A EPIDEMIA MASCULINA GENERALIZADA DE ÓDIO AO CORPO

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“Se eu parecesse com aquele cara que faz Thor, eu seria feliz.”

Essa é uma crença comum entre os homens da nossa geração. Posto de maneira mais honesta: “Se eu não consigo aparentar ser confiante, sexy, intimidante, competente e super humano, eu sou inútil.”

Nós nos comparamos aos outros na academia. Nós saímos do cinema querendo nos exercitar por oito horas. Nós preferíamos nos lançar embaixo de um caminhão a termos que tirar a camisa na piscina. Nós nos sentimos patéticos e pequenos. Nós nos olhamos em praticamente todo espelho pelo qual passarmos em frente. Quando estamos sozinhos, nos flexionamos – não porque gostamos do que vemos, mas porque não gostamos. Nós temos gastado centenas de reais em pré-treino, perda de peso e suplementos de ganho de peso. Nós procuramos a melhor forma de ganhar massa, definir o corpo, fazer dieta e entrar em forma.

Aspectos do ódio masculino ao corpo

Saúde não é a questão aqui. Há um grande abismo entre ser saudável e se encaixar no ideal da nossa cultura de “quente”. E esse espaço fornece toda e qualquer razão para um homem odiar o seu corpo.

Um homem que odeia o seu corpo está na verdade buscando amor – uma busca fundamentalmente relacionada à intimidade consigo mesmo na forma de autoconfiança, intimidade com o sexo oposto ao ser sexy, intimidade com o mesmo sexo em intimidação ou aceitação, intimidade com autoridade em competência e ultimamente intimidade com Deus ao aparentar ser digno. A mentira é que o desempenho oferece todas essas intimidades – isso, na verdade, é tolice. Contudo, esse é o caminho que escolhemos.

O ódio de um homem pelo seu corpo se materializa em termos de cinco relacionamentos porque ele está buscando intimidade em cada um desses relacionamentos.

  1. Para nós mesmos, queremos ser confiantes

Nós queremos amar a nós mesmos – olhar no espelho e pensar: “Eu pareço maravilhoso.” Nós olhamos – “Eu estou gordo aqui, pequeno ali, estranho ali” – e isso nos destrói emocionalmente. Nós queremos confiança. Confiança baseada na imagem do corpo se relaciona à intimidade de uma forma especial. Se nós já fomos rejeitados, nós queremos confiança para dizer, “Eles estão errados por me rejeitar.” Nós buscamos autoconfiança para que possamos reverter a nossa experiência de rejeição se e quando ela ocorre. Isso transforma o amor próprio em ódio próprio. É uma dialética de auto-elogio excessivo em nosso progresso e depois automutilação emocional para os nossos fracassos. Ao nos amarmos, somos capazes de destruir a rejeição e os conceitos errôneos. E nós esperamos encontrar intimidade ao final – no sexto pacote.

  1. Para o sexo oposto, queremos ser sexy.

Nós queremos que as mulheres nos amem. Nós queremos passar perto das mulheres e tê-las pensando: “Ele é tão sexy.” Nós queremos que as mulheres nos desejem. Nós ouvimos mulheres, até mesmo mulheres cristãs, falando que querem se casar com Channing Tatum ou Zac Efron. Se isso faz sentido ou não, nós compramos a idéia de que até mesmos as mulheres cristãs querem um homem que tenha certo tipo de musculatura – não “musculoso” ou “grande”, mas “sarado” – com várias partes do corpo definidas. Nós queremos ser capazes de seduzir, de sermos atraentes, abraçar aquilo que a mídia vende como “sexy”. Isso é uma obsessão e se torna um ideal de vida. Então eu saio para correr. Eu volto para casa e corro de novo. Que tipo de comportamento ganha o adjetivo de “sexy”? “Certamente outra corrida, outra série de exercícios. Eu ainda sou sexy?” Nós não falamos sobre isso – Cristãos nem mesmo conversam sobre isso – mas isso nos motiva.

  1. Para os nossos colegas, queremos parecer intimidador

Nós somos instintivamente competitivos. Nós queremos ser os maiores, os mais intimidadores se comparado com outros homens. Isso pode ser reduzido a se comparar com outro cara, mas pode ter resultados tão vastos como “Eu sou maravilhoso” e “Eu sou inútil”. Nós queremos saber se eu posso roubar a mulher daquele cara, bater nele, e eu quero que ele saiba disso também. E se eu sinto que outro cara pode fazer isso comigo, eu vou para a academia. Eu procuro comprar um suplemento na internet. Muitos de nós só fazemos isso a fim de simplesmente decidirmos ser aceitos como parte de um grupo.

  1. Para os nossos pais, nós queremos ser competentes.

O olhar de desaprovação de um pai é um modo infalível de ajudar um homem a odiar o seu próprio corpo. Quando eu tinha 13 anos, meu pai, em sua sabedoria dominante, olhou para mim e disse: “Garotas gostam de músculos grandes.” Fim da história. Pelos próximos dez anos: diversas séries de exercícios de musculação duas vezes por semana ao final de cada expediente do trabalho. Nós olhamos para homens mais velhos e achamos que nós precisamos corresponder – a fim de compensar em nosso corpo o que sabemos que não temos no espírito e na mente. Nós queremos saber, “Eu posso substituir você aqui na terra quando você for. Eu posso segurar esse bastão. Eu sou forte, assim como você. Por favor, me diga que eu sou forte, como você?

  1. Para Deus, nós queremos ser super-humanos

Toda representação de Deus ou de homens piedosos na história da arte é sarada. A estátua de Davi. A criação de Adão. Até mesmo Jesus tem músculos, um cabelo jovial. Que lugar os 18% ou 25% dos caras gordos tem na história de Deus? E quanto ao magricela, esquelético? Nem eles se encaixam na grande história de Deus – pelo menos não como a arte a representa. Assim, muitos homens tem recebido uma mensagem estética tanto da história cristã quanto da retórica cultural: “A senha secreta para o nosso amor é ser como Deus em nosso corpo.” Então, claro, nós gastamos uma fortuna, horas e energia que nem temos para conseguir ganhar um amor que na verdade não é amor e sim um ciclo de morte (Provérbios 16.25-26).

Redimindo homens que odeiam os seus corpos

Deus tem algo para oferecer a cada aspecto do ódio masculino pelo seu corpo e ele faz isso através de cinco esferas relacionais desse ódio próprio. Cada dom que Deus oferece é uma forma de intimidade tanto com Deus quanto com o ser humano através do que ele o oferece.

  1. Através de nós mesmos, Deus oferece os corpos que nós temos

A imagem de Deus não reside apenas na alma. O corpo carrega a imagem (Gênesis 1.26-28; 2.7) e, portanto, desde que nem todos os tipos de corpo correspondem ao ideal da Billboard, Deus expressa o seu deleite aprovador sobre a nossa natureza diversa. Não importa os diversos tipos corpóreos, eles expressam igualmente a glória de Deus e trazem a Ele deleite. Se você ouvir qualquer coisa, ouça isso: Você está bem. Deus não se importa com a aparência do homem (1 Samuel 16.7).

  1. Do sexo oposto, Deus oferece perspectiva

Caras, nos lembremos de algumas coisas. Primeiro, alimentar o desejo por atenção feminina é alimentar adultério futuro. Você está disponível sexualmente para todo mundo. Paulo adverte às mulheres que se “vistam modestamente, com decência e discrição, não se adornando com tranças, nem ouro, nem pérolas, nem roupas caras” (1 Timóteo 2:9). Isso vale para nós também. Os caras muitas vezes tem ficado de fora disso. Nós não usamos calças de yoga (espera-se), mas nós somos tentados a usar calças apertadas e camisetas sem mangas. É chegada a hora de obtermos padrões mais elevados.

Em segundo lugar, mulheres que são conquistadas apenas pela musculatura são inconstantes. Elas existem, mas “os seus passos levam diretamente à morte” (Porvérbios 5.5). Além disso, odiar o corpo de alguém é comprar a mentira de que os passos que levam à vida, quando com uma mulher como essa, nós “andamos por caminhos tortuosos e não enxergamos a vereda da vida” (Provérbios 5.6).

Em terceiro lugar, as mulheres que os homens solteiros estão tentando atrair são a imagem de Deus também. Deus nos chama para amá-lo com seu coração, alma e mente (Mateus 22.37). Uma mulher crescendo na imagem de Cristo, enquanto certamente desejando ser fisicamente atraente para o seu marido, irá definir a sua atração em termos da totalidade dele. Além disso, nós comunicamos às mulheres ao nosso redor como nós vemos os seus corpos pela forma como nós vemos os nossos próprios corpos.

  1. Através dos amigos, ele oferece serviço.

Como homens, nós nos classificamos a nós mesmos. A metáfora do guerreiro é intuitiva para nós. Submeter-se é perder. É sair fora. Quando nos submetemos, nós confiscamos a nossa masculinidade, ou pelo menos é o que pensamos.

Não. O caminhos de Cristo é “não façam nada por rivalidade ou interesse, mas em humildade considere os outros mais do que a vocês mesmos” (Filipenses 2.3). Isso não é um mandamento para “ser humilde.” Isso é um mandamento para ser íntimo. Para olhar outro cara e pensar: “Ele é maior, mais forte, tem uma aparência melhor, é mais engraçado e atrativo do que eu” é uma experiência assustadora. No entanto, quando um homem me diz algo que ele aprecia sobre mim, eu sinto uma grande sensação de segurança e amor. É assim que Deus se relaciona conosco em pontos de tensão – com paciência e lembretes de bondade (Romanos 2: 4). Temos a oportunidade de fazer o mesmo para os outros homens – para ser lugares seguros e não competitivos para eles.

  1. Através dos pais, ele oferece empoderamento.

Os pais têm o poder de amargurar os seus filhos, e Deus proíbe isso (Efésios 6: 4). A partir de homens mais velhos, devemos, supostamente, aprender a crescer. Aprendemos que estamos bem quando falhamos. Aprendemos que o ideal físico é inatingível (Provérbios 16:31).

Dos dois homens mais velhos que me habilitaram a me sentir mais competente e confiante na minha vida, nenhum dos dois é o meu pai, um pesa 55 kg e o outro tem uma barriga saliente. Eles demonstram a mim o que a piedade parece quando a Marvel não iria lançar você como Thor. E eles modelam casamentos incríveis sem o nível do modelo de atratividade. A maior intimidade que um pai (ou figura paterna) pode dar a nós é o fortalecimento da paz, para que “tenham acesso em um só Espírito ao Pai” (Efésios 2:18). Pais são destinadas a fornecer capacitação divina, e Deus como Pai faz o mesmo (Efésios 3: 14-16).

  1. Através do seu filho, nós recebemos amor.

Um pacote de seis não desempenha nenhum papel no amor de Deus para você. Você está sendo conformado com o ideal físico cultural muda o amor de Deus por você em exatamente 0%.

Nós somos flagelados com uma imagem corporal negativa porque sentimos os olhos exigentes de umDeus deísta e desaprovador. Acreditamos que Deus não retém nenhuma coisa boa aos que andam [e correm e fazem dieta e se exercitam] irrepreensivelmente (Salmo 84:11). Felizmente, o caminhante irrepreensível nos dá presentes do Pai, apesar de estarmos mal [e inconsistente e indulgente e com preguiça] (Mateus 7:11).

Seja qual for a mordomia saudável do corpo parece, é mais saudável quando ocorre no contexto da aceitação segura e amorosa de Deus, que é o que dá, inventou, e ordena o romance, a autoridade, e a amizade. E Deus não é o recompensador do saradão, do sexy e do body build. “É em vão que você se levantem cedo [na academia, na trilha, na esteira] e fiquem até tarde [em fóruns de musculação, no GNC, na academia de novo], labutando por comida para comer [e pré-treinos, pós-treinos, ciclos de creatina] – Pois Deus dá aos seus amados enquanto dormem “(Salmo 127: 2).

Você não tem que parar de malhar ou fazer dieta ou suplementação. E talvez você deva começar a fazer dieta e exercício. Esta não é uma repreensão em qualquer direção. É um convite à perspectiva e intimidade – com nós mesmos, com o sexo oposto, com o mesmo sexo, autoridades, e Deus. O amor é melhor do que a proteína (Provérbios 15:17). Em seu amor abundante, Deus se deleita em tudo sobre você, inclusive seu corpo. Lembremo-nos do que estamos realmente tentando fazer, e vamos buscar o amor de Deus e ao próximo de maneira que nunca pode ser alcançada através da adoração ou ódio aos nossos corpos.

Paul Maxwell

Texto traduzido por: Igor Sabino

Facebook: https://www.facebook.com/igorhsabino

Publicado Originalmente em: http://www.desiringgod.org/articles/the-epidemic-of-male-body-hatred

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