis mortos em manifestações contra o governo aqui bem pertinho de nós na Venezuela e as vítimas da guerra civil na Síria, muitos palestinos, inclusive. No atual conflito entre o Hamas e Israel cerca de 2.000 palestinos morreram. No ano passado, na Síria, cerca de 170.000 palestinos foram mortos e nenhuma ação foi tomada pela esquerda, nenhum protesto foi realizado nas cidades ao redor do mundo.

Ainda assim o governo brasileiro que celebra acordos bilaterais com países que perseguem diretamente os cristãos como o Irã, Venezuela e Cuba, culpa Israel por fazer uso desproporcional da força e ser o maior responsável pela morte dos civis palestinos, silenciando quanto às atrocidades cometidas pelo Hamas que utiliza os civis como escudos humanos, praticamente tentou exterminar o Cristianismo da Faixa de Gaza e ainda tenta destruir Israel a fim de implementar um califado islâmico global. Tanta hipocrisia cometida em nome dos direitos humanos e suposta preocupação com as vidas humanas na verdade é apenas mais uma forma de antissemistismo travestida de antisionismo por parte do governo brasileiro, o qual vergonhosamente tem aberto mão dos princípios que sempre regeram a nossa política externa a fim de alinhá-la aos interesses da agenda da esquerda, que além de anticristã é também antissemita, uma vez que procura destruir de uma vez por todas os alicerces centrais da sociedade ocidental, sendo essa das razões principais para o alinhamento com o extremismo islâmico.

Como um homem cristão, não posso olhar para tudo isso e ficar indiferente. Infelizmente ao longo da História, a Igreja tem quase sempre se posicionado de modo errado quanto aos judeus, perseguindo-os ou legitimando a sua perseguição. Entretanto, a perseguição aos judeus sempre precedeu uma perseguição aos próprios cristãos. Durante a Inquisição, muitos judeus foram perseguidos e mortos e logo em seguida o mesmo ocorreu com os cristãos protestantes. Durante o Holocausto, primeiro foram os judeus, os próximos seriam os cristãos. Muitos cristãos católicos, adventistas e testemunhas de Jeová foram mortos por Hitler, bem como alguns notáveis cristãos protestantes, a exemplo de Bonhoeffer. Hoje o antissemitismo vem dos extremistas islâmicos que com a sua agenda da jihad querem dominar o mundo e exterminar os “infiéis”, o “povo do livro”, primeiro os judeus e depois os cristãos. Das mesmas mesquitas no Oriente Médio em que se ouvem sermões inflamados dos mulás conclamando a morte dos judeus e a destruição do Estado de Israel, ouvem-se também palavras de ódio aos cristãos.

Entristece-me perceber que assim como os nossos irmãos do passado também estamos vendo o sofrimento do povo judeu de forma passiva e indiferente, ignorando que um dia podemos ser as próximas vítimas desse mesmo ódio. Porém, quando olho para a História vejo que mesmo em momentos como esses de grande perseguição ao povo de Deus, Ele foi fiel o suficiente para levantar vozes proféticas a fim de despertar o Seu povo e ao mesmo tempo se levantar contra as hostes do inferno. Vemos isso claramente no livro de Ester, onde o antissemitismo se iniciou. Embora tudo caminhasse para um genocídio dos judeus, Deus levantou Mordecai para alertar o Seu povo e Ester para ir contra o governo de sua época. Durante a Segunda Guerra Mundial Deus levantou mulheres como a Corie Tem Boom para resgatar judeus dos campos de concentração.

Mas e quanto a nós? E quanto a nossa geração? Quem são as vozes proféticas do nosso tempo? Quem levantará a voz contra o antissemistismo a perseguição aos cristãos impetrada por extremistas islâmicos e por governos de esquerda?

Creio que o tempo em que temos vivido é único na nossa geração e que Deus tem dado a nós homens o privilégio de sermos os Seus arautos aqui na Terra nos levantando contra tudo isso, sendo vozes proféticas ao despertar a Igreja para voltar às Escrituras e desafiar o sistema desse mundo. Era isso o que o apóstolo João tinha em mente ao se dirigir aos jovens homens de seu tempo dizendo que eles eram fortes, pois tinham neles as sagradas escrituras e só assim poderiam vencer o maligno.

Segundo a Bíblia não são todos os homens que são fortes e que são capazes de vencer o maligno, mas somente aqueles que temem a Cristo e vivem o Evangelho, uma vez que o Evangelho é a única coisa capaz de mudar o coração do homem e transformar a sociedade. Temos vivido tempos difíceis de apostasia na Igreja brasileira, ao mesmo tempo em que a política do nosso país tem tomado rumos desastrosos. Se somos homens e sabemos que a Palavra de Deus em nós nos torna fortes para vencer o maligno não podemos nos calar frente a tudo isso.

É chegada a nossa hora de ousarmos. É chegado o momento de nos levantarmos contra a injustiça e a favor da vida. É chegada a hora de nos levantarmos pela Igreja de Cristo. Esse é o nosso papel como homens cristãos. Foi para isso que fomos feitos e em momentos como esses não podemos nos calar, não podemos ficar indiferentes e retrocedermos. Porém não devemos fazer isso como se os rumos da História dependessem de nós ou como se Deus não fosse soberano o suficiente para precisar da nossa ajuda para agir. Contudo, temos que estar cientes do nosso papel e responsabilidade, sabendo que Deus um dia nos cobrará os nossos atos.

Eu sei que essa não é uma tarefa fácil, mas só nos foi concedida porque através do Evangelho de Cristo recebemos a força suficiente para cumpri-la. Que Deus tenha piedade da nossa nação e nos levante como sua voz profética em dias tão difíceis.

1. Em todas as traduções da Bíblia para o inglês o termo “jovem” em 1 João 2 é “Young Man”, que pode ser traduzido como “jovem rapaz”, especificando que os destinatários não eram jovens em geral, mas jovens homens.

Igor Sabino

Facebook: https://www.facebook.com/igorhsabino

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