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A UNIDADE DOS CRISTÃOS SOB A PERSPECTIVA DE RICHARD BAXTER

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INTRODUÇÃO

Na era Pós-Moderna, a qual nós, cristãos do século XXI, brasileiros, vivemos, há inúmeros sinais, os quais inequivocamente demonstram que estamos sob o juízo de Deus. A palavra de Deus fala: “Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor” (Sl 33:12a). Ora, não precisa ser nenhum gênio para perceber rapidamente que no país do “jeitinho” estamos mui aquém de ter zelo pelos ensinamentos de Deus, bem como de O considerarmos como verdadeiramente Senhor de nossa nação.

Se o profeta Isaías estivesse vivendo esses dias, certamente ele iria proferir o mesmo julgamento que bradou para o povo de Israel quando estes estavam se corrompendo demasiadamente: “Ah, nação pecadora, povo carregado de iniquidade, descendência de malfeitores, filhos que praticam a corrupção! Deixaram o Senhor, desprezaram o Santo de Israel, voltaram para trás” (Is 1:4).

AS MAZELAS ESPIRITUAIS E SOCIAIS DE UMA NAÇÃO CAÍDA

Irei elencar, sucintamente e sem me delongar por cada ponto, algumas dessas mazelas espirituais e sociais proeminentes no nosso contexto atual, destacando, no entanto, a última; e trazendo uma perspectiva principiologica bíblica do pastor puritano, inglês, Richard Baxter (1615 – 1691) que, em face dessa confusão ética, moral e religiosa, mostra a unidade do povo de Deus – ou seja, da igreja invisível de Cristo — como norte e força motriz para enfrentar tais dificuldades e, portanto, ser sal na terra e luz em mundo obscuro e caído em virtude do pecado (cf. Mt 5: 13-16).

  • O relativismo impera: as ideologias humanas pervertem os valores da sociedade, apregoando, destarte, que cada pessoa pode ter a sua própria verdade, e que todo pensamento pode ser desconstruído, porquanto o homem é a “medida de todas as coisas” – e não Deus;
  • O cristianismo bíblico é veementemente atacado: a apostasia é difundida escancaradamente nos púlpitos e seminários teológicos que outrora eram comprometidos com o zelo pela palavra de Deus, através de suas multifacetadas expressões, tais como, o liberalismo teológico – que nega a autoridade das Escrituras como sendo a palavra de Deus –, o teísmo aberto – que apregoa, em suma, que Deus fez o mundo, mas está distante dele –, entre outras teologias heterodoxas.
  • As seitas e heresias se propagam numa proporção descomunal: “Macêdos”, “Waldomiros”, “Agenores” entre outros corifeus da cura e prosperidade, têm comercializado um falso evangelho e mercadejado a fé com um povo que perece por falta de conhecimento (Os 4:6) ou que buscam o hedonismo religioso, isto é, uma vida de prosperidade financeira e prazeres terrenos.

Pois bem, agora destaco mais um ponto, o qual, certamente, faz com que o Senhor tenha repúdio a muitas de nossas condutas como membros do corpo de Cristo.

  • Debates doutrinários infrutíferos entre os cristãos: primeiramente, deixo bem claro que não critico o debate construtivo, edificante e fundamentado em premissas das Escrituras, afinal, eles foram e são essências na historia da igreja — notadamente, quando visam extirpar falsos ensinamentos e heresias que vão de encontro ao verdadeiro evangelho –, mas sim a forma e às consequências de alguns debates que os cristãos se envolvem, porquanto ao invés de haver uma exposição saudável de argumentos, há de fato, muitas vezes, uma ruptura e fragmentação no corpo de Cristo, ocasionados em virtude de deboches, desdém, intrigas, soberba e até achincalhamentos. Ora, em muitos debates teológicos, irmãos que convergem em questões essenciais à fé cristã — tais como: a doutrina da Trindade, a deidade de Jesus, a salvação somente por meio de Cristo, a doutrina do pecado original –, acabam se tornando praticamente inimigos religiosos.

Em face do último ponto elencado, a consequência logica nada mais é senão prejuízo para o corpo de Cristo, ou seja, a Igreja. Esta deveria se fortalecer em vez de enfrentar debilidades, uma vez que é sua missão pregar o evangelho e influenciar virtuosamente um mundo que jaz no maligno (1 Jo 5:19).

A PERSPECTIVA DE UNIDADE DA IGREJA DE RICHARD BAXTER EM 1 CO 12

Os puritanos foram cristãos notáveis na história da igreja, mormente por terem um especial zelo pela palavra de Deus, bem como uma busca implacável pela aplicação da palavra na vida prática, isto é, uma ênfase na vida santa e piedosa que glorifica a Deus (1 Co 10:31). Richard Baxter, pastor inglês do século XVII, integrou esse rol de gigantes da fé. Foi um eminente pastor e evangelista. Sua obra “O pastor Aprovado”, exemplifica uma vida piedosa voltada para a santidade e ministério pastoral, obra esta que inspira e edifica até hoje muitos pastores e líderes cristãos ao redor do mundo.

Baxter, todavia, também tinha outra característica peculiar, a saber: uma grande motivação para reconciliar às divisões cristãs de seus dias. Certamente, sabia a importância da unidade orgânica da igreja. Como Paulo asseverou em 1 Co 12:12 que “assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também”, o Pastor Aprovado sabia que deveria zelar pela comunhão dos santos. A busca pela integridade e unidade na igreja é para que “não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros iguais cuidados uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele (1 Coríntios 12:25,26)”, afinal somos membros de um só corpo – o corpo de Cristo!

Essa característica de Richard Baxter, contudo, não implica em dizer que ele era condescendente com práticas e doutrinas consideradas equivocadas e errôneas pelos protestantes. Pelo contrário; ele galgava a unidade com a finalidade de difundir o Evangelho verdadeiro, o qual prega Cristo crucificado como nosso único Salvador. Inclusive, ele foi expulso da Igreja da Inglaterra quando se recusou a assinar um Ato de Uniformidade que obrigava os pregadores puritanos usar a liturgia anglicana nos cultos. Vale ressaltar, também, que mesmo tendo sido proibido de pastorear, ele continuou escrevendo  e pregando;  sendo perseguido, acabou preso por três vezes.

No livro “Servos de Deus – espiritualidade e teologia na história da igreja” o pastor e escritor Franklin Ferreira dedica um capítulo especial à vida e ministério de Baxter. Ainda sobre a busca de Richard em prol da unidade dos cristãos, Ferreira fala que:

“[…] o senso de unidade e diversidade no corpo de Cristo deveria estender-se às outras igrejas que também confessam a fé evangélica básica. Estas comunidades devem ser vistas como congregações companheiras na igreja universal do nosso Senhor, pois, em suas palavras [de Baxter*] ‘em coisas essenciais, unidade; nas não essenciais, liberdade; em todas as coisas, caridade’.”

CONCLUSÃO

Como cristãos – assim como o fizeram os puritanos — devemos zelar pela pureza da igreja. As doutrinas e princípios elementares do evangelho jamais podem ser negociados ou relativizados. Como disse Lutero, “É melhor ser dividido pela verdade do que ser unido pelo erro”. No entanto, em questões periféricas da fé, podemos respeitar opiniões diversas das nossas, sem, contudo, comprometer o zelo e o que é essencial, a saber, às verdades concernentes a Jesus Cristo, que é o cabeça da Igreja e requer a unidade do seu povo.

Reitero, portanto, que, sacrificar a unidade e pensamentos convergentes em virtude de sentimentos pecaminosos, relacionados ao ego humano, à soberba e à vaidade, é um suicídio missional para a igreja. Hodiernamente, sobretudo no contexto brasileiro, os cristãos sinceros têm mais é de se unir para impactar positivamente a nossa sociedade e pregar o evangelho, a fim de suprimir toda influencia mundana e diabólica que se levanta objetivamente contra os princípios, valores e virtudes inerentes à palavra de Deus!

Rafael Durand Couto

 *Grifo nosso

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Baxter, Richard. O pastor aprovado. São Paulo: PES, 1989

Ferreira, Franklin. Servos de Deus – espiritualidade e teologia na história da igreja. São Paulo: Editora Fiel, 2014.

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Escravos, Graça e Salvação

Em meados do século XVIII, John Newton, antigo funcionário da Marinha Real Inglesa, iniciou sua carreira como comandante de um navio negreiro inglês. Sua missão era ao mesmo tempo simples e muito extensa: negociar com chefes tribais na costa africana “cargas” compostas por homens e mulheres capturados em seu território natal, acorrentar e acoplar a carga obtida (normalmente de 600 unidades) abaixo das plataformas com acesso à luz solar (para evitar doenças e tentativas de suicídio), conduzi-la à América e negociar seu valor em medidas de açúcar e melaço para transporte à Inglaterra.

Em uma destas viagens, entretanto, Newton e sua tripulação foram fortemente atingidos por uma tempestade, causando a morte de alguns de seus homens. Não se sabe ao certo se o barco suportou as torrentes daquela noite. John Newton, por outro lado sobreviveu e, mais que isto, conheceu àquele que o conduziria ao seu maior legado histórico e a um verdadeiro sentido para sua vida. Neste momento de tribulação John ofereceu sua vida ao Mestre, abandonou o tráfico de escravos e tornou-se cristão, seminarista e autor de hinos.

Alguns anos depois, em 1779, John publica a letra intitulada “Amazing Grace” (Graça Maravilhosa), que fala sobre a incrível graça proveniente de Deus e manifesta através de seu Filho a um perdido pecador que não conseguia enxergar seu pecado.

O tema marcante da letra de Newton está muito mais além do que o simples ato de impedir sua morte durante a terrível tempestade ou de afasta-lo do tráfico de escravos. Amazing Grace fala da misericórdia e graça de nosso Senhor ao nos permitir acesso a si mediante o sacrifício de Jesus. É graças a esta misericórdia que podemos ser chamados filhos de Deus, noiva de Cristo, Coroa da criação. Assim, mesmo com todas as nossas inclinações carnais, como afirma Paulo em sua carta aos Efésios, “Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo” (Ef. 2.4,5).

Agora, não apenas Newton, mas todos nós cristãos devemos afirmar como Paulo: pela graça somos salvos!

Tiago Silva

Arrependimento é necessário!

O evangelicalismo atual tem tirado muitas doutrinas fundamentais para a fé cristã dos púlpitos das igrejas.  Com o intuito de se agradar ao ouvinte, termina-se ferindo a pregação genuína do verdadeiro evangelho e mutilando as verdades fundamentais. Entre elas, a doutrina esquecida entre os pastores é a do arrependimento. A rejeição dessa doutrina é resumida muito bem em uma frase do Rev. Josemar Bessa: O que queremos é pecar sem culpa, e então criamos uma nação de vítimas. As pessoas não querem se se sentir culpadas diante de seus pecados, e tentam apagar sua culpa, tentam jogar no lixo essa doutrina fundamental. Portanto, decidi trazer um trecho de um livro do puritano Thomas Watson em que ele fala sobre como o arrependimento é necessário. Segue o texto:

Humilhemo-nos profundamente e lamentemo-nos diante do Senhor pelo pecado original. Perdemos aquela “quintessencial” disposição de alma que uma vez tivemos. A nossa natureza está viciada na corrupção. O pecado original difundiu-se como um veneno no homem todo, como a alcachofra de Jerusalém que, onde quer que for plantada, logo infesta o terreno. Não há natureza alguma no inferno pior que a nossa. Os corações dos melhores seres humanos são como o lençol no qual havia muitos répteis imundos (atos 10:12). É preciso ter toda a cautela possível com essa corrupção primitiva, porque nunca estamos livres dela. É como uma fonte subterrânea que, embora não se possa ver, todavia ainda flui. Poderíamos deter os impulsos para o pecado se pudéssemos deter as pulsações vitais do nosso corpo.

Esta depravação ingênita nos retarda e nos tolhe naquilo que é espiritual: “não faço o bem que quero” (Romanos 7:19). O pecado original pode ser comparado com o peixe de que fala Plínio, uma lampareia marinha que se gruda aos montes no casco dos navios e dificulta sua largada quando içam velas. O pecado também se pendura em nós e com seu peso nos faz ir muito devagar para o céu. Ó, essa aderência ao pecado! Paulo sacudiu a víbora que se pendurou em sua mão e a lançou no fogo (Atos 28:5), mas nesta existência não podemos sacudir a corrupção original e lança-la fora. O pecado não vem alojar-se em nós por uma noite, mas vem como morador permanente: “o pecado que habita em mim” (Romanos 7:17). Ele fica conosco como se fosse com ares, ainda assim leva a febre dentro de si. O pecado original é inesgotável. Não se pode esvaziar este oceano. Ainda que se gaste todo o estoque de pecado, ele não diminui nem um pouco. Quanto mais pecamos, mais somos do pecado. O pecado é como o azeite da viúva que aumentava à medida que era vertido.

Outra cunha que parte os nossos corações é que o pecado original se mistura com os próprios hábitos de graça. Isso explica por que os nossos movimentos em nossa marcha para o céu são tão lerdos e frouxos. Por que a fé não age mais forte ou agilmente senão porque calça os tamancos dos sentimentos – um verdadeiro estorvo! Por que o amor a Deus não se inflama com maior pureza senão porque é dificultado pela luxúria? O pecado original incorpora-se em nossas graças. Pulmões enfermos causam asma ou respiração curta, como també o pecado original, tendo infeccionado o nosso coração, faz com que as nossas graças respirem debilmente. Dessa forma vemos o que em nosso pecado original, pode fazer brotar nossas lágrimas.

Em particular, lamentemos a corrupção da nossa vontade e dos nossos sentimentos. Choremos a corrupção da vontade e dos nossos sentimentos.  A vontade, não seguindo o ditame da reta razão, é induzida ao mal. A vontade não gosta de Deus, não no que Ele é bom, mas no que Ele é santo. Ela O afronta com contumácia: “certamente cumpriremos toda a palvra que saiu da nossa boca, queimando incenso à rainha dos céus” (Jeremias 44:17). A maior ferida causada pelo pecado foi feita em nossa vontade.

Lamentemos os extravios dos nossos sentimentos. Eles são desviados do seu objetivo próprio. Os sentimentos como setas mal lançadas, atingem um ponto próximo do alvo. No princípio, os nossos sentimentos eram asas que nos faziam voar para Deus; agora são pesos que nos puxam para longe dEle.

Lamentemos a inclinação dos nossos sentimentos. O nosso amor é posto no pecado, a nossa alegria, na criatura. Os nossos sentimentos, como certas aves bonitas da Inglaterra, alimentam-se de esterco. Com que justiça o destempero dos nossos sentimentos podem ter um papel na cena da nossa tristeza? Por nos mesmos já estamos caindo no inferno, e os nossos sentimentos nos atiram lá.

Tenhamos em mente os pecados concretos. Destes posso eu dizer: “Quem pode entender os próprios erros?” (Salmo 19:12). Eles são como átomos no sol, como chispas de uma fornalha. Temos pecado com os nossos olhos; eles têm sido postigos que deixam entrar a vaidade. Temos pecado com nossas línguas; elas têm se inflamado de paixão. Que ato procede de nós no qual não descobrimos algum pecado? Não há como contar nossos pecados, pois seria como contar as gotas do oceano. Tratemos de arrepender-nos seriamente dos nossos pecados fatuais diante do Senhor.

Watson, Thomas. A Doutrina do Arrependimento. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 2012, p. 98-101.

Lucas Dantas

https://www.facebook.com/LucasDantas19

ATRAÇÃO PELO MESMO SEXO E A ESPERA POR MUDANÇA

Poucos conceitos são mais estranhos à nossa cultura do que esperar. Hoje você pode tirar uma foto de um cheque com o seu celular e depositá-lo instantaneamente na sua conta bancária sem sair do seu lugar. “Instante” parece que se tornou o novo “relativamente rápido”.
Isso tem sido ressaltado em minha própria vida ao lutar com a questão da mudança em relação à minha atração pelo mesmo sexo. Quando eu comecei a me aconselhar a alguns anos atrás eu pensei que se eu seguisse uma série de passos prescritos então as minhas atrações iriam mudar de homens para mulheres. Contudo, após sete anos de trabalho duro, eu comecei a ficar desiludido e depressivo porque aquilo não acontecia. Por que a mudança não estava acontecendo como eu achei que aconteceria?
Até que um dia isso me pegou. Eu percebi que a heterossexualidade não é o meu objetivo final – a santidade é. E a minha santidade não depende, em última análise da transformação das minhas atrações. Uma vez que isso ficou claro, eu comecei a ver a mudança de forma diferente.
Mudança não prometida
A transformação da minha orientação é o tipo de mudança que não é garantida nessa vida. Deus nunca me prometeu que Ele removeria a minha atração pelo mesmo sexo. Eu sou lembrado de Paulo orando três vezes ao Senhor em 2 Coríntios 2 12 para que o seu espinho na carne fosse retirado. E qual é a resposta de Deus? “A minha graça te basta” (2 Coríntios 12.9). Deus decide quais os espinhos permanecem e quais ele removerá, para a sua glória. Embora a atração pelo mesmo sexo seja um espinho particularmente doloroso de se carregar, eu não tenho nenhuma garantia de uma forma ou de outra.

De fato, prometer mudança de orientação pode ser bastante maléfico. Na realidade, não há uma receita de passos prescritos que definitivamente irão levar à reversão na atração e esse tipo de pensamento pode fazer da mudança de orientação um ídolo que deve ser alcançado ou tudo está perdido. Se a minha esperança está baseada apenas em me tornar heterossexual então eu não teria nenhuma razão para ter esperança.
A mudança garantida
Contudo, não cometa erros, a mudança é garantida. O que acontece quando eu destrono a heterossexualidade como o meu objetivo final e a substituo por santidade? O que acontece quando eu recorro a Jesus, confio nas promessas de sua palavra e luto a batalha da fé pelo Espírito? Eu mudo! Esse lento (geralmente doloroso) processo é chamado de santificação e é um tipo de mudança que é inevitável para todos os verdadeiros cristãos.

E aqui está algo: a minha santificação aqui na terra pode ou não incluir uma mudança nas minhas atrações. Em me conformar à imagem de Cristo, Deus pode ver como adequado não mudar a minha orientação até o dia em que eu morrer, pelo propósito da minha santificação final. A minha atração pelo mesmo sexo pode ser um dos “espinhos” que Ele deixou para aumentar a minha fé e demonstrar o seu poder e graça em minha vida.
Gemendo, Aguardando, Tendo Esperança
Isso é o que consiste esperar. Eu quero ser “concertado” agora, para parar de guerrear contra a minha carne e me tornar como Cristo. A espera é muito dura! Ainda bem que a Bíblia me ensina como lidar com a espera. Ao experimentar os gemidos nesse corpo, eu tenho grandes motives para ter esperança.
Eu tenho esperança na minha adoção completa e final como um filho de Deus, a qual inclui a redenção do meu corpo (Romanos 8.23) e preciso de esperança porque isso ainda não está aqui. Além do mais, “esperança que se vê (presente agora mesmo, imediatamente, instantaneamente), não é esperança. Pois quem espera por aquilo que vê?” (Romanos 8.24).

Ao invés de “me conserte agora”, a Bíblia me dá isso: “Mas se esperamos o que ainda não vemos, aguardamo-lo pacientemente.”(Romanos 8:25). Não importa quão precisamente eu sinta o meu corpo quebrado e a minha já, mas ainda não adoção como filho de Deus através de Cristo, eu tenho que esperar pela minha redenção completa com paciência – mesmo quando eu posso fazer um depósito bancário do meu celular. Ao discutir a promessa vazia da mudança de orientação, Wesley Hill, que experimenta atração pelo mesmo sexo, afirma que: “É suficiente dizer , eu creio, que o verdadeiro risco espiritual e teológico desse tipo de discurso de “vida cristã vitoriosa” é evitar o estado de ‘está no caminho’. É uma expectativa de que o reino de Deus em sua plenitude deveria está aqui agora, sem termos que suportar o seu lento, misterioso e paradoxal desdobramento até o retorno de Cristo.” Assim, ao invés de tirar uma foto do meu cheque, eu preciso está contente em está no carro “a caminho” do banco.

A espera vale a pena
Acredite em mim, é realmente difícil, mas a realidade é que é “a caminho” que eu experimento Deus. Por enquanto, é na dor e no gemido, na luta por contentamento, que Deus revela a si mesmo e me transforma, arranca todos os meus ídolos, me dá mais dele e me prepara para uma eternidade de contentamento nele e sem dor.
É no banco de carona do carro que eu vejo a beleza da estrada, as montanhas majestosas e o extasiante pôr do sol que eu não teria visto se eu houvesse sido magicamente transportado para o meu destino final, e que destino final de tirar o fôlego que será. É na espera que eu sou santificado, conformado à imagem de Jesus e mortificado para me deleitar nele quando eu o ver face a face ( 2 Coríntios 3.18).

A minha orientação pode não mudar nessa vida, mas a santificação completa está a caminho (1 Tessalonicenses 5.23-24). Ainda não está aqui. Mas eu acho que eu posso esperar por ela.

Nick Roen

(Desiring God)

(Tradução: Igor Sabino)

DEFENDA O SEU BEM MAIOR!

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Graça e paz queridos leitores do blog Cristãos Contra o Mundo.

Nesse último dia do ano gostaria de fazer uma breve reflexão em um texto bem curto que se encontra no livro de 2° Timóteo 4: 6-7, e que traz uma grande lição para nossas vidas.

No começo do texto o apóstolo Paulo está passando para Timóteo as suas última lições e relembrando tudo que lhe ensinara. Como em uma prova de revezamento, na qual o atleta passa o bastão para o próximo e assim cada um vai passando o bastão até o objetivo estabelecido ser completado, Paulo está como que entregando o bastão da sã doutrina ao jovem Timóteo.

Essa será a nossa primeira reflexão: Que lições temos passado para o próximo? A verdadeira mensagem do Evangelho tem sido levada adiante por nós?

Seguindo o texto chegamos aos versos 6 e 7, nos quais quero me deter um pouco e extrair mais algumas lições para nós.

Certamente Paulo sabe que sua morte será em breve. Mas, além disso, ele também sabe para onde vai, sabe que está a caminho do seu verdadeiro lar onde descansará por toda eternidade. Porém, antes de se despedir completamente, o apóstolo deixa outra lição para Timóteo e que se aplica a nós perfeitamente: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”. Permitam-me usar mais dois exemplos que nos ajudarão a esclarecer melhor essa lição.

Recentemente, comecei a ler um livro sobre uma crônica medieval chamado 1356, do autor Bernard Cornwell, no qual logo no início da história o personagem frei Ferdinand carrega a espada la Malice e deve impedir que a tomem até que ele a coloque no local seguro, passando por grandes perigos.

Outro exemplo se encontra no filme O Livro de Eli, no qual o personagem porta a última Bíblia existente no mundo e deve leva-la ao local estabelecido, enfrentando homens que querem tomar esse livro.

A minha lição aqui, querido leitor não é perguntar com qual personagem ou qual tipo de objeto você se identifica, mas se o seu bem precioso é a sua salvação e se você tem levado e defendido a Jesus Cristo, o único dono dessa salvação?

Será que, assim como Paulo, podemos dizer que completamos a carreira e guardamos a fé? Temos defendido as verdades do evangelho assim como os personagens citados acima defenderam seus objetos? Como seremos lembrados pelas futuras gerações?

São perguntas que devem sempre caminhar conosco, não somente no fim desse ano, mas durante toda a nossa caminhada cristã. Deus, sendo  misericordioso, nos deu exemplos de homens piedosos como o apóstolo Paulo, Davi, João Batista, Isaías, Jeremias e tantos outros, para que hoje possamos lembrar deles e nos espelhar, porém sempre olhando para o maior de todos os homens que é Jesus Cristo.

Que Ele nos abençoe e derrame graça e misericórdia em nossas vidas. Um feliz 2015!

Tiago Silva
https://www.facebook.com/tiago.silva.39

SOLA SCRIPTURA: UM BRADO PERMANENTE!

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No dia 31 de Outubro comemoraremos os 497 anos da Reforma Protestante. A Reforma, para quem ainda não sabe, foi um grande marco na história do Cristianismo que aconteceu no séc. XVI. A figura central deste acontecimento foi o monge agostiniano Martinho Lutero (1483 – 1546). A leitura da passagem bíblica “O justo viverá por fé” (Rm 1:17) feita por Lutero, o influenciou sobremaneira, de modo que ele compreendeu a doutrina da justificação com o seguinte contexto: “justificação quer dizer satisfação do critério de justiça de Deus”¹, ou seja, não por obras nem tampouco sacrifícios, todavia, a justificação pela fé e tão somente pelos méritos de Cristo, como atesta a Escritura!

Com essas convicções, no dia 31 de outubro de 1517 ele afixou suas 95 teses na porta da catedral de Wittenberg na Alemanha, protestando contra vários pontos doutrinários da Igreja Católica Romana, sobretudo contra a venda de indulgências, onde havia a comercialização da “salvação” ou do perdão de pecados, além de outros abusos impostos pelas lideranças eclesiásticas de Roma. Conseguintemente, desencadeou uma grande transformação religiosa, teológica e filosófica naquela época, culminando com o nascimento da Igreja Protestante.

Os princípios fundamentais da Reforma ficaram conhecidos pelos termos em latim como “os Cinco Solas”: Sola Scriptura (somente a Escritura), Sola Fide (somente a fé), Solus Christus (somente Cristo), Sola Gratia (somente a graça) e Soli Deo Gloria (glória somente a Deus).

Neste artigo irei fazer referência a um desses princípios, a saber, o Sola Scriptura. Tendo em vista que outro lema eminente na Reforma foi “Ecclesia reformata, semper reformanda”, isto é, igreja reformada sempre se reformando. Portanto, sempre se faz necessário recordar estes fundamentos da Igreja Reformada, voltando sempre para a palavra de Deus com o intuito de coibir certas práticas heréticas que via de regra são introduzidas na igreja.

Primeiramente, irei elencar, com o intuito de ficarmos alertas, três ameaças que vêm tentando usurpar o lugar das Sagradas Escrituras na Igreja de Cristo:

1. FALSAS DOUTRINAS: Qualquer forma de pregação, exortação, devocional, evangelismo ou louvor, desassociado de conteúdo bíblico, é algo sobremodo vazio, infrutífero e falso! O lugar proeminente da pregação bíblica não pode ser negociado em benefício de entretenimentos e artifícios pragmáticos, sobretudo nos cultos. Infelizmente no evangelicalismo contemporâneo, algumas denominações ditas evangélicas têm dado ênfase a doutrinas anti-bíblicas, tais como: as famigeradas teologias da prosperidade financeira e da confissão positiva. Levando seus frequentadores a crerem em um deus deturpado, que só quer dinheiro para realizar as vontades do ser humano (algo bem semelhante às antigas indulgências). As curas e milagres também são exaltados em detrimento do sacrifício de Jesus Cristo na cruz: sacrífico este que traz a verdadeira cura da alma e o milagre da salvação!

2. LIBERALISMO TEOLÓGICO: A Teologia liberal (ou liberalismo teológico) é um movimento que relativiza a autoridade da Bíblia, esses ensinamentos estabeleceram uma mescla da doutrina bíblica com a filosofia e as ciências da religião. Os teólogos-liberais negam a autoridade e inerrância bíblica e a historicidade dos milagres de Cristo. Uma verdadeira epidemia de apostasia vem crescendo na igreja, muitos expoentes dessa teologia passaram a ser admirados e seguidos por muitos cristãos que outrora criam na sã doutrina.

3. TEÍSMO ABERTO: É a teologia que nega os atributos de Deus como: a onipresença, a onipotência e a onisciência do Senhor. Seus defensores afirmam que Deus não conhece o futuro completamente, e pode mudar de ideia conforme as circunstâncias, ou seja, mais um conceito relativista que se contrapõe a infalibilidade da palavra de Deus.

Devemos ter bastante cuidado com todas essas heresias supracitadas que sutilmente se introduzem no meio evangélico.

SOMENTE A ESCRITURA JÁ É EFICAZ!

Não precisamos, nem podemos, nem tampouco devemos acrescentar nenhum ensinamento às Sagradas Escrituras! A palavra de Deus não precisa ser adornada/embelezada, por si só ela é perfeita e mais valiosa do que o ouro mais precioso que possa existir (Sl 19). É como uma noiva entrando na igreja na hora do casamento, ela não precisa mais de nenhum adereço, pois já está perfeitamente pronta para aquela ocasião. Ora, quantos pastores têm tentando tornar a palavra de Deus algo mais palatável aos ouvintes, acrescentando nos cultos de suas igrejas performances e métodos engenhosos que, ilusoriamente, creem eles, serão eficazes na conversão e santificação das pessoas? Estes estão deveras equivocados, certamente esqueceram que o poder de Deus para salvação é tão somente o puro e simples Evangelho de Jesus Cristo (Rm 1.16)! O reformador João Calvino certa vez disse: “A Escritura (o novo e antigo testamento) é o próprio Deus falando conosco como um pai fala com seus filhos”. Não podemos rejeitar, portanto, a voz do nosso Senhor!

A IMPORTÂNCIA DA LEITURA BÍBLICA

A fé vem do ouvir a palavra de Deus (Rm 10.17). Escutamos a palavra de Deus quando ela chega aos nossos ouvidos ou quando a lemos diretamente nas nossas bíblias, isso fortalece a nossa fé. Assim como a oração, a comunhão e os sacramentos (batismo e ceia), a leitura da palavra é também um dos meios de graça que nos ajuda na santificação, “Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17-17). Devemos buscar na palavra o nosso alimento diário, estudá-la de forma devocional e sistemática, buscando o auxílio dos irmãos mais experientes e de livros escritos por homens piedosos e fiéis à Escritura quando for preciso. Não é necessário ser um erudito, um grande teólogo, mestre, ou ser uma pessoa dotada de uma inteligência anormal, a mensagem do Evangelho é simples e acessível a todos. No entanto, obviamente, com o amadurecimento na fé, o cristão se deleitará cada vez mais em se aprofundar nos assuntos concernentes ao reino dos céus. Contudo, o Ap. Paulo diz que Cristo o enviou para evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã (1 Co 1.17). Ora, a mensagem do Evangelho pode ser compreendida em uma única passagem, como vemos em João 3.16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. E aprouve a Deus salvar os que creem nessa pregação (1 Co 1.21). Portanto, não temos desculpas para evitar o contato com as sagradas palavras do Senhor!

DILIGENTES PRATICANTES DA PALAVRA DE DEUS

Diante de todas essas reflexões, queridos leitores, vale ressaltar que não devemos ser apenas estudiosos e ouvintes dessa palavra, mas precisamos ser praticantes diligentes de todo o desígnio de Deus (At 20. 27), diariamente, em todas às áreas de nossa vida. Como bem nos ensina a carta de Tiago: “E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1. 22). Não devemos, portanto, ser hipócritas. Salmos 119. 105 diz o salmista: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho”. A palavra de Deus para o homem é como um GPS infalível que sempre o conduzirá à rota correta! Ela deve estar arraigada a todas as áreas da nossa vida. Não há uma esfera da nossa caminhada que Deus não tenha algo a nos ensinar por meio da Sua santa palavra. Todas as nossas convicções precisam estar submissas à vontade de Deus revelada na Escritura.

TODA A ESCRITURA APONTA PARA CRISTO

A centralidade das Escrituras é Cristo, pois ela aponta para o nosso Senhor e Salvador Jesus de Gênesis a Apocalipse! (Cf. Gn 3. 15, Ap 7. 17). É a palavra de Deus que ensina a nos arrependermos e crermos no Senhor Jesus (Mc 1. 15), que Ele é o nosso único mediador (1 Tm 2. 5), o caminho a verdade e a vida (Jo 14. 6), e quem crerá nEle terá a vida eterna (Jo 3. 36).

SOLA SCRIPTURA UM BRADO PERMANENTE

Que possamos então, hodiernamente, há quase 500 anos depois da Reforma, bradar como fez Lutero no séc. XVI, desta feita em oposição aos falsos ensinamentos introduzidos na Igreja contemporânea, retornando aos ensinos de Cristo, dos apóstolos e da Igreja Primitiva, onde SOMENTE A ESCRITURA é e deve ser a nossa autoridade, regra de fé e de prática, inerrante e infalível, a própria voz de Deus falando com o Seu povo. Que sejamos cativos em nossa consciência dessa palavra, afinal, como diz 2 Timóteo 3. 16: “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; 17. para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra”.

SOLA SCRIPTURA E TOTA SCRIPTURA (TODA A ESCRITURA)!

Rafael Durand

www.facebook.com/rafinhadurand

¹ Nota de rodapé da Bíblia de Estudo de Genebra sobre o versículo de Romanos 1. 17.

A POESIA DE ISAAC WATTS

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O grupo de louvor da nossa comunidade está estudando (ou melhor, vai começar) o livro “O encanto poético de Isaac Watts”, de Douglas Bond, lançado pela Editora Fiel. Num tempo em que as igrejas não param para entender ou analisar o que estão cantando, dando vazão a todo tipo de erros doutrinários e teológicos, faz-se necessário olhar para os grandes homens do passado e aprender com eles. Isaac Watts (1674-1748) é conhecido como o Pai da Hinódia Inglesa, tendo escrito cerca de 750 hinos, alguns deles em nossos hinários aqui no Brasil.

Gostaria aqui de destacar dois de seus hinos. O primeiro ele escreveu a pedido de sua mãe pois ela havia achado alguns versos de seu filho e, pela profundeza das letras, não acreditava que fossem realmente dele. Então, sentado à mesa, em frente à sua mãe, escreveu um poema com dez versos que formavam um acróstico do seu nome. Colocarei primeiro o original em inglês, para que você perceba o acróstico, em seguida a tradução. Observe a profundidade doutrinária do poema (detalhe, ele tinha sete anos de idade):

I am a vile polluted lump of earth;
So I’ve continued ever since my birth;
Although Jehovah grace does daily give me,
As sure as this monster Satan will deceive me.
Come therefore, Lord, from Satan’s claws relieve me.

Wash me in thy blood, O Christ,
And grace divine impart;
Then search and try the corners of my heart,
That I in all things may be fit to do
Service to Thee, and sing thy praises too.

[Sou um pedaço de terra vil e poluído;
Assim desde o berço tenho permanecido;
Embora Jeová venha graça diária dar,
É certo que Satanás irá me enganar.
Vem, pois, ó Senhor, de suas garras me livrar.

 No teu sangue, ó Cristo, renova-me
E tua graça divina outorga-me.
Sonda, pois, os cantos do meu coração e prova-me,
Que em todas as coisas eu esteja apto a fazer
Serviço a Ti, e também teus louvores render.]

O outro hino é o primeiro citado pelo autor no livro. Ele conta que numa noite de domingo, cantando um música de Watts em sua congregação, num culto de santa ceia, veio sobre ele “o despertar de verdades ouvidas que haviam sido ternamente ensinadas desde minhas primeiras lembranças, o sentimento de admiração pela graça divina, e o sentimento experiencial da realidade da cruz e de Cristo, meu Salvador derramando o seu sangue, sofrendo e morrendo em meu lugar, pelo meu pecado e minha culpa”¹. O hino que o autor do livro cantava era esse:

Quando eu olho a maravilhosa cruz
Na qual o Príncipe da glória morreu ,
Vejo que meus grandes feitos nada são ,
E coloca desprezo sobre todo o meu orgulho .

Proibi-me , Senhor, de gloriar-me ,
Exceto na morte de Cristo, meu Deus!
Todas as coisas vãs que encanta a maioria,
Eu as sacrifico pelo Seu sangue.

Oh a maravilhosa cruz
Oh a maravilhosa cruz
Me manda vir e morrer
E encontro o que eu deva realmente viver

Olhe a sua [de Jesus] cabeça, as mãos, os pés ,
Aflição e amor descem juntas!
Sempre faz tal amor e tristeza encontrar,
Ou espinhos compor tão rica coroa?²

Douglas Bond diz: “Por sua imaginação incomparável, Watts me transportou de volta para o quente e empoeirado Gólgota, onde ouvi a batidas dos martelos sobre os pregos, os insultos e cuspes, os gemidos e gritos de dor. Pelas palavras de Watts, tornei-me o jovem contemplando a maravilhosa cruz. Com os olhos da fé, eu era aquele que via o Príncipe da glória abandonado por seu Pai e morrendo em agonia. E porque eu agora via, estava resoluto a contar como perda todas as minhas aspirações à riqueza e grandeza. Eu estava, pela primeira vez, desprezando todo o meu orgulho delirante do corpo e da mente.”

Muito já se escreveu, nos blogs reformados, sobre a importância da doutrina correta nas músicas entoadas nas igrejas, como também, muitos sermões pregados. Mas quis dar também minha contribução mostrando um pouco da obra desse grande pastor e poeta desconhecido por muitos. Recomendo também a leitura do livro acima citado. Se você faz parte do grupo de louvor de sua comunidade, leve a ela músicas cristocêntricas, que exaltem ao excelso Deus, seus atributos e sua glória. Aprendamos com Issac Watts!

Gustavo Buriti

https://www.facebook.com/gustavo.buriti.1

¹BOND, Douglas. O encanto poético de Isaac Watts. São José dos Campos: Ed. Fiel, 2014. p. 14.

²When I survey the wonderous cross – Isaac Watts.

A ORAÇÃO MUDA ALGUMA COISA?

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O que podemos dizer sobre a intercessão e a súplica? É bom falar sobre os benefícios religiosos, espirituais e psicológicos (e quaisquer outros que possamos obter da oração). Mas, o que dizemos sobre a pergunta real – a oração faz alguma diferença? Certa vez, alguém me fez esta pergunta, apenas em termos levemente diferentes: “A oração muda a mente de Deus?” Minha resposta gerou protestos intensos. Eu disse apenas: “Não”. Ora, se a pessoa tivesse perguntado: “A oração muda as coisas?” Eu teria respondido: “É claro que sim!”

A Bíblia diz que há certas coisas que Deus determinou desde toda a eternidade. Essas coisas acontecerão inevitavelmente. Se você orasse individualmente, ou se você e eu uníssemos forças em oração, ou se todos os cristãos do mundo orassem coletivamente, isso não mudaria o que Deus, em seu conselho secreto, determinou fazer. Se decidimos orar em favor de que Jesus não volte, ele voltará apesar disso. Talvez você pergunte: “A Bíblia não diz que, se duas ou três pessoas concordarem a respeito de alguma coisa, elas o receberão?” Sim, a Bíblia diz, mas essa passagem fala sobre disciplina eclesiástica, e não sobre pedidos de oração. Portanto, devemos levar em conta todo o ensino bíblico sobre a oração e não isolar uma passagem das demais. Temos de abordar a questão à luz de toda a Escritura, resistindo a uma leitura separativa.

De novo, você talvez pergunte: “A Bíblia não diz, várias vezes, que Deus se arrepende?” Sim, o Antigo Testamento certamente diz isso. O livro de Jonas nos diz que Deus “se arrependeu” do julgamento que planejara para o povo de Nínive (Jn 3.10). Por usar o conceito de arrependimento nesta passagem, a Bíblia está descrevendo a Deus, que é Espírito, naquilo que os teólogos chamam de “antropopatia”. Obviamente, a Bíblia não quer dizer que Deus se arrependeu da maneira como nos arrependeríamos; do contrário, poderíamos supor corretamente que Deus havia pecado e, portanto, precisava de um salvador para si mesmo. O que o texto significa é que Deus removeu a ameaça de julgamento do povo. A palavra hebraica nacham, traduzida como “arrepender”, significa “confortado” ou “tranquilizado”, neste caso. Deus foi confortado e sentiu-se tranquilo com o fato de que o povo havia se convertido de seu pecado; por isso, ele revogou a sentença de julgamento que impusera.

Quando Deus ergue a sua espada de juízo sobre as pessoas, e estas se arrependem, e, por isso, Deus não excuta o juízo, ele mudou realmente a sua mente?

A mente de Deus não muda, pois ele não muda. As coisas mudam, e elas mudam de acordo com a soberana vontade de Deus, que ele executa utilizando meios e atividades secundários. A oração de seu povo é um dos meios que Deus usa para fazer as coisas acontecerem neste mundo. Então, se você me pergunta se a oração muda as coisas, eu respondo com um resoluto “sim”.

É impossível saber quanto da história humana reflete a intervenção imediata de Deus e quanto revela o agir de Deus por meio de agentes humanos. O exemplo favorito de Calvino para isto era o livro de Jó. Os sabeus e os caldeus tinham roubado os jumentos e os camelos de Jó. Por quê? Porque Satanás havia incitado o coração deles a fazer isso. Mas, por quê? Por que Satanás recebera permissão de Deus para testar a fidelidade de Jó em tudo que ele tanto desejava, exceto tirar a vida de Jó. Por que Deus concordaria com tal coisa? Por três razões: (1) silenciar a calúnia de Satanás; (2) vindicar a si mesmo; (3) vindicar Jó da calúnia de Satanás. Todas estas razões são justificações perfeitamente corretas para as ações de Deus.

Por contraste, o propósito de Satanás em incitar esses dois grupos era levar Jó a blasfemar de Deus – um motivo totalmente ímpio. Mas, observamos que Satanás não usou algo sobrenatural para realizar seus propósitos. Ele escolheu agentes humanos – os sabeus e os caldeus, que eram maus por natureza – para roubar os animais de Jó. Os sabeus e os caldeus eram conhecidos por sua maneira de viver caracterizada por roubos e mortes. A vontade deles esteve envolvida, mas não houve coerção. O propósito de Deus foi cumprido por meio das ações ímpias deles.

Os sabeus e os caldeus eram livres para escolher, mas, para eles, assim como para nós, a liberdade sempre significa liberdade dentro de limites. Não devemos confundir liberdade humana e autonomia humana. Sempre haverá um conflito entre soberania divina e autonomia humana. Nunca há um conflito entre a soberania divina e a liberdade humana. A Bíblia diz que o homem é livre, mas ele não é uma lei autônoma para si mesmo.

Suponha que os caldeus e os sabeus tivessem orado: “Não nos deixe cair em tentação e livra-nos do mal”. Estou absolutamente certo de que, apesar disso, os animais de Jó teriam sido roubados, mas não necessariamente pelos sabeus e os caldeus. Deus poderia ter decidido responder a oração deles, mas teria usado outro agente para roubar os animais de Jó. Há liberdade dentro de limites, e, dentro desses limites, nossas orações podem mudar as coisas. As Escrituras nos dizem que Elias, por meio da oração, impediu a chuva de cair. O seu entendimento da soberania de Deus não o dissuadiu de orar.

Trecho retirado do livro: A Oração Muda as Coisas? por R.C Sproul. Ed. Fiel, p. 19-23.
Disponibilizado gratuitamente pela editora através do link: http://www.ministeriofiel.com.br/ebooks/detalhes/70/A_Oracao_Muda_as_Coisas

Postado por Rafael Durand.

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A IGREJA E OS GAYS: UMA OUTRA ABORDAGEM

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Uma das questões que mais tem colocado a Igreja brasileira em destaque na mídia e na sociedade nos últimos dias é a sua posição acerca da homossexualidade. O que tem se tornado na verdade, uma guerra entre conservadores e alguns preconceituosos de um lado contra ativistas gays que tem demonstrado cada vez mais que não lutam simplesmente pela defesa de direitos civis, mas pela criação de indivíduos privilegiados na sociedade. Eu sinceramente não quero entrar aqui nos méritos do PL122, até porque, por uma questão política e ideológica a considero totalmente absurda, ainda que ela não venha a cercear a liberdade religiosa, como muitos tem apontado recentemente. Na verdade, o que eu gostaria de fazer é apenas uma breve reflexão acerca da abordagem da Igreja com relação às pessoas que sentem atração por pessoas do mesmo sexo, muitos cristãos, inclusive.

“Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus. Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus.” (1 Coríntios 6:9-11)

O texto acima é um dos textos bíblicos frequentemente utilizados a fim de condenar a homossexualidade. Entretanto, extrair apenas isso do texto não faz muito sentido, tampouco expressa toda a sua mensagem. Eu realmente creio que o homossexualismo é algo errado diante de Deus e creio que todos aqueles que não se arrependerem desse pecado, assim como de qualquer outro pecado, irá sim ser condenado ao inferno. Isso, contudo, não significa que eu creio que todas as pessoas que se sentem atraídas pelo mesmo sexo estão automaticamente condenadas ao inferno.

Desejos homossexuais nada mais são do que consequências do pecado. É um desejo tão errado quanto a cobiça que um homem heterossexual sente por uma mulher. Por isso mesmo, os desejos de uma pessoa não podem ser o único fator capaz de determinar a identidade de um ser humano. Embora a Bíblia deixe claro que há papéis distintos a serem desempenhados por homens e mulheres, deixa claro que em Cristo todas as distinções foram colocadas a baixo e o que realmente importa é a identidade de filhos de Deus, justificados, regenerados, santificados.

É exatamente isso o que Paulo quis dizer à Igreja de Corinto. Entre eles havia diversos tipos de pecadores merecedores do inferno, inclusive homossexuais. Mas o foco maior que o apóstolo dá, não é à condição passada deles, mas sim a presente. Paulo deixa claro aos irmãos de Corinto, uma vez homossexuais, que o que importava não era o que eles haviam sido no passado ou o que ainda sentiam, mas sim quem eles eram em Cristo. O mais importante é que eles eram feitos justos diante de Deus e que um dia eles seriam completamente santos.

Assim como na Igreja de Corinto, na Igreja Brasileira ainda existem pessoas que uma vez foram homossexuais, mas que hoje são justificadas em Cristo. Muitos são irmãos que de fato deixaram tais práticas, mas ainda tem desejos homossexuais. Outros embora tenham esses mesmos desejos, nunca os praticaram. A grande questão é: como temos tratado essas pessoas? Será que temos sido como Paulo e temos buscado acolher esses irmãos lembrando-os de suas verdadeiras identidades em Cristo ou temos condenados, forçando-os a se casarem com alguém do sexo oposto e se assumirem como ex-gays a fim de puderem realmente serem aceitos pela Igreja?

O que mais me preocupa é perceber o quanto muitas das atitudes da Igreja Brasileira com relação a questões como essa é perceber o quanto ela pensa de forma moralista, porém anti-bíblica. Principalmente no que diz respeito ao casamento. Como compartilhei aqui na semana passada, segundo Jesus em Mateus 19.25, o casamento não é para todos os homens, e foquei naqueles que permanecem solteiros em prol do Reino de Deus. Entretanto, Jesus fala que alguns não podem se casar por causa de sua própria natureza, sendo os “eunucos de nascença”. Eu não quero entrar no mérito das causas da homossexualidade, e embora não creia que isso seja uma questão genética, creio que algumas pessoas têm inclinações para o homossexualismo, tal como outras têm para idolatria, outros para avareza, e para os mais variados pecados, contudo, isso não altera em nada a mensagem do Evangelho, uma vez que isso é consequência da natureza pecaminosa de todo ser humano.

Por isso, vejo no celibato uma alternativa bíblica e santa para aqueles que sentem desejos homossexuais, mas ainda assim querem ser cristãos e levarem uma vida santa. Fico muito feliz ao perceber o quanto essa mentalidade tem se fortalecido, por exemplo, na Igreja de alguns países de língua inglesa. Existem alguns autores cristãos como o Christopher Yuan, Sam Albery e Wesley Hill, que mesmo lutando com a atração por pessoas do mesmo sexo, optaram por seguir a Cristo e honrá-lo através de uma vida de pureza sexual e celibato. Para esses homens, suas identidades verdadeiras estão em Cristo e Ele lhes é muito mais prazeroso do que qualquer relacionamento humano ou satisfação sexual. Eles encontram na Igreja, a família de Cristo e vivem radicalmente o cumprimento da promessa de Jesus em Marcos 10.28-30, segundo a qual receberemos ainda nessa vida 100 vezes mais de tudo aquilo que renunciamos para segui-lo e ainda a vida eterna.

Meu desejo sincero e a minha oração é que a Igreja Brasileira se deixe moldar pela Bíblia e passe a acolher homens e mulheres assim. Que a Igreja seja realmente a família de Cristo para as pessoas que sentem atração pelo mesmo sexo. Que Deus capacite Seus servos a deixarem tudo por amor a Ele. Que os cristãos que se sentem assim não se sintam constrangidos a serem abertos acerca do que sentem. Que eles encontrem na Igreja um lar seguro.

Quem sabe um dia não haverá no Brasil Igrejas pastoreadas por sérios homens de Deus, que vivem uma vida de pureza sexual e celibato ao mesmo tempo em que lutam contra desejos homossexuais? Parece radical demais para nós e nossa cultura, não? Pois é, tão radical quanto Jesus e o Evangelho!

Igor Sabino

https://www.facebook.com/igorhsabino

A GRAÇA SEJA CONTIGO

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Esta é a saudação característica de Paulo em suas epístolas. Sempre, tanto no começo como no fim de suas cartas, ele dedica esta expressão aos seus leitores. A graça é um favor divino, um dom gratuito, uma mercê concedida por Deus aos homens. Calvino diz que é uma benção muitíssimo desejável ter Deus a nosso favor. E é isso que Paulo deseja aos seus destinatários.

A graça é o que torna o cristianismo diferente de todas as religiões do mundo. Todas elas nos apresentam formas de como o homem pode buscar a Deus e o que se deve fazer para conseguir sua salvação. Explicando isso, Paul Washer toma o exemplo de um mulçumano e um judeu. Ambos dirão que irão para o Paraíso, pois leram seus livros sagrados e cumpriram as regras que neles estavam escritos. Sendo assim, Deus não teria outra coisa a fazer se não conceder-lhes a salvação, afinal eles cumpriram suas normas. Era uma dívida de Deus.

Mas isso não ocorre no cristianismo. Essa não é a mensagem do evangelho, e é o que nos torna diferentes. O homem poderia ser salvo se cumprisse toda a lei de Deus e vivesse uma vida moralmente perfeita, porém o nosso primeiro representante Adão falhou, e seu erro foi passado a todos os que se seguiram depois dele. Desde então, todos os homens nascem em pecado. Todos se extraviaram e, juntamente, se fizeram inúteis. Não há quem busque a Deus, e essa é a primeira divergência do cristianismo para as outras religiões. É o próprio Deus quem escolhe seu povo, o redime e o chama. Deus é quem busca o homem. E, uma vez que o homem não poderia salvar-se por seus próprios meios, ele precisaria de um alguém que assumisse sua dívida e pagasse seu pecado por ele. Deus não poderia simplesmente perdoar o homem, pois ele é Justo Juiz. E esse salvador deveria ser alguém totalmente perfeito e com uma conduta moralmente reta em toda sua vida, e apenas uma pessoa poderia fazer isso: o próprio Deus.

Dessa forma, nosso Senhor Jesus Cristo, de bom grado, bebeu até a última gota de todo o cálice da ira de Deus que estava preparado para os homens. Assim, depositando toda a nossa fé naquele redentor que Deus havia prometido desde a queda do homem, em Gênesis 3, podemos ser justificados diante de Deus. Isso quer dizer que ao olhar para nós, Deus nos vê como homens totalmente limpos, sem máculas, justos. Essa é a doce troca a qual Lutero se referiu: enquanto entregamos todo o nosso pecado, fracasso e culpa em Cristo Jesus; ele, humildemente, nos reveste com sua justiça. Aquele que não conheceu pecado se fez pecado por nós.

Essa é a mensagem do Evangelho! Essa é a graça de Deus que foi derramada sobre nós! Uma vez que o Espírito Santo nos ilumina, entendemos essa mensagem e vemos nosso estado de completa imperfeição, não há como não se render a Deus em sincera humilhação e devoção, e, em lágrimas, clamar a Ele arrependido por nossos pecados; pecados estes que levaram nosso Salvador à cruz, por amor à nos! Essa mensagem da cruz é diferente de todas as outras do mundo, visto que Deus é quem nos redime, e não precisamos cumprir regras, pois falhamos em todas elas. Tudo, porém, foi consumado na cruz! E em todo o pecado, abundou a graça de Deus! Essa mensagem chega a ser loucura para o mundo (cf. 1Co. 1.18-25).

Podemos, então, continuar pecando, uma vez que a graça já abundou? De forma alguma! Continuaríamos nós cometendo todas aquelas transgressões que vão de encontro ao que Deus estabeleceu e que exigiram a morte de nosso Salvador e continuarmos a viver alegre e tranquilamente? Mas é claro que não! O verdadeiro cristão sabe que não são suas ações que o salvará, mas ele buscará ser cada vez mais parecido com seu Senhor, amando o que ele ama e odiando o que ele odeia. Uma vez que o cristão entende sua depravação e seu pecado, a santidade será algo que ele perseguirá.

É muito bom estudarmos teologia, e nos aprofundarmos em certas doutrinas e passagens mais “complicadas” de se entender. Mas é essa mensagem simples e elementar do evangelho que sempre me quebra de cima a baixo, me humilha, me faz ver quem eu sou e o quanto Deus fez por mim. Que darei eu ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito? (Sl. 116.12). Que Deus esteja sempre ao nosso favor, pois como diz Calvino, “esse é o próprio fundamento da nossa felicidade”.

Por fim, além da salvação, que outras bençãos Deus tem te concedido todos os dias e pelas quais você deve ser grato?

Ah, essa graça! Quão rica e pura! Bendito sejas tu, ó Deus, por seres tão gracioso com tão miseráveis pecadores!

Sola Gratia! Solus Christus! Soli Deo Gloria!

Gustavo Buriti

https://www.facebook.com/gustavo.buriti.1