GEORGE WHITEFIELD E AS ANTIGAS DOUTRINAS DA GRAÇA

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Temos um grupo de evangelismo na Igreja à qual faço parte (Igreja Congregacional Zona Sul – Campina Grande – PB) chamado EvangelizAção¹. Saímos todas as sextas-feiras para o centro da cidade e imediações, sempre de madrugada, levando um pouco de alimentos, agasalhos, mas sobretudo as boas novas do Evangelho de Cristo para as pessoas que em sua maioria são viciados, prostitutas, homossexuais, ou também à qualquer pessoa que encontramos nas ruas naquele horário. Habitualmente estudamos sobre as questões bíblicas e da história da Igreja pertinentes à evangelização e missões. Atualmente estamos estudando um livro do pastor americano Steven J. Lawson, da série um perfil de homens piedosos, chamado: O Zelo Evangelístico de George Whitefield. Temos aprendido bastante com a vida e ministério desse homem piedoso: muita dedicação a oração e ao estudo das escrituras, busca implacável pela santidade, amor pelas almas perdidas e uma cosmovisão cristocêntrica, eram características notáveis em sua vida. Mas nesse artigo gostaria de compartilhar com os queridos leitores algo que também me chamou bastante a atenção: a teologia puramente bíblica usada na pregação de Whitefield.

George Whitefield foi um pastor e pregador itinerante Inglês do século XVIII, somente com a sua bíblia e pregando doutrinas bíblicas, muitas vezes ao ar livre e sem nenhuma estratégia, ele foi usado poderosamente por Deus para trazer um grande reavivamento na Inglaterra e Estados Unidos nos anos em que viveu intensamente o seu ministério. Contemporâneo do notável congregacional Jonathan Edwards, Whitefield também ocupou um lugar proeminente entre os pregadores daquela época. Alguns biógrafos e historiadores afirmam que ele chegou a pregar para mais de 1 milhão de pessoas, e muitas delas foram convertidas ao Senhor Jesus! O ministério dos Apóstolos relatado na Escritura e fatos como esses de homens do passado que fizeram parte da história da igreja, testificam a eficácia da pregação fiel da palavra de Deus!

Whitefield tinha um grande zelo pela teologia calvinista. A soberania de Deus na salvação, bem como o poder da pregação fiel do Evangelho, eram realidades que moviam o seu ministério. Um fato curioso é que esse pregador não chegou às convicções teológicas calvinistas devido a análise dos escritos de João Calvino, mas isso ocorreu mediante os seus diligentes exames das Sagradas Escrituras. Certa feita ele afirmou o seguinte: “Abraço o sistema calvinista, não por Calvino, mas porque Cristo o ensinou para mim”².

No começo do século XVIII o calvinismo começou a declinar na Inglaterra e nas colônias inglesas (atual Estados Unidos), devido as novas doutrinas humanistas e antropocêntricas que irrompiam com veemência naquele cenário evangélico. Entretanto, o movimento reapareceu, e é atribuído a Whitefied a liderança do ressurgimento do movimento calvinista naquela época. Ele promoveu com muita coragem as doutrinas da graça, e inevitavelmente sofreu uma perseguição implacável por parte daqueles que defendiam ensinamentos iluministas e modernistas, centrados no homem.

Gostaria de compartilhar com os leitores, uma síntese das doutrinas que estiveram intrinsecamente ligadas ao ministério evangelístico desse grande homem de Deus, elas são conhecidas como os 5 pontos do calvinismo, as antigas doutrinas da graça, ou pelo acrônimo em inglês TULIP:

DEPRAVAÇÃO TOTAL:

Ele cria na doutrina que ensina que o homem herda o pecado original de Adão, ou seja, todo homem já nasce pecador, e o pecado afetou todas as faculdades humanas, de maneira que o homem permanecerá rebelde contra o seu Criador. Todos merecem a condenação, a não ser que Deus derrame graça na vida do pecador e o capacite à crer em Cristo. Esse era o arcabouço da pregação de George, ele trazia os seus ouvintes às suas reais situações: pecadores condenados que necessitam urgentemente se arrependerem de seus pecados e crerem em Cristo, pois todos pecaram e estão muito longe de Deus (Rm 3.23). E somente através da pregação do Evangelho era que assim poderiam o fazer.

ELEIÇÃO INCONDICIONAL:

Whitefield também admitiu a doutrina da escolha soberana de Deus, que dentre toda a raça humana, escolheu salvar um número determinado de indivíduos para demonstrar seu soberano amor. A respeito dessa doutrina ele disse: “uma doutrina por meio da qual Deus é eminentemente glorificado e seu povo grandemente edificado e consolado”³. Ele mantinha firme a posição reformada da eleição, e entendeu que as doutrinas opostas a eleição divina traziam glória para o homem. Ele acreditava que, ao contrário do que muitos pensavam, essa doutrina tinha grande poder de conversão, pois trazia a garantia e a confiança de que aquele que veio à Cristo está entre os escolhidos de Deus!

Sobre a reprovação dos perdidos ele disse: “Sem dúvidas as doutrinas da eleição e reprovação têm de andar ou cair juntas. (…) creio na doutrina sobre os réprobos, de que Deus intenta entregar a graça salvadora por meio de Jesus Cristo apenas a certo número; e que o resto da humanidade, após a queda de Adão, justamente deixada por Deus a continuar em seu pecado, sofrerá por fim a morte eterna que é seu salário adequado.”4

EXPIAÇÃO LIMITADA:

Deus pai, entregou seu filho Jesus Cristo para sofrer o sacrifício perfeito na cruz em prol da salvação daqueles que Ele já dera na eternidade. Ou seja, a morte de Cristo é eficaz para todos os eleitos, e não para toda a humanidade (pois o sacrifício foi perfeito e não incompleto). Whitefield se opôs a crença da expiação universal, posto que essa doutrina sustenta a base para o livre-arbítrio do homem no tocante a salvação, e conseguintemente tira o poder de Deus e coloca nas mãos do homem. Ele entendia que a morte de Cristo foi suficientemente eficaz para todos quantos cressem, e que isso não traria nenhum prejuízo a sua responsabilidade de pregar, pelo contrário: pregava com muita intensidade sobre o sacrifício de Cristo, para que aqueles por quem o Filho morreu fossem chamados e acabassem buscando a salvação em Cristo Jesus!

GRAÇA IRRESISTÍVEL:

Esse grande evangelista também entendia e pregava que todos os pecadores eleitos em Cristo para salvação, de antemão receberiam a obra da terceira pessoa da trindade (o Espírito Santo). E assim o pecador seria convencido e chegaria ao arrependimento e a fé, concluindo a obra da regeneração. “Eles terão de ser regenerados, nascidos de novo; terão de ser renovados em seu espírito, nas mais profundas faculdades de sua mente, antes que possam realmente chamar Cristo de ‘Senhor,Senhor’”5, afirmava Whitefield. Ele entendia que quando Deus derrama essa graça, ele sempre alcança o resultado esperado, e orava para que o Senhor sempre derramasse dessa graça salvífica quando pregava, pois reconhecia que, se Deus não agisse, a pregação dele por mais grandiloquente que fosse não iria produzir nenhuma conversão. Ele também exortava os ouvintes a orar à Deus pedindo essa graça. A graça irresistível de Deus pode quebrar a resistência do coração mais obstinado pelo pecado que houver, todavia, isso só acontecerá no momento em que Deus quiser. A obra de Deus é eficaz, todos os verdadeiros eleitos serão regenerados irresistivelmente pelo Espírito Santo!

PERSEVERANÇA DOS SANTOS:

Whitefield tinha plena convicção que: “aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1.6). Ele acreditava que Deus há de preservar Seus escolhidos até a eternidade, ou seja, alguém que foi convertido genuinamente jamais poderá cair completamente da graça. Todo verdadeiro crente já tem a segurança da salvação e vida eterna. “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (João 10.28). Sobre essa doutrina ele declarou: “Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis. Aquele a quem ele ama, estou persuadido, ele amará até o fim”6. Ele defendia esse ensinamento bíblico como fundamental, inclusive contradisse seu colega várias vezes, o famoso Jhon Wesley (líder precursor do movimento metodista), que não acreditava nessa doutrina e achava que o homem pode perder a salvação.

O zelo evangelístico de Whitefield estava firmemente alicerçado nessas doutrinas da graça soberana, assim como também foram outros grandes homens do passado, tais como: Ap. Paulo, Agostinho de Hipona, João Calvino, Jonathan Edwards, Charles Spurgeon, entre outros.

Podemos ver na vida e ministério desse homem a importância de uma sã doutrina. Certamente o entendimento correto das Sagradas Escrituras e da soberania de Deus, trouxeram conforto a ele nas horas difíceis e trágicas de sua vida: ele perdeu seu filho de forma precoce quando o mesmo ainda era uma pequena criança, sua fiel e companheira esposa também faleceu em um momento inesperado, além disso enfrentou diversas dificuldades financeiras em tempos de perseguições. Essas doutrinas também foram o fogo propulsor das suas pregações. Sem grandes estratégias, sem nenhum tipo de pragmatismo, entretanto, usando tão somente essas antigas doutrinas bíblicas, como já citamos no início do texto, George Whitefield chegou a pregar para mais de 1 milhão de pessoas, onde muitas foram levadas à Cristo, pela graça de Deus!

Que sejamos impelidos a pregar o Evangelho cada vez mais aos perdidos que perecem, mas que tenhamos o zelo bíblico que esse homem teve, e confiemos unicamente nAquele que pode fazer tudo o que não podemos: “ao Senhor pertence a salvação” (Jn 2.9b).

Soli Deo Gloria

Rafael Durand
www.facebook.com/rafinhadurand

¹ Se porventura você se interessou em conhecer, ou até participar do nosso projeto, acesse à página do EvangelizAção no facebook e obtenha mais informações: www.facebook.com/evangelizacaocg

² LAWSON, Steven J. O Zelo Evangelístico de George Whitefield. São José dos Campos, SP: Fiel, 2014, p. 62.

³ Ibid. p. 68.

4 Ibid. p. 70.

5 Ibid. p. 73.

6 Ibid. p. 76.

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