#Cruz

DA CRISE À REDENÇÃO!

corrupção

O país está em crise,
Mas em Cristo somos fortes;
Suportaremos às tempestades,

Porquanto Deus é nosso aporte.

Vivemos dias sem precedentes,
Com demasiada corrupção;
Eis a natureza humana,

Inclinada à ambição.

Consequência lá do Éden,
Onde o homem quis usurpar,
O lugar do Deus Altíssimo –

Seu santíssimo altar.

Em maior ou menor escala
Sempre isso ocorreu:
O homem deseja tomar para si

Aquilo que não é seu.

O poder emana do povo
Diz a nossa Constituição,
Mas não somos representados

Por um “bando de ladrão”!

Todavia, nossa fé
Não está fulcrada em homens.
A esperança, para nós,

Na verdade, tem um nome.

Não será um presidente,
Tampouco um governador,
Mas é o Deus Soberano,

Que enviou o Salvador!

Sentimento indelével
Para todos os escolhidos,
É ter plena suficiência

No Senhor Jesus Cristo.

A INSENSATEZ DO HOMEM DISTANTE DE DEUS

Tn_Insensato_Coracao_2010_hd

“Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem” (Salmo 14:1)

O versículo epigrafado nos traz uma mensagem de suma importância dentro do livro de Salmos. O Salmo 14 tem tamanha relevância e aspecto didático que é, praticamente, repetido no Salmo 53 – com divergências apenas entre os versos 5 e 6. Ora, mas que mensagem nos traz essa porção da escritura sagrada, a ponto de ser repetida em duas ocasiões no mesmo livro? Certamente, o salmo 14 nos traz grandes lições acerca da pecaminosidade humana, bem como da redenção do homem.

Não pretendo, aqui, fazer uma profunda exposição desse Salmo (aconselho que estude esse Salmo mais profundamente em outra ocasião, ele é mui rico!), mas gostaria de chamar sua atenção para uma realidade que parece ser longínqua, entretanto, pode ser claramente percebida em nosso meio cristão.

O Insensato

A palavra insensato no texto (Sl 14:1) – diferentemente do seu sentido na língua portuguesa, que significa pessoa que não tem bom senso, louco, sem noção da realidade, etc – traz o significado de alguém que é oposto o do sábio, isto é, alguém que não anda segundo o temor do Senhor — que é o princípio da verdadeira sabedoria (Pv. 9:10). Logo, o insensato no salmo 14 é alguém que despreza absolutamente a realidade de que Deus existe! Essa condição de insensatez desemboca no que chamaremos de Ateísmo Prático, ou seja, negar que a existência de Deus seja relevante para vida humana, o que ocasiona, conseguintemente, consoante a parte b do vs. 1, à violação de todos os princípios, estatutos e leis estabelecidas por Deus, uma vez que eles “Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem” (Sl 14:1b).

Cumpre ressaltar, no entanto, que esse tipo de ateísmo do Salmo 14 é algo bem diferente do ateísmo técnico e filosófico que estamos acostumados a ver hodiernamente nos debates entre teístas e ateístas – esse tipo de negação da existência de Deus só veio emergir no séc. XVIII e hoje tem como um dos mais conhecidos proponentes, o biólogo Richard Dawkins.

Todavia, o ateu prático do Salmo 14 é alguém que vive como se Deus não existisse, praticando toda sorte de atos pecaminosos e repugnantes – é uma questão moral. Portanto, o insensato – ateu prático – passa a viver como se Deus não mais existisse, nem tampouco fosse nos julgar um dia em face de todas as nossas ações. Com maestria, o puritano do séc. XVII Matthey Henry comenta esse versículo, dizendo que “nenhum homem pode dizer: “Não há Deus”, sem que esteja a tal ponto endurecido no pecado, que tenha como seu especial interesse a não existência de alguém que o chame a prestar contas” [1].

No contexto histórico dessa passagem, o autor do Salmo (Davi), se referia aos insensatos, não em relação a pessoas de outras tribos inimigas de Israel ou a nações distantes dele; ele se referia, no entanto, aos israelitas, ou seja, o próprio povo de Deus que começara a viver como se Ele não mais existisse.

Estamos nos tornando insensatos?

Diante disso, para os nossos dias, podemos perceber que o Ateísmo Prático, também pode estar intrínseco ao nosso meio cristão, eclesiástico e, infelizmente, até em nossas vidas. Isso é perceptível, categoricamente, quando passamos a desprezar as realidades concernentes à Deus, ao Espírito Santo e ao nosso salvador Jesus Cristo.

Ocorre que, quando nos afastamos dos meios de graça deixados pelo próprio Deus, nossa fé e obediência a Ele declinam de tal maneira que nos tornamos insensatos.

Veja o porquê:

  • Quando deixamos de orar, passamos a confiar não mais em Deus, mas nas nossas forças e até no acaso. Esquecemos, destarte, do que Tiago diz em sua carta, a saber, que a oração de um justo pode muito em seus efeitos (Tg 5:17).
  • Já dizia o salmista Davi que a palavra de Deus é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho (Sl 119:105). Quando nos afastamos do princípio de que a bíblia e tão somente a escritura é a nossa regra de fé e prática, e que essa palavra deve guiar às nossas vidas, estamos desdenhando o que Deus tem para falar conosco e dando ouvidos somente ao nosso egocentrismo e mundanismo inerentes a natureza humana.
  • A velha máxima “me diz com quem tu andas que te direi quem és” tem muito a ver com a realidade bíblica, veja o Salmo 1:1: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”. Nesse sentido, quando nos afastamos da comunhão com nossos irmãos em Cristo, estamos fadados a nos tornarmos pessoas desventuradas e insensatas diante de Deus, pois somos seres influenciáveis, sobretudo, para o mal!

E agora, o que fazer para não me tornar um insensato?

Decerto, eu, na minha posição de miserável pecador, não sou a pessoa que terá a resposta final e mais eficaz para a pergunta supracitada, uma vez que “todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Sl 14: 3). Quero dizer, com isso, que todos nós somos falhos e pecadores, mas como outrora disse Calvino: “Na igreja de Cristo não há ninguém tão pobre que não possa compartilhar conosco algo de valor” [2].

Portanto, se valendo de outra máxima popular, qual seja, a de que “devemos aprender com os nossos erros para não repeti-los”, posso vos auxiliar nessa reflexão. Ora, já vimos nos parágrafos anteriores sobre se “Estamos nos tornando insensatos?” algumas cousas que nos afastam de Deus. E, assim como o antídoto para a cura de um envenenamento por cobra é extraído de seu próprio veneno, devemos verificar nas nossas faltas ou áreas débeis de nossas vidas, afim de encontrar o local ideal para aplicar o remédio curador ou preventivo que nos imuniza ante os enfraquecimentos da nossa fé cristã.

Primeiramente, caros leitores, quero esclarecer que devemos nos dedicar impetuosamente a oração, entendendo que não oramos ao acaso, nem tampouco a uma força impessoal e transcendente, oramos, no entanto, ao Deus soberano que controla todas às cousas e, até nos momentos onde estamos nos tornando insensatos Ele é capaz de fortalecer nossa fé! E, como já citado, ele nos deixou meios para isso.

Em segundo lugar, lembremos que a Bíblia é divinamente inspirada e “útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Tm 3:16-17). Ou seja, nós devemos nos alimentar diuturnamente desse rico alimento sagrado. Afinal, você não viverá apenas de comer Subway, Mc Donald’s ou Burger King, mas de toda palavra que sai da boca de Deus (Mt 4:4)! Em outro texto, neste blog [3], eu disse que ela – a palavra de Deus – é como um GPS infalível que sempre nos conduz a rota correta.

Em terceiro lugar, quero dizer que você jamais se tornará um insensato se cultivar amizades santas, boas e que te aproxime de Deus. Pelo contrário; os seus irmãos verdadeiros de fé, mostrarão cada vez mais que você nunca deverá viver como se Deus não existisse, uma vez que você foi criado para glorifica-lO e ser satisfeito nEle perenemente [4].

E Cristo, onde está nisso tudo?

Se vocês lerem todo o Salmo 14, perceberão o seguinte: esses homens insensatos estavam vivendo como se Deus não existisse, cometendo às atrocidades mais espúrias possíveis, todavia, no final do Salmo (Sl 14: 5 – 7), verão que eles “Tomar-se-ão de grande pavor, porque Deus está com a linhagem do justo. Meteis a ridículo o conselho dos humildes, mas o SENHOR é o seu refúgio. Tomara de Sião viesse já a salvação de Israel! Quando o SENHOR restaurar a sorte do seu povo, então, exultará Jacó, e Israel se alegrará”. Isto é, aqueles que não se tornaram insensatos, acharam refúgio e fortaleza em Deus (Sl 46) e se alegraram pela salvação que logo vinha de Sião (vs. 6 e 7).

Como não perceber Cristo nisso tudo?!

Eis o ponto nevrálgico da nossa reflexão: somente a verdadeira fé e plena convicção no nosso Salvador Jesus Cristo é que não nos permite cair em insensatez! Que essa verdade esteja incutida em nossas mentes, de modo que o sacrifício do Cordeiro na cruz do calvário produza conforto ante às mais variadas situações da nossa vida. Ele mesmo prometeu que estaria conosco até a consumação dos séculos, em virtude da nossa passagem pela terra – como forasteiros e peregrinos. Ele disse que haveríamos de passar por aflições, mas que estaria conosco e, por isso, deveríamos ter bom ânimo, afinal, Ele já venceu o mundo (Jo 16:33)!

Sollus Christus

Rafael Durand
https://www.facebook.com/RafinhaDurand

[1] Comentário bíblico condensando — Matthey Henry.

[2] As Instituas da Religião Cristã – João Calvino

[3] Sola Scriptura um brado permanente, em: https://cristaoscontraomundo.wordpress.com/2014/10/29/sola-scriptura-um-brado-permanente/ — Rafael Durand

[4] Catecismo Maior de Westminster

Escravos, Graça e Salvação

Em meados do século XVIII, John Newton, antigo funcionário da Marinha Real Inglesa, iniciou sua carreira como comandante de um navio negreiro inglês. Sua missão era ao mesmo tempo simples e muito extensa: negociar com chefes tribais na costa africana “cargas” compostas por homens e mulheres capturados em seu território natal, acorrentar e acoplar a carga obtida (normalmente de 600 unidades) abaixo das plataformas com acesso à luz solar (para evitar doenças e tentativas de suicídio), conduzi-la à América e negociar seu valor em medidas de açúcar e melaço para transporte à Inglaterra.

Em uma destas viagens, entretanto, Newton e sua tripulação foram fortemente atingidos por uma tempestade, causando a morte de alguns de seus homens. Não se sabe ao certo se o barco suportou as torrentes daquela noite. John Newton, por outro lado sobreviveu e, mais que isto, conheceu àquele que o conduziria ao seu maior legado histórico e a um verdadeiro sentido para sua vida. Neste momento de tribulação John ofereceu sua vida ao Mestre, abandonou o tráfico de escravos e tornou-se cristão, seminarista e autor de hinos.

Alguns anos depois, em 1779, John publica a letra intitulada “Amazing Grace” (Graça Maravilhosa), que fala sobre a incrível graça proveniente de Deus e manifesta através de seu Filho a um perdido pecador que não conseguia enxergar seu pecado.

O tema marcante da letra de Newton está muito mais além do que o simples ato de impedir sua morte durante a terrível tempestade ou de afasta-lo do tráfico de escravos. Amazing Grace fala da misericórdia e graça de nosso Senhor ao nos permitir acesso a si mediante o sacrifício de Jesus. É graças a esta misericórdia que podemos ser chamados filhos de Deus, noiva de Cristo, Coroa da criação. Assim, mesmo com todas as nossas inclinações carnais, como afirma Paulo em sua carta aos Efésios, “Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo” (Ef. 2.4,5).

Agora, não apenas Newton, mas todos nós cristãos devemos afirmar como Paulo: pela graça somos salvos!

Tiago Silva

O MINISTÉRIO DOCENTE DE JESUS CRISTO

Jesus Cristo é o mestre perfeito. Em todos os seus feitos e pronunciamentos, encontramos um modelo a ser imitado, um exemplo a ser seguido. Não era sem razão que os seus discípulos e mesmo aqueles que não se enfileiravam entre os seus, assim se dirigiam a ele, reconhecendo-o como Mestre (Ver: Mt 19.16; Jo 3.2, etc.). Quando Jesus terminou de proferir o “Sermão do Monte”, registra Mateus: “Estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os escribas” (Mt 7.28-29).

Vejamos alguns aspectos da docência de Cristo:

1) Autoridade: Jesus ensinava com a autoridade própria de quem conhecia, vivia e, mais ainda, era a própria encarnação da verdade. A autoridade de Jesus Cristo era derivada da sua própria Pessoa: ele é o Deus encarnado. Entretanto, essa autoridade ôntica (própria do ser) se harmonizava perfeitamente com a sua vida e os seus ensinamentos. (Vd. Mt 7.28,29; 22.16; Mc 1.22; Jo 14.6; Jo 8.46).

2) Sabedoria e Poder: O povo se admirava da sua sabedoria e poder (Mt 13.54).

3) Incansável: Jesus era incansável em seu labor, no ensino da verdade. Esta é uma característica daquele que crê naquilo que ensina e, também, acredita nos efeitos do ensino (Mt 4.23; 9.35; 11.1; 26.55; Mc 1.21; 2.13; 4.1,2; Lc 19.47).

4) Coragem e determinação: Apesar da incredulidade de muitos, inclusive por parte de seus irmãos e, as autoridades judaicas quererem matá-lo, Jesus continuava a ensinar, dando testemunho da verdade (Mc 6.6; Lc 19.47,48; Jo 7.1-9).

5) Discernimento: Ao lado da sua coragem, estava também o seu discernimento para saber a hora certa de agir (Mt 10.16; Jo 7.1-9; 8.58-59; 10.39-42; 12.23; 16.32; 17.1).

6) Realista e sincera: Jesus ensinava, não apenas mostrando as delícias do Reino; ele apresentava a verdade, mesmo que isto em algumas ocasiões decepcionasse os seus ouvintes. Jesus não queria e ainda não quer discípulos enganados, iludidos, que foram convencidos por falsas promessas… Ele deseja discípulos que mesmo conscientes das dificuldades o seguem. Por isso, com freqüência, Jesus falava do seu martírio e das perseguições vindouras. Ele não enganou ninguém e nós, também não temos o direito de fazê-lo; não podemos apresentar um Evangelho esvaziado do seu sentido real e bíblico (Mt 5.11,12; 10.16-22; Mc 8.31,35; 9.31,32; Jo 16.32,33).

7) Sensível às necessidades de seus ouvintes: Jesus Cristo não estava simplesmente disposto a dar o que o povo queria; mas, sim, o que os seus ouvintes necessitavam. Ele era sensível não apenas às suas petições mas, às suas reais necessidades (Mc 6.30-44; Lc 11.1-4; Jo 6.22-40).

8) Fiel à vontade do Pai: Jesus ensinava a verdade que o Pai Lhe confiara a ensinar (Jo 7.14-18). O conteúdo da sua mensagem era o Evangelho do Reino (Lc 4.42-44; 8.1), o qual tinha como centro a figura do Rei eterno, que é o próprio Cristo (Mt 13.41; 16.28; 20.21; 25.31-40).

9) Atenta à perpetuação de seus ensinamentos: Jesus demonstrou claramente a sua atenção para com a transmissão fiel dos seus ensinamentos por parte dos discípulos. Para tanto, a sua Palavra e feitos foram registrados (Jo 20.30-31; Rm 15.4); ele mandou que os seus discípulos ensinassem todas as coisas que lhes havia ordenado (Mt 28.18-20; At 20.27) e, enviou juntamente com o Pai, o Espírito Santo, o qual anunciaria a sua Palavra, guiando os seus à toda verdade (Jo 14.26; 16.7-15).¹

¹ Trecho retirado do livro: Creio no Pai, no Filho e no Espírito Santo – Rev. Hermistem Maia – Ed. Fiel. 2013, p. 18 – 19.

Publicado por Rafael Durand

https://www.facebook.com/RafinhaDurand

O PODER DE DEUS, A CURA DIVINA E AS HERESIAS

As escrituras atestam que aonde o Evangelho chegou, ele não aterrissou apenas em palavras, mas, sobretudo em demonstração de poder. O Ap. Paulo foi o maior missionário do cristianismo e embora fosse um grande erudito, tivesse uma perfeita oratória, isto é, fosse um profícuo comunicador, admitira que toda a sua suficiência e sucesso ministerial na conversão de judeus e gentios era advinda do poder soberano de Deus (2 Co 3. 5), e não da sua capacidade persuasiva. Destarte, podemos compreender um pouco do atributo do poder absoluto e infinito de Deus, o qual é capaz de realizar o que quer e quando quer, no mundo ou na vida de quem Ele quiser (Is 46. 9,10). EL SHADDAI, o nome de Deus que em hebraico significa Todo-Poderoso, revela o senhorio supremo dEle sobre toda a criação e criatura.

Quando o Evangelho chegou à cidade de Éfeso através do esforço missionário de Paulo, homens e mulheres foram salvos pela graça mediante a fé em Cristo (Ef 2. 8), entrementes, pessoas foram curadas e libertas (At 19. 11,12). É visto em vários textos da palavra de Deus, mormente no ministério de Jesus e nas primeiras missões do cristianismo relatadas no livro de Atos dos Apóstolos, que a pregação geralmente era acompanhada de sinais, prodígios, curas e milagres, de modo que todos os eleitos fossem alcançados e salvos. Estes sinais eram oriundos, obviamente, do poder de Deus. Portanto, o Deus Soberano é a fonte do poder de cura, não os apóstolos nem qualquer outro humano.

Contemporaneamente, muito se tem debatido acerca de questões relacionadas à cura divina. Algumas denominações neopentecostais e até tradicionais têm deturpado horrendamente versículos bíblicos isolados e fora de seus respectivos contextos para fundamentar suas mais variadas doutrinas heréticas e perniciosas. Muitos falsos ensinos propagam a inverdade de que um cristão não pode ter enfermidades, e caso esteja doente é por falta de fé, e se tomar remédios estará duvidando do poder de Deus. Os pseudo-apóstolos afirmam falsamente que são dotados do poder da cura divina, todavia, muitas vezes seus “cultos de cura” não passam de encenação teatral de quinta categoria.

Por outro lado existe outro extremo, onde cristãos ficaram céticos em relação ao poder da cura divina, duvidando de tudo e acreditando que Deus não mais restaura a saúde de alguém milagrosamente, o que também é um equívoco inconcebível e incompatível com as Sagradas Escrituras. Ora, Deus é imutável, ou seja, Ele não muda. O salmista disse: “Tu, porém, és sempre o mesmo, e os teus anos jamais terão fim” (SI 102. 27). “Porque eu, o SENHOR, não mudo” (MI 3.6), em Deus não há mudança nem sombra de variação (Tg 1. 17). Logo, o Deus que curou no passado milagrosamente é o mesmo que pode curar hoje de semelhante modo!

Mas afinal, onde encontrar então o discernimento e o equilíbrio correto para esse assunto tão polêmico? O Pastor Brian Edwards no livreto “Existe o Milagre de Curas Hoje?” sabiamente comentou acerca dessa questão: “[…] o fato é que curas não estão acontecendo no nível em que as pessoas estão afirmando que elas se realizam. Muito do que se afirma, na melhor das hipóteses é aquilo que se desejaria que fosse realidade e, na pior das hipóteses uma ilusão peversa”¹. Portanto, temos de julgar tudo à luz da palavra de Deus, pois infelizmente muitas pessoas que sofrem de enfermidades crônicas têm sido vítimas do falso evangelho da cura e buscado em Cristo tão somente a restauração da sua saúde física, no entanto, quando a cura não vem, ficam totalmente decepcionadas com Deus.

Nos cultos de oração da nossa igreja, sempre há pedidos de orações por pessoas que estão acometidas por enfermidades, e assim o fazemos. Via de regra nós oramos para que Deus cure os enfermos milagrosa e imediatamente, mas também se O aprouver Ele os restaurem usando médicos, medicamentos ou tratamentos. O Ap. Paulo, por exemplo, orientou a Timóteo que tomasse um pouco de vinho, devido às suas enfermidades estomacais (1 Tm 5. 23), ou seja, uma prescrição medicinal. Na carta de Tiago capítulo 5 vs. 14 e 15 ele orienta o seguinte: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; E a oração da fé salvará o doente…”. O azeite ou óleo quando mencionado na bíblia, geralmente está relacionado a questões de rituais religiosos (no Antigo Testamento) ou como sendo usado de forma medicinal (no Novo Testamento), como é o caso do verso 14. Podemos perceber, então, que não há incompatibilidade alguma em orar pelas nossas enfermidades, ao passo que fazemos tratamentos medicinais. Deste modo, cremos que toda cura emana de Deus, independente do método que Ele quiser usar!

Em ultima análise, caro leitor, gostaria de encorajá-los a fazer duas coisas. A primeira é estimular vocês a continuarem orando pelos enfermos ou por suas próprias enfermidades, pois “…a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5. 16). Não duvide do poder do Deus Todo-Poderoso, pois só Ele poderá nos curar e, é à Ele a quem devemos dirigir nossa petições (Fp 4. 6)! A segunda é lembrá-los de que em muitas ocasiões relatadas na Escritura, Deus permitiu que Seus servos padecessem com enfermidades e momentos de profundas angústias e tribulações. Assim foi com Jó através da sua devastadora lepra, que o fez se coçar com cacos de telha (Jó 2. 8). Também com o Ap. Paulo, que sofreu intensamente com o “espinho na carne” (2 Co 12. 7).

Contudo, esses dois homens supracitados no parágrafo anterior, não obstante todos os sofrimentos vívidos alcançaram a cura maior, a saber, a redenção do corpo (Rm 8. 23), e foram cada vez mais moldados ao Seu Criador. Ademais, não é nenhuma doença, seja a mais corrosiva e virulenta possível, que irá nos afastar das veredas do nosso Salvador: “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 8. 38-39).

Rafael Durand

https://www.facebook.com/RafinhaDurand

¹ EDWARDS, Brian. Existe o Milagre de Curas Hoje?. São José dos Campos: Ed. Fiel, 2001, p. 15.

DEFENDA O SEU BEM MAIOR!

1

Graça e paz queridos leitores do blog Cristãos Contra o Mundo.

Nesse último dia do ano gostaria de fazer uma breve reflexão em um texto bem curto que se encontra no livro de 2° Timóteo 4: 6-7, e que traz uma grande lição para nossas vidas.

No começo do texto o apóstolo Paulo está passando para Timóteo as suas última lições e relembrando tudo que lhe ensinara. Como em uma prova de revezamento, na qual o atleta passa o bastão para o próximo e assim cada um vai passando o bastão até o objetivo estabelecido ser completado, Paulo está como que entregando o bastão da sã doutrina ao jovem Timóteo.

Essa será a nossa primeira reflexão: Que lições temos passado para o próximo? A verdadeira mensagem do Evangelho tem sido levada adiante por nós?

Seguindo o texto chegamos aos versos 6 e 7, nos quais quero me deter um pouco e extrair mais algumas lições para nós.

Certamente Paulo sabe que sua morte será em breve. Mas, além disso, ele também sabe para onde vai, sabe que está a caminho do seu verdadeiro lar onde descansará por toda eternidade. Porém, antes de se despedir completamente, o apóstolo deixa outra lição para Timóteo e que se aplica a nós perfeitamente: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”. Permitam-me usar mais dois exemplos que nos ajudarão a esclarecer melhor essa lição.

Recentemente, comecei a ler um livro sobre uma crônica medieval chamado 1356, do autor Bernard Cornwell, no qual logo no início da história o personagem frei Ferdinand carrega a espada la Malice e deve impedir que a tomem até que ele a coloque no local seguro, passando por grandes perigos.

Outro exemplo se encontra no filme O Livro de Eli, no qual o personagem porta a última Bíblia existente no mundo e deve leva-la ao local estabelecido, enfrentando homens que querem tomar esse livro.

A minha lição aqui, querido leitor não é perguntar com qual personagem ou qual tipo de objeto você se identifica, mas se o seu bem precioso é a sua salvação e se você tem levado e defendido a Jesus Cristo, o único dono dessa salvação?

Será que, assim como Paulo, podemos dizer que completamos a carreira e guardamos a fé? Temos defendido as verdades do evangelho assim como os personagens citados acima defenderam seus objetos? Como seremos lembrados pelas futuras gerações?

São perguntas que devem sempre caminhar conosco, não somente no fim desse ano, mas durante toda a nossa caminhada cristã. Deus, sendo  misericordioso, nos deu exemplos de homens piedosos como o apóstolo Paulo, Davi, João Batista, Isaías, Jeremias e tantos outros, para que hoje possamos lembrar deles e nos espelhar, porém sempre olhando para o maior de todos os homens que é Jesus Cristo.

Que Ele nos abençoe e derrame graça e misericórdia em nossas vidas. Um feliz 2015!

Tiago Silva
https://www.facebook.com/tiago.silva.39

SOLA SCRIPTURA: UM BRADO PERMANENTE!

PhotoGrid_1414600017927

No dia 31 de Outubro comemoraremos os 497 anos da Reforma Protestante. A Reforma, para quem ainda não sabe, foi um grande marco na história do Cristianismo que aconteceu no séc. XVI. A figura central deste acontecimento foi o monge agostiniano Martinho Lutero (1483 – 1546). A leitura da passagem bíblica “O justo viverá por fé” (Rm 1:17) feita por Lutero, o influenciou sobremaneira, de modo que ele compreendeu a doutrina da justificação com o seguinte contexto: “justificação quer dizer satisfação do critério de justiça de Deus”¹, ou seja, não por obras nem tampouco sacrifícios, todavia, a justificação pela fé e tão somente pelos méritos de Cristo, como atesta a Escritura!

Com essas convicções, no dia 31 de outubro de 1517 ele afixou suas 95 teses na porta da catedral de Wittenberg na Alemanha, protestando contra vários pontos doutrinários da Igreja Católica Romana, sobretudo contra a venda de indulgências, onde havia a comercialização da “salvação” ou do perdão de pecados, além de outros abusos impostos pelas lideranças eclesiásticas de Roma. Conseguintemente, desencadeou uma grande transformação religiosa, teológica e filosófica naquela época, culminando com o nascimento da Igreja Protestante.

Os princípios fundamentais da Reforma ficaram conhecidos pelos termos em latim como “os Cinco Solas”: Sola Scriptura (somente a Escritura), Sola Fide (somente a fé), Solus Christus (somente Cristo), Sola Gratia (somente a graça) e Soli Deo Gloria (glória somente a Deus).

Neste artigo irei fazer referência a um desses princípios, a saber, o Sola Scriptura. Tendo em vista que outro lema eminente na Reforma foi “Ecclesia reformata, semper reformanda”, isto é, igreja reformada sempre se reformando. Portanto, sempre se faz necessário recordar estes fundamentos da Igreja Reformada, voltando sempre para a palavra de Deus com o intuito de coibir certas práticas heréticas que via de regra são introduzidas na igreja.

Primeiramente, irei elencar, com o intuito de ficarmos alertas, três ameaças que vêm tentando usurpar o lugar das Sagradas Escrituras na Igreja de Cristo:

1. FALSAS DOUTRINAS: Qualquer forma de pregação, exortação, devocional, evangelismo ou louvor, desassociado de conteúdo bíblico, é algo sobremodo vazio, infrutífero e falso! O lugar proeminente da pregação bíblica não pode ser negociado em benefício de entretenimentos e artifícios pragmáticos, sobretudo nos cultos. Infelizmente no evangelicalismo contemporâneo, algumas denominações ditas evangélicas têm dado ênfase a doutrinas anti-bíblicas, tais como: as famigeradas teologias da prosperidade financeira e da confissão positiva. Levando seus frequentadores a crerem em um deus deturpado, que só quer dinheiro para realizar as vontades do ser humano (algo bem semelhante às antigas indulgências). As curas e milagres também são exaltados em detrimento do sacrifício de Jesus Cristo na cruz: sacrífico este que traz a verdadeira cura da alma e o milagre da salvação!

2. LIBERALISMO TEOLÓGICO: A Teologia liberal (ou liberalismo teológico) é um movimento que relativiza a autoridade da Bíblia, esses ensinamentos estabeleceram uma mescla da doutrina bíblica com a filosofia e as ciências da religião. Os teólogos-liberais negam a autoridade e inerrância bíblica e a historicidade dos milagres de Cristo. Uma verdadeira epidemia de apostasia vem crescendo na igreja, muitos expoentes dessa teologia passaram a ser admirados e seguidos por muitos cristãos que outrora criam na sã doutrina.

3. TEÍSMO ABERTO: É a teologia que nega os atributos de Deus como: a onipresença, a onipotência e a onisciência do Senhor. Seus defensores afirmam que Deus não conhece o futuro completamente, e pode mudar de ideia conforme as circunstâncias, ou seja, mais um conceito relativista que se contrapõe a infalibilidade da palavra de Deus.

Devemos ter bastante cuidado com todas essas heresias supracitadas que sutilmente se introduzem no meio evangélico.

SOMENTE A ESCRITURA JÁ É EFICAZ!

Não precisamos, nem podemos, nem tampouco devemos acrescentar nenhum ensinamento às Sagradas Escrituras! A palavra de Deus não precisa ser adornada/embelezada, por si só ela é perfeita e mais valiosa do que o ouro mais precioso que possa existir (Sl 19). É como uma noiva entrando na igreja na hora do casamento, ela não precisa mais de nenhum adereço, pois já está perfeitamente pronta para aquela ocasião. Ora, quantos pastores têm tentando tornar a palavra de Deus algo mais palatável aos ouvintes, acrescentando nos cultos de suas igrejas performances e métodos engenhosos que, ilusoriamente, creem eles, serão eficazes na conversão e santificação das pessoas? Estes estão deveras equivocados, certamente esqueceram que o poder de Deus para salvação é tão somente o puro e simples Evangelho de Jesus Cristo (Rm 1.16)! O reformador João Calvino certa vez disse: “A Escritura (o novo e antigo testamento) é o próprio Deus falando conosco como um pai fala com seus filhos”. Não podemos rejeitar, portanto, a voz do nosso Senhor!

A IMPORTÂNCIA DA LEITURA BÍBLICA

A fé vem do ouvir a palavra de Deus (Rm 10.17). Escutamos a palavra de Deus quando ela chega aos nossos ouvidos ou quando a lemos diretamente nas nossas bíblias, isso fortalece a nossa fé. Assim como a oração, a comunhão e os sacramentos (batismo e ceia), a leitura da palavra é também um dos meios de graça que nos ajuda na santificação, “Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17-17). Devemos buscar na palavra o nosso alimento diário, estudá-la de forma devocional e sistemática, buscando o auxílio dos irmãos mais experientes e de livros escritos por homens piedosos e fiéis à Escritura quando for preciso. Não é necessário ser um erudito, um grande teólogo, mestre, ou ser uma pessoa dotada de uma inteligência anormal, a mensagem do Evangelho é simples e acessível a todos. No entanto, obviamente, com o amadurecimento na fé, o cristão se deleitará cada vez mais em se aprofundar nos assuntos concernentes ao reino dos céus. Contudo, o Ap. Paulo diz que Cristo o enviou para evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã (1 Co 1.17). Ora, a mensagem do Evangelho pode ser compreendida em uma única passagem, como vemos em João 3.16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. E aprouve a Deus salvar os que creem nessa pregação (1 Co 1.21). Portanto, não temos desculpas para evitar o contato com as sagradas palavras do Senhor!

DILIGENTES PRATICANTES DA PALAVRA DE DEUS

Diante de todas essas reflexões, queridos leitores, vale ressaltar que não devemos ser apenas estudiosos e ouvintes dessa palavra, mas precisamos ser praticantes diligentes de todo o desígnio de Deus (At 20. 27), diariamente, em todas às áreas de nossa vida. Como bem nos ensina a carta de Tiago: “E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1. 22). Não devemos, portanto, ser hipócritas. Salmos 119. 105 diz o salmista: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho”. A palavra de Deus para o homem é como um GPS infalível que sempre o conduzirá à rota correta! Ela deve estar arraigada a todas as áreas da nossa vida. Não há uma esfera da nossa caminhada que Deus não tenha algo a nos ensinar por meio da Sua santa palavra. Todas as nossas convicções precisam estar submissas à vontade de Deus revelada na Escritura.

TODA A ESCRITURA APONTA PARA CRISTO

A centralidade das Escrituras é Cristo, pois ela aponta para o nosso Senhor e Salvador Jesus de Gênesis a Apocalipse! (Cf. Gn 3. 15, Ap 7. 17). É a palavra de Deus que ensina a nos arrependermos e crermos no Senhor Jesus (Mc 1. 15), que Ele é o nosso único mediador (1 Tm 2. 5), o caminho a verdade e a vida (Jo 14. 6), e quem crerá nEle terá a vida eterna (Jo 3. 36).

SOLA SCRIPTURA UM BRADO PERMANENTE

Que possamos então, hodiernamente, há quase 500 anos depois da Reforma, bradar como fez Lutero no séc. XVI, desta feita em oposição aos falsos ensinamentos introduzidos na Igreja contemporânea, retornando aos ensinos de Cristo, dos apóstolos e da Igreja Primitiva, onde SOMENTE A ESCRITURA é e deve ser a nossa autoridade, regra de fé e de prática, inerrante e infalível, a própria voz de Deus falando com o Seu povo. Que sejamos cativos em nossa consciência dessa palavra, afinal, como diz 2 Timóteo 3. 16: “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; 17. para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra”.

SOLA SCRIPTURA E TOTA SCRIPTURA (TODA A ESCRITURA)!

Rafael Durand

www.facebook.com/rafinhadurand

¹ Nota de rodapé da Bíblia de Estudo de Genebra sobre o versículo de Romanos 1. 17.

A POESIA DE ISAAC WATTS

cris

O grupo de louvor da nossa comunidade está estudando (ou melhor, vai começar) o livro “O encanto poético de Isaac Watts”, de Douglas Bond, lançado pela Editora Fiel. Num tempo em que as igrejas não param para entender ou analisar o que estão cantando, dando vazão a todo tipo de erros doutrinários e teológicos, faz-se necessário olhar para os grandes homens do passado e aprender com eles. Isaac Watts (1674-1748) é conhecido como o Pai da Hinódia Inglesa, tendo escrito cerca de 750 hinos, alguns deles em nossos hinários aqui no Brasil.

Gostaria aqui de destacar dois de seus hinos. O primeiro ele escreveu a pedido de sua mãe pois ela havia achado alguns versos de seu filho e, pela profundeza das letras, não acreditava que fossem realmente dele. Então, sentado à mesa, em frente à sua mãe, escreveu um poema com dez versos que formavam um acróstico do seu nome. Colocarei primeiro o original em inglês, para que você perceba o acróstico, em seguida a tradução. Observe a profundidade doutrinária do poema (detalhe, ele tinha sete anos de idade):

I am a vile polluted lump of earth;
So I’ve continued ever since my birth;
Although Jehovah grace does daily give me,
As sure as this monster Satan will deceive me.
Come therefore, Lord, from Satan’s claws relieve me.

Wash me in thy blood, O Christ,
And grace divine impart;
Then search and try the corners of my heart,
That I in all things may be fit to do
Service to Thee, and sing thy praises too.

[Sou um pedaço de terra vil e poluído;
Assim desde o berço tenho permanecido;
Embora Jeová venha graça diária dar,
É certo que Satanás irá me enganar.
Vem, pois, ó Senhor, de suas garras me livrar.

 No teu sangue, ó Cristo, renova-me
E tua graça divina outorga-me.
Sonda, pois, os cantos do meu coração e prova-me,
Que em todas as coisas eu esteja apto a fazer
Serviço a Ti, e também teus louvores render.]

O outro hino é o primeiro citado pelo autor no livro. Ele conta que numa noite de domingo, cantando um música de Watts em sua congregação, num culto de santa ceia, veio sobre ele “o despertar de verdades ouvidas que haviam sido ternamente ensinadas desde minhas primeiras lembranças, o sentimento de admiração pela graça divina, e o sentimento experiencial da realidade da cruz e de Cristo, meu Salvador derramando o seu sangue, sofrendo e morrendo em meu lugar, pelo meu pecado e minha culpa”¹. O hino que o autor do livro cantava era esse:

Quando eu olho a maravilhosa cruz
Na qual o Príncipe da glória morreu ,
Vejo que meus grandes feitos nada são ,
E coloca desprezo sobre todo o meu orgulho .

Proibi-me , Senhor, de gloriar-me ,
Exceto na morte de Cristo, meu Deus!
Todas as coisas vãs que encanta a maioria,
Eu as sacrifico pelo Seu sangue.

Oh a maravilhosa cruz
Oh a maravilhosa cruz
Me manda vir e morrer
E encontro o que eu deva realmente viver

Olhe a sua [de Jesus] cabeça, as mãos, os pés ,
Aflição e amor descem juntas!
Sempre faz tal amor e tristeza encontrar,
Ou espinhos compor tão rica coroa?²

Douglas Bond diz: “Por sua imaginação incomparável, Watts me transportou de volta para o quente e empoeirado Gólgota, onde ouvi a batidas dos martelos sobre os pregos, os insultos e cuspes, os gemidos e gritos de dor. Pelas palavras de Watts, tornei-me o jovem contemplando a maravilhosa cruz. Com os olhos da fé, eu era aquele que via o Príncipe da glória abandonado por seu Pai e morrendo em agonia. E porque eu agora via, estava resoluto a contar como perda todas as minhas aspirações à riqueza e grandeza. Eu estava, pela primeira vez, desprezando todo o meu orgulho delirante do corpo e da mente.”

Muito já se escreveu, nos blogs reformados, sobre a importância da doutrina correta nas músicas entoadas nas igrejas, como também, muitos sermões pregados. Mas quis dar também minha contribução mostrando um pouco da obra desse grande pastor e poeta desconhecido por muitos. Recomendo também a leitura do livro acima citado. Se você faz parte do grupo de louvor de sua comunidade, leve a ela músicas cristocêntricas, que exaltem ao excelso Deus, seus atributos e sua glória. Aprendamos com Issac Watts!

Gustavo Buriti

https://www.facebook.com/gustavo.buriti.1

¹BOND, Douglas. O encanto poético de Isaac Watts. São José dos Campos: Ed. Fiel, 2014. p. 14.

²When I survey the wonderous cross – Isaac Watts.

A GRAÇA SEJA CONTIGO

5475689_orig

Esta é a saudação característica de Paulo em suas epístolas. Sempre, tanto no começo como no fim de suas cartas, ele dedica esta expressão aos seus leitores. A graça é um favor divino, um dom gratuito, uma mercê concedida por Deus aos homens. Calvino diz que é uma benção muitíssimo desejável ter Deus a nosso favor. E é isso que Paulo deseja aos seus destinatários.

A graça é o que torna o cristianismo diferente de todas as religiões do mundo. Todas elas nos apresentam formas de como o homem pode buscar a Deus e o que se deve fazer para conseguir sua salvação. Explicando isso, Paul Washer toma o exemplo de um mulçumano e um judeu. Ambos dirão que irão para o Paraíso, pois leram seus livros sagrados e cumpriram as regras que neles estavam escritos. Sendo assim, Deus não teria outra coisa a fazer se não conceder-lhes a salvação, afinal eles cumpriram suas normas. Era uma dívida de Deus.

Mas isso não ocorre no cristianismo. Essa não é a mensagem do evangelho, e é o que nos torna diferentes. O homem poderia ser salvo se cumprisse toda a lei de Deus e vivesse uma vida moralmente perfeita, porém o nosso primeiro representante Adão falhou, e seu erro foi passado a todos os que se seguiram depois dele. Desde então, todos os homens nascem em pecado. Todos se extraviaram e, juntamente, se fizeram inúteis. Não há quem busque a Deus, e essa é a primeira divergência do cristianismo para as outras religiões. É o próprio Deus quem escolhe seu povo, o redime e o chama. Deus é quem busca o homem. E, uma vez que o homem não poderia salvar-se por seus próprios meios, ele precisaria de um alguém que assumisse sua dívida e pagasse seu pecado por ele. Deus não poderia simplesmente perdoar o homem, pois ele é Justo Juiz. E esse salvador deveria ser alguém totalmente perfeito e com uma conduta moralmente reta em toda sua vida, e apenas uma pessoa poderia fazer isso: o próprio Deus.

Dessa forma, nosso Senhor Jesus Cristo, de bom grado, bebeu até a última gota de todo o cálice da ira de Deus que estava preparado para os homens. Assim, depositando toda a nossa fé naquele redentor que Deus havia prometido desde a queda do homem, em Gênesis 3, podemos ser justificados diante de Deus. Isso quer dizer que ao olhar para nós, Deus nos vê como homens totalmente limpos, sem máculas, justos. Essa é a doce troca a qual Lutero se referiu: enquanto entregamos todo o nosso pecado, fracasso e culpa em Cristo Jesus; ele, humildemente, nos reveste com sua justiça. Aquele que não conheceu pecado se fez pecado por nós.

Essa é a mensagem do Evangelho! Essa é a graça de Deus que foi derramada sobre nós! Uma vez que o Espírito Santo nos ilumina, entendemos essa mensagem e vemos nosso estado de completa imperfeição, não há como não se render a Deus em sincera humilhação e devoção, e, em lágrimas, clamar a Ele arrependido por nossos pecados; pecados estes que levaram nosso Salvador à cruz, por amor à nos! Essa mensagem da cruz é diferente de todas as outras do mundo, visto que Deus é quem nos redime, e não precisamos cumprir regras, pois falhamos em todas elas. Tudo, porém, foi consumado na cruz! E em todo o pecado, abundou a graça de Deus! Essa mensagem chega a ser loucura para o mundo (cf. 1Co. 1.18-25).

Podemos, então, continuar pecando, uma vez que a graça já abundou? De forma alguma! Continuaríamos nós cometendo todas aquelas transgressões que vão de encontro ao que Deus estabeleceu e que exigiram a morte de nosso Salvador e continuarmos a viver alegre e tranquilamente? Mas é claro que não! O verdadeiro cristão sabe que não são suas ações que o salvará, mas ele buscará ser cada vez mais parecido com seu Senhor, amando o que ele ama e odiando o que ele odeia. Uma vez que o cristão entende sua depravação e seu pecado, a santidade será algo que ele perseguirá.

É muito bom estudarmos teologia, e nos aprofundarmos em certas doutrinas e passagens mais “complicadas” de se entender. Mas é essa mensagem simples e elementar do evangelho que sempre me quebra de cima a baixo, me humilha, me faz ver quem eu sou e o quanto Deus fez por mim. Que darei eu ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito? (Sl. 116.12). Que Deus esteja sempre ao nosso favor, pois como diz Calvino, “esse é o próprio fundamento da nossa felicidade”.

Por fim, além da salvação, que outras bençãos Deus tem te concedido todos os dias e pelas quais você deve ser grato?

Ah, essa graça! Quão rica e pura! Bendito sejas tu, ó Deus, por seres tão gracioso com tão miseráveis pecadores!

Sola Gratia! Solus Christus! Soli Deo Gloria!

Gustavo Buriti

https://www.facebook.com/gustavo.buriti.1

JOVEM! VOCÊ VIVE E PREGA O VERDADEIRO EVANGELHO?

embora-o-evangelho-diga

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê… ” (Romanos 1:16).

 Vamos começar o nosso texto de hoje com outra pergunta. O que é o Evangelho?

Bem, a palavra evangelho quando traduzida no grego, vem da palavra “euangelion, que significa levar as boas novas, pregar, levar a palavra, falar as Escrituras. Interessante, não vemos aqui no significado de evangelho, algumas coisas do tipo: fazer peças, cantar, pular, gritar, correr, e entre outras ações que, principalmente, jovens e adolescentes, têm feito nos últimos anos e que costumeiramente chamam de evangelho ou evangelismo. O trecho do livro O Evangelho de Hoje: Autêntico ou Sintético? , nos confirma dizendo o seguinte:

“Temos herdado um sistema de pregação evangelística que não é bíblico. Esta tradição é antiga. A mensagem e os métodos de pregação evangelística empregados hoje em dia não podem ser traçados de volta aos Reformadores, nem aos credos da igreja da Reforma. […] Pior ainda, não procedem das Escrituras, e sim de uma exegese superficial e de uma combinação imprudente do raciocínio humano com a revelação de Deus.”

Mas, em que se resume o verdadeiro Evangelho?

Creio que podemos nos reter a três pontos principais do verdadeiro Evangelho. Vamos caminhar um pouco pela nossa querida Bíblia Sagrada, no livro de Lucas capítulo 9, e fixarmos esses pontos:

            Cristo! (Lucas 9.20). A palavra “Cristo”, significa “O Ungido”. Cristo é o único que Deus escolheu acima de todos, o único que trará salvação aos pecadores. Por tanto, não podemos ver O Evangelho sem a pessoa de Jesus Cristo.

            Cruz! (Lucas 9.23). A cruz de Cristo é a chave do evangelho (O que seria de nós sem a cruz?). A nossa morte faz parte do evangelho, morremos para nós mesmos e somos salvos do próprio Deus.

            Renúncia! (Lucas 9.24). Tomar a cruz significa renunciar todas as ambições egoístas; é a morte de todo, TODO, estilo de vida.  E Paulo nos confirma ao dizer: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” 2 Coríntios 5:17.

Há algo que possamos acrescentar para que esse Evangelho se torne mais atrativo? Ou, há algo que faça mais pessoas se achegarem a ele? A resposta é simples e direta, NÃO! A bíblia deixa claro que somente pelo sacrifício de Cristo na cruz nós temos a vida eterna juntamente com Deus. Não há frases declarativas ou emotivas, não há peças, não há danças, não há… Se o sacrifício de Cristo na cruz não foi suficiente para fazer com que nós reconheçamos os nossos pecados e clamarmos pelo perdão divino, então não estamos vivendo o verdadeiro evangelho deixado por Cristo.

Vejamos a seguinte frase:

“Somente quando reconhecemos nossa necessidade, e largamos todas essas tolas ideias banais de valor e mérito e justiça própria, que nós podemos ver a Glória do Amor de Deus.” (Paul Washer).

Quando nos deparamos com frases como essa, podemos perceber o quanto estamos longe de vivermos para glória de Deus.

Por fim meus amados, o evangelho deve ser levado a todos os cantos da Terra, segundo a ordem que nos foi deixado pelo próprio Cristo em Mateus 28. Mas não como mérito nosso, pois a evangelização, não se trata de um plano de ação evangelística para nós em nossos dias. Não se trata de uma contribuição para a polêmica ou métodos evangelísticos. Trata de uma relação entre três realidades: Soberania Divina, Responsabilidade do homem e, o dever evangelístico de cada cristão. Se você está decidido a obedecer O Evangelho, e a pregar a única Verdade, você com certeza irá sofrer, porém, como vimos, requer nossa total renúncia e total esvaziamento de nosso orgulho para que Cristo seja sempre o centro.

Essa foi a primeira parte do nosso estudo, vimos sobre os três principais pontos do verdadeiro Evangelho. Semana que vem veremos um pouco mais sobre os atributos de Deus no Evangelho e fecharemos o nosso texto.

Que Deus nos abençoe e coloque em nós o arrependimento sincero e o reconhecimento de nossos pecados. Amém!

Tiago Silva
https://www.facebook.com/tiago.silva.39