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A SERPENTE DE GÊNESIS E A JARARACA DE LULA

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“Então o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida. E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gênesis 3:14,15)

A serpente de Gênesis

A queda do homem – no pecado – é um episódio determinante na narrativa bíblica, uma vez que, após este fato, toda a humanidade se tornou pecadora, “não há um justo sequer” (cf. Rm 3:23). A escritura ainda diz que: “Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores” (Rm 5: 19).

O 3º capítulo da bíblia, isto é, Gênesis 3, relata esse episódio bem como os seus desdobramentos. Adão e Eva viviam no paraíso, o pecado ainda não habitava neles. Deus havia estabelecido uma ordem, a saber, que eles não comessem o fruto da árvore que estava no meio do jardim. Contudo, ocorreu um momento que foi crucial na história da humanidade: onde Eva foi tentada por Satanás, este assumindo a forma de uma serpente. O réptil, portanto, convenceu Eva a tomar o fruto, comê-lo e, em seguida, dividi-lo com Adão: eis o momento da consumação do primeiro pecado!

A serpente, destarte, foi a primeira personificação de Satanás, usada, assim, para conseguir seu objetivo, qual seja, fazer com que o homem desobedecesse a Deus! No entanto, o texto bíblico vai trazendo mais informações acerca do que ocorreu após esse fato. Eis, então, a primeira profecia anunciando Jesus Cristo como aquele que era o Redentor e Salvador da humanidade, vencendo os reinos malignos de Satanás e desferindo um golpe mortal contra ele: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gênesis 3:14). Segundo o notável teólogo do século XVI, Matthew Henry:

“O fruto desta inimizade, é a existência de uma guerra contínua entre a graça e a corrupção nos corações do povo de Deus. Satanás, por meio de suas corrupções, os esbofeteia, os ciranda e procura devorá-los. O céu e o inferno jamais poderão ser reconciliados, tampouco a luz e as trevas; assim também não há acordo entre Satanás e a alma santificada. Além do mais, existe uma luta contínua entre os maus e os santos deste mundo. É feita uma promessa bondosa a respeito de Cristo, como o libertador do homem que está caído por causa do poder de Satanás” [1]

Em suma, a promessa bíblica é que no final de todas as coisas, é certo que o mal será vencido e a serpente, ou seja, Satanás, não subsistirá, porquanto foi ferida mortalmente, visto que sua cabeça foi, literalmente, esmagada!

A jararaca de Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na data de hoje (04/03/2016), recebeu um mandando de condução coercitiva – a condução coercitiva é quando a pessoa é obrigada a comparecer frente a uma autoridade policial – para prestar depoimento à Polícia Federal em mais uma fase da já conhecida Operação Lava Jato. A etapa da operação batizada de “Aletheia” (do grego, “a busca da verdade”), apura denúncias contra Lula e outras pessoas por crimes de lavagem dinheiro, corrupção, entre outros. No entanto, o ex-presidente nega todas as acusações.

Após uma manhã toda de depoimentos em uma sede da PF na cidade de Curitiba – PR, o presidente se dirigiu até o diretório nacional do seu partido (PT), na cidade de São Paulo, para dar uma entrevista coletiva que foi, basicamente, um discurso acerca de tudo que aconteceu no dia de hoje, bem como sobre outros acontecimentos.

Não vou detalhar a repercussão sobre esse fato que chamou a atenção de todos os brasileiros no dia de hoje, uma vez que basta acessar o Facebook e os portais de noticias para acompanhar todas as novidades referentes ao caso, todavia, gostaria de destacar uma coisa no discurso de Lula que me chamou muita atenção.

O discurso foi, a meu ver, um misto de vitimismo e autocomiseração consubstanciado com soberba e arrogância (veja o vídeo e tire suas próprias conclusões [2]). Entretanto, não irei me delongar, nesse texto, sobre todo o teor do discurso, mas, estritamente a uma frase conclusiva que Lula proferiu. Ele disse: “Tentaram matar a jararaca, mas não acertaram na cabeça, acertaram no rabo. A jararaca está viva”. Não posso adivinhar se ele fez uma metáfora referente à narrativa bíblica, contudo, após escutar essas palavras isto foi a primeira coisa que me veio a mente.

Segundo a minha interpretação, deu a entender que, para o ex-presidente, a tentativa de envolvê-lo nas investigações com a finalidade de provar seu envolvimento com os crimes não foi um golpe forte e eficaz, mas sim um mero “pisão” no rabo da Jararaca. Ou seja, algo que não iria imobilizar ou diminuir o seu vigor; mas, pelo contrário, iria despertar a raiva da serpente peçonhenta e venenosa que estava quieta em seu lugar. Portanto, diferentemente, da serpente de Gênesis (ou Satanás), que foi ferida mortalmente na cabeça, a jararaca estava astuta e atenta para agir e destilar seu tóxico!

A redenção e o fim da corrupção

Ora, ainda bem que pela graça de Deus e como cristão, creio numa perspectiva de eternidade, onde, em um determinado dia da história, a ordem natural das coisas será restabelecida por Deus – não haverá mais pecado! Neste dia, a bíblia diz, que todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor (Rm 14:11). Toda a corrupção será aniquilada, “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Apocalipse 21:4).

Mas antes disso, todos nós compareceremos ante o Santo e Justo Tribunal de Deus, onde daremos conta de todos os nossos atos. Ai daquele que não se arrepender de seus pecados e não tiver Jesus Cristo constituído como seu advogado fiel (1 Jo 2:1)! Ai daquelas jararacas que destilaram todo o seu veneno ao longo da vida, achando que ficariam impunes de seus crimes!

Enquanto este dia de redenção não chega, oremos para que Deus nos livre de toda sorte de bichos peçonhentos que assolam a nossa nação!

Rafael Durand Couto

NOTAS:

[1] Matthew Henry – Comentário Bíblico Condensado. Editora: CPAD.

[2] Parte 1 do discurso: < https://www.youtube.com/watch?v=Jh-AnVr2fxQ >; Parte 2 do discurso < https://www.youtube.com/watch?v=KvK5Z6_ziHI >.

 

 

 

O QUE A BÍBLIA FALA SOBRE A PROPRIEDADE

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O oitavo mandamento é “não furtarás” (Ex. 20.15). Apesar de ser uma frase simples e clara, ela envolve um grande número de questões que um leitor desatento pode não reparar ou simplesmente não reflete por achar demasiadamente óbvio. Por isso, gostaria de trazer, de maneira breve, três pontos que julgo importantes envolvendo este mandamento e que fará com que se reflita seus posicionamentos.

Os três pontos são o seguinte: 1) Se algo pode ser roubado, significa ela pertence a alguém; 2) O direito de propriedade não pode ser violado; por fim, 3) A violação da propriedade de alguém é uma atitude que deve ser condenada. Passo então a destacar brevemente algumas questões pontuais sobre isso.

O que é a propriedade?

A propriedade pode ser definida, segundo nos diz Melnik (2009, p.10), como o “direito do dono ou donos, devidamente documentado, formalmente reconhecido pela autoridade pública e  protegido por lei, passível de exploração de ativos, seja material ou imaterial, na exclusão de qualquer outra pessoa e a seu dispor para venda ou de outra forma”. Ou seja, é “qualquer coisa que as pessoas possam usar, controlar ou dispor que legalmente as pertença” (Ibid, p. 8). Ela pode ser algo tangível, como uma casa, carro ou roupa; ou intangível, como direitos autorais, marcas, etc., além de que a propriedade pode ser produtiva ou pessoal. A primeira refere-se àquilo que gera outras propriedades, como a terra. A segunda está relacionada àquilo que é para ser usado, consumido. A propriedade, juntamente com a família e a religião, formam os três pilares da sociedade.

Sobre a violação da propriedade

Respeito pela propriedade alheia é muito importante. O ser humano tem direito possuir, e, possuindo, não pode ser privado por quem quer que seja. Tudo o que alguém possui vem do trabalho, seja dela ou de outrem. Isto é, ela pode ter conseguido pelo fruto de seu trabalho ou pela doação de outras pessoas. A bíblia relata que o trabalhador é digno do seu salário (Lc 10.7), por isso não se pode privar um homem do fruto do seu trabalho, do seu sacrifício pessoal.

A violação desse direito é algo que não deve ser permitido pelo Estado. A propriedade estará devidamente protegida quando seu direito é garantido por meio das leis. É através a aplicação das leis na sociedade que os magistrados poderão garantir que a propriedade não será violada. Assim, o livre comércio entre as pessoas, empresas, e assim por diante, ficam assegurados. Ora, a liberdade para negociar não teria sentido se as pessoas não tiverem seus direitos (à propriedade) assegurados.

Concluindo, como cristãos devemos defender direito à propriedade, que é assegurado pela Bíblia. Devemos cobrar dos nossos magistrados que protejam aquilo que deve ser protegido. Os cristãos devem incentivar o direito a propriedade privada e sua inviolabilidade; devem requerer dos governantes leis que garantam esse direito; devem exigir leis que tornem esse direito constitucional. A violação desse direito deve ser rigorosamente punida, dadas às proporções. Portanto, enquanto cristãos, não podemos aceitar que o Estado, ou ideologias, em momento algum possam retirar dos cidadãos esse direito.

Lucas Dantas

https://www.facebook.com/LucasDantas19

Melnik, S. Liberdade e propriedade. São Paulo: Instituto Friedrich Naumann, dezembro 2009.

CRENTE, VOTE CONSCIENTE!

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Primeiramente antes de falarmos algo acerca de política, governo e governantes, devemos entender  à luz da Bíblia,  que o governo é instituído por Deus para o bem da população, e tem as funções de refrear o mal e promover o bem (cf. Rm 13. 1-6; 1 Pe 2. 13,14), e que deve haver a separação entre Igreja e Estado (Mt 22. 20,21). Também devemos orar por todos aqueles que estão investidos de autoridade para que desfrutemos de dias pacíficos, 1 Timóteo 2 nos diz: “1. Exorto, pois, antes de tudo que se façam súplicas, orações, intercessões, e ações de graças por todos os homens, 2. pelos reis, e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranqüila e sossegada, em toda a piedade e honestidade. 3. Pois isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador”. Em outras partes da Escritura, sobretudo no Antigo Testamento, e em outros episódios ao longo da história, vemos que o Senhor também permitiu que governantes maus chegassem ao poder para punir as nações que estavam se afastando dos Seus preceitos e para cumprir Seus propósitos soberanos.

As eleições deste ano estão se aproximando. E é normal que comecem a surgir várias conjecturas a respeito do futuro do nosso país. Para o cristão, assim como em todas as áreas da vida, a política não deixa de estar intrinsecamente ligada a fé. Como disse outrora o pastor e ex primeiro ministro dos Países Baixos Abraham Kuyper (1837 – 1920): “Não há nem um centímetro qualquer na esfera da vida sobre a qual Jesus Cristo não diga: ‘Meu’.”. No entanto, infelizmente, ainda há muitos cristãos que se abstém de discutir questões acerca da política, e pasmem: existem alguns que até se abdicam de exercer a cidadania, isto é, deixam de votar ou anulam o voto, pois afirmam que todos os candidatos são corruptos e nenhum têm a capacidade de trazer algum benefício para a sociedade.

É um fato incontestável que nossa nação e sociedade têm sofrido veementemente com a administração corrupta por parte de alguns governantes. Entretanto, a Constituição Brasileira de 1988 (que está vigente) prescreve uma democracia representativa para o nosso país, ou seja, somos nós, os cidadãos (cristãos ou não), que escolhemos os líderes para nos representarmos nas esferas governamentais, no caso dessa eleição (2014), escolheremos os representantes do poder legislativo (deputados e senadores) e executivo (governadores e presidente).

Diante disso, tomamos uma certa parcela de responsabilidade no que tange a situação governamental do nosso país, posto que fomos nós (a maioria da população) que elegemos os políticos que atualmente governam a nossa nação, e que futuramente a governarão. Não obstante, vale ressaltar, que não temos como controlar diretamente a conduta pessoal de cada governante que chega ao poder, visto que após serem eleitos alguns deles podem assumir uma postura despótica, buscar apenas os seus próprios interesses e não o da população que o elegeu. Todavia, isso nos faz ter mais responsabilidade ainda nas nossas escolhas, usando um pouco de lógica: analisando bem as propostas, bem como o histórico ou a “ficha” de cada candidato que tencionamos votar.

Muito se fala sobre estado laico, as vezes de uma forma deturpada e equivocada, como se a laicidade de um país significasse que ele é um estado ateísta ou anti-teísta. No entanto, o que o termo referido significa é um estado que não tem uma religião oficial, que não é uma teocracia ou estado teocrático, contudo, que permite sim a liberdade religiosa dentro de seu território.

Logo, nós como cristãos, podemos lutar para que os nossos valores prescritos na palavra de Deus influenciem expressivamente o governo, por isso devemos verificar nos candidatos se suas propostas prezam pelos bons valores, como por exemplo: a preservação da vida desde a concepção, a família como a base da sociedade e o casamento apenas entre homem e mulher (como já está na nossa Constituição Federal no Art. 226), a igualdade de todos perante a lei, entre outros valores que são coerentes com os ensinamentos de Cristo e da Bíblia.

Mateus 7. 21 diz: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”: fazendo uma analogia com a política não é tão diferente. Ora, muitos candidatos se dizem cristãos ou “professam a fé” em Cristo, entretanto, suas ideologias, bem como as de seus partidos, se opõem categoricamente ao Evangelho do Senhor Jesus, por isso devemos ter uma análise mais minuciosa ainda com aqueles que professam a fé cristã, para que não caiamos no ledo engano de votar cegamente, achando que eles realmente irão levantar a bandeira do Evangelho em suas gestões. Se queremos contribuir positivamente para a sociedade é mister que nós, homens e mulheres verdadeiramente cristãos e compromissados com reino de Deus, nos coloquemos também à disposição para concorrer à cargos públicos do governo!

Finalizando, gostaria de reiterar que essa prerrogativa que temos no Brasil, a saber, de escolher os nossos governantes mediante o pleito eleitoral através do voto direto, implica sobremaneira numa questão deveras importante para o presente e futuro da nação: é notório que os valores morais estão sendo cada vez mais relativizados e objetados, e que a tendência é que isso vai piorar gradativamente, senão que Deus nos ajude a elegermos pessoas preocupadas verdadeiramente com o bem da sociedade. Certamente não temos ótimas opções no cenário político atual que proponha um país perfeito, até porque isso é impossível de ser feito por homens pecadores como nós (Rm 3. 23), infelizmente a nossa melhor opção é votar nos “menos piores”. Além do mais, o único Rei Perfeito é o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, aquele que um dia estaremos diante dEle em seu reino eterno celestial, desfrutando de um paraíso sem qualquer mazela proveniente do pecado. Todavia, enquanto estamos nessa terra passageira, que vivamos conforme Deus nos orienta e que usemos o nosso voto não de forma egoísta, o vendendo ou o usando para benefícios próprios, mas que assim como em todas às áreas da vida de um verdadeiro cristão, usemos isto para a glória de Deus (1 Co 10. 31), para o bem do Seu povo e do nosso próximo!

Portanto, se você é crente (ou não) vote consciente!

Rafael Durand

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