Mulheres Puritanas

10 razões do porque tudo vai ficar bem

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Quando estamos passando por algo difícil, nós só queremos alguém para nos olhar nos olhos e nos assegurar: “Vai ficar tudo bem.” Eu não sei o que você está enfrentando agora ou o que está ao virar da esquina, mas eu adoraria ser esse alguém para você hoje. Em linha reta na Palavra de Deus, aqui estão dez maneiras de você saber que vai ficar tudo bem.

  1. Deus é sempre, sempre, sempre bom.

“Tu és bom, e o que fazes é bom; ensina-me os teus decretos”. (Salmos 119: 68).

“O Senhor é bom para todos; a sua compaixão alcança todas as suas criaturas”. (Salmos 145:9).

Deus é bom por completo. Ele não está flutuando em uma nuvem, com um raio em volta pronto para ser disparado. Mesmo quando as nossas circunstâncias são muito, muito ruim, podemos ter esperança em nosso bom Deus.

  1. Deus ama você.

“Eu vos tenho amado com um amor eterno; portanto, eu continuei com a minha fidelidade a você”. (Jeremias 31:3).

“Porque Deus amou o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).

Tempos difíceis são mais fáceis de enfrentar, se você sabe que alguém está na sua esquina, a sua espera. Deus o ama profundamente. Isso nem sempre pode ser sentido como verdade. Por causa disso, eu me esforço a dizer esta frase muitas vezes:

Vou meditar sobre o seu amor na cruz, e seu poder para a ressurreição. A cruz permanece através dos tempos como uma nota gigante sobre o amor de Jesus.

  1. Deus está lutando por você.

“Eles lutarão contra você, mas não prevalecerão contra ti, pois eu sou contigo, diz o Senhor, para te livrar” (Jeremias 1:19).Se você está olhando para um inimigo e se perguntando como você pode, eventualmente. O mesmo Deus que ajudou David a matar um gigante, o mesmo Deus que ajudou Josué a derrubar uma cidade com uma trombeta, luta  por você.

  1. Deus não vai deixar esse momento passar em vão.

E sabemos que, para aqueles que amam a Deus todas as coisas cooperam para o bem, para aqueles que são chamados segundo o seu propósito (Romanos 8:28).

Tudo o que você está passando agora, Deus já tem um plano para usá-lo para o seu bem. Eu ouvi dizer isso desta maneira: o teste de hoje é o testemunho de amanhã; seu conflito será a sua mensagem. Confie que há esperança para além de problemas de hoje.

  1. Ele nunca vai sair do seu lado.

“Sejam fortes e corajosos. Não tenham medo nem fiquem apavorados por causa delas, pois o Senhor, o seu Deus, vai com vocês; nunca os deixará, nunca os abandonará”. (Deuteronômio 31:6).

“Eu estarei sempre convosco, até ao fim dos tempos” (Mateus 28:20)

Deus não vai abandonar o barco quando as coisas estiverem difíceis. Assim como Ele se juntou a Sadraque, Mesaque e Abedenego na fornalha ardente, Ele vai ficar com você quando as coisas estiverem difíceis.

  1. Os problemas de hoje são temporários.

“pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles”. (2 Coríntios 4:17).

Esta vida é apenas um ligeiro desvio em comparação com a eternidade. Não vai ser sempre assim.

  1. O céu é real.

Podemos ter esperança porque estamos indo para algum lugar melhor do que este mundo cheio de pecado.

“Pois não temos aqui nenhuma cidade permanente, mas buscamos a que há de vir”. (Hebreus 13:14).

O que é que vai acontecer quando chegarmos lá? Continue lendo.

  1. Suas lágrimas secarão.

Ele enxugará toda lágrima de seus olhos, e a morte não será mais, nem haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram (Apocalipse 21:4).

Um dia virá em que todos vão parar de chorar. Talvez você já chorou muito hoje, mas virá o dia em que todos vão parar de chorar.

  1. Você está no seu caminho para aperfeiçoar.

“Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem que falte a vocês coisa alguma”. (Tiago 1:2-4).

Tiago nos lembra que podemos responder aos problemas com alegria, porque a pressão do sofrimento produz diamantes em nós. Uma das maneiras que Deus faz com que todas as coisas cooperem para o nosso bem (ver ponto 4) é usando as coisas difíceis para nos tornar mais semelhantes a Ele.

  1. Um cavalo branco está montando em seu socorro.

Agora eu assisti quando o Cordeiro abriu um dos sete selos, e ouvi um dos quatro seres viventes dizer com uma voz de trovão: “Vem!” E olhei, e eis um cavalo branco! E seu cavaleiro tinha um arco e uma coroa foi dada a ele, e ele saiu vencendo, e para vencer (Apocalipse 6:1-2).

Se você é saudade de um salvador, não procure mais longe do que Jesus.

Se você é desejoso de um salvador, não procure mais longe do que Jesus. O dia está chegando quando Ele vai montar em um cavalo branco e derrotar todos os inimigos que se levanta contra nós. Se você precisa de um herói neste momento, saiba que Ele já está a caminho.

Traduzido e Editado por: LARYSSA LOBO
https://www.facebook.com/laryslobo
 Link original: http://www.liesyoungwomenbelieve.com/10-reasons-why-it-will-be-okay/?utm_content=buffer9161c&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer
Taken from Erin Davis’ blog post “10 Reasons Why It Will Be Okay.” www.LiesYoungWomenBelieve.com. Used with permission.

NOS MÍNIMOS DETALHES

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Meu marido e eu moramos fora do Brasil alguns anos depois que os filhos já estavam crescidos, e aproveitamos para viajar bastante. Ele, mesmo nas viagens mais longas, raramente pede água e cede a direção. Por isso, minha função era quase sempre a de co-piloto. Após decidirmos onde queríamos chegar, ele assumia o volante e eu ficava atenta aos mapas, sugerindo rotas alternativas quando havia algum impedimento na rodovia principal, procurando paisagens mais pitorescas.

Com a prática, aprendi a fazer isso muito bem, embora meu marido, sendo piloto privado, tenha muito mais facilidade do que eu para encontrar o rumo certo quando nos perdemos. Mesmo assim, muitas vezes eu me atrapalhava e tinha de virar o mapa de cabeça para baixo para saber que direção tomar.

Ora, isso era motivo de gozação sem fim por parte de meu marido. Eu, de minha parte, ficava me achando uma tonta. Tentava que tentava ler o mapa sem virá-lo na direção que seguíamos, mas em vão.

Certo dia, li um artigo que explicava que, em geral, as mulheres têm de fazer exatamente o que eu fazia com o mapa devido à maneira como seu cérebro é entreligado. Aquilo me trouxe grande alívio e libertação. Não sou uma incompetente! Sou apenas. . . mulher! E, como mulher, sou um ser humano inteligente, criado à imagem de Deus, e posso aprender aquilo que para mim não é uma aptidão natural. Essa foi mais uma coisa que aprendi sobre a maneira “assombrosamente maravilhosa como Deus nos fez.

Aliás, esse é plano perfeito de Deus para nós. Ele nos fez homens e mulheres, diferentes nos mínimos detalhes, e disse que isso é muito bom! Segundo o próprio Deus, é muito bom sermos homens e mulheres, e, portanto, diferentes.

A mulher, Deus equipou com uma visão, uma perspectiva diferente das coisas, do mundo, das pessoas. O Dr. Paul Tournier, famoso psiquiatra cristão, diz que a mulher tem um natural e aguçado “sentido da pessoa”. Isso significa que, para ela, os relacionamentos são essenciais e prioritários. Ela se envolve naturalmente com as pessoas de uma maneira que os homens precisam aprender. Isso se deve ao fato de a mulher ter sido feita por Deus a partir de outro ser humano, para ser sua “ajudadora”.

Deus nos fez diferentes, querida leitora, e nos equipou para uma tarefa especial. Temos um lugar singular em seu propósito maior para os seres humanos. Mas, se olharmos a história da humanidade como um todo, perceberemos que as consequências do pecado, conforme Deus previu ainda no paraíso, se confirmaram na vida dos descendentes de Adão e Eva. A mulher quase não teve voz ativa no desenvolver da nossa civilização.

Diversos fatores permitiram que gozemos hoje uma liberdade muito maior do que jamais tivemos. Entretanto, se desconsideramos a maneira como Deus nos fez, e o propósito pelo qual ele nos fez assim, corremos sério risco de perdermos o que temos de mais precioso – nossa identidade feminina.

Bem disse o Dr. Paul Tournier que a grande pergunta para as mulheres hoje não é do que fomos liberadas, mas, sim, para que fomos liberadas. Em outras palavras, o que vamos fazer com essa liberdade?

Será que liberdade significa adotar os padrões sexuais de liberdade total, como é apregoado pela mídia? Só que aí cresce o número de adolescentes grávidas, criando um problema sério para a sociedade em geral, pois essas meninas já iniciam a vida adulta com uma sobrecarga de responsabilidade e maiores dificuldades financeiras do que deviam. As soluções propostas também agridem a essência da mulher: o aborto fácil, as relações sexuais descompromissadas com vários parceiros, a busca da própria felicidade antes de tudo.

Onde a mulher foi feita por Deus para ajudar o homem a canalizar sua energia sexual para um propósito bom e altruísta, ela está sendo encorajada a ajudá-lo a esbanjar essa energia em encontros que nada significam e que deixam as pessoas, que foram criadas por um Deus Trino, e portanto intrinsecamente relacional, des-relacionadas, vazias, solitárias, desconfiadas (até os casados são aconselhados a desconfiar do cônjuge e usar proteção no ato sexual – infelizmente muitas vezes um bom conselhos!)

Como você está neste momento, querida amiga? Talvez não seja na sua própria vida que essas consequências nefastas estejam presentes, mas com certeza você também está sendo afetada por elas através de alguém da sua família, alguém a quem você ama. O plano de Deus para nós não é utopia. Ele funciona para uma nação, funciona para uma pessoa, funciona para você!

A escolha é sempre individual. Eu sei que, apesar de tudo o que já vi e vivi, ainda não encontrei um plano melhor que o de Deus para minha vida, pois ele realmente me liberta para ser mulher, e, como mulher, ir crescendo e sendo aperfeiçoada à imagem de Cristo.

Wanda de Assumpção

Soli Deo Gloria

Publicado originalmente em: http://wandadeassumpcao.com.br/artigos/mindetalhes.htm

Rebeka França
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SEM TEMPO A PERDER

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“Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios”.(Sl 90:12).

No meu texto anterior “HÁ TEMPO PARA TUDO!“, falei sobre o tempo de solteiras das jovens cristãs, nesse texto, continuarei a falar sobre tempo, o tempo que desperdiçamos com este mundo, este é um alerta as jovens que desperdiçam seu tempo com as futilidades e vaidades desse mundo. Já perceberam como o tempo passa rápido? Em um exercício simples de memória podemos perceber isso, lembre-se da ultima vez em que você sentou no chão sozinha e brincou com suas bonecas, parece que foi ontem não é verdade? Então, como o tempo passa rápido, e como o desperdiçamos em prol de nós mesmos dia a dia, e assim nos comportamos de maneira que não agrada a Deus. Ao exortar uma jovem, fiz a seguinte pergunta: ”Quando foi à última vez que você orou?” Ela escondendo as mãos e com os olhos baixos, me falou que naquela semana ainda não havia orado, e quando a perguntei sobre a última vez que ela havia lido bíblia, a resposta ainda foi mais triste, ela me respondeu que não lembrava. Quão triste meu coração ficou quando ouviu as respostas daquela jovem, é claro que a exortei sobre o tempo que ela perde com as coisas vãs da terra, e não o aproveita para a gloria de Deus, me entristeci, pois sei que o problema desta jovem é o mesmo de tantas outras. Jovens, o bom aproveitamento do nosso dia é algo que devemos aprender desde cedo, pois o utilizaremos por toda nossa vida, a distribuição correta do nosso dia, o momento certo para cada coisa, é algo simples que todos devemos compreender.

O puritano Richard Baxter falou: ”Mantenha uma alta estima do tempo e seja a cada dia mais cuidadoso de não perder tempo algum seu… E se a vã recreação, os trajes, os festejos, as conversas inúteis, a companhia não proveitosa, ou o sono forem quaisquer deles tentações para roubar-lhe alguma parte de seu tempo, da mesma forma aumente sua vigilância.”, Baxter nos alertou acerca da vigilância que devemos manter sobre nosso tempo, não devemos perdê-lo com coisas inúteis e não proveitosas que satisfazem os desejos humanos, mas sim usá-lo para a glória e vontade de Deus (I Pedro 4:2). Sempre fui uma grande apreciadora do sono, e por muito tempo fui uma pessoa bastante acomodada, porém, após Cristo me resgatar me tirando da morte em meus pecados me trazendo a vida, esse quadro mudou. Hoje, consigo ser vigilante e não permitir que essas coisas me atrapalhem, que o sono ou a preguiça me impeça de ir à igreja, de ler a bíblia ou orar. Da mesma forma jovens, vos advirto que aqueles minutos parados na frente de uma televisão assistindo um programa que não glorifica o nome de Deus é perca de tempo, concordo com o puritano C.H Spurgeon quando ele fala que: ”Para o homem que vive para Deus nada é secular, tudo é sagrado.”. Não pode existir o ”momento secular” ou o ”momento na carne” como alguns falam, o cristão verdadeiro vive na busca constante por andar segundo o que as escrituras ordena: em santidade; porém para muitos que se dizem cristãos eu posso utilizar uma frase da canção Sagrado da banda Palavrantiga: ”É que o sagrado se tornou hilário, ascendeu em Abril, se espatifou em Maio.”. Para muitos que se dizem Cristãos, em Abril quando comemoramos a páscoa tudo é sagrado, porém em Maio, esse sagrado se espatifa e deixa de existir.

Queridas jovens, somos chamadas a ser diferentes e não nos amoldar aos padrões desse mundo, devemos experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12:2), e gastando nosso tempo com as coisas vãs da terra isso não ocorrerá. As horas gastas em conversas profanas com suas amigas, olhando a vida de outras pessoas nas redes sociais, ou assistindo a programa inúteis deveriam ser horas gastas em leitura da palavra, oração, e ouvir bons sermões, devemos evitar torpezas, parvoíces e chocarrices, e sim dar ações de graças a Deus (Efésios 5:4), devemos fazer como Paulo nos instrui em Efésios 5:19 falar entre nós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor em nossos corações. Quantas vezes damos mais atenção a uma conversa inútil do que a oração que fazemos antes de dormir, negligenciando a reverência adormecendo em tal momento, quantas vezes paramos para ler uma piada imoral, e não lemos um salmo, ou entramos na livraria e compramos um best seller de fábulas anti-cristãs, e não compramos um livro que fale sobre, por exemplo, dos atributos de Deus, uma hora na igreja parece tão longa, e uma hora em uma festa parece tão rápida, tudo isso é perder tempo com as coisas vãs desse mundo, é estar sentada sem fazer nada, quando se poderia estar de joelhos orando pelos missionários que estão pelo mundo a fora, é preferir dormir no domingo de manhã ao ir à Escola Bíblica Dominical.

Perdemos tempo também em conversas fúteis com nossos amigos não cristãos, quando poderíamos estar pregando para os mesmos. Não gaste seu tempo em ociosidade e conversas não proveitosas enquanto você poderia estar pregando para seus familiares, ou em conversações com pessoas santas sobre coisas das mais altas importâncias, em oração e meditação, e lendo livros proveitosos. Você precisa melhorar cada talento e oportunidade ao máximo enquanto o tempo ainda perdura. O puritano Jonathan Edwards escrevendo sobre o tempo disse: ”Considere quanto tempo você já perdeu… Você deve aplicar a si mesmo o mais diligentemente possível para o aproveitamento da parte de tempo que lhe resta, para que você possa viver como se fosse para remir o tempo perdido.” Que nós possamos aproveitar o tempo que nos resta a fim de que o vivamos para a glória de Deus, pois, se não quisermos gastar o nosso tempo vivendo inteiramente para glória de Deus aqui na terra, como então poderemos almejar o céu, se lá viveremos juntos em comunhão contemplando a glória divina e adorando ao nosso Senhor eternamente.

”Se nós tivermos vivido cinquenta, sessenta ou setenta anos, e não tivermos feito bom uso de nosso tempo, agora nada se poderá fazer quanto a ele. Ele está eternamente perdido, foi-se para sempre de nós. Tudo o que poderemos fazer é fazer bom uso do pouco que resta. Sim, se um homem gastou toda a sua vida, exceto alguns poucos momentos, de forma vã, tudo o que passou está perdido, e apenas estes poucos momentos que restam poderão ser feitos verdadeiramente dele. E se todo o tempo de um homem foi gasto, ele está todo perdido e é irrecuperável. A Eternidade depende do bom aproveitamento do tempo. Mas, quando uma vez o tempo da vida houver passado, quando a morte chegar, não temos nada mais com o tempo; não há possibilidade de obter a restauração dele, ou outro lugar no qual se preparar para a Eternidade. Se um homem perdesse todas as suas propriedades e riquezas terreais, e chegasse a falência financeira, é possível que pudesse se recuperar desta perda. Ele pode ter outros bens tão bons quanto. Mas quando o tempo da vida se esvai, é impossível obter novamente este tal tempo. Todas as oportunidades de obter o bem eterno terão absolutamente e para sempre se perdido.” (Jonathan Edwards).

”Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes.” (João 13:17).

Soli Deo Gloria

Rebeka França
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A SANTIDADE VOS TORNA BELA

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Santidade é um dos atributos comunicáveis de Deus e está dentro da categoria que a teologia comumente denomina de atributos morais. Qadesh é o termo hebraico para “ser santo” e deriva da raiz qad, que significa separar ou cortar e nos escritos veterotestamentário é empregado essencialmente a Deus. Enquanto que, no Novo Testamente o verbo grego hagiazo é derivado de hagios e expressa primariamente a mesma ideia de separação. Entende-se então, que o conceito primário de santidade, na Escritura, consiste em uma posição ou relação existente entre Deus e uma pessoa. A santidade de Deus em seu aspecto original expressa que Ele é absolutamente distinto da criação e está acima dela em infinita magnificência (I Sm 2.2). Mas esse atributo também apresente um caráter ético, que tem como ideia fundamental a de separação (conforme os termos que são usados nas línguas originais), nesse caso, separação do mal, ou seja, do pecado. Nessa perspectiva usa-se a palavra santidade para expressar a excelência moral de Deus, a pureza de Sua majestade. Hodge tratando do assunto faz o seguinte comentário, sobre a cena do capitulo seis de Isaias:

“Serafins cercam o trono e clamam dia e noite “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos”, expressando o sentimento de todas as criaturas racionais diante da pureza infinita de Deus. Eles representam todo o universo, ao oferecer esta perpétua homenagem à santidade divina. É por causa de Sua santidade que Deus é um fogo consumidor. E foi a visão de sua santidade que levou o profeta a exclamar: “Ai de mim! Estou perdido! Porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos” (Is. 6.5)”

Deus tem revelado sua santidade em sua Lei moral implantado na consciência dos homens, na revelação especifica (a Escritura), em Jesus Cristo, a mais elevada manifestação de Sua santidade, e por fim na Igreja, esta sendo o corpo de Cristo deve necessariamente refletir Seu caráter santo. A regeneração confere a pessoa uma nova vida que não será mais subjugada pelo pecado e o ensino do Novo Testamento é para que a nossa santificação aumente no decorrer da caminhada cristã, muito embora ela nunca se complete nesta vida. A Confissão de Fé de Westminster no Cap. XIII parágrafo II, faz a seguinte declaração:

“Esta santificação é no homem todo, porém imperfeita nesta vida; ainda persistem em todas as partes dele restos da corrupção, e daí nasce uma guerra contínua e irreconciliável – a carne lutando contra o espírito e o espírito contra a carne. (Ref. I Tess. 5:23; I João 1:10; Fil. 3:12; Gal. 5:17; I Ped.2:11.)”

Ainda que a santificação não seja perfeita enquanto aqui vivermos ela deve progredir. Paulo escrevendo aos cristãos da cidade de Corinto, em sua segunda carta, expressou essa realidade progressiva dizendo que “todos nós […] somos transformados, de glória em glória, na sua (Cristo) própria imagem” (II Co 3.18), isso porque a santificação, gradualmente, nos conforma a imagem de Jesus Cristo. Comentando sobre esse versículo Calvino asseverou que:

“…O propósito do Evangelho é a restauração da imagem de Deus em nós, a qual fora cancelada pelo pecado… Esta restauração é progressiva e prossegue ao longo de toda nossa vida, porque Deus faz sua glória brilhar em nós paulatinamente.”

De acordo com o ensinamento Escriturístico a principal evidencia de que alguém esta em uma união vital com Cristo é esse processo de conformidade ao Seu caráter santo. A beleza de uma vida santa é tão importante para Deus que a Bíblia nos diz que Jesus amou a igreja a ponto de morrer por ela “para a santificar (ou seja, separar para Si), purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.” (Ef 5:25-27). Ele deu Sua vida para desposar uma noiva linda que reflete Sua glória na beleza da santidade. Calvino, apropriadamente, coloca nesses termos:

“Como a formosa figura da esposa é uma das causas do amor, assim Cristo adorna a Igreja, sua esposa, com santidade como um penhor de seu beneplácito. Esta metáfora alude ao matrimônio; mas em seguida ele descarta a figura, e diz claramente que Cristo reconciliou a Igreja consigo mesmo, para que ela fosse santa e irrepreensível. A genuína beleza da Igreja consiste nessa castidade conjugal, ou seja, em santidade e pureza.”

A igreja carrega a beleza de Cristo em todos os aspectos que ela exibe do Seu caráter. As mulheres, como parte dessa igreja, devem igualmente manifestar a beleza do Salvador em suas vidas. A santidade vos torna bela, porque ao crescerem na santificação vocês são conformadas a Imagem dAquele de onde emana toda a beleza existente no universo. Jesus Cristo é a fonte de toda a formosura, Ele é infinitamente belo em Si mesmo e todas as coisas que são belas, assim são por causa dEle. Portanto as pessoas mais bonitas que podem existir nesse mundo, são aquelas que se assemelham a Ele, que foram recriadas nEle, para serem conformadas a imagem dEle (Rm 8.29). O que torna uma mulher bonita e admirável é a vida de Deus que foi gerada nela através da obra regeneradora do Espírito Santo e que se manifesta por meio da pureza, expressada em sua maneira de se vestir, como trata as pessoas, nos relacionamentos, na obediência aos mandamentos do Senhor, na maneira como se comporta com os homens, na forma de falar e em todos os aspectos da sua existência.

Mulheres cristãs, vocês devem espelhar a beleza do Senhor, porque isso Lhe é agradável e Seu Grande e Admirável Nome é glorificado entre os homens. Quanto mais vocês parecerem com Ele em santidade, mais de Sua beleza será impressa em seus espíritos. Mas para isso acontecer, vocês devem viver em doce comunhão com essa Fonte de Beleza, se negligenciamos as atividades espirituais, a intimidade com o Senhor será prejudicada e nós é que sairemos perdendo, pois ficaremos privadas de tão grande prazer e deleite, seremos mulheres superficiais, e por não manifestarmos aquela beleza que não pode perecer, nós tornamos obcecadas com a aparência física como se a nossa vida dependesse da roupa que vestimos, do perfume que usamos e da maquiagem que pinta nosso rosto. Essas coisas nos são permitidas, mas não podem de maneira nenhuma se tornarem mais importantes que os exercícios espirituais, invista o dobro do tempo que você gasta com sua aparência física em comunhão com Jesus Cristo, passe muito tempo em conversa com Ele, se aproxime cada vez mais dEle, pois quanto mais perto você estiver dessa Beleza Eterna mais dEle ficará em você. Medite em Sua Palavra, é nela que Ele te ensina a viver de modo digno dEle, ame a Escritura, nela está a sabedoria, faça dela a sua conselheira. Busque essa beleza que o tempo não pode destruir, mas o contrario, com o passar do tempo ela aumenta de gloria em gloria na imagem daquele é Santo e Glorioso. Assim, em ti a beleza radiante do Eterno Filho de Deus brilhará e tu serás não apenas bela, mas também agradável aos olhos de Deus e dos homens.

Sonaly Soares
www.facebook.com/MulheresPuritanas

 

HODGE, Charles. Teologia Sistemática. 1ª ed. São Paulo: Hagnos, 2001.

BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. 3ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2007.

CALVINO, João. II Coríntios: Série – Comentários Bíblicos. 1ª ed. São José dos Campos: Fiel, 2008.

Confissão de Fé de Westminster.

Imagem: Thomas Francis Dicksee, 1864.

HÁ TEMPO PARA TUDO!

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‘Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;”
Eclesiastes 3:2

 Venho hoje por meio deste breve texto, falar um pouco para as jovens solteiras. Tenho uma grande preocupação com as moças solteiras cristãs, pois elas serão as mães e esposas de amanhã, tenho uma grande preocupação, com o que elas têm feito desse tempo que Deus reservou para as mesmas, o tempo de solteiras. Jovens, esse tempo em que não estão com nenhum tipo de relacionamento, é um tempo que jamais irá voltar em suas vidas, tempo este, separado por Deus, para que possam se dedicar a Ele (1 Corintios 7:34), em orações, estudo da palavra e etc, então tentarei de forma breve a luz das escrituras, e tendo como apoio a visão puritana de como as jovens devem agir, passarei agora a expor alguns pontos.

Quero falar não só as jovens, porém, as mães que porventura estão lendo este texto, pois, vocês têm um papel fundamental na vida de suas filhas. Faço das minhas, as palavras do John Angell James quando ele escreve: “Quem não sabe que a base da qualidade de um império está na constituição doméstica, e em famílias bem treinadas?”. As primeiras professoras das meninas puritanas eram suas mães, cujas, eram bastante instruídas sobre os mais diversos temas. As crianças puritanas eram alfabetizadas com a palavra de Deus, e a função principal do saber ler e escrever, era gloficar o nome de Deus com tais feitos. Leland Rykel um historiador puritano disse ”Na visão puritana, a educação cristã começa em casa e é, em última instância, responsabilidade dos pais. “As escolas são uma extensão da instrução e valores dos pais, não um substituto para eles”, ou seja, podemos aferir que a educação para os puritanos era uma responsabilidade suprema dos pais, e hoje, podemos nos questionar se nossas crianças e jovens estão recebendo essa dedicação de seus pais, ou se os mesmos estão conferindo tal responsabilidade para o Estado. Podemos nos questionar como pais, o que nossos filhos têm aprendido acerca das Escrituras Sagradas. Será que nos preocupamos com isso?

As moças puritanas estudavam sobre os mais variados assuntos, sendo estes pertinentes no convívio futuro do lar, não só religião, mas desde filosofia e outras línguas, até matemática (aritmética à geometria ou álgebra). E eram muito bem instruídas em seus afazeres domésticos, dominavam os mais diversos assuntos, eram moças ”úteis”, e podiam auxiliar qualquer pessoa, eram como as mulheres de Filipenses 4:3, e glorificavam o nome de Deus em todas as áreas de sua vida, já que para os puritanos não havia essa distinção de secular e religioso, tudo para eles era religioso, pois em tudo, eles queriam glorificar o nome de Deus. Moças, devemos buscar ser como a mulher virtuosa descrita em Provérbios 31: 10-31, devemos usar esse tempo que Deus reservou para nós, este tempo em que não temos firmado nenhum tipo de relacionamento amoroso, para que possamos aprender e estudar, afim de que sejamos no futuro como a mulher virtuosa já mencionada, o que vamos aprender nesse período determinará como seremos como esposa e mãe no nosso casamento. Devemos nos espelhar na conduta das jovens puritanas e em suas difíceis escolhas, optaram por aprender a ser aquilo que seus futuros maridos e Cristo desejam que elas sejam. Jovens, não percam seu tempo com as coisas vãs e passageiras, dediquem suas vidas e seu tempo a esse aprendizado, lembro do que o puritano Charles H. Spurgeon falou: “Salomão declarou ao olhar as coisas vãs e passageiras – vaidade de vaidades, tudo é vaidade. Mas, da Bíblia Sagrada, só se pode dizer – VERDADE DE VERDADE, TUDO É VERDADE.” Moças, não se encantem com as coisas vãs e passageiras, pois tudo isso é vaidade.

Lendo um pouco mais, podemos extrair mais alguns ensinamentos acerca das jovens puritanas, elas eram ensinadas que o amor pelo Senhor estava em primeiro lugar e o amor humano devia alimentar esse amor e não desviá-las dele. Quando falo sobre o comportamento da jovem cristã solteira, gosto de reportar-me a história de Ester, a Rainha da Pérsia, a preparação sofrida tanto por Ester, quanto pelas jovens que ali estavam (Ester 2:2), serve hoje para nós de exemplo, todas as escolhidas para estar com o rei, sendo assim candidatas a Rainha no lugar de Vasti, passaram por 12 meses de aprendizado e cuidados com si própria (Ester 2:12), deveriam estar a altura do rei para que ele pudesse escolher a que mais o agradava. Foram seis meses de aprendizado, sendo este tempo gasto em etiqueta e maneira de se portar diante do rei e o que mais o agradaria, além de seis meses de purificação com óleos de mirra e com especiarias, sendo então após todo este tempo, Ester a escolhida pelo rei. Podemos extrair da bela historia de Ester que não acabou por ai, o fator preparação, todas as jovens foram preparadas para estar diante de seu futuro pretendente, de mesma maneira, devemos nós Jovens nós preparar para o devido momento onde seremos chamadas a vivenciar uma benção de Deus que é o casamento. Estejamos, pois preparadas para este dia, confiando apenas no SENHOR, glorificando a Ele em todos os momentos, sem jamais esquecer que tudo é para Ele e por Ele.

Soli Deo Gloria.

Rebeka França.
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COMO ERAM AS MULHERES PURITANAS?

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Nos últimos anos, tem sido despertado um crescente interesse pelo puritanismo, sobretudo por sua teologia e espiritualidade, que vieram a refletir esplendidamente em todos os aspectos da vida. Os puritanos tinham famílias fortes e bem estruturadas, cada membro cumpria com excelência seu chamado e a família era valorizada e norteada pelos princípios Escrituristicos. Sendo a mulher a joia do lar, seu papel foi essencial na construção daquela sociedade. Conhecer um pouco sobre a vida dessas mulheres será de grande beneficio para desintoxicar nossa mente dos conceitos e filosofias modernas e anti-Deus em que a nossa sociedade caída está imersa e tem influenciado grandemente a vida daqueles que reivindicam a postura de filhos de Deus. As mulheres puritanas, ao longo de suas vidas, cultivaram virtudes que em nossos dias são desprezadas, como submissão, mansidão e ternura. Vamos olhar para a história da nossa fé e conhecer um pouco sobre cada fase da vida dessas mulheres que foram esposas e mães de gigantes.

Menina/Jovem Solteira – Os pais puritanos, obedecendo à instrução do Senhor, começavam a doutrinar os filhos desde os seus primeiros anos de vida. A menina puritana recebia ensinamentos e exemplos não apenas de sua mãe, mas também de seu pai, este como chefe da família, tinha a responsabilidade de conduzi-las nas atividades espirituais. No domingo, dia do Senhor, toda a família ia para a igreja, o pai tratava de ensinar as crianças à importância da santificação deste dia. Após cada sermão, todos os membros da família eram examinados pelo pai, inclusive as meninas, ele tinha a preocupação de saber o que tinham aprendido e quais as partes da exposição bíblica tiveram dificuldade em assimilar, pois ele como pastor de sua família deveria ensinar e se certificar de que não restaram dúvidas. Assim as filhas dos puritanos eram instruídas em toda a doutrina bíblica, tendo seu pai como líder espiritual imediato, conduzindo-as ao conhecimento das Palavras da Vida.

É muito provável que uma menina puritana entendesse mais das doutrinas ortodoxas do que muitos pastores dos nossos dias. Além das instruções doutrinárias, recebidas em casa e na igreja, muitas ainda eram escolarizadas em leitura, caligrafia, música (escrita), matemática, desde aritmética à geometria ou álgebra, também em geografia, história filosofia e línguas. Entretanto, em sua grande maioria eram educadas para serem capazes apenas de ler, escrever e usar os algarismos.

O mandamento, que tratava sobre a obediência dos filhos aos pais, era uma realidade presente no relacionamento familiar. A filha puritana mostrava sua obediência com serenidade, reverência e respeito, amando e obedecendo a seus pais, pois isso é bom aos olhos do Senhor e ela fora ensinada que a razão da sua vida consiste em agradar a Deus, através da obediência a Sua vontade revelada na Escritura.

Na medida em que ia deixando a infância, para se tornar uma jovem senhorita, ela era treinada nos trabalhos domésticos e quanto a isso, podia-se esperar muito dela. A moça ideal para casar, na visão puritana, era aquela obediente aos pais, submissa, gentil, amável, disciplinada nas atividades espirituais, treinada nos afazeres do lar e econômica. Essas qualidades ela via claramente em sua mãe e buscava cultivá-las em si mesma, pois essas virtudes se mostrariam essenciais no próximo estagio da sua vida, quando ela deixaria a custodia dos pais para estar debaixo da autoridade do marido.

Esposa – A mulher puritana como esposa, era antes de tudo submissa, pois ela fora muito bem instruída, pelos pais e pela igreja, no principio bíblico da submissão. Sendo assim, quando casada, não tinha nenhuma dificuldade em obedecer ao mandamento do Senhor, mas sujeitava-se ao marido com mansidão e docilidade, entendendo que a ordem que fora estabelecida por Deus na criação não deveria ser quebrada, tanto para o bom funcionamento da sociedade, como para o seu próprio bem. A submissão feminina, entendida pelos puritanos, não queria dizer, de forma alguma que o homem tinha mais valor que a mulher, pois a hierarquia familiar não consiste em valor, mas em funções distintas, que o próprio Criador determinou. A desobediência deste mandamento, por parte de uma mulher que não quer se sujeitar ao marido é tão errado quanto a Igreja que não quer se submeter a Cristo e a comparação do relacionamento de Cristo com a Igreja é exatamente o do marido com a esposa (Ef. 5:24).

Essa esposa que era submissa era também companheira, consoladora e conselheira. John Angell James, em sua obra Female Piety (Piedade Feminina) descreve o ideal da esposa puritana:

“Na vida de casada, ela deve ser sua companheira constante, em cuja sociedade ele deve achar alguém que se una a ele mão com mão, olho com olho, lábio com lábio e coração com coração: a quem ele pode desabafar os segredos de um coração pressionado pelos cuidados, ou oprimido por angústias; cuja presença ela tem como prioridade perante toda a sociedade; cuja voz será para ele sua música mais doce; cujo sorriso, sua luz do sol mais brilhante: de quem ele se afastará com pesar, e a cuja conversa ele retornará com pés ansiosos, quando o labor do dia tiver terminado; quem caminhará próximo de seu coração amoroso, e palpitará o pulso de suas afeições quando os braços dela se apoiarem nele e forem pressionados em seu lado. Nos momentos de conversa a sós ele lhe falará de todos os segredos de seu coração; encontrará nela todas as capacitações, todos os estímulos, da mais terna e encarecida sociedade; e em seu gentil sorriso e loquacidade, gozará de tudo que possa ser esperado em quem foi dada por Deus para ser sua companheira e amiga.”

A esposa puritana tinha consciência de que seu marido seria grandemente beneficiado, assim como ela mesma, se tão somente cumprisse o papel para o qual fora chamada, ser uma auxiliadora idônea.

Mãe – A mulher como mãe, na família puritana, tinha a responsabilidade que era dividida com seu marido, de educar a próxima geração de homens e mulheres no temor do Senhor. As meninas eram ensinadas pelo próprio exemplo da mãe, a cultivarem um espírito submisso e manso, mas também a serem dotadas de força e coragem em seu Deus, com os olhos fixos na eternidade para suportarem as adversidades da vida que nos séculos XVI/XVII não eram poucas, J. I. Packer descreve nesses termos a dura vida dos puritanos:

“Os puritanos experimentaram perseguição sistemática por sua fé; a ideia que temos hoje dos confortos de uma casa eram desconhecidas a eles; sua medicina e cirurgia eram rudimentares; eles não tinham aspirinas, tranquilizantes, soníferos ou pílulas anti-depressivas, assim como não tinham nenhuma segurança social ou seguro; num mundo em que mais da metade da população adulta morria jovem e mais da metade das crianças nascidas morriam na infância, uma media de expectativa de vida inferior a apenas trinta anos, doenças, perigos, aflições, desconforto, dor e morte eram seus constantes companheiros. Eles estariam perdidos se não mantivessem seus olhos no céu e não conhecessem a si mesmo como peregrinos rumo ao lar na Cidade Celestial… a consciência dos puritanos de que no meio da vida nós estamos na morte, a apenas um passo da eternidade, deu-lhe uma profunda seriedade, calma embora apaixonada, com respeito aos negócios da vida que os cristãos no mundo ocidental de hoje opulento, mimado, materialista, raramente consegui se igualar. Eu penso que poucos de nós vivem diariamente à margem da eternidade da forma consciente que os puritanos viveram, e o resultado é que nós ficamos na desvantagem.”

Nestes tempos difíceis, cristãos maduros e convictos foram produzidos, e a geração posterior de cidadãos estava debaixo dos cuidados de mães que obedeciam ao chamado de Deus para suas vidas e não viam nisso degradação, nem se sentiam menos importantes que os homens, mas viam em ambas as funções a importância que Deus atribuiu a cada uma e sentiam-se honradas por Deus ter lhes dado tamanho privilegio de participarem, de forma significativa, para a gloria de Deus e para o bem da nação.

Não podemos transplantar o puritanismo dos séculos XVI/XVII para os nossos dias, nem para a nossa realidade cultural, mas podemos resgatar aquilo que foi essencial: teologia sólida, piedade fervorosa, busca incansável por santidade e um alto conceito sobre a família.

Que não venhamos a cair no erro de desprezar dois mil anos de historia e termos a pretensão de achar que o cristianismo começou conosco, mas que possamos aprender com as gerações passadas, como a dos puritanos, pessoas comuns e cheias de defeitos que é possível viver nesse mundo de forma digna do Reino de Deus.

Sonaly Soares

HULSE, Erroll. Quem foram os Puritanos?… e o que eles ensinaram?. 1. ed. São Paulo: PES, 2004.

GONZÁLEZ, Justo L. Historia Ilustrativa do Cristianismo. 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 2011.

PACKER, J. I. Entre os Gigantes de Deus: Uma visão puritana da vida cristã. São José dos Campos: Fiel, 1996.

RYKEN, Leland. Santos no Mundo: Os puritanos como realmente eram. 2. ed. São José dos Campos, 2013.

BEEKE, Joel. Vivendo para a Gloria de Deus: Uma introdução à fé reformada. 1. ed. São Jose dos Campos: FIEL, 2010.

LIPSY, David. A Mulher Puritana. Editora: Os Puritanos.