#Deus

DA CRISE À REDENÇÃO!

corrupção

O país está em crise,
Mas em Cristo somos fortes;
Suportaremos às tempestades,

Porquanto Deus é nosso aporte.

Vivemos dias sem precedentes,
Com demasiada corrupção;
Eis a natureza humana,

Inclinada à ambição.

Consequência lá do Éden,
Onde o homem quis usurpar,
O lugar do Deus Altíssimo –

Seu santíssimo altar.

Em maior ou menor escala
Sempre isso ocorreu:
O homem deseja tomar para si

Aquilo que não é seu.

O poder emana do povo
Diz a nossa Constituição,
Mas não somos representados

Por um “bando de ladrão”!

Todavia, nossa fé
Não está fulcrada em homens.
A esperança, para nós,

Na verdade, tem um nome.

Não será um presidente,
Tampouco um governador,
Mas é o Deus Soberano,

Que enviou o Salvador!

Sentimento indelével
Para todos os escolhidos,
É ter plena suficiência

No Senhor Jesus Cristo.

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A INSENSATEZ DO HOMEM DISTANTE DE DEUS

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“Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem” (Salmo 14:1)

O versículo epigrafado nos traz uma mensagem de suma importância dentro do livro de Salmos. O Salmo 14 tem tamanha relevância e aspecto didático que é, praticamente, repetido no Salmo 53 – com divergências apenas entre os versos 5 e 6. Ora, mas que mensagem nos traz essa porção da escritura sagrada, a ponto de ser repetida em duas ocasiões no mesmo livro? Certamente, o salmo 14 nos traz grandes lições acerca da pecaminosidade humana, bem como da redenção do homem.

Não pretendo, aqui, fazer uma profunda exposição desse Salmo (aconselho que estude esse Salmo mais profundamente em outra ocasião, ele é mui rico!), mas gostaria de chamar sua atenção para uma realidade que parece ser longínqua, entretanto, pode ser claramente percebida em nosso meio cristão.

O Insensato

A palavra insensato no texto (Sl 14:1) – diferentemente do seu sentido na língua portuguesa, que significa pessoa que não tem bom senso, louco, sem noção da realidade, etc – traz o significado de alguém que é oposto o do sábio, isto é, alguém que não anda segundo o temor do Senhor — que é o princípio da verdadeira sabedoria (Pv. 9:10). Logo, o insensato no salmo 14 é alguém que despreza absolutamente a realidade de que Deus existe! Essa condição de insensatez desemboca no que chamaremos de Ateísmo Prático, ou seja, negar que a existência de Deus seja relevante para vida humana, o que ocasiona, conseguintemente, consoante a parte b do vs. 1, à violação de todos os princípios, estatutos e leis estabelecidas por Deus, uma vez que eles “Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem” (Sl 14:1b).

Cumpre ressaltar, no entanto, que esse tipo de ateísmo do Salmo 14 é algo bem diferente do ateísmo técnico e filosófico que estamos acostumados a ver hodiernamente nos debates entre teístas e ateístas – esse tipo de negação da existência de Deus só veio emergir no séc. XVIII e hoje tem como um dos mais conhecidos proponentes, o biólogo Richard Dawkins.

Todavia, o ateu prático do Salmo 14 é alguém que vive como se Deus não existisse, praticando toda sorte de atos pecaminosos e repugnantes – é uma questão moral. Portanto, o insensato – ateu prático – passa a viver como se Deus não mais existisse, nem tampouco fosse nos julgar um dia em face de todas as nossas ações. Com maestria, o puritano do séc. XVII Matthey Henry comenta esse versículo, dizendo que “nenhum homem pode dizer: “Não há Deus”, sem que esteja a tal ponto endurecido no pecado, que tenha como seu especial interesse a não existência de alguém que o chame a prestar contas” [1].

No contexto histórico dessa passagem, o autor do Salmo (Davi), se referia aos insensatos, não em relação a pessoas de outras tribos inimigas de Israel ou a nações distantes dele; ele se referia, no entanto, aos israelitas, ou seja, o próprio povo de Deus que começara a viver como se Ele não mais existisse.

Estamos nos tornando insensatos?

Diante disso, para os nossos dias, podemos perceber que o Ateísmo Prático, também pode estar intrínseco ao nosso meio cristão, eclesiástico e, infelizmente, até em nossas vidas. Isso é perceptível, categoricamente, quando passamos a desprezar as realidades concernentes à Deus, ao Espírito Santo e ao nosso salvador Jesus Cristo.

Ocorre que, quando nos afastamos dos meios de graça deixados pelo próprio Deus, nossa fé e obediência a Ele declinam de tal maneira que nos tornamos insensatos.

Veja o porquê:

  • Quando deixamos de orar, passamos a confiar não mais em Deus, mas nas nossas forças e até no acaso. Esquecemos, destarte, do que Tiago diz em sua carta, a saber, que a oração de um justo pode muito em seus efeitos (Tg 5:17).
  • Já dizia o salmista Davi que a palavra de Deus é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho (Sl 119:105). Quando nos afastamos do princípio de que a bíblia e tão somente a escritura é a nossa regra de fé e prática, e que essa palavra deve guiar às nossas vidas, estamos desdenhando o que Deus tem para falar conosco e dando ouvidos somente ao nosso egocentrismo e mundanismo inerentes a natureza humana.
  • A velha máxima “me diz com quem tu andas que te direi quem és” tem muito a ver com a realidade bíblica, veja o Salmo 1:1: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”. Nesse sentido, quando nos afastamos da comunhão com nossos irmãos em Cristo, estamos fadados a nos tornarmos pessoas desventuradas e insensatas diante de Deus, pois somos seres influenciáveis, sobretudo, para o mal!

E agora, o que fazer para não me tornar um insensato?

Decerto, eu, na minha posição de miserável pecador, não sou a pessoa que terá a resposta final e mais eficaz para a pergunta supracitada, uma vez que “todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Sl 14: 3). Quero dizer, com isso, que todos nós somos falhos e pecadores, mas como outrora disse Calvino: “Na igreja de Cristo não há ninguém tão pobre que não possa compartilhar conosco algo de valor” [2].

Portanto, se valendo de outra máxima popular, qual seja, a de que “devemos aprender com os nossos erros para não repeti-los”, posso vos auxiliar nessa reflexão. Ora, já vimos nos parágrafos anteriores sobre se “Estamos nos tornando insensatos?” algumas cousas que nos afastam de Deus. E, assim como o antídoto para a cura de um envenenamento por cobra é extraído de seu próprio veneno, devemos verificar nas nossas faltas ou áreas débeis de nossas vidas, afim de encontrar o local ideal para aplicar o remédio curador ou preventivo que nos imuniza ante os enfraquecimentos da nossa fé cristã.

Primeiramente, caros leitores, quero esclarecer que devemos nos dedicar impetuosamente a oração, entendendo que não oramos ao acaso, nem tampouco a uma força impessoal e transcendente, oramos, no entanto, ao Deus soberano que controla todas às cousas e, até nos momentos onde estamos nos tornando insensatos Ele é capaz de fortalecer nossa fé! E, como já citado, ele nos deixou meios para isso.

Em segundo lugar, lembremos que a Bíblia é divinamente inspirada e “útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Tm 3:16-17). Ou seja, nós devemos nos alimentar diuturnamente desse rico alimento sagrado. Afinal, você não viverá apenas de comer Subway, Mc Donald’s ou Burger King, mas de toda palavra que sai da boca de Deus (Mt 4:4)! Em outro texto, neste blog [3], eu disse que ela – a palavra de Deus – é como um GPS infalível que sempre nos conduz a rota correta.

Em terceiro lugar, quero dizer que você jamais se tornará um insensato se cultivar amizades santas, boas e que te aproxime de Deus. Pelo contrário; os seus irmãos verdadeiros de fé, mostrarão cada vez mais que você nunca deverá viver como se Deus não existisse, uma vez que você foi criado para glorifica-lO e ser satisfeito nEle perenemente [4].

E Cristo, onde está nisso tudo?

Se vocês lerem todo o Salmo 14, perceberão o seguinte: esses homens insensatos estavam vivendo como se Deus não existisse, cometendo às atrocidades mais espúrias possíveis, todavia, no final do Salmo (Sl 14: 5 – 7), verão que eles “Tomar-se-ão de grande pavor, porque Deus está com a linhagem do justo. Meteis a ridículo o conselho dos humildes, mas o SENHOR é o seu refúgio. Tomara de Sião viesse já a salvação de Israel! Quando o SENHOR restaurar a sorte do seu povo, então, exultará Jacó, e Israel se alegrará”. Isto é, aqueles que não se tornaram insensatos, acharam refúgio e fortaleza em Deus (Sl 46) e se alegraram pela salvação que logo vinha de Sião (vs. 6 e 7).

Como não perceber Cristo nisso tudo?!

Eis o ponto nevrálgico da nossa reflexão: somente a verdadeira fé e plena convicção no nosso Salvador Jesus Cristo é que não nos permite cair em insensatez! Que essa verdade esteja incutida em nossas mentes, de modo que o sacrifício do Cordeiro na cruz do calvário produza conforto ante às mais variadas situações da nossa vida. Ele mesmo prometeu que estaria conosco até a consumação dos séculos, em virtude da nossa passagem pela terra – como forasteiros e peregrinos. Ele disse que haveríamos de passar por aflições, mas que estaria conosco e, por isso, deveríamos ter bom ânimo, afinal, Ele já venceu o mundo (Jo 16:33)!

Sollus Christus

Rafael Durand
https://www.facebook.com/RafinhaDurand

[1] Comentário bíblico condensando — Matthey Henry.

[2] As Instituas da Religião Cristã – João Calvino

[3] Sola Scriptura um brado permanente, em: https://cristaoscontraomundo.wordpress.com/2014/10/29/sola-scriptura-um-brado-permanente/ — Rafael Durand

[4] Catecismo Maior de Westminster

Escravos, Graça e Salvação

Em meados do século XVIII, John Newton, antigo funcionário da Marinha Real Inglesa, iniciou sua carreira como comandante de um navio negreiro inglês. Sua missão era ao mesmo tempo simples e muito extensa: negociar com chefes tribais na costa africana “cargas” compostas por homens e mulheres capturados em seu território natal, acorrentar e acoplar a carga obtida (normalmente de 600 unidades) abaixo das plataformas com acesso à luz solar (para evitar doenças e tentativas de suicídio), conduzi-la à América e negociar seu valor em medidas de açúcar e melaço para transporte à Inglaterra.

Em uma destas viagens, entretanto, Newton e sua tripulação foram fortemente atingidos por uma tempestade, causando a morte de alguns de seus homens. Não se sabe ao certo se o barco suportou as torrentes daquela noite. John Newton, por outro lado sobreviveu e, mais que isto, conheceu àquele que o conduziria ao seu maior legado histórico e a um verdadeiro sentido para sua vida. Neste momento de tribulação John ofereceu sua vida ao Mestre, abandonou o tráfico de escravos e tornou-se cristão, seminarista e autor de hinos.

Alguns anos depois, em 1779, John publica a letra intitulada “Amazing Grace” (Graça Maravilhosa), que fala sobre a incrível graça proveniente de Deus e manifesta através de seu Filho a um perdido pecador que não conseguia enxergar seu pecado.

O tema marcante da letra de Newton está muito mais além do que o simples ato de impedir sua morte durante a terrível tempestade ou de afasta-lo do tráfico de escravos. Amazing Grace fala da misericórdia e graça de nosso Senhor ao nos permitir acesso a si mediante o sacrifício de Jesus. É graças a esta misericórdia que podemos ser chamados filhos de Deus, noiva de Cristo, Coroa da criação. Assim, mesmo com todas as nossas inclinações carnais, como afirma Paulo em sua carta aos Efésios, “Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo” (Ef. 2.4,5).

Agora, não apenas Newton, mas todos nós cristãos devemos afirmar como Paulo: pela graça somos salvos!

Tiago Silva

A EXISTÊNCIA DE DEUS, A CRIAÇÃO DO UNIVERSO E A SALVAÇÃO DO HOMEM

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“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1:1). Esta frase pode gerar muitos dilemas ou questionamentos em sua cabeça. Não se assuste! Pois, na verdade, isso é comum de acontecer. Homens considerados muitíssimo inteligentes ao ponto de receberem títulos de cientistas, doutores, grandes filósofos e religiosos, dedicaram toda uma vida para compreendê-la. Além do mais, pessoas comuns também refletem acerca dessa questão desde toda à história da humanidade e, certamente, essa questão ainda suscitará inúmeros questionamentos na vida dos seres humanos. Afinal, sabemos que a crença é inerente ao ser humano – é um aspecto universal que está presente em todas às culturas e civilizações ao redor do planeta Terra.

Não sabemos seu conceito acerca da criação ou, até mesmo, da existência de Deus; talvez, você pense que tudo que precisamos é de fé para acreditar nisto. Não. Você não está errado. De fato, devemos ter fé! “Pois sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11:6). No entanto, existem algumas verdades que devem ser consideradas para se construir um conceito honesto à respeito dessa questão.

Nossa fé, não precisa, necessariamente, ser cega para acreditar que Deus existe. Ora, você dirige seu carro, contudo, você não vê que ele foi projetado de tal maneira que funcionará e se locomoverá levando você de um lugar ao outro. Você simplesmente confia na idoneidade da empresa pela qual esse carro foi desenvolvido. Logo, você teve segurança baseada numa fé inteligente, ela não foi cega nem tampouco desprezou evidências que te assegurasse de que algo foi criado mesmo sem você está lá para comprovar.

Algumas teorias defendem a ideia que o universo surgiu ex nihilo (do nada) ou de uma simples combinação de forças que acarretaram em uma grande explosão onde deu origem ao universo – por muitos, conhecido como teoria do big-bang. Mas, é evidente e lógico que as coisas não podem surgir do vago. Tudo tem sua causa. Tudo tem um princípio. O tempo, o espaço e a matéria não existiam antes do começo, portanto, o universo deve ter surgido de uma causa atemporal, ilimitada e incorpórea. Em suma, queremos levar você a refletir que, se o universo teve um principio, logo, foi alguém que o causou. E, não obstante esses exercícios cognitivos não nos faça chegar diretamente ao Deus da Bíblia, esse argumento exclui a impossibilidade da existência de um ser criador e regente de todo o universo.

No parágrafo supracitado citamos que o ser criador também tem um atributo de regente ou mantenedor do universo. Basta olhar para a natureza e para a suas leis, que logo constataremos este atributo. Perceba que tudo foi minuciosamente planejado, de modo que a mínima variação de qualquer lei natural – como a lei da gravidade -, poderia ocasionar um caos generalizado, ao ponto de tornar inviável a própria existência da vida humana.

Entretanto, mesmo diante de todos esses argumentos expostos, nós ressaltamos que esse criador e gestor do universo é o Deus da Bíblia. Uma vez que ele se revela à toda humanidade através da Sua criação, como já fora citado, no entanto, ele também se revela de modo salvifico através de sua Palavra, isto é, as Sagradas Escrituras. Destarte, cremos que esse livro é integralmente verdadeiro, visto que é uma das heranças que Deus deixou para os homens compreender tudo que Ele viu ser necessário.

Portanto, aceitando as duas premissas, a saber, que o universo foi criado por Deus e que Ele além de se revelar pela natureza também se revela pela Sua palavra, aceitamos a conclusão de que esse Deus criador do universo se revelou de forma mais clara na pessoa de Jesus Cristo, conforme o relato bíblico.

Esse relato, afirma que, além do universo, nós – os homens -, também fomos criados por Ele. Mas no Jardim do Éden o desobedecemos e nos tornamos inimigos e filhos da ira desse Deus; e, consequentemente, merecedores de uma eternidade de tormentos no inferno. Todavia, em Seu plano soberano, aprove a Si escolher um povo para salvação através de sua livre graça mediante a fé (cf. Ef 2:8) no sacrifício propiciatório e redentor de Seu filho Jesus Cristo na cruz do Calvário!

Em última análise, concluímos que a criação do universo, passando pela revelação de Deus na natureza e na Bíblia, aponta diretamente para a indiscutível grandeza dEle e a crucial necessidade do homem prostrar-se ante à magnitude do plano divino redentivo para o Seu povo. “Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5:3).

Rafael Durand (facebook.com/RafinhaDurand) e Wallison Osório (facebook.com/wallison.osorio)

SOLA SCRIPTURA: UM BRADO PERMANENTE!

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No dia 31 de Outubro comemoraremos os 497 anos da Reforma Protestante. A Reforma, para quem ainda não sabe, foi um grande marco na história do Cristianismo que aconteceu no séc. XVI. A figura central deste acontecimento foi o monge agostiniano Martinho Lutero (1483 – 1546). A leitura da passagem bíblica “O justo viverá por fé” (Rm 1:17) feita por Lutero, o influenciou sobremaneira, de modo que ele compreendeu a doutrina da justificação com o seguinte contexto: “justificação quer dizer satisfação do critério de justiça de Deus”¹, ou seja, não por obras nem tampouco sacrifícios, todavia, a justificação pela fé e tão somente pelos méritos de Cristo, como atesta a Escritura!

Com essas convicções, no dia 31 de outubro de 1517 ele afixou suas 95 teses na porta da catedral de Wittenberg na Alemanha, protestando contra vários pontos doutrinários da Igreja Católica Romana, sobretudo contra a venda de indulgências, onde havia a comercialização da “salvação” ou do perdão de pecados, além de outros abusos impostos pelas lideranças eclesiásticas de Roma. Conseguintemente, desencadeou uma grande transformação religiosa, teológica e filosófica naquela época, culminando com o nascimento da Igreja Protestante.

Os princípios fundamentais da Reforma ficaram conhecidos pelos termos em latim como “os Cinco Solas”: Sola Scriptura (somente a Escritura), Sola Fide (somente a fé), Solus Christus (somente Cristo), Sola Gratia (somente a graça) e Soli Deo Gloria (glória somente a Deus).

Neste artigo irei fazer referência a um desses princípios, a saber, o Sola Scriptura. Tendo em vista que outro lema eminente na Reforma foi “Ecclesia reformata, semper reformanda”, isto é, igreja reformada sempre se reformando. Portanto, sempre se faz necessário recordar estes fundamentos da Igreja Reformada, voltando sempre para a palavra de Deus com o intuito de coibir certas práticas heréticas que via de regra são introduzidas na igreja.

Primeiramente, irei elencar, com o intuito de ficarmos alertas, três ameaças que vêm tentando usurpar o lugar das Sagradas Escrituras na Igreja de Cristo:

1. FALSAS DOUTRINAS: Qualquer forma de pregação, exortação, devocional, evangelismo ou louvor, desassociado de conteúdo bíblico, é algo sobremodo vazio, infrutífero e falso! O lugar proeminente da pregação bíblica não pode ser negociado em benefício de entretenimentos e artifícios pragmáticos, sobretudo nos cultos. Infelizmente no evangelicalismo contemporâneo, algumas denominações ditas evangélicas têm dado ênfase a doutrinas anti-bíblicas, tais como: as famigeradas teologias da prosperidade financeira e da confissão positiva. Levando seus frequentadores a crerem em um deus deturpado, que só quer dinheiro para realizar as vontades do ser humano (algo bem semelhante às antigas indulgências). As curas e milagres também são exaltados em detrimento do sacrifício de Jesus Cristo na cruz: sacrífico este que traz a verdadeira cura da alma e o milagre da salvação!

2. LIBERALISMO TEOLÓGICO: A Teologia liberal (ou liberalismo teológico) é um movimento que relativiza a autoridade da Bíblia, esses ensinamentos estabeleceram uma mescla da doutrina bíblica com a filosofia e as ciências da religião. Os teólogos-liberais negam a autoridade e inerrância bíblica e a historicidade dos milagres de Cristo. Uma verdadeira epidemia de apostasia vem crescendo na igreja, muitos expoentes dessa teologia passaram a ser admirados e seguidos por muitos cristãos que outrora criam na sã doutrina.

3. TEÍSMO ABERTO: É a teologia que nega os atributos de Deus como: a onipresença, a onipotência e a onisciência do Senhor. Seus defensores afirmam que Deus não conhece o futuro completamente, e pode mudar de ideia conforme as circunstâncias, ou seja, mais um conceito relativista que se contrapõe a infalibilidade da palavra de Deus.

Devemos ter bastante cuidado com todas essas heresias supracitadas que sutilmente se introduzem no meio evangélico.

SOMENTE A ESCRITURA JÁ É EFICAZ!

Não precisamos, nem podemos, nem tampouco devemos acrescentar nenhum ensinamento às Sagradas Escrituras! A palavra de Deus não precisa ser adornada/embelezada, por si só ela é perfeita e mais valiosa do que o ouro mais precioso que possa existir (Sl 19). É como uma noiva entrando na igreja na hora do casamento, ela não precisa mais de nenhum adereço, pois já está perfeitamente pronta para aquela ocasião. Ora, quantos pastores têm tentando tornar a palavra de Deus algo mais palatável aos ouvintes, acrescentando nos cultos de suas igrejas performances e métodos engenhosos que, ilusoriamente, creem eles, serão eficazes na conversão e santificação das pessoas? Estes estão deveras equivocados, certamente esqueceram que o poder de Deus para salvação é tão somente o puro e simples Evangelho de Jesus Cristo (Rm 1.16)! O reformador João Calvino certa vez disse: “A Escritura (o novo e antigo testamento) é o próprio Deus falando conosco como um pai fala com seus filhos”. Não podemos rejeitar, portanto, a voz do nosso Senhor!

A IMPORTÂNCIA DA LEITURA BÍBLICA

A fé vem do ouvir a palavra de Deus (Rm 10.17). Escutamos a palavra de Deus quando ela chega aos nossos ouvidos ou quando a lemos diretamente nas nossas bíblias, isso fortalece a nossa fé. Assim como a oração, a comunhão e os sacramentos (batismo e ceia), a leitura da palavra é também um dos meios de graça que nos ajuda na santificação, “Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17-17). Devemos buscar na palavra o nosso alimento diário, estudá-la de forma devocional e sistemática, buscando o auxílio dos irmãos mais experientes e de livros escritos por homens piedosos e fiéis à Escritura quando for preciso. Não é necessário ser um erudito, um grande teólogo, mestre, ou ser uma pessoa dotada de uma inteligência anormal, a mensagem do Evangelho é simples e acessível a todos. No entanto, obviamente, com o amadurecimento na fé, o cristão se deleitará cada vez mais em se aprofundar nos assuntos concernentes ao reino dos céus. Contudo, o Ap. Paulo diz que Cristo o enviou para evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã (1 Co 1.17). Ora, a mensagem do Evangelho pode ser compreendida em uma única passagem, como vemos em João 3.16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. E aprouve a Deus salvar os que creem nessa pregação (1 Co 1.21). Portanto, não temos desculpas para evitar o contato com as sagradas palavras do Senhor!

DILIGENTES PRATICANTES DA PALAVRA DE DEUS

Diante de todas essas reflexões, queridos leitores, vale ressaltar que não devemos ser apenas estudiosos e ouvintes dessa palavra, mas precisamos ser praticantes diligentes de todo o desígnio de Deus (At 20. 27), diariamente, em todas às áreas de nossa vida. Como bem nos ensina a carta de Tiago: “E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1. 22). Não devemos, portanto, ser hipócritas. Salmos 119. 105 diz o salmista: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho”. A palavra de Deus para o homem é como um GPS infalível que sempre o conduzirá à rota correta! Ela deve estar arraigada a todas as áreas da nossa vida. Não há uma esfera da nossa caminhada que Deus não tenha algo a nos ensinar por meio da Sua santa palavra. Todas as nossas convicções precisam estar submissas à vontade de Deus revelada na Escritura.

TODA A ESCRITURA APONTA PARA CRISTO

A centralidade das Escrituras é Cristo, pois ela aponta para o nosso Senhor e Salvador Jesus de Gênesis a Apocalipse! (Cf. Gn 3. 15, Ap 7. 17). É a palavra de Deus que ensina a nos arrependermos e crermos no Senhor Jesus (Mc 1. 15), que Ele é o nosso único mediador (1 Tm 2. 5), o caminho a verdade e a vida (Jo 14. 6), e quem crerá nEle terá a vida eterna (Jo 3. 36).

SOLA SCRIPTURA UM BRADO PERMANENTE

Que possamos então, hodiernamente, há quase 500 anos depois da Reforma, bradar como fez Lutero no séc. XVI, desta feita em oposição aos falsos ensinamentos introduzidos na Igreja contemporânea, retornando aos ensinos de Cristo, dos apóstolos e da Igreja Primitiva, onde SOMENTE A ESCRITURA é e deve ser a nossa autoridade, regra de fé e de prática, inerrante e infalível, a própria voz de Deus falando com o Seu povo. Que sejamos cativos em nossa consciência dessa palavra, afinal, como diz 2 Timóteo 3. 16: “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; 17. para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra”.

SOLA SCRIPTURA E TOTA SCRIPTURA (TODA A ESCRITURA)!

Rafael Durand

www.facebook.com/rafinhadurand

¹ Nota de rodapé da Bíblia de Estudo de Genebra sobre o versículo de Romanos 1. 17.

JOVEM! VOCÊ VIVE E PREGA O VERDADEIRO EVANGELHO? (PARTE 2)

1

Graça e paz irmãos! É um prazer estar aqui escrevendo mais um texto para aprendermos um pouco mais sobre O Evangelho.

Na segunda parte do texto “Jovem! Você vive e prega o verdadeiro Evangelho?” vamos aprender um pouco sobre quatro características que podemos enxergar no Evangelho, e, que também são atributos de Deus.

Como vimos no texto anterior, existem três pontos que resumem bem o verdadeiro Evangelho, e para recapitularmos, esses pontos foram; Cristo, que é O Ungido de Deus para salvar o Seu povo escolhido; A Cruz, que é a chave do Evangelho (a morte da nossa carne); A Renuncia, onde o homem deve renunciar tudo que não for da vontade de Deus.

Vamos tomar como base o texto de Romanos 1, dos versículos 16 ao 18 para estudarmos os 3 primeiros pontos que são:

O Poder de Deus:

Porque esse Evangelho é tão poderoso?

A resposta dessa pergunta é muito simples para nós cristãos, o próprio texto do apostolo Paulo aos Romanos nos responde isso: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego “(Versículo 16). Paulo nos mostrar que a nossa salvação vem do poder de Deus em seu Evangelho (através da cruz como vimos anteriormente), não precisamos acrescentar ou enfeitar nada ao Evangelho, o sacrifício já foi feito por obra do próprio Deus pelo seu Filho.

Podemos enxergar também que o poder do Evangelho só pertence a Deus, e é algo essencial dEle, por o homem está em meio ao pecado, e somente o poder de Deus trás uma nova vida a este homem.(Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. João 14:6).

O evangelho revela a justiça de Deus:

           O Evangelho também revela a justiça de Deus.(Romanos 1.17 Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé).

Mas, como podemos enxergar essa justiça? Que Justiça seria essa?

Primeiramente, essa justiça não faz parte do nosso bem estar social, também não é uma sede de vingança do homem. O Evangelho expõe a justiça de Deus, e mostra que nós pecadores por si só somos incapazes de sermos justos perante Ele. Porém quando Cristo faz parte da nossa vida, Deus vê a nossa fé que é a justiça de Cristo em nós. (Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus. Romanos 3:26).

Mesmo que Deus nos mandasse diretamente para o inferno Ele continuaria sendo um Deus Justo. Por isso devemos ser sempre gratos por Ele ser o Justo e o Justificador da nossa fé (Romanos 1.17).

 

O evangelho revela a ira de Deus:

Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça. Romanos 1:18.

 Contra quem Deus está irado?

Vamos analisar um pouco dois textos

            Romanos 3: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só(versículos 10-12).

            Salmos 14: O Senhor olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um(Versículos 2-3).

 Forte? Creio que bastante.

Deus está irado com a humanidade desde o momento em que ela se corrompeu completamente com o pecado desde o Éden, quando o homem deixou completamente de seguir os decretos estabelecidos por Deus.

 Como essa ira é aplacada?

Essa pergunta é respondida com um simples texto que encontramos no livro de João:

Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece. João 3:36.

Falar sobre a ira de Deus não é encher o nosso ego ou nos tranquilizar sobre o nosso estilo de vida, mas fazer com que tenhamos tremor e temor(O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo a prudência. Provérbios 9:10). Somente quando o evangelho provoca o santo tremor de Deus podemos ser apreciados pelas verdadeiras boas novas que O constituem.

Somente quando somos justificados por Cristo é que a ira de Deus é apaziguada em nós. Mas através dessa justiça e dessa ira podemos enxergar o amor de Deus para com o seu povo.

 

O evangelho revela o amor de Deus:

Deus mostra o seu amor por nós, pois estando irado com toda humanidade aprouve a Ele mandar Cristo a cruz para que mediante o Seu sacrifício a ira de Deus fosse aplacada e mediante a fé que se tem no sangue de Cristo, e através desse poderoso amor, o homem é salvo.

Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Efésios 2:4-7.

 

Será que nós temos pregado este Evangelho? Ou estamos pregando somente aquilo que nós gostamos?

Que a verdadeira mensagem do Evangelho seja vivida e anunciada por nós que somos povo de Deus. E que ele derrame graça em nossas vida para que sempre tenhamos a consciência de fazermos a vontade dEle.

 

Tiago Silva

https://www.facebook.com/tiago.silva.39