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Socialismo, Cristo e a Bíblia

Já dizia Deus através do profeta Oséias que o seu povo perece por falta de conhecimento (Oseias 4.6). Sim, não é de hoje que certas linhas de pensamento querem entrar na Igreja e mudar aquilo que já está firmado há tempos. O problema é quando o povo não conhece – ou finge não conhecer, mas eu prefiro acreditar que seja ignorância mesmo – o que o seu objeto de fé diz e passa a ser mais influenciado por esses pensamentos que vem de fora. Nesse sentido, esse texto busca avaliar brevemente a afirmativa de que “Jesus era socialista”.

Para começarmos precisamos definir o que é socialismo. O socialismo é a propriedade estatal dos meios de produção, que precederia, segundo Marx, o estágio final para o qual a sociedade caminha: o comunismo. O estado, no sistema socialista, regularia tudo. Como disse Mises em Intervencionismo – Uma análise econômica:

Num regime socialista, todas as atividades econômicas estão sob a responsabilidade do estado. Todos os estágios da produção estão sob o comando do governo, assim como no Exército ou na Marinha. Não há espaço para a atividade privada; tudo está sob as ordens do governo. (…) Tem de cumprir as tarefas que lhe foram determinadas e consumir apenas o que lhe for alocado pelo governo.

Mas o socialismo não se resume a uma mera questão econômica, ela envolve toda uma forma de ver o ser humano, uma cosmovisão de mundo, e assim por diante. Por exemplo, tem uma visão dialética do mundo (opressores x oprimidos), anuncia o fim do casamento[1], busca a eliminação da propriedade privada, que seria não só a coletivização dos meios de produção, mas também haveria a coletivização das mulheres e o fim da personalidade humana[2], para mencionar apenas alguns exemplos.

No Brasil, após o início do período de governo militar, surge na igreja brasileira uma corrente “marxista-cristã” chamada Teologia da Libertação[3], com expoentes como Leonardo Boff e Hugo Assman. Segundo Ferraro (p.42), descobre-se

um novo modo de transmitir a fé, que modifica a maneira de ler a Bíblia, interpretando-a por meio das relações de classe, de gênero, etnia, geração e ecologia. Essa nova forma de transmitir a fé gerou um novo modo de teologizar, que desembocou na Teologia da Libertação e abriu caminho para uma nova catequese que se preocupa com a fé vivida nas situações de opressão, exploração e exclusão” (grifo do autor).

Essa corrente de pensamento tem como foco desenvolver um “projeto de sociedade” (nome bonito para dizer “implantar o socialismo”) levando para dentro da igreja a busca para o engajamento para essa luta. Isto é, considera-se que os cristãos, tendo como chave hermenêutica fundamental a opção pelos pobres, são convocados a transformar uma realidade “injusta” para outra que “inclua a todos”, pois Deus em Cristo é um libertador das vítimas da opressão social, da exploração.[4]

Tendo isso em mente, é possível afirmar que Jesus era socialista?

Os defensores dessa linha de pensamento usam, por exemplo, alguns textos do livro de Atos, tal como:

Todos os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum. Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade. (Atos 2.44,45 – NVI);

Da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham. (Atos 4.32 – NVI);

Então perguntou Pedro: “Ananias, como você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, a ponto de você mentir ao Espírito Santo e guardar para si uma parte do dinheiro que recebeu pela propriedade? (Atos 5:3 – NVI)

“Jesus respondeu: Se você quer ser perfeito, vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me”. (Mateus 19.21 – NVI)

            Ao ler esses textos, é natural pensar que sim, Jesus e os apóstolos eram socialistas. Entretanto, essa é uma interpretação muito superficial e descontextualizada dos textos em questão. Por exemplo, no caso do jovem rico, Cristo deu duas lições: uma ao jovem rico que mostrou mais amor ao dinheiro que a Deus e outra aos apóstolos, que achavam que os ricos seriam salvos, como se as riquezas indicassem algum favor divino (por isso aquela ilustração de ser mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no reino dos céus), mas percebem que só se podem ser salvos pela graça de Deus (v.25 e 26).

No contexto de Atos, tem de se ter em mente que a propriedade privada não foi 1) colocada nas mãos do Estado, e mesmo se considerássemos que os apóstolos fossem uma espécie de “Estado”, só era passado para os mais necessitados aquilo que era colocado “aos pés dos apóstolos”. Eles não se tornaram administradores das terras dos cristãos. 2) Esse tipo de comportamento dos cristãos são mais doações do que socialização da propriedade privada; que, aliás, esse é o tipo de comportamento que a Bíblia defende. 3) Ninguém era, em absoluto, obrigado a doar o que quer que fosse ou quanto fosse. O caso de Ananias e safira é um exemplo claro disso. Ele reteve parte do dinheiro para si, sabendo disso também sua mulher; e o restante levou e colocou aos pés dos apóstolos. Então perguntou Pedro: “Ananias, como você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, a ponto de você mentir ao Espírito Santo e guardar para si uma parte do dinheiro que recebeu pela propriedade? Ela não lhe pertencia? E, depois de vendida, o dinheiro não estava em seu poder? O que o levou a pensar em fazer tal coisa? Você não mentiu aos homens, mas sim a Deus”. (Atos 5.2-4 – NVI). Ananias não era obrigado a doar, mas doou mentindo.

Outra coisa que os adeptos da TL e da TMI se esquecem é de que a distribuição não era meramente para o tinha menos, isto é, “é pobre, recebe para que todos fiquem iguais”. Não! Havia requisitos que deveriam ser preenchidos. Veja 1 Timóteo 5.3-16, no caso das viúvas. Não era pelo simples fato de ser viúva que automaticamente se recebia o “benefício”. Nunca foi objetivo dos apóstolos criar um “sistema político” no qual se tira daquele que tem para dar aquele que não tem, isto é, uma repartição forçada de bens.

Conforme Wayne Grudem diz a “Bíblia pressupõe e reforça um sistema no qual as propriedades pertencem aos indivíduos, não ao governo ou à sociedade como um todo”. Prova? É só olhar o oitavo e o décimo mandamento. Aliás, isso já toca em um ponto que as pessoas, principalmente de esquerda, gostam de tocar: “Jesus era um revolucionário. Buscou mudar a cultura”. Entretanto, é só dar uma olhada no Antigo Testamento, nas leis dadas por Deus. Lá Deus diferenciou o povo israelita dos demais povos da região através de costumes e leis diferentes (ver Deuteronômio 14.1,2). Ora, porque ele não fez de Israel uma nação conforme o que chamamos de socialista? Porque ele deu e protegeu a propriedade privada?

Continuando, quando Cristo foi pra cruz com os malfeitores, ele não foi porque era um cara que salvou ladrões porque eram ladrões (vítimas da desigualdade social), mas porque um deles se arrependeu e pediu perdão para os seus pecados. Falo isso pois tenho em mente um texto de um colunista de um importante jornal nacional que usa isso para dizer que Jesus era um cara de esquerda, amante dos pobres, um carinha que sonha com um “mundo melhor”. Jesus amava o pobre. Mas não como Rousseau que amava a humanidade, mas odiava o próximo –  que é também a linha da esquerda quando ela diz que ama o pobre.

Caminhando para a conclusão, Jesus passou longe de ser um socialista. Veja Lucas 12.13-15. Pediram a Cristo pra fazer “redistribuição” e o que ele disse? “Homem, quem fez de mim um juiz ou repartidor entre vós?” Olhe a parábola do bom samaritano e veja o valor da piedade pessoal (ao invés de um assistencialismo estatal). Observem Deuteronômio 24.19-21 e vejam como se é ensinado que se deve ter clemência para com aqueles que passam fome, não sendo uma responsabilidade do governo, mas das pessoas individualmente. E que dizer da parábola dos trabalhadores da vinha de Mateus 20 onde o valor do salário é negociando entre patrão e empregado: cadê a mais-valia?

Isso sem entrar nos méritos da questão da incompatibilidade entre a fé cristã e o marxismo, o que já seria assunto para uma série de posts. Mas, como diz Flávio Quintela no livro Mentiram (e muito) para mim:

…todo esquerdista estrategista, participante da causa revolucionária, sabe que a substituição da adoração ao divino pela adoração ao partido é essencial para os planos comunistas, pois na sociedade idealizada por Marx não há religião e nem Deus, há somente o povo e o partido, este ocupando na vida de cada um o papel que caberia à figura divina, através do Estado Todo-Poderoso. Assim, o Estado é o cuidador, a família, o juiz, o provedor, o médico, o defensor etc. Destruir a religião, que no ocidente é majoritariamente cristã, é portanto essencial aos planos da esquerda.

E:

O cristão que se diz socialista e que defende a esquerda trabalha em favor do maior inimigo de sua fé, servindo como um agente corruptor interno, na maioria das vezes sem ter ideia do trabalho sujo do qual está sendo cúmplice e, como tal, co-responsável pela degradação moral decorrente da esquerdização da Igreja. Se soubesse – e se estiver lendo este livro passará a saber agora – do nível de planejamento estratégico que a esquerda dispende com o objetivo de solapar o cristianismo, jamais, em todo o restante de sua vida, diria que é socialista, que apoia a esquerda ou que nutre qualquer tipo de simpatia por essas ideologias.

Meus irmãos, precisamos ter cuidado para não levarmos interpretações ideológicas para a Bíblia. Pensamentos como esse fazem da Igreja um instrumento para a revolução marxista e terminamos transferindo para ele as responsabilidades que são das famílias e das igrejas.

Lucas Dantas.

https://www.facebook.com/LucasDantas19

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[1] Segundo Engels: “Quando os meios de produção passarem a ser propriedade comum, a família individual deixará de ser a unidade econômica da sociedade. A economia doméstica converter-se-á em indústria social. O trato e a educação das crianças tornar-se-ão assunto público; a sociedade cuidará, com o mesmo empenho, de todos os filhos, sejam legítimos ou naturais. Desaparecerá, assim, o temor das “consequências”, que é hoje o mais importante motivo social — tanto do ponto-de-vista moral como do ponto-de-vista econômico — que impede uma jovem solteira de se entregar livremente ao homem que ama.” Disponível em:  <https://www.marxists.org/portugues/marx/1884/origem/cap02.htm&gt;.

 

[2] Marx diz: “Por fim, essa tendência a opor a propriedade privada em geral à propriedade privada é expressa de maneira animal; o casamento (que é incontestavelmente a forma de propriedade privada exclusiva) é posto em contraste com a comunidade das mulheres, em que estas se tornam comunais e propriedade comum. Pode-se dizer que essa ideia de comunidade das mulheres é o segredo de Polichinelo desse comunismo inteiramente vulgar e irrefletido. Assim como as mulheres terão de passar do matrimônio para a prostituição universal, igualmente todo o mundo das riquezas (i. é, o mundo objetivo do homem) terá de passar da relação de casamento exclusivo com o proprietário particular para a de prostituição universal com a comunidade. Esse comunismo, que nega a personalidade do homem em todos os setores, é somente a expressão lógica da propriedade privada, que é essa negação.” Disponível em: https://www.marxists.org/portugues/marx/1844/manuscritos/cap04.htm

[3] “A Teologia da Missão Integral é uma variante protestante da Teologia da Libertação”, disse Ariovaldo Ramos à revista Le Monde Diplomatique.

 

[4] Ariovaldo Ramos, adepto da TMl, disse: “Eu quero o socialismo dos crentes que, em meio à marcha dos trabalhadores e, diante do impasse do confronto com as forças do estabelecido, grita ao megafone: companheiros, avancemos! Deus está do nosso lado!” Disponível em: http://juliosevero.blogspot.com.br/2010/03/farsa-integral-de-ariovaldo-ramos.html

Arrependimento é necessário!

O evangelicalismo atual tem tirado muitas doutrinas fundamentais para a fé cristã dos púlpitos das igrejas.  Com o intuito de se agradar ao ouvinte, termina-se ferindo a pregação genuína do verdadeiro evangelho e mutilando as verdades fundamentais. Entre elas, a doutrina esquecida entre os pastores é a do arrependimento. A rejeição dessa doutrina é resumida muito bem em uma frase do Rev. Josemar Bessa: O que queremos é pecar sem culpa, e então criamos uma nação de vítimas. As pessoas não querem se se sentir culpadas diante de seus pecados, e tentam apagar sua culpa, tentam jogar no lixo essa doutrina fundamental. Portanto, decidi trazer um trecho de um livro do puritano Thomas Watson em que ele fala sobre como o arrependimento é necessário. Segue o texto:

Humilhemo-nos profundamente e lamentemo-nos diante do Senhor pelo pecado original. Perdemos aquela “quintessencial” disposição de alma que uma vez tivemos. A nossa natureza está viciada na corrupção. O pecado original difundiu-se como um veneno no homem todo, como a alcachofra de Jerusalém que, onde quer que for plantada, logo infesta o terreno. Não há natureza alguma no inferno pior que a nossa. Os corações dos melhores seres humanos são como o lençol no qual havia muitos répteis imundos (atos 10:12). É preciso ter toda a cautela possível com essa corrupção primitiva, porque nunca estamos livres dela. É como uma fonte subterrânea que, embora não se possa ver, todavia ainda flui. Poderíamos deter os impulsos para o pecado se pudéssemos deter as pulsações vitais do nosso corpo.

Esta depravação ingênita nos retarda e nos tolhe naquilo que é espiritual: “não faço o bem que quero” (Romanos 7:19). O pecado original pode ser comparado com o peixe de que fala Plínio, uma lampareia marinha que se gruda aos montes no casco dos navios e dificulta sua largada quando içam velas. O pecado também se pendura em nós e com seu peso nos faz ir muito devagar para o céu. Ó, essa aderência ao pecado! Paulo sacudiu a víbora que se pendurou em sua mão e a lançou no fogo (Atos 28:5), mas nesta existência não podemos sacudir a corrupção original e lança-la fora. O pecado não vem alojar-se em nós por uma noite, mas vem como morador permanente: “o pecado que habita em mim” (Romanos 7:17). Ele fica conosco como se fosse com ares, ainda assim leva a febre dentro de si. O pecado original é inesgotável. Não se pode esvaziar este oceano. Ainda que se gaste todo o estoque de pecado, ele não diminui nem um pouco. Quanto mais pecamos, mais somos do pecado. O pecado é como o azeite da viúva que aumentava à medida que era vertido.

Outra cunha que parte os nossos corações é que o pecado original se mistura com os próprios hábitos de graça. Isso explica por que os nossos movimentos em nossa marcha para o céu são tão lerdos e frouxos. Por que a fé não age mais forte ou agilmente senão porque calça os tamancos dos sentimentos – um verdadeiro estorvo! Por que o amor a Deus não se inflama com maior pureza senão porque é dificultado pela luxúria? O pecado original incorpora-se em nossas graças. Pulmões enfermos causam asma ou respiração curta, como també o pecado original, tendo infeccionado o nosso coração, faz com que as nossas graças respirem debilmente. Dessa forma vemos o que em nosso pecado original, pode fazer brotar nossas lágrimas.

Em particular, lamentemos a corrupção da nossa vontade e dos nossos sentimentos. Choremos a corrupção da vontade e dos nossos sentimentos.  A vontade, não seguindo o ditame da reta razão, é induzida ao mal. A vontade não gosta de Deus, não no que Ele é bom, mas no que Ele é santo. Ela O afronta com contumácia: “certamente cumpriremos toda a palvra que saiu da nossa boca, queimando incenso à rainha dos céus” (Jeremias 44:17). A maior ferida causada pelo pecado foi feita em nossa vontade.

Lamentemos os extravios dos nossos sentimentos. Eles são desviados do seu objetivo próprio. Os sentimentos como setas mal lançadas, atingem um ponto próximo do alvo. No princípio, os nossos sentimentos eram asas que nos faziam voar para Deus; agora são pesos que nos puxam para longe dEle.

Lamentemos a inclinação dos nossos sentimentos. O nosso amor é posto no pecado, a nossa alegria, na criatura. Os nossos sentimentos, como certas aves bonitas da Inglaterra, alimentam-se de esterco. Com que justiça o destempero dos nossos sentimentos podem ter um papel na cena da nossa tristeza? Por nos mesmos já estamos caindo no inferno, e os nossos sentimentos nos atiram lá.

Tenhamos em mente os pecados concretos. Destes posso eu dizer: “Quem pode entender os próprios erros?” (Salmo 19:12). Eles são como átomos no sol, como chispas de uma fornalha. Temos pecado com os nossos olhos; eles têm sido postigos que deixam entrar a vaidade. Temos pecado com nossas línguas; elas têm se inflamado de paixão. Que ato procede de nós no qual não descobrimos algum pecado? Não há como contar nossos pecados, pois seria como contar as gotas do oceano. Tratemos de arrepender-nos seriamente dos nossos pecados fatuais diante do Senhor.

Watson, Thomas. A Doutrina do Arrependimento. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 2012, p. 98-101.

Lucas Dantas

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O QUE A BÍBLIA FALA SOBRE A PROPRIEDADE

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O oitavo mandamento é “não furtarás” (Ex. 20.15). Apesar de ser uma frase simples e clara, ela envolve um grande número de questões que um leitor desatento pode não reparar ou simplesmente não reflete por achar demasiadamente óbvio. Por isso, gostaria de trazer, de maneira breve, três pontos que julgo importantes envolvendo este mandamento e que fará com que se reflita seus posicionamentos.

Os três pontos são o seguinte: 1) Se algo pode ser roubado, significa ela pertence a alguém; 2) O direito de propriedade não pode ser violado; por fim, 3) A violação da propriedade de alguém é uma atitude que deve ser condenada. Passo então a destacar brevemente algumas questões pontuais sobre isso.

O que é a propriedade?

A propriedade pode ser definida, segundo nos diz Melnik (2009, p.10), como o “direito do dono ou donos, devidamente documentado, formalmente reconhecido pela autoridade pública e  protegido por lei, passível de exploração de ativos, seja material ou imaterial, na exclusão de qualquer outra pessoa e a seu dispor para venda ou de outra forma”. Ou seja, é “qualquer coisa que as pessoas possam usar, controlar ou dispor que legalmente as pertença” (Ibid, p. 8). Ela pode ser algo tangível, como uma casa, carro ou roupa; ou intangível, como direitos autorais, marcas, etc., além de que a propriedade pode ser produtiva ou pessoal. A primeira refere-se àquilo que gera outras propriedades, como a terra. A segunda está relacionada àquilo que é para ser usado, consumido. A propriedade, juntamente com a família e a religião, formam os três pilares da sociedade.

Sobre a violação da propriedade

Respeito pela propriedade alheia é muito importante. O ser humano tem direito possuir, e, possuindo, não pode ser privado por quem quer que seja. Tudo o que alguém possui vem do trabalho, seja dela ou de outrem. Isto é, ela pode ter conseguido pelo fruto de seu trabalho ou pela doação de outras pessoas. A bíblia relata que o trabalhador é digno do seu salário (Lc 10.7), por isso não se pode privar um homem do fruto do seu trabalho, do seu sacrifício pessoal.

A violação desse direito é algo que não deve ser permitido pelo Estado. A propriedade estará devidamente protegida quando seu direito é garantido por meio das leis. É através a aplicação das leis na sociedade que os magistrados poderão garantir que a propriedade não será violada. Assim, o livre comércio entre as pessoas, empresas, e assim por diante, ficam assegurados. Ora, a liberdade para negociar não teria sentido se as pessoas não tiverem seus direitos (à propriedade) assegurados.

Concluindo, como cristãos devemos defender direito à propriedade, que é assegurado pela Bíblia. Devemos cobrar dos nossos magistrados que protejam aquilo que deve ser protegido. Os cristãos devem incentivar o direito a propriedade privada e sua inviolabilidade; devem requerer dos governantes leis que garantam esse direito; devem exigir leis que tornem esse direito constitucional. A violação desse direito deve ser rigorosamente punida, dadas às proporções. Portanto, enquanto cristãos, não podemos aceitar que o Estado, ou ideologias, em momento algum possam retirar dos cidadãos esse direito.

Lucas Dantas

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Melnik, S. Liberdade e propriedade. São Paulo: Instituto Friedrich Naumann, dezembro 2009.