graça

A INSENSATEZ DO HOMEM DISTANTE DE DEUS

Tn_Insensato_Coracao_2010_hd

“Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem” (Salmo 14:1)

O versículo epigrafado nos traz uma mensagem de suma importância dentro do livro de Salmos. O Salmo 14 tem tamanha relevância e aspecto didático que é, praticamente, repetido no Salmo 53 – com divergências apenas entre os versos 5 e 6. Ora, mas que mensagem nos traz essa porção da escritura sagrada, a ponto de ser repetida em duas ocasiões no mesmo livro? Certamente, o salmo 14 nos traz grandes lições acerca da pecaminosidade humana, bem como da redenção do homem.

Não pretendo, aqui, fazer uma profunda exposição desse Salmo (aconselho que estude esse Salmo mais profundamente em outra ocasião, ele é mui rico!), mas gostaria de chamar sua atenção para uma realidade que parece ser longínqua, entretanto, pode ser claramente percebida em nosso meio cristão.

O Insensato

A palavra insensato no texto (Sl 14:1) – diferentemente do seu sentido na língua portuguesa, que significa pessoa que não tem bom senso, louco, sem noção da realidade, etc – traz o significado de alguém que é oposto o do sábio, isto é, alguém que não anda segundo o temor do Senhor — que é o princípio da verdadeira sabedoria (Pv. 9:10). Logo, o insensato no salmo 14 é alguém que despreza absolutamente a realidade de que Deus existe! Essa condição de insensatez desemboca no que chamaremos de Ateísmo Prático, ou seja, negar que a existência de Deus seja relevante para vida humana, o que ocasiona, conseguintemente, consoante a parte b do vs. 1, à violação de todos os princípios, estatutos e leis estabelecidas por Deus, uma vez que eles “Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem” (Sl 14:1b).

Cumpre ressaltar, no entanto, que esse tipo de ateísmo do Salmo 14 é algo bem diferente do ateísmo técnico e filosófico que estamos acostumados a ver hodiernamente nos debates entre teístas e ateístas – esse tipo de negação da existência de Deus só veio emergir no séc. XVIII e hoje tem como um dos mais conhecidos proponentes, o biólogo Richard Dawkins.

Todavia, o ateu prático do Salmo 14 é alguém que vive como se Deus não existisse, praticando toda sorte de atos pecaminosos e repugnantes – é uma questão moral. Portanto, o insensato – ateu prático – passa a viver como se Deus não mais existisse, nem tampouco fosse nos julgar um dia em face de todas as nossas ações. Com maestria, o puritano do séc. XVII Matthey Henry comenta esse versículo, dizendo que “nenhum homem pode dizer: “Não há Deus”, sem que esteja a tal ponto endurecido no pecado, que tenha como seu especial interesse a não existência de alguém que o chame a prestar contas” [1].

No contexto histórico dessa passagem, o autor do Salmo (Davi), se referia aos insensatos, não em relação a pessoas de outras tribos inimigas de Israel ou a nações distantes dele; ele se referia, no entanto, aos israelitas, ou seja, o próprio povo de Deus que começara a viver como se Ele não mais existisse.

Estamos nos tornando insensatos?

Diante disso, para os nossos dias, podemos perceber que o Ateísmo Prático, também pode estar intrínseco ao nosso meio cristão, eclesiástico e, infelizmente, até em nossas vidas. Isso é perceptível, categoricamente, quando passamos a desprezar as realidades concernentes à Deus, ao Espírito Santo e ao nosso salvador Jesus Cristo.

Ocorre que, quando nos afastamos dos meios de graça deixados pelo próprio Deus, nossa fé e obediência a Ele declinam de tal maneira que nos tornamos insensatos.

Veja o porquê:

  • Quando deixamos de orar, passamos a confiar não mais em Deus, mas nas nossas forças e até no acaso. Esquecemos, destarte, do que Tiago diz em sua carta, a saber, que a oração de um justo pode muito em seus efeitos (Tg 5:17).
  • Já dizia o salmista Davi que a palavra de Deus é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho (Sl 119:105). Quando nos afastamos do princípio de que a bíblia e tão somente a escritura é a nossa regra de fé e prática, e que essa palavra deve guiar às nossas vidas, estamos desdenhando o que Deus tem para falar conosco e dando ouvidos somente ao nosso egocentrismo e mundanismo inerentes a natureza humana.
  • A velha máxima “me diz com quem tu andas que te direi quem és” tem muito a ver com a realidade bíblica, veja o Salmo 1:1: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”. Nesse sentido, quando nos afastamos da comunhão com nossos irmãos em Cristo, estamos fadados a nos tornarmos pessoas desventuradas e insensatas diante de Deus, pois somos seres influenciáveis, sobretudo, para o mal!

E agora, o que fazer para não me tornar um insensato?

Decerto, eu, na minha posição de miserável pecador, não sou a pessoa que terá a resposta final e mais eficaz para a pergunta supracitada, uma vez que “todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Sl 14: 3). Quero dizer, com isso, que todos nós somos falhos e pecadores, mas como outrora disse Calvino: “Na igreja de Cristo não há ninguém tão pobre que não possa compartilhar conosco algo de valor” [2].

Portanto, se valendo de outra máxima popular, qual seja, a de que “devemos aprender com os nossos erros para não repeti-los”, posso vos auxiliar nessa reflexão. Ora, já vimos nos parágrafos anteriores sobre se “Estamos nos tornando insensatos?” algumas cousas que nos afastam de Deus. E, assim como o antídoto para a cura de um envenenamento por cobra é extraído de seu próprio veneno, devemos verificar nas nossas faltas ou áreas débeis de nossas vidas, afim de encontrar o local ideal para aplicar o remédio curador ou preventivo que nos imuniza ante os enfraquecimentos da nossa fé cristã.

Primeiramente, caros leitores, quero esclarecer que devemos nos dedicar impetuosamente a oração, entendendo que não oramos ao acaso, nem tampouco a uma força impessoal e transcendente, oramos, no entanto, ao Deus soberano que controla todas às cousas e, até nos momentos onde estamos nos tornando insensatos Ele é capaz de fortalecer nossa fé! E, como já citado, ele nos deixou meios para isso.

Em segundo lugar, lembremos que a Bíblia é divinamente inspirada e “útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Tm 3:16-17). Ou seja, nós devemos nos alimentar diuturnamente desse rico alimento sagrado. Afinal, você não viverá apenas de comer Subway, Mc Donald’s ou Burger King, mas de toda palavra que sai da boca de Deus (Mt 4:4)! Em outro texto, neste blog [3], eu disse que ela – a palavra de Deus – é como um GPS infalível que sempre nos conduz a rota correta.

Em terceiro lugar, quero dizer que você jamais se tornará um insensato se cultivar amizades santas, boas e que te aproxime de Deus. Pelo contrário; os seus irmãos verdadeiros de fé, mostrarão cada vez mais que você nunca deverá viver como se Deus não existisse, uma vez que você foi criado para glorifica-lO e ser satisfeito nEle perenemente [4].

E Cristo, onde está nisso tudo?

Se vocês lerem todo o Salmo 14, perceberão o seguinte: esses homens insensatos estavam vivendo como se Deus não existisse, cometendo às atrocidades mais espúrias possíveis, todavia, no final do Salmo (Sl 14: 5 – 7), verão que eles “Tomar-se-ão de grande pavor, porque Deus está com a linhagem do justo. Meteis a ridículo o conselho dos humildes, mas o SENHOR é o seu refúgio. Tomara de Sião viesse já a salvação de Israel! Quando o SENHOR restaurar a sorte do seu povo, então, exultará Jacó, e Israel se alegrará”. Isto é, aqueles que não se tornaram insensatos, acharam refúgio e fortaleza em Deus (Sl 46) e se alegraram pela salvação que logo vinha de Sião (vs. 6 e 7).

Como não perceber Cristo nisso tudo?!

Eis o ponto nevrálgico da nossa reflexão: somente a verdadeira fé e plena convicção no nosso Salvador Jesus Cristo é que não nos permite cair em insensatez! Que essa verdade esteja incutida em nossas mentes, de modo que o sacrifício do Cordeiro na cruz do calvário produza conforto ante às mais variadas situações da nossa vida. Ele mesmo prometeu que estaria conosco até a consumação dos séculos, em virtude da nossa passagem pela terra – como forasteiros e peregrinos. Ele disse que haveríamos de passar por aflições, mas que estaria conosco e, por isso, deveríamos ter bom ânimo, afinal, Ele já venceu o mundo (Jo 16:33)!

Sollus Christus

Rafael Durand
https://www.facebook.com/RafinhaDurand

[1] Comentário bíblico condensando — Matthey Henry.

[2] As Instituas da Religião Cristã – João Calvino

[3] Sola Scriptura um brado permanente, em: https://cristaoscontraomundo.wordpress.com/2014/10/29/sola-scriptura-um-brado-permanente/ — Rafael Durand

[4] Catecismo Maior de Westminster

Escravos, Graça e Salvação

Em meados do século XVIII, John Newton, antigo funcionário da Marinha Real Inglesa, iniciou sua carreira como comandante de um navio negreiro inglês. Sua missão era ao mesmo tempo simples e muito extensa: negociar com chefes tribais na costa africana “cargas” compostas por homens e mulheres capturados em seu território natal, acorrentar e acoplar a carga obtida (normalmente de 600 unidades) abaixo das plataformas com acesso à luz solar (para evitar doenças e tentativas de suicídio), conduzi-la à América e negociar seu valor em medidas de açúcar e melaço para transporte à Inglaterra.

Em uma destas viagens, entretanto, Newton e sua tripulação foram fortemente atingidos por uma tempestade, causando a morte de alguns de seus homens. Não se sabe ao certo se o barco suportou as torrentes daquela noite. John Newton, por outro lado sobreviveu e, mais que isto, conheceu àquele que o conduziria ao seu maior legado histórico e a um verdadeiro sentido para sua vida. Neste momento de tribulação John ofereceu sua vida ao Mestre, abandonou o tráfico de escravos e tornou-se cristão, seminarista e autor de hinos.

Alguns anos depois, em 1779, John publica a letra intitulada “Amazing Grace” (Graça Maravilhosa), que fala sobre a incrível graça proveniente de Deus e manifesta através de seu Filho a um perdido pecador que não conseguia enxergar seu pecado.

O tema marcante da letra de Newton está muito mais além do que o simples ato de impedir sua morte durante a terrível tempestade ou de afasta-lo do tráfico de escravos. Amazing Grace fala da misericórdia e graça de nosso Senhor ao nos permitir acesso a si mediante o sacrifício de Jesus. É graças a esta misericórdia que podemos ser chamados filhos de Deus, noiva de Cristo, Coroa da criação. Assim, mesmo com todas as nossas inclinações carnais, como afirma Paulo em sua carta aos Efésios, “Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo” (Ef. 2.4,5).

Agora, não apenas Newton, mas todos nós cristãos devemos afirmar como Paulo: pela graça somos salvos!

Tiago Silva

A GRAÇA SEJA CONTIGO

5475689_orig

Esta é a saudação característica de Paulo em suas epístolas. Sempre, tanto no começo como no fim de suas cartas, ele dedica esta expressão aos seus leitores. A graça é um favor divino, um dom gratuito, uma mercê concedida por Deus aos homens. Calvino diz que é uma benção muitíssimo desejável ter Deus a nosso favor. E é isso que Paulo deseja aos seus destinatários.

A graça é o que torna o cristianismo diferente de todas as religiões do mundo. Todas elas nos apresentam formas de como o homem pode buscar a Deus e o que se deve fazer para conseguir sua salvação. Explicando isso, Paul Washer toma o exemplo de um mulçumano e um judeu. Ambos dirão que irão para o Paraíso, pois leram seus livros sagrados e cumpriram as regras que neles estavam escritos. Sendo assim, Deus não teria outra coisa a fazer se não conceder-lhes a salvação, afinal eles cumpriram suas normas. Era uma dívida de Deus.

Mas isso não ocorre no cristianismo. Essa não é a mensagem do evangelho, e é o que nos torna diferentes. O homem poderia ser salvo se cumprisse toda a lei de Deus e vivesse uma vida moralmente perfeita, porém o nosso primeiro representante Adão falhou, e seu erro foi passado a todos os que se seguiram depois dele. Desde então, todos os homens nascem em pecado. Todos se extraviaram e, juntamente, se fizeram inúteis. Não há quem busque a Deus, e essa é a primeira divergência do cristianismo para as outras religiões. É o próprio Deus quem escolhe seu povo, o redime e o chama. Deus é quem busca o homem. E, uma vez que o homem não poderia salvar-se por seus próprios meios, ele precisaria de um alguém que assumisse sua dívida e pagasse seu pecado por ele. Deus não poderia simplesmente perdoar o homem, pois ele é Justo Juiz. E esse salvador deveria ser alguém totalmente perfeito e com uma conduta moralmente reta em toda sua vida, e apenas uma pessoa poderia fazer isso: o próprio Deus.

Dessa forma, nosso Senhor Jesus Cristo, de bom grado, bebeu até a última gota de todo o cálice da ira de Deus que estava preparado para os homens. Assim, depositando toda a nossa fé naquele redentor que Deus havia prometido desde a queda do homem, em Gênesis 3, podemos ser justificados diante de Deus. Isso quer dizer que ao olhar para nós, Deus nos vê como homens totalmente limpos, sem máculas, justos. Essa é a doce troca a qual Lutero se referiu: enquanto entregamos todo o nosso pecado, fracasso e culpa em Cristo Jesus; ele, humildemente, nos reveste com sua justiça. Aquele que não conheceu pecado se fez pecado por nós.

Essa é a mensagem do Evangelho! Essa é a graça de Deus que foi derramada sobre nós! Uma vez que o Espírito Santo nos ilumina, entendemos essa mensagem e vemos nosso estado de completa imperfeição, não há como não se render a Deus em sincera humilhação e devoção, e, em lágrimas, clamar a Ele arrependido por nossos pecados; pecados estes que levaram nosso Salvador à cruz, por amor à nos! Essa mensagem da cruz é diferente de todas as outras do mundo, visto que Deus é quem nos redime, e não precisamos cumprir regras, pois falhamos em todas elas. Tudo, porém, foi consumado na cruz! E em todo o pecado, abundou a graça de Deus! Essa mensagem chega a ser loucura para o mundo (cf. 1Co. 1.18-25).

Podemos, então, continuar pecando, uma vez que a graça já abundou? De forma alguma! Continuaríamos nós cometendo todas aquelas transgressões que vão de encontro ao que Deus estabeleceu e que exigiram a morte de nosso Salvador e continuarmos a viver alegre e tranquilamente? Mas é claro que não! O verdadeiro cristão sabe que não são suas ações que o salvará, mas ele buscará ser cada vez mais parecido com seu Senhor, amando o que ele ama e odiando o que ele odeia. Uma vez que o cristão entende sua depravação e seu pecado, a santidade será algo que ele perseguirá.

É muito bom estudarmos teologia, e nos aprofundarmos em certas doutrinas e passagens mais “complicadas” de se entender. Mas é essa mensagem simples e elementar do evangelho que sempre me quebra de cima a baixo, me humilha, me faz ver quem eu sou e o quanto Deus fez por mim. Que darei eu ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito? (Sl. 116.12). Que Deus esteja sempre ao nosso favor, pois como diz Calvino, “esse é o próprio fundamento da nossa felicidade”.

Por fim, além da salvação, que outras bençãos Deus tem te concedido todos os dias e pelas quais você deve ser grato?

Ah, essa graça! Quão rica e pura! Bendito sejas tu, ó Deus, por seres tão gracioso com tão miseráveis pecadores!

Sola Gratia! Solus Christus! Soli Deo Gloria!

Gustavo Buriti

https://www.facebook.com/gustavo.buriti.1

SE RENDENDO AO SENHORIO DE CRISTO

coroa

Muitas pessoas afirmam convictamente que acreditam em Deus, mas que não precisam viver de acordo com a Sua palavra. Outras acham simplesmente que apenas reconhecê-Lo como o Criador do universo já é um requisito para serem salvas. Existem também aquelas que confiam nos seus próprios esforços para tornarem-se aptas a salvação.

Mas não é bem assim que a palavra de Deus fala. Vamos refletir um pouco acerca da história do jovem rico:

 “E perguntou-lhe um certo príncipe, dizendo: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?
Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus.
Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe.
E disse ele: Todas essas coisas tenho observado desde a minha mocidade.
E quando Jesus ouviu isto, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa; vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu; VEM, E SEGUE-ME.
Mas, ouvindo ele isto, ficou muito triste, porque era muito rico.”

(Lucas 18:18-23).

Está ai a resposta: É necessário seguir e obedecer à Cristo! “Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;”  (Mateus 16:24).

As riquezas deste jovem  atrapalharam o seu caminho para a vida eterna. E assim como ele, muitas vezes nós sabemos o rumo certo a ser trilhado, contudo, em algumas ocasiões, acabamos nos desviando da rota correta e enveredando por caminhos tortuosos (Sl 125:5) onde geralmente encontramos obstáculos que impedem nossas vidas de se renderem ao senhorio de Cristo.

A confiança em nossos próprios méritos é um dos motivos que nos afastam de uma vida em servidão ao Senhor. Não adianta tentarmos fundamentar a nossa salvação através de boas obras, pois somos salvos unicamente pela graça de Deus mediante a fé em Cristo (Ef 2:8-9). Nós jamais seremos bons o bastante para impressionar a Deus.

A fé proveniente da graça Divina desemboca em uma relação com o Senhor Jesus. No entanto, o relacionamento com Cristo não é baseado em barganhas, tampouco em sacrifícios. Ele já Se fez sacrifício perfeito na cruz (Hb 10:12), e requer apenas a obediência que Lhe é devida como Senhor de nossas vidas.

Gostaria agora de destacar sucintamente, três características dentre várias que ocorrem na vida de um pecador regenerado pela graça de Deus:

FRUTOS DO ESPÍRITO: Quando nos sujeitamos a Cristo passamos a abandonar as obras da nossa carne que desagradam a Deus, e começamos a exercer os frutos do Espírito Santo que habita em nós.
“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito” (Gálatas 5:22-25).

SANTIDADE: O homem transformado não vive de todo jeito, ele busca a santidade para agradar ao seu Senhor que é Santo, Santo, Santo (Is 6:3). “Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pedro 1 :16). Portanto, é para isso que Deus nos chama!
“Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;” (Efésios 1:4).
“Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor;” (Hebreus 12:14).

BOAS OBRAS: Como já falei nesse texto, as boas obras não são condições para a salvação, contudo, são conseqüências da mesma. Certa feita o pastor Hernandes Dias Lopes disse o seguinte: “Não fazemos boas obras com o propósito de sermos salvos; fazemo-las porque já fomos salvos pela graça, mediante a fé”.
Na carta de Paulo aos Efésios, o Apóstolo diz: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus, para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Isso significa que devemos colocar  em prática nossa fé também através das boas obras. Na carta de Tiago a palavra de Deus fala que a fé sem obras é morta (Tg 2:26).

Então meus queridos leitores, a fé professada deve ser coerente com estes aspectos da conduta Cristã, se não estamos andando de acordo com o que professamos de nada vale. Não é o que postamos no Facebook ou nos blogs, não é o nosso ativismo dentro das igrejas. A postura de um Cristão deve ser refletida em todos os âmbitos da sua vida; seja na família, no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos ou qualquer outra área.

Podemos até ludibriar homens através de uma falsa fé, todavia, de maneira alguma poderemos enganar  a Deus, pois um dos Seus atributos é a onisciência. No salmo 139 o salmista Davi diz: “SENHOR, tu me sondaste, e me conheces. Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento. Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos. Não havendo ainda palavra alguma na minha língua, eis que logo, ó Senhor, tudo conheces (Salmos 139:1-4).

Não podemos permitir que aqueles pecados que outrora cometíamos, atrapalhem nosso relacionamento com o Senhor. O jovem rico da passagem citada no inicio desse texto (Lucas 18:18-23), amava suas posses mais do que à Cristo. Não devemos amar o mundo nem as coisas do mundo, visto que são coisas passageiras (1Jo 2: 15,17). Se somos realmente novas criaturas, precisamos abandonar as coisas passadas (2 Co 5:17) e andarmos em novidade de vida (Rm 6:4).

É certo que nessa vida passageira jamais seremos perfeitos. Entretanto, mesmo em meio a toda nossa pecaminosidade, “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.” (1 João 1:9). Quando abandonamos e nos arrependemos verdadeiramente dos caminhos perversos e pensamentos malignos, certamente Ele é rico em nos perdoar (Is 55:7).

Que possamos então, estar sempre se auto-examinando, para testificar se estamos de fato perseverando na fé (2Co 13:5). Se somos realmente guiados pelo Espírito Santo, sendo obedientes ao nosso Senhor e nos tornando filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus, “Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.” (Gálatas 3:26). Que nós não sejamos como lobos em pele de cordeiro, Jesus disse: “Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:19-20).

Estejamos, portanto, submissos ao senhorio de Cristo!

Rafael Durand
Facebook: https://www.facebook.com/RafinhaDurand