O ESTADO SEGUNDO A BÍBLIA

Estamos em período de eleição e nada mais comum a essa época do que a efervescência do debate político. “Qual a melhor corrente política? Comunismo? Anarquia? Socialismo? Liberalismo? Qual? O Estado deve existir ou não? Se deve, qual a sua função?” Essas são algumas das muitas questões que surgem na cabeça de muitos durante esse período, principalmente os mais leigos nesses pontos. Portanto, julgo necessário algumas breves explanações sobre essas questões, algumas agora e outras em textos futuros.

Podemos afirmar que o governo está inserido em uma das esferas de atuação da graça comum de Deus, a saber, a esfera da sociedade. Esta esfera é caracterizada pela existência de várias organizações e estruturas na raça humana. Vemos isso primeiramente na família humana, ressaltado pelo fato de que Adão e Eva permaneceram marido e mulher após a queda e então tiveram filhos, homens e mulheres (Gênesis 5:4). Os filhos de Adão e Eva casaram-se e formaram famílias para si mesmos (Gênesis 4:17,19,26). A família humana permanece ainda hoje, não simplesmente como instituição para os crentes, mas para todas as pessoas.

No Antigo Testamento, os juízes humanos podiam ser chamados de “deuses”, porque eram considerados representando a pessoa de Deus, ao fazerem justiça: “Disse aos juízes: Vede o que fazeis, porque não julgais da parte do homem, e sim da parte do Senhor, e no julgardes, ele está convosco.” 2 Crônicas 19.6 ( ver mais em Salmo 82, Deuteronômio 1.16).  Por isso que na tradição reformada considera-se o governo como uma dádiva divina; segundo esta teologia, ele fora dado posteriormente à queda. Assim, gostaria de apontar três finalidades para os magistrados

1) Contenção do pecado

O governo deve exercer seu papel com representante divino e prescrever leis que reprimam o pecado do homem, não como a igreja o faz, mas na questão moral. Isto é, os magistrados devem estabelecer leis que respeitem, por exemplo, a santidade do casamento e da família, que protegem a vida humana e proíbem o roubo e a falsidade no falar e assim por diante. Quando o estado deixa de conter o pecado e passa a promove-lo, ele está pecando contra Deus desobedecendo-o e desonrando o papel que lhe fora incumbido.

2) Contenção da Violência

Os magistrados tem o direito e o dever de usar a espada. Essa liberdade é dada por Deus para que os ímpios e desregrados sejam punidos. O apóstolo Paulo diz: Mas se você praticar o mal, tenha medo, pois ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica omal (Romanos 13:4).  E também nos diz Hebden Taylor: “O estado existe em função da pecaminosidade humana, de tal forma que, com o seu poder de coerção, é uma instituição característica da graça comum, temporal e preservativa, de Deus. A visão católico-romana, que fundamenta o estado naesfera do natural, não faz justiça ao fato do pecado. Tanto no Antigo, como no Novo Testamento, o poder organizado da espada é relacionado de modo enfáticocom a queda do homem (Rm 13.1-5; 1Pe 2.13; Ap 13.10; 1 Sm 12.17-25; 24.7,11; 26.9-11; 2 Sm 1.14-16).” Evidentemente, os governantes devem ter cuidados com os excessos, para que sua severidade exagerada não traga mais malefícios que benefícios.

3) Respeito aos justos e pacíficos

Enquanto que no primeiro ponto os magistrados devem ser responsáveis pela penalização do pecado, o terceiro ponto ressalta que aqueles que fazem o bem devem ser honrados e respeitados. O estado deve se preocupar em promover a qualidade de vida para aqueles que fazem o bem, para aqueles que labutam e andam conforme as leis, sujeitando-se as autoridades governamentais.

Concluindo, o governo deve garantir “que não se perturbe o sossego público; que cada um possua o que é propriamente seu; que os homens mantenham entre si transações justas; que se cultive honestidade e modéstia entre eles; enfim, que entre os cristãos subsista a expressão pública da religião, seja a humanidade firmemente estabelecida entre os homens” (João Calvino). É essa a ideia por trás de Romanos 13. Quando o governo passa disso, ele deixa de cumprir aquilo que lhe foi ordenado e desobedece a Deus. Os magistrados devem sempre ter noção da sua função em mente para que Deus seja glorificado com um governo bíblico. Lembre-se bem disso na hora de escolher que vai lhe representar como governante.

Lucas Dantas.
Facebook: https://www.facebook.com/LucasDantas19

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1 comentário

  1. Eu sou a favor da Aristocracia, isto foi instituído segundo a lei divina. Moisés, com efeito, e seus sucessores governam o povo como governando singularmente a todos, o que é uma espécie de reino. Eram escolhidos setenta e dois anciãos segundo a virtude: diz-se no livro do Deuteronômio (1, 15): “Tirei de vossas tribos homens sábios e nobres e os constituí príncipes”; e isso era aristocrático. Entretanto, era democrático que esses tivessem sido escolhidos dentre todo o povo; diz-se no livro do Êxodo (18, 21): “Providencie de todo o povo homens sábios” etc.; e também que o povo os escolhia; donde se diz no livro do Deuteronômio (1, 13): “Daí dentre vós homens sábios” etc. Portanto, fica claro que foi a melhor ordenação dos príncipes que a lei instituiu. Tomás de Aquino

    Aristocracia sem a corrupção, que chama-se oligarquia.

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