SOLA SCRIPTURA: UM BRADO PERMANENTE!

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No dia 31 de Outubro comemoraremos os 497 anos da Reforma Protestante. A Reforma, para quem ainda não sabe, foi um grande marco na história do Cristianismo que aconteceu no séc. XVI. A figura central deste acontecimento foi o monge agostiniano Martinho Lutero (1483 – 1546). A leitura da passagem bíblica “O justo viverá por fé” (Rm 1:17) feita por Lutero, o influenciou sobremaneira, de modo que ele compreendeu a doutrina da justificação com o seguinte contexto: “justificação quer dizer satisfação do critério de justiça de Deus”¹, ou seja, não por obras nem tampouco sacrifícios, todavia, a justificação pela fé e tão somente pelos méritos de Cristo, como atesta a Escritura!

Com essas convicções, no dia 31 de outubro de 1517 ele afixou suas 95 teses na porta da catedral de Wittenberg na Alemanha, protestando contra vários pontos doutrinários da Igreja Católica Romana, sobretudo contra a venda de indulgências, onde havia a comercialização da “salvação” ou do perdão de pecados, além de outros abusos impostos pelas lideranças eclesiásticas de Roma. Conseguintemente, desencadeou uma grande transformação religiosa, teológica e filosófica naquela época, culminando com o nascimento da Igreja Protestante.

Os princípios fundamentais da Reforma ficaram conhecidos pelos termos em latim como “os Cinco Solas”: Sola Scriptura (somente a Escritura), Sola Fide (somente a fé), Solus Christus (somente Cristo), Sola Gratia (somente a graça) e Soli Deo Gloria (glória somente a Deus).

Neste artigo irei fazer referência a um desses princípios, a saber, o Sola Scriptura. Tendo em vista que outro lema eminente na Reforma foi “Ecclesia reformata, semper reformanda”, isto é, igreja reformada sempre se reformando. Portanto, sempre se faz necessário recordar estes fundamentos da Igreja Reformada, voltando sempre para a palavra de Deus com o intuito de coibir certas práticas heréticas que via de regra são introduzidas na igreja.

Primeiramente, irei elencar, com o intuito de ficarmos alertas, três ameaças que vêm tentando usurpar o lugar das Sagradas Escrituras na Igreja de Cristo:

1. FALSAS DOUTRINAS: Qualquer forma de pregação, exortação, devocional, evangelismo ou louvor, desassociado de conteúdo bíblico, é algo sobremodo vazio, infrutífero e falso! O lugar proeminente da pregação bíblica não pode ser negociado em benefício de entretenimentos e artifícios pragmáticos, sobretudo nos cultos. Infelizmente no evangelicalismo contemporâneo, algumas denominações ditas evangélicas têm dado ênfase a doutrinas anti-bíblicas, tais como: as famigeradas teologias da prosperidade financeira e da confissão positiva. Levando seus frequentadores a crerem em um deus deturpado, que só quer dinheiro para realizar as vontades do ser humano (algo bem semelhante às antigas indulgências). As curas e milagres também são exaltados em detrimento do sacrifício de Jesus Cristo na cruz: sacrífico este que traz a verdadeira cura da alma e o milagre da salvação!

2. LIBERALISMO TEOLÓGICO: A Teologia liberal (ou liberalismo teológico) é um movimento que relativiza a autoridade da Bíblia, esses ensinamentos estabeleceram uma mescla da doutrina bíblica com a filosofia e as ciências da religião. Os teólogos-liberais negam a autoridade e inerrância bíblica e a historicidade dos milagres de Cristo. Uma verdadeira epidemia de apostasia vem crescendo na igreja, muitos expoentes dessa teologia passaram a ser admirados e seguidos por muitos cristãos que outrora criam na sã doutrina.

3. TEÍSMO ABERTO: É a teologia que nega os atributos de Deus como: a onipresença, a onipotência e a onisciência do Senhor. Seus defensores afirmam que Deus não conhece o futuro completamente, e pode mudar de ideia conforme as circunstâncias, ou seja, mais um conceito relativista que se contrapõe a infalibilidade da palavra de Deus.

Devemos ter bastante cuidado com todas essas heresias supracitadas que sutilmente se introduzem no meio evangélico.

SOMENTE A ESCRITURA JÁ É EFICAZ!

Não precisamos, nem podemos, nem tampouco devemos acrescentar nenhum ensinamento às Sagradas Escrituras! A palavra de Deus não precisa ser adornada/embelezada, por si só ela é perfeita e mais valiosa do que o ouro mais precioso que possa existir (Sl 19). É como uma noiva entrando na igreja na hora do casamento, ela não precisa mais de nenhum adereço, pois já está perfeitamente pronta para aquela ocasião. Ora, quantos pastores têm tentando tornar a palavra de Deus algo mais palatável aos ouvintes, acrescentando nos cultos de suas igrejas performances e métodos engenhosos que, ilusoriamente, creem eles, serão eficazes na conversão e santificação das pessoas? Estes estão deveras equivocados, certamente esqueceram que o poder de Deus para salvação é tão somente o puro e simples Evangelho de Jesus Cristo (Rm 1.16)! O reformador João Calvino certa vez disse: “A Escritura (o novo e antigo testamento) é o próprio Deus falando conosco como um pai fala com seus filhos”. Não podemos rejeitar, portanto, a voz do nosso Senhor!

A IMPORTÂNCIA DA LEITURA BÍBLICA

A fé vem do ouvir a palavra de Deus (Rm 10.17). Escutamos a palavra de Deus quando ela chega aos nossos ouvidos ou quando a lemos diretamente nas nossas bíblias, isso fortalece a nossa fé. Assim como a oração, a comunhão e os sacramentos (batismo e ceia), a leitura da palavra é também um dos meios de graça que nos ajuda na santificação, “Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17-17). Devemos buscar na palavra o nosso alimento diário, estudá-la de forma devocional e sistemática, buscando o auxílio dos irmãos mais experientes e de livros escritos por homens piedosos e fiéis à Escritura quando for preciso. Não é necessário ser um erudito, um grande teólogo, mestre, ou ser uma pessoa dotada de uma inteligência anormal, a mensagem do Evangelho é simples e acessível a todos. No entanto, obviamente, com o amadurecimento na fé, o cristão se deleitará cada vez mais em se aprofundar nos assuntos concernentes ao reino dos céus. Contudo, o Ap. Paulo diz que Cristo o enviou para evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã (1 Co 1.17). Ora, a mensagem do Evangelho pode ser compreendida em uma única passagem, como vemos em João 3.16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. E aprouve a Deus salvar os que creem nessa pregação (1 Co 1.21). Portanto, não temos desculpas para evitar o contato com as sagradas palavras do Senhor!

DILIGENTES PRATICANTES DA PALAVRA DE DEUS

Diante de todas essas reflexões, queridos leitores, vale ressaltar que não devemos ser apenas estudiosos e ouvintes dessa palavra, mas precisamos ser praticantes diligentes de todo o desígnio de Deus (At 20. 27), diariamente, em todas às áreas de nossa vida. Como bem nos ensina a carta de Tiago: “E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1. 22). Não devemos, portanto, ser hipócritas. Salmos 119. 105 diz o salmista: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho”. A palavra de Deus para o homem é como um GPS infalível que sempre o conduzirá à rota correta! Ela deve estar arraigada a todas as áreas da nossa vida. Não há uma esfera da nossa caminhada que Deus não tenha algo a nos ensinar por meio da Sua santa palavra. Todas as nossas convicções precisam estar submissas à vontade de Deus revelada na Escritura.

TODA A ESCRITURA APONTA PARA CRISTO

A centralidade das Escrituras é Cristo, pois ela aponta para o nosso Senhor e Salvador Jesus de Gênesis a Apocalipse! (Cf. Gn 3. 15, Ap 7. 17). É a palavra de Deus que ensina a nos arrependermos e crermos no Senhor Jesus (Mc 1. 15), que Ele é o nosso único mediador (1 Tm 2. 5), o caminho a verdade e a vida (Jo 14. 6), e quem crerá nEle terá a vida eterna (Jo 3. 36).

SOLA SCRIPTURA UM BRADO PERMANENTE

Que possamos então, hodiernamente, há quase 500 anos depois da Reforma, bradar como fez Lutero no séc. XVI, desta feita em oposição aos falsos ensinamentos introduzidos na Igreja contemporânea, retornando aos ensinos de Cristo, dos apóstolos e da Igreja Primitiva, onde SOMENTE A ESCRITURA é e deve ser a nossa autoridade, regra de fé e de prática, inerrante e infalível, a própria voz de Deus falando com o Seu povo. Que sejamos cativos em nossa consciência dessa palavra, afinal, como diz 2 Timóteo 3. 16: “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; 17. para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra”.

SOLA SCRIPTURA E TOTA SCRIPTURA (TODA A ESCRITURA)!

Rafael Durand

www.facebook.com/rafinhadurand

¹ Nota de rodapé da Bíblia de Estudo de Genebra sobre o versículo de Romanos 1. 17.

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2 comentários

  1. Graça e Paz de Cristo Jesus nosso Senhor. que o Senhor nos ajude neste tempo ser leais e fieis a Cristo nosso senhor e que falemos unicamente a verdade, levando outros a seguirem a Cristo, pela verdade unicamente pela verdade da graça revelada a nós. Que não passe de nós o Espírito do Senhor, e tudo o que foi dito a nós venha se cumprir, que não seja preciso que se levante outra geração para proclamar a palavra, mas que nossa geração se levante e diga como disse o profeta Isaias: Eis-me aqui, envia-me a mim.

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