FRUTO DO ESPÍRITO, UMA SAFRA EM ESCASSEZ

frutos

“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.” (Gálatas 5:22)

Circulou há alguns meses atrás nas redes sociais e em grupos de mensagens de telefones celulares, um áudio no qual uma mulher tenta fazer uma reflexão acerca do fruto do Espírito, baseada na carta do Ap. Paulo aos Gálatas, capítulo 5, verso 22. Até aí tudo bem, no entanto, o que me chamou deveras a atenção é o que ocorre durante a tentativa frustrada da mulher discorrer sobre o tema, onde ela fala que enfatizará a manifestação do fruto através da paciência. Ao iniciar a reflexão sobre paciência, ela enfatiza que devemos tê-la nos dias de hoje devido à correria do dia-a-dia, o trânsito, a situação caótica e aos relacionamentos com outras pessoas (tudo isso realmente são fatos verídicos). Entrementes, no decorrer da sua “meditação”, o seu filho começa a chamá-la algumas vezes, e o seu animalzinho de estimação (um cachorro) parece a incomodar um pouco. Contudo, ao invés dela exercer aquele fruto sobre o qual ela está pregando, ela tem um acesso de total falta de paciência, além da falta de: domínio próprio, longanimidade, benignidade, bondade, mansidão e temperança. Isto é, ela pratica uma ação totalmente contraditória com o discurso que ela apregoava, indo de encontro ao fruto do Espírito, usando de palavras agressivas e até imorais contra o seu próprio filho por ele estar atrapalhando a sua “reflexão” (se você não escutou esse áudio ainda clique aqui).

Todavia, outro fato que também me chamou a atenção foi a repercussão que esse áudio tomou nos grupos de mensagens de celular (WathsApp), pois embora tenha sido levado por muitos de uma forma humorística, algumas pessoas verdadeiramente se identificaram com a mulher que se mostrou veementemente descontrolada. Ora, se eu estivesse falando de ímpios ainda seria “aceitável”, no entanto, essas declarações de identificação partiram de pessoas que se dizem cristãs. Mas infelizmente isso é uma realidade. Quantas vezes não vemos pessoas que professam a fé em Cristo tendo momentos de extremo descontrole, brigando no trânsito, em filas, perdendo a paciência pelo motivo mais pífio possível?  Podemos inferir, portanto, que muitos evangélicos ainda não têm uma verdadeira concepção bíblica acerca do fruto do Espírito Santo de Deus, e acham que podem viver de acordo com os padrões mundanos de comportamento.

Não estou querendo defender a tese de que um cristão não pode ter momentos de profunda raiva, stress ou impaciência, afinal nossa carne está sempre suscetível aos mais variados sentimentos, sobretudo sentimentos pecaminosos. Mas enfim, o que eu realmente tenciono e pretendo, ao abordar esse tema? O grande âmago da questão caros leitores, é que embora sejamos falhos e pecadores, não devemos nos conformar com esses sentimentos que via de regra aflige nosso corpo, nossa carne, nossa mente, nossa alma. Além do mais, essas atitudes acabam fomentando o egocentrismo e o narcisismo no homem. Entretanto, o melhor antídoto ou a melhor estratégia a ser tomada para fugir dessas condutas e pensamentos, que muitas vezes já estão internalizados nas nossas vidas por conta da influencia exacerbada do mundanismo entre os crentes, é estar sempre fazendo uma metanoia, isto é, um termo grego usado para designar a mudança de mente que ocorre com o cristão quando ele é alvo da graça de Deus. Vale ressaltar que essa mudança de mente é perene, ou seja, deve ser um processo continuo na vida do cristão, porquanto cada vez mais nossa mente precisa se assemelhar a mente de Cristo ( 1 Co 2.16). O conceito de metanoia é categoricamente perceptível na carta do Ap. Paulo aos Romanos capítulo 12, verso 2: “e não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

Mas voltando a questão do fruto do Espírito (Gl 5: 22), precisamos compreender que esta manifestação do Espírito Santo é uma clara evidência de uma vida transformada por Cristo. Ora, “Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito.” (Gálatas 5:25). Já em contraposição ao fruto do Espírito, estão as obras da carne, “Pois a carne luta contra o Espírito e o Espírito contra a carne, porque estes são opostos um ao outro”(Gálatas 5:17), são elas: “a fornicação, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, e outras coisas semelhantes, contra as quais vos previno, como já vos preveni, que os que tais coisas praticam, não herdarão o reino de Deus” (Gálatas 5:19-21). Muitas vezes usamos de argumentos para tentar fundamentar e legitimar nossos atos pecaminosos, tais como: “esse é meu jeito de ser”, “eu nasci assim e não tenho como mudar”, “eu ajo assim por conta do meu temperamento”, “essa é a minha personalidade”, etc. Todavia, mediante todas as reflexões supracitadas extraídas do texto de Gálatas 5, podemos perceber que para o cristão não existe esse tipo de “personalidade”, existem na verdade o fruto do Espírito ou as obras da carne! Então, como você prefere agir? Segundo seus próprios sentimentos praticando toda sorte de obras da carne? Ou buscando exercer esse fruto de uma safra que está cada vez mais escassa na vida das pessoas, para que assim eles sejam perceptíveis em sua vida?

Espero que essas reflexões possam nos ajudar no sentido de que, quando houver questões difíceis, de conflitos, de stress, seja no trânsito, numa fila de espera, numa conversa séria, ou em qualquer situação, de antemão possamos refletir e lembrar que há uma semente plantada em nosso coração, e essa semente precisa frutificar através da nossa forma de pensar, de agir e de falar, pois fomos transformados por Jesus Cristo, um ser totalmente santo, e essa transformação precisa ser evidenciada em todas as faculdades de nossa vida. Portanto, não podemos mais agir segundo os conceitos mundanos, mas sim de uma forma que “resplandeça a nossa luz diante dos homens, para que vejam as nossas boas obras e glorifiquem a nosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5:16).

SOLI DEO GLORIA!

Rafael Durand

https://www.facebook.com/RafinhaDurand

Anúncios

2 comentários

  1. Reflexão interessante, porém vale uma importante correção: Apesar de serem citadas diversas virtudes, o texto paulino não se refere a vários frutos, mas apenas UM fruto. Tal como se fosse uma tangerina, vários são os seus gomos. Uma virtude desenvolve-se a partir das outras.

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s