Homens Sábios

Um dos maiores problemas que tem afetado nossas famílias, sociedade e igrejas é a falta de homens. Homens que compreendem o seu papel bíblico de serem não apenas provedores de suas famílias, mas também líderes, refletindo através de suas vidas o caráter de um Deus santo que se revela aos Seus filhos como marido e Pai. Mais do que nunca é necessário que os homens se posicionem diante de Deus e abandonem a síndrome de Peter Pan, dando fim a essa epidemia moderna da adolescência estendida. É chegada a hora de nos levantarmos contra a efeminação coletiva de nossa cultura, sermos quem Deus quer que sejamos. Assim, o objetivo central dessa coluna é chamar os homens, sobretudo cristãos, a assumirem suas responsabilidades de gênero, aprendendo como honrar as mulheres, serem provedores e líderes piedosos, feitos à imagem de Cristo.

Escravos, Graça e Salvação

Em meados do século XVIII, John Newton, antigo funcionário da Marinha Real Inglesa, iniciou sua carreira como comandante de um navio negreiro inglês. Sua missão era ao mesmo tempo simples e muito extensa: negociar com chefes tribais na costa africana “cargas” compostas por homens e mulheres capturados em seu território natal, acorrentar e acoplar a carga obtida (normalmente de 600 unidades) abaixo das plataformas com acesso à luz solar (para evitar doenças e tentativas de suicídio), conduzi-la à América e negociar seu valor em medidas de açúcar e melaço para transporte à Inglaterra.

Em uma destas viagens, entretanto, Newton e sua tripulação foram fortemente atingidos por uma tempestade, causando a morte de alguns de seus homens. Não se sabe ao certo se o barco suportou as torrentes daquela noite. John Newton, por outro lado sobreviveu e, mais que isto, conheceu àquele que o conduziria ao seu maior legado histórico e a um verdadeiro sentido para sua vida. Neste momento de tribulação John ofereceu sua vida ao Mestre, abandonou o tráfico de escravos e tornou-se cristão, seminarista e autor de hinos.

Alguns anos depois, em 1779, John publica a letra intitulada “Amazing Grace” (Graça Maravilhosa), que fala sobre a incrível graça proveniente de Deus e manifesta através de seu Filho a um perdido pecador que não conseguia enxergar seu pecado.

O tema marcante da letra de Newton está muito mais além do que o simples ato de impedir sua morte durante a terrível tempestade ou de afasta-lo do tráfico de escravos. Amazing Grace fala da misericórdia e graça de nosso Senhor ao nos permitir acesso a si mediante o sacrifício de Jesus. É graças a esta misericórdia que podemos ser chamados filhos de Deus, noiva de Cristo, Coroa da criação. Assim, mesmo com todas as nossas inclinações carnais, como afirma Paulo em sua carta aos Efésios, “Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo” (Ef. 2.4,5).

Agora, não apenas Newton, mas todos nós cristãos devemos afirmar como Paulo: pela graça somos salvos!

Tiago Silva

Socialismo, Cristo e a Bíblia

Já dizia Deus através do profeta Oséias que o seu povo perece por falta de conhecimento (Oseias 4.6). Sim, não é de hoje que certas linhas de pensamento querem entrar na Igreja e mudar aquilo que já está firmado há tempos. O problema é quando o povo não conhece – ou finge não conhecer, mas eu prefiro acreditar que seja ignorância mesmo – o que o seu objeto de fé diz e passa a ser mais influenciado por esses pensamentos que vem de fora. Nesse sentido, esse texto busca avaliar brevemente a afirmativa de que “Jesus era socialista”.

Para começarmos precisamos definir o que é socialismo. O socialismo é a propriedade estatal dos meios de produção, que precederia, segundo Marx, o estágio final para o qual a sociedade caminha: o comunismo. O estado, no sistema socialista, regularia tudo. Como disse Mises em Intervencionismo – Uma análise econômica:

Num regime socialista, todas as atividades econômicas estão sob a responsabilidade do estado. Todos os estágios da produção estão sob o comando do governo, assim como no Exército ou na Marinha. Não há espaço para a atividade privada; tudo está sob as ordens do governo. (…) Tem de cumprir as tarefas que lhe foram determinadas e consumir apenas o que lhe for alocado pelo governo.

Mas o socialismo não se resume a uma mera questão econômica, ela envolve toda uma forma de ver o ser humano, uma cosmovisão de mundo, e assim por diante. Por exemplo, tem uma visão dialética do mundo (opressores x oprimidos), anuncia o fim do casamento[1], busca a eliminação da propriedade privada, que seria não só a coletivização dos meios de produção, mas também haveria a coletivização das mulheres e o fim da personalidade humana[2], para mencionar apenas alguns exemplos.

No Brasil, após o início do período de governo militar, surge na igreja brasileira uma corrente “marxista-cristã” chamada Teologia da Libertação[3], com expoentes como Leonardo Boff e Hugo Assman. Segundo Ferraro (p.42), descobre-se

um novo modo de transmitir a fé, que modifica a maneira de ler a Bíblia, interpretando-a por meio das relações de classe, de gênero, etnia, geração e ecologia. Essa nova forma de transmitir a fé gerou um novo modo de teologizar, que desembocou na Teologia da Libertação e abriu caminho para uma nova catequese que se preocupa com a fé vivida nas situações de opressão, exploração e exclusão” (grifo do autor).

Essa corrente de pensamento tem como foco desenvolver um “projeto de sociedade” (nome bonito para dizer “implantar o socialismo”) levando para dentro da igreja a busca para o engajamento para essa luta. Isto é, considera-se que os cristãos, tendo como chave hermenêutica fundamental a opção pelos pobres, são convocados a transformar uma realidade “injusta” para outra que “inclua a todos”, pois Deus em Cristo é um libertador das vítimas da opressão social, da exploração.[4]

Tendo isso em mente, é possível afirmar que Jesus era socialista?

Os defensores dessa linha de pensamento usam, por exemplo, alguns textos do livro de Atos, tal como:

Todos os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum. Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade. (Atos 2.44,45 – NVI);

Da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham. (Atos 4.32 – NVI);

Então perguntou Pedro: “Ananias, como você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, a ponto de você mentir ao Espírito Santo e guardar para si uma parte do dinheiro que recebeu pela propriedade? (Atos 5:3 – NVI)

“Jesus respondeu: Se você quer ser perfeito, vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me”. (Mateus 19.21 – NVI)

            Ao ler esses textos, é natural pensar que sim, Jesus e os apóstolos eram socialistas. Entretanto, essa é uma interpretação muito superficial e descontextualizada dos textos em questão. Por exemplo, no caso do jovem rico, Cristo deu duas lições: uma ao jovem rico que mostrou mais amor ao dinheiro que a Deus e outra aos apóstolos, que achavam que os ricos seriam salvos, como se as riquezas indicassem algum favor divino (por isso aquela ilustração de ser mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no reino dos céus), mas percebem que só se podem ser salvos pela graça de Deus (v.25 e 26).

No contexto de Atos, tem de se ter em mente que a propriedade privada não foi 1) colocada nas mãos do Estado, e mesmo se considerássemos que os apóstolos fossem uma espécie de “Estado”, só era passado para os mais necessitados aquilo que era colocado “aos pés dos apóstolos”. Eles não se tornaram administradores das terras dos cristãos. 2) Esse tipo de comportamento dos cristãos são mais doações do que socialização da propriedade privada; que, aliás, esse é o tipo de comportamento que a Bíblia defende. 3) Ninguém era, em absoluto, obrigado a doar o que quer que fosse ou quanto fosse. O caso de Ananias e safira é um exemplo claro disso. Ele reteve parte do dinheiro para si, sabendo disso também sua mulher; e o restante levou e colocou aos pés dos apóstolos. Então perguntou Pedro: “Ananias, como você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, a ponto de você mentir ao Espírito Santo e guardar para si uma parte do dinheiro que recebeu pela propriedade? Ela não lhe pertencia? E, depois de vendida, o dinheiro não estava em seu poder? O que o levou a pensar em fazer tal coisa? Você não mentiu aos homens, mas sim a Deus”. (Atos 5.2-4 – NVI). Ananias não era obrigado a doar, mas doou mentindo.

Outra coisa que os adeptos da TL e da TMI se esquecem é de que a distribuição não era meramente para o tinha menos, isto é, “é pobre, recebe para que todos fiquem iguais”. Não! Havia requisitos que deveriam ser preenchidos. Veja 1 Timóteo 5.3-16, no caso das viúvas. Não era pelo simples fato de ser viúva que automaticamente se recebia o “benefício”. Nunca foi objetivo dos apóstolos criar um “sistema político” no qual se tira daquele que tem para dar aquele que não tem, isto é, uma repartição forçada de bens.

Conforme Wayne Grudem diz a “Bíblia pressupõe e reforça um sistema no qual as propriedades pertencem aos indivíduos, não ao governo ou à sociedade como um todo”. Prova? É só olhar o oitavo e o décimo mandamento. Aliás, isso já toca em um ponto que as pessoas, principalmente de esquerda, gostam de tocar: “Jesus era um revolucionário. Buscou mudar a cultura”. Entretanto, é só dar uma olhada no Antigo Testamento, nas leis dadas por Deus. Lá Deus diferenciou o povo israelita dos demais povos da região através de costumes e leis diferentes (ver Deuteronômio 14.1,2). Ora, porque ele não fez de Israel uma nação conforme o que chamamos de socialista? Porque ele deu e protegeu a propriedade privada?

Continuando, quando Cristo foi pra cruz com os malfeitores, ele não foi porque era um cara que salvou ladrões porque eram ladrões (vítimas da desigualdade social), mas porque um deles se arrependeu e pediu perdão para os seus pecados. Falo isso pois tenho em mente um texto de um colunista de um importante jornal nacional que usa isso para dizer que Jesus era um cara de esquerda, amante dos pobres, um carinha que sonha com um “mundo melhor”. Jesus amava o pobre. Mas não como Rousseau que amava a humanidade, mas odiava o próximo –  que é também a linha da esquerda quando ela diz que ama o pobre.

Caminhando para a conclusão, Jesus passou longe de ser um socialista. Veja Lucas 12.13-15. Pediram a Cristo pra fazer “redistribuição” e o que ele disse? “Homem, quem fez de mim um juiz ou repartidor entre vós?” Olhe a parábola do bom samaritano e veja o valor da piedade pessoal (ao invés de um assistencialismo estatal). Observem Deuteronômio 24.19-21 e vejam como se é ensinado que se deve ter clemência para com aqueles que passam fome, não sendo uma responsabilidade do governo, mas das pessoas individualmente. E que dizer da parábola dos trabalhadores da vinha de Mateus 20 onde o valor do salário é negociando entre patrão e empregado: cadê a mais-valia?

Isso sem entrar nos méritos da questão da incompatibilidade entre a fé cristã e o marxismo, o que já seria assunto para uma série de posts. Mas, como diz Flávio Quintela no livro Mentiram (e muito) para mim:

…todo esquerdista estrategista, participante da causa revolucionária, sabe que a substituição da adoração ao divino pela adoração ao partido é essencial para os planos comunistas, pois na sociedade idealizada por Marx não há religião e nem Deus, há somente o povo e o partido, este ocupando na vida de cada um o papel que caberia à figura divina, através do Estado Todo-Poderoso. Assim, o Estado é o cuidador, a família, o juiz, o provedor, o médico, o defensor etc. Destruir a religião, que no ocidente é majoritariamente cristã, é portanto essencial aos planos da esquerda.

E:

O cristão que se diz socialista e que defende a esquerda trabalha em favor do maior inimigo de sua fé, servindo como um agente corruptor interno, na maioria das vezes sem ter ideia do trabalho sujo do qual está sendo cúmplice e, como tal, co-responsável pela degradação moral decorrente da esquerdização da Igreja. Se soubesse – e se estiver lendo este livro passará a saber agora – do nível de planejamento estratégico que a esquerda dispende com o objetivo de solapar o cristianismo, jamais, em todo o restante de sua vida, diria que é socialista, que apoia a esquerda ou que nutre qualquer tipo de simpatia por essas ideologias.

Meus irmãos, precisamos ter cuidado para não levarmos interpretações ideológicas para a Bíblia. Pensamentos como esse fazem da Igreja um instrumento para a revolução marxista e terminamos transferindo para ele as responsabilidades que são das famílias e das igrejas.

Lucas Dantas.

https://www.facebook.com/LucasDantas19

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[1] Segundo Engels: “Quando os meios de produção passarem a ser propriedade comum, a família individual deixará de ser a unidade econômica da sociedade. A economia doméstica converter-se-á em indústria social. O trato e a educação das crianças tornar-se-ão assunto público; a sociedade cuidará, com o mesmo empenho, de todos os filhos, sejam legítimos ou naturais. Desaparecerá, assim, o temor das “consequências”, que é hoje o mais importante motivo social — tanto do ponto-de-vista moral como do ponto-de-vista econômico — que impede uma jovem solteira de se entregar livremente ao homem que ama.” Disponível em:  <https://www.marxists.org/portugues/marx/1884/origem/cap02.htm&gt;.

 

[2] Marx diz: “Por fim, essa tendência a opor a propriedade privada em geral à propriedade privada é expressa de maneira animal; o casamento (que é incontestavelmente a forma de propriedade privada exclusiva) é posto em contraste com a comunidade das mulheres, em que estas se tornam comunais e propriedade comum. Pode-se dizer que essa ideia de comunidade das mulheres é o segredo de Polichinelo desse comunismo inteiramente vulgar e irrefletido. Assim como as mulheres terão de passar do matrimônio para a prostituição universal, igualmente todo o mundo das riquezas (i. é, o mundo objetivo do homem) terá de passar da relação de casamento exclusivo com o proprietário particular para a de prostituição universal com a comunidade. Esse comunismo, que nega a personalidade do homem em todos os setores, é somente a expressão lógica da propriedade privada, que é essa negação.” Disponível em: https://www.marxists.org/portugues/marx/1844/manuscritos/cap04.htm

[3] “A Teologia da Missão Integral é uma variante protestante da Teologia da Libertação”, disse Ariovaldo Ramos à revista Le Monde Diplomatique.

 

[4] Ariovaldo Ramos, adepto da TMl, disse: “Eu quero o socialismo dos crentes que, em meio à marcha dos trabalhadores e, diante do impasse do confronto com as forças do estabelecido, grita ao megafone: companheiros, avancemos! Deus está do nosso lado!” Disponível em: http://juliosevero.blogspot.com.br/2010/03/farsa-integral-de-ariovaldo-ramos.html

Limites e Liberdades de “zoar”

O cristão é possuidor de uma alegria indescritível, pois ele possui aquilo que mais importa durante o percurso de qualquer ser humano aqui na terra: a paz de Deus; a amizade de Deus; a satisfação da Justiça e ira de Deus; a salvação em Cristo Jesus; e a ação do Espirito Santo, confortando e trazendo segurança à alma. Por isso ele tem os motivos mais nobres e importantes para sorrir, brincar, se divertir e aproveitar a vida da melhor forma possível. Em tudo, porém, deve fazer tudo para a glória de Deus (1 Co 10.31).

No entanto, nos dias atuais, muitos cristãos, movidos por esta segurança e alegria, não param para pensar sobre até que ponto vai a sua liberdade em “zoar” ou tirar “brincadeiras” com o seu semelhante. Será que a Bíblia tem algo a dizer sobre este assunto? Abaixo traremos alguns princípios bíblicos para nortear o nosso comportamento neste aspecto e estabelecer limites à nossa tendência para o humor mórbido.

1. CUIDADO PARA NÃO SER UM ENGANADOR
Provérbios é um livro que apresenta conselhos importantíssimos para uma vida sábia. Em Provérbios 26:18-19, a bíblia diz: “Como o louco que lança fogo, flechas e morte, assim é o homem que engana a seu próximo e diz: Fiz isso por brincadeira”. Este conselho nos ajuda a zelarmos por relacionamentos sadios. Ele apresenta uma pessoa que promove desordem social por meio do engano e o compara com um louco. O personagem ilustrado, tudo que faz, o faz de forma velada, com uma má intenção, mas a oculta dizendo que fez tal ação “por brincadeira”. Bruce K. Waltke (2011) chama a atenção para o fato que o texto fala de alguém que diverte-se em meio a uma “distorção inesperada” e que o verbo enganar mostra que o brincalhão tem a intensão de “prejudicar o seu vizinho”. Para o brincalhão, o praticar maldade é divertimento, tornando-se assim um insensato (Pv 10.23). Este versículo sempre cativou a minha atenção, pois sempre que eu fazia alguma coisa e dizia “foi brincadeira”, ele vinha em meu pensamento e de imediato eu refletia sobre tal ação ou palavra que havia dito, pois as vezes, minhas brincadeiras, sem que eu percebesse, acabavam por maltratar alguma pessoa. Portanto, tome cuidado com brincadeiras que enganam o próximo e o prejudica. Pense como está o seu “fiz por brincadeira”.

2. NÃO OFENDA, ESCANDALIZE, ENFRAQUEÇA OU FAÇA TROPEÇAR ALGUM IRMÃO
A Bíblia nos ensina que possuímos liberdade. Mas essa liberdade só existe até onde não ofendemos, escandalizamos, enfraquecemos ou fazemos tropeçar um irmão. Fazer isso é pecar contra Deus, que é vingador de seu povo (1 Ts 4.6). Jesus nos ensina em Mateus 5.22 que “quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo”. Logo, insultar um irmão é pecado e todo pecado sujeita-nos ao inferno (graças a Deus que Cristo é nosso redentor). Em Romanos 10.21 Paulo nos instrui que “É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa com que teu irmão venha a tropeçar [ou se ofender ou se enfraquecer].” Aos coríntios, disse “se a comida serve de escândalo a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que não venha a escandalizá-lo” (1 Co 8.13). O limite de nossas brincadeiras, palavras e atitudes, esbarra no limite do nosso irmão em Cristo. E tal como Paulo, se algo fere a consciência de alguém, nunca mais façamos.

3. NÃO BRINQUE COM O NOME DE DEUS
Deus disse “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão” (Êxodo 20:7). Muitas vezes nós cristãos não atentamos para a preciosidade desse texto. Mesmo sendo um mandamento atrelado ao antigo testamento, o principio extraído desta passagem contínua válido. No terceiro mandamento, não tomar o nome do Senhor em vão, é não banaliza-lo, não torna-lo vulgar, pois o que está em questão não é apenas o seu nome, mas sim a sua natureza e atributos. Por isso ao usar o nome de Deus, temos que ter certeza de que o que iremos falar dá o devido reconhecimento de Deus em todo seu ser. Sendo assim, devemos fazer conforme Jesus nos ensina na oração do Pai-Nosso, e orar “santificado seja o teu nome” (Mt 6.9). Isso quer dizer que “nós santificamos Seu nome quando honramos algum aspecto de Seu caráter” (BOICE 2011, p. 201). Será que temos honrado a Deus por meio de nossos comportamento, de nossas palavras? Lembre-se que o nome de Deus não é motivo para piada e deve ser honrado em atitudes e palavras.

4. NÃO BRINQUE COM O ENGANO NA IGREJA DE CRISTO
Uma das causas que tem levado muitos rirem e brincarem dentre o povo cristão, são os erros e heresias na Igreja de Cristo. Conquanto para muitos pareça algo engraçado, Jesus não acharia graça. Houve uma ocasião que Jesus, passando pela cidade, chora sobre Jerusalém. A bíblia diz que “quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar. E disse: ‘Se tu também compreendesses hoje o que te pode trazer a paz!’”. Ele, quando observou a incredulidade do povo de Jerusalém, não achou nisso motivo para graça, mas sim para choro. Se ao menos eles compreendessem!, lamentou Jesus. Isto porque aquelas pessoas não davam ouvidos à sua mensagem. “Jerusalém, Jerusalém, quantas vezes eu quis juntar o teu povo como uma galinha junta os seus pintinhos debaixo das suas asas e você não quis!”, disse Ele.

Jesus não foi o único a ter dor no coração ao se preocupar com a incredulidade dos outros. Paulo em certa ocasião disse que possuía grande tristeza e incessante dor no coração por causa da incredulidade dos judeus (Rm 9.2). Aos gálatas ele diz que sentia dores de parto (Gl 4.19) pelos irmãos que haviam se desviado do caminho. Aos coríntios, ele expressa a preocupação com eles, possuído de angústia no coração (2 Co 2:4). Aos colossenses, ele menciona a grande luta em sua alma por causa dos irmãos (Cl 2.1) que estavam expostos a falsos ensinos (Cl 2.8). O exemplo que a bíblia nos ensina diante do falso ensino e heresia na igreja não é fazer disso motivo de riso e chacota, mas sim de choro e preocupação. Afinal de contas, a igreja de Cristo vale o Seu sangue.

5. FALE UNICAMENTE O QUE FOR PARA A EDIFICAÇÃO
O apóstolo Paulo em sua carta aos Efésios nos instrui: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem. E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção. Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia sejam tiradas dentre vós, antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo”. (Efésios 4:29-32 NVI). Neste texto o apóstolo traz uma exortação para que os nascidos em Cristo procedam de forma diferente da sua antiga natureza. Em primeiro lugar, ele fala acerca de pessoas que falam palavras torpes, ou seja, palavras impróprias, podres, corruptoras, perversiva e injuriosas (HENDRIKSEN, 2004) que produzem embaraços, destruição. Enquanto cristãos, nossas palavras, por mais simples que sejam, devem produzir edificação, estar de acordo com a necessidade, e transmitir graça a todos que ouvem. Ou seja, é preciso que as conversas gerem benefícios espirituais. A forma de combater tais palavras é seguir o fruto do Espírito (Gl 5:22) e viver conforme Filipenses 4:8, que diz “Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas”.

Paulo ainda fala que tais comportamentos entristecem a parte mais interessada em nós, o Espírito Santo (Ef 4.30). Depois de falar de entristecer o Espírito Santo, ele volta para os pecados da língua. Desta feita ele menciona seis elementos: a) Toda a amargura, diz respeito à língua afiada como uma navalha, vinculada a pessoa que guarda algum rancor ou ressentimento contra o próximo, estando sempre pronto a dar resposta que o fere, b) ira, é o ser dominado pela indignação, deixando o coração explodir desgrenhadamente c) cólera, é um intenso antagonismo, expresso por réplicas saturadas de paixão, indicando assim homicídio em potencial (Mt 5.21,22) d) gritaria, são pessoas que perdem o seu controle e passam agredir outros por meio de gritos e) blasfêmia ou maledicência, é o uso exagerado da língua com intensão de ferir outrem f) malícia, é a perversidade do pensamento voltado para injuriar ao próximo ou causar-lhe prejuízo. Paulo conclui dizendo que todas estas coisas “sejam tiradas dentre vós, antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (v. 31,32).

Que sejamos santos em todo o nosso proceder, conforme Deus é santo (1 Pe 1:16). “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1 Co 10:31).

REFERÊNCIAS

BOICE, James Montgomery. Fundamentos da fé cristã: um manual de teologia ao alcance de todos. Rio de Janeiro: Centra Gospel, 2011.
HENDRIKSEN, William. Exposição de filipenses. In: Comentário do novo testamento: exposição de efésios e exposição de filipenses. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2 ed. 2004.
WALTEKE, Bruce K. Comentário do Antigo Testamento: provérbios vol. 02. São Paulo: Cultura Cristã, 2011.

Otniel Cabral Ramos

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Luiz Augusto Medeiros

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Arrependimento é necessário!

O evangelicalismo atual tem tirado muitas doutrinas fundamentais para a fé cristã dos púlpitos das igrejas.  Com o intuito de se agradar ao ouvinte, termina-se ferindo a pregação genuína do verdadeiro evangelho e mutilando as verdades fundamentais. Entre elas, a doutrina esquecida entre os pastores é a do arrependimento. A rejeição dessa doutrina é resumida muito bem em uma frase do Rev. Josemar Bessa: O que queremos é pecar sem culpa, e então criamos uma nação de vítimas. As pessoas não querem se se sentir culpadas diante de seus pecados, e tentam apagar sua culpa, tentam jogar no lixo essa doutrina fundamental. Portanto, decidi trazer um trecho de um livro do puritano Thomas Watson em que ele fala sobre como o arrependimento é necessário. Segue o texto:

Humilhemo-nos profundamente e lamentemo-nos diante do Senhor pelo pecado original. Perdemos aquela “quintessencial” disposição de alma que uma vez tivemos. A nossa natureza está viciada na corrupção. O pecado original difundiu-se como um veneno no homem todo, como a alcachofra de Jerusalém que, onde quer que for plantada, logo infesta o terreno. Não há natureza alguma no inferno pior que a nossa. Os corações dos melhores seres humanos são como o lençol no qual havia muitos répteis imundos (atos 10:12). É preciso ter toda a cautela possível com essa corrupção primitiva, porque nunca estamos livres dela. É como uma fonte subterrânea que, embora não se possa ver, todavia ainda flui. Poderíamos deter os impulsos para o pecado se pudéssemos deter as pulsações vitais do nosso corpo.

Esta depravação ingênita nos retarda e nos tolhe naquilo que é espiritual: “não faço o bem que quero” (Romanos 7:19). O pecado original pode ser comparado com o peixe de que fala Plínio, uma lampareia marinha que se gruda aos montes no casco dos navios e dificulta sua largada quando içam velas. O pecado também se pendura em nós e com seu peso nos faz ir muito devagar para o céu. Ó, essa aderência ao pecado! Paulo sacudiu a víbora que se pendurou em sua mão e a lançou no fogo (Atos 28:5), mas nesta existência não podemos sacudir a corrupção original e lança-la fora. O pecado não vem alojar-se em nós por uma noite, mas vem como morador permanente: “o pecado que habita em mim” (Romanos 7:17). Ele fica conosco como se fosse com ares, ainda assim leva a febre dentro de si. O pecado original é inesgotável. Não se pode esvaziar este oceano. Ainda que se gaste todo o estoque de pecado, ele não diminui nem um pouco. Quanto mais pecamos, mais somos do pecado. O pecado é como o azeite da viúva que aumentava à medida que era vertido.

Outra cunha que parte os nossos corações é que o pecado original se mistura com os próprios hábitos de graça. Isso explica por que os nossos movimentos em nossa marcha para o céu são tão lerdos e frouxos. Por que a fé não age mais forte ou agilmente senão porque calça os tamancos dos sentimentos – um verdadeiro estorvo! Por que o amor a Deus não se inflama com maior pureza senão porque é dificultado pela luxúria? O pecado original incorpora-se em nossas graças. Pulmões enfermos causam asma ou respiração curta, como també o pecado original, tendo infeccionado o nosso coração, faz com que as nossas graças respirem debilmente. Dessa forma vemos o que em nosso pecado original, pode fazer brotar nossas lágrimas.

Em particular, lamentemos a corrupção da nossa vontade e dos nossos sentimentos. Choremos a corrupção da vontade e dos nossos sentimentos.  A vontade, não seguindo o ditame da reta razão, é induzida ao mal. A vontade não gosta de Deus, não no que Ele é bom, mas no que Ele é santo. Ela O afronta com contumácia: “certamente cumpriremos toda a palvra que saiu da nossa boca, queimando incenso à rainha dos céus” (Jeremias 44:17). A maior ferida causada pelo pecado foi feita em nossa vontade.

Lamentemos os extravios dos nossos sentimentos. Eles são desviados do seu objetivo próprio. Os sentimentos como setas mal lançadas, atingem um ponto próximo do alvo. No princípio, os nossos sentimentos eram asas que nos faziam voar para Deus; agora são pesos que nos puxam para longe dEle.

Lamentemos a inclinação dos nossos sentimentos. O nosso amor é posto no pecado, a nossa alegria, na criatura. Os nossos sentimentos, como certas aves bonitas da Inglaterra, alimentam-se de esterco. Com que justiça o destempero dos nossos sentimentos podem ter um papel na cena da nossa tristeza? Por nos mesmos já estamos caindo no inferno, e os nossos sentimentos nos atiram lá.

Tenhamos em mente os pecados concretos. Destes posso eu dizer: “Quem pode entender os próprios erros?” (Salmo 19:12). Eles são como átomos no sol, como chispas de uma fornalha. Temos pecado com os nossos olhos; eles têm sido postigos que deixam entrar a vaidade. Temos pecado com nossas línguas; elas têm se inflamado de paixão. Que ato procede de nós no qual não descobrimos algum pecado? Não há como contar nossos pecados, pois seria como contar as gotas do oceano. Tratemos de arrepender-nos seriamente dos nossos pecados fatuais diante do Senhor.

Watson, Thomas. A Doutrina do Arrependimento. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 2012, p. 98-101.

Lucas Dantas

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ATRAÇÃO PELO MESMO SEXO E A ESPERA POR MUDANÇA

Poucos conceitos são mais estranhos à nossa cultura do que esperar. Hoje você pode tirar uma foto de um cheque com o seu celular e depositá-lo instantaneamente na sua conta bancária sem sair do seu lugar. “Instante” parece que se tornou o novo “relativamente rápido”.
Isso tem sido ressaltado em minha própria vida ao lutar com a questão da mudança em relação à minha atração pelo mesmo sexo. Quando eu comecei a me aconselhar a alguns anos atrás eu pensei que se eu seguisse uma série de passos prescritos então as minhas atrações iriam mudar de homens para mulheres. Contudo, após sete anos de trabalho duro, eu comecei a ficar desiludido e depressivo porque aquilo não acontecia. Por que a mudança não estava acontecendo como eu achei que aconteceria?
Até que um dia isso me pegou. Eu percebi que a heterossexualidade não é o meu objetivo final – a santidade é. E a minha santidade não depende, em última análise da transformação das minhas atrações. Uma vez que isso ficou claro, eu comecei a ver a mudança de forma diferente.
Mudança não prometida
A transformação da minha orientação é o tipo de mudança que não é garantida nessa vida. Deus nunca me prometeu que Ele removeria a minha atração pelo mesmo sexo. Eu sou lembrado de Paulo orando três vezes ao Senhor em 2 Coríntios 2 12 para que o seu espinho na carne fosse retirado. E qual é a resposta de Deus? “A minha graça te basta” (2 Coríntios 12.9). Deus decide quais os espinhos permanecem e quais ele removerá, para a sua glória. Embora a atração pelo mesmo sexo seja um espinho particularmente doloroso de se carregar, eu não tenho nenhuma garantia de uma forma ou de outra.

De fato, prometer mudança de orientação pode ser bastante maléfico. Na realidade, não há uma receita de passos prescritos que definitivamente irão levar à reversão na atração e esse tipo de pensamento pode fazer da mudança de orientação um ídolo que deve ser alcançado ou tudo está perdido. Se a minha esperança está baseada apenas em me tornar heterossexual então eu não teria nenhuma razão para ter esperança.
A mudança garantida
Contudo, não cometa erros, a mudança é garantida. O que acontece quando eu destrono a heterossexualidade como o meu objetivo final e a substituo por santidade? O que acontece quando eu recorro a Jesus, confio nas promessas de sua palavra e luto a batalha da fé pelo Espírito? Eu mudo! Esse lento (geralmente doloroso) processo é chamado de santificação e é um tipo de mudança que é inevitável para todos os verdadeiros cristãos.

E aqui está algo: a minha santificação aqui na terra pode ou não incluir uma mudança nas minhas atrações. Em me conformar à imagem de Cristo, Deus pode ver como adequado não mudar a minha orientação até o dia em que eu morrer, pelo propósito da minha santificação final. A minha atração pelo mesmo sexo pode ser um dos “espinhos” que Ele deixou para aumentar a minha fé e demonstrar o seu poder e graça em minha vida.
Gemendo, Aguardando, Tendo Esperança
Isso é o que consiste esperar. Eu quero ser “concertado” agora, para parar de guerrear contra a minha carne e me tornar como Cristo. A espera é muito dura! Ainda bem que a Bíblia me ensina como lidar com a espera. Ao experimentar os gemidos nesse corpo, eu tenho grandes motives para ter esperança.
Eu tenho esperança na minha adoção completa e final como um filho de Deus, a qual inclui a redenção do meu corpo (Romanos 8.23) e preciso de esperança porque isso ainda não está aqui. Além do mais, “esperança que se vê (presente agora mesmo, imediatamente, instantaneamente), não é esperança. Pois quem espera por aquilo que vê?” (Romanos 8.24).

Ao invés de “me conserte agora”, a Bíblia me dá isso: “Mas se esperamos o que ainda não vemos, aguardamo-lo pacientemente.”(Romanos 8:25). Não importa quão precisamente eu sinta o meu corpo quebrado e a minha já, mas ainda não adoção como filho de Deus através de Cristo, eu tenho que esperar pela minha redenção completa com paciência – mesmo quando eu posso fazer um depósito bancário do meu celular. Ao discutir a promessa vazia da mudança de orientação, Wesley Hill, que experimenta atração pelo mesmo sexo, afirma que: “É suficiente dizer , eu creio, que o verdadeiro risco espiritual e teológico desse tipo de discurso de “vida cristã vitoriosa” é evitar o estado de ‘está no caminho’. É uma expectativa de que o reino de Deus em sua plenitude deveria está aqui agora, sem termos que suportar o seu lento, misterioso e paradoxal desdobramento até o retorno de Cristo.” Assim, ao invés de tirar uma foto do meu cheque, eu preciso está contente em está no carro “a caminho” do banco.

A espera vale a pena
Acredite em mim, é realmente difícil, mas a realidade é que é “a caminho” que eu experimento Deus. Por enquanto, é na dor e no gemido, na luta por contentamento, que Deus revela a si mesmo e me transforma, arranca todos os meus ídolos, me dá mais dele e me prepara para uma eternidade de contentamento nele e sem dor.
É no banco de carona do carro que eu vejo a beleza da estrada, as montanhas majestosas e o extasiante pôr do sol que eu não teria visto se eu houvesse sido magicamente transportado para o meu destino final, e que destino final de tirar o fôlego que será. É na espera que eu sou santificado, conformado à imagem de Jesus e mortificado para me deleitar nele quando eu o ver face a face ( 2 Coríntios 3.18).

A minha orientação pode não mudar nessa vida, mas a santificação completa está a caminho (1 Tessalonicenses 5.23-24). Ainda não está aqui. Mas eu acho que eu posso esperar por ela.

Nick Roen

(Desiring God)

(Tradução: Igor Sabino)

A EPIDEMIA MASCULINA GENERALIZADA DE ÓDIO AO CORPO

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“Se eu parecesse com aquele cara que faz Thor, eu seria feliz.”

Essa é uma crença comum entre os homens da nossa geração. Posto de maneira mais honesta: “Se eu não consigo aparentar ser confiante, sexy, intimidante, competente e super humano, eu sou inútil.”

Nós nos comparamos aos outros na academia. Nós saímos do cinema querendo nos exercitar por oito horas. Nós preferíamos nos lançar embaixo de um caminhão a termos que tirar a camisa na piscina. Nós nos sentimos patéticos e pequenos. Nós nos olhamos em praticamente todo espelho pelo qual passarmos em frente. Quando estamos sozinhos, nos flexionamos – não porque gostamos do que vemos, mas porque não gostamos. Nós temos gastado centenas de reais em pré-treino, perda de peso e suplementos de ganho de peso. Nós procuramos a melhor forma de ganhar massa, definir o corpo, fazer dieta e entrar em forma.

Aspectos do ódio masculino ao corpo

Saúde não é a questão aqui. Há um grande abismo entre ser saudável e se encaixar no ideal da nossa cultura de “quente”. E esse espaço fornece toda e qualquer razão para um homem odiar o seu corpo.

Um homem que odeia o seu corpo está na verdade buscando amor – uma busca fundamentalmente relacionada à intimidade consigo mesmo na forma de autoconfiança, intimidade com o sexo oposto ao ser sexy, intimidade com o mesmo sexo em intimidação ou aceitação, intimidade com autoridade em competência e ultimamente intimidade com Deus ao aparentar ser digno. A mentira é que o desempenho oferece todas essas intimidades – isso, na verdade, é tolice. Contudo, esse é o caminho que escolhemos.

O ódio de um homem pelo seu corpo se materializa em termos de cinco relacionamentos porque ele está buscando intimidade em cada um desses relacionamentos.

  1. Para nós mesmos, queremos ser confiantes

Nós queremos amar a nós mesmos – olhar no espelho e pensar: “Eu pareço maravilhoso.” Nós olhamos – “Eu estou gordo aqui, pequeno ali, estranho ali” – e isso nos destrói emocionalmente. Nós queremos confiança. Confiança baseada na imagem do corpo se relaciona à intimidade de uma forma especial. Se nós já fomos rejeitados, nós queremos confiança para dizer, “Eles estão errados por me rejeitar.” Nós buscamos autoconfiança para que possamos reverter a nossa experiência de rejeição se e quando ela ocorre. Isso transforma o amor próprio em ódio próprio. É uma dialética de auto-elogio excessivo em nosso progresso e depois automutilação emocional para os nossos fracassos. Ao nos amarmos, somos capazes de destruir a rejeição e os conceitos errôneos. E nós esperamos encontrar intimidade ao final – no sexto pacote.

  1. Para o sexo oposto, queremos ser sexy.

Nós queremos que as mulheres nos amem. Nós queremos passar perto das mulheres e tê-las pensando: “Ele é tão sexy.” Nós queremos que as mulheres nos desejem. Nós ouvimos mulheres, até mesmo mulheres cristãs, falando que querem se casar com Channing Tatum ou Zac Efron. Se isso faz sentido ou não, nós compramos a idéia de que até mesmos as mulheres cristãs querem um homem que tenha certo tipo de musculatura – não “musculoso” ou “grande”, mas “sarado” – com várias partes do corpo definidas. Nós queremos ser capazes de seduzir, de sermos atraentes, abraçar aquilo que a mídia vende como “sexy”. Isso é uma obsessão e se torna um ideal de vida. Então eu saio para correr. Eu volto para casa e corro de novo. Que tipo de comportamento ganha o adjetivo de “sexy”? “Certamente outra corrida, outra série de exercícios. Eu ainda sou sexy?” Nós não falamos sobre isso – Cristãos nem mesmo conversam sobre isso – mas isso nos motiva.

  1. Para os nossos colegas, queremos parecer intimidador

Nós somos instintivamente competitivos. Nós queremos ser os maiores, os mais intimidadores se comparado com outros homens. Isso pode ser reduzido a se comparar com outro cara, mas pode ter resultados tão vastos como “Eu sou maravilhoso” e “Eu sou inútil”. Nós queremos saber se eu posso roubar a mulher daquele cara, bater nele, e eu quero que ele saiba disso também. E se eu sinto que outro cara pode fazer isso comigo, eu vou para a academia. Eu procuro comprar um suplemento na internet. Muitos de nós só fazemos isso a fim de simplesmente decidirmos ser aceitos como parte de um grupo.

  1. Para os nossos pais, nós queremos ser competentes.

O olhar de desaprovação de um pai é um modo infalível de ajudar um homem a odiar o seu próprio corpo. Quando eu tinha 13 anos, meu pai, em sua sabedoria dominante, olhou para mim e disse: “Garotas gostam de músculos grandes.” Fim da história. Pelos próximos dez anos: diversas séries de exercícios de musculação duas vezes por semana ao final de cada expediente do trabalho. Nós olhamos para homens mais velhos e achamos que nós precisamos corresponder – a fim de compensar em nosso corpo o que sabemos que não temos no espírito e na mente. Nós queremos saber, “Eu posso substituir você aqui na terra quando você for. Eu posso segurar esse bastão. Eu sou forte, assim como você. Por favor, me diga que eu sou forte, como você?

  1. Para Deus, nós queremos ser super-humanos

Toda representação de Deus ou de homens piedosos na história da arte é sarada. A estátua de Davi. A criação de Adão. Até mesmo Jesus tem músculos, um cabelo jovial. Que lugar os 18% ou 25% dos caras gordos tem na história de Deus? E quanto ao magricela, esquelético? Nem eles se encaixam na grande história de Deus – pelo menos não como a arte a representa. Assim, muitos homens tem recebido uma mensagem estética tanto da história cristã quanto da retórica cultural: “A senha secreta para o nosso amor é ser como Deus em nosso corpo.” Então, claro, nós gastamos uma fortuna, horas e energia que nem temos para conseguir ganhar um amor que na verdade não é amor e sim um ciclo de morte (Provérbios 16.25-26).

Redimindo homens que odeiam os seus corpos

Deus tem algo para oferecer a cada aspecto do ódio masculino pelo seu corpo e ele faz isso através de cinco esferas relacionais desse ódio próprio. Cada dom que Deus oferece é uma forma de intimidade tanto com Deus quanto com o ser humano através do que ele o oferece.

  1. Através de nós mesmos, Deus oferece os corpos que nós temos

A imagem de Deus não reside apenas na alma. O corpo carrega a imagem (Gênesis 1.26-28; 2.7) e, portanto, desde que nem todos os tipos de corpo correspondem ao ideal da Billboard, Deus expressa o seu deleite aprovador sobre a nossa natureza diversa. Não importa os diversos tipos corpóreos, eles expressam igualmente a glória de Deus e trazem a Ele deleite. Se você ouvir qualquer coisa, ouça isso: Você está bem. Deus não se importa com a aparência do homem (1 Samuel 16.7).

  1. Do sexo oposto, Deus oferece perspectiva

Caras, nos lembremos de algumas coisas. Primeiro, alimentar o desejo por atenção feminina é alimentar adultério futuro. Você está disponível sexualmente para todo mundo. Paulo adverte às mulheres que se “vistam modestamente, com decência e discrição, não se adornando com tranças, nem ouro, nem pérolas, nem roupas caras” (1 Timóteo 2:9). Isso vale para nós também. Os caras muitas vezes tem ficado de fora disso. Nós não usamos calças de yoga (espera-se), mas nós somos tentados a usar calças apertadas e camisetas sem mangas. É chegada a hora de obtermos padrões mais elevados.

Em segundo lugar, mulheres que são conquistadas apenas pela musculatura são inconstantes. Elas existem, mas “os seus passos levam diretamente à morte” (Porvérbios 5.5). Além disso, odiar o corpo de alguém é comprar a mentira de que os passos que levam à vida, quando com uma mulher como essa, nós “andamos por caminhos tortuosos e não enxergamos a vereda da vida” (Provérbios 5.6).

Em terceiro lugar, as mulheres que os homens solteiros estão tentando atrair são a imagem de Deus também. Deus nos chama para amá-lo com seu coração, alma e mente (Mateus 22.37). Uma mulher crescendo na imagem de Cristo, enquanto certamente desejando ser fisicamente atraente para o seu marido, irá definir a sua atração em termos da totalidade dele. Além disso, nós comunicamos às mulheres ao nosso redor como nós vemos os seus corpos pela forma como nós vemos os nossos próprios corpos.

  1. Através dos amigos, ele oferece serviço.

Como homens, nós nos classificamos a nós mesmos. A metáfora do guerreiro é intuitiva para nós. Submeter-se é perder. É sair fora. Quando nos submetemos, nós confiscamos a nossa masculinidade, ou pelo menos é o que pensamos.

Não. O caminhos de Cristo é “não façam nada por rivalidade ou interesse, mas em humildade considere os outros mais do que a vocês mesmos” (Filipenses 2.3). Isso não é um mandamento para “ser humilde.” Isso é um mandamento para ser íntimo. Para olhar outro cara e pensar: “Ele é maior, mais forte, tem uma aparência melhor, é mais engraçado e atrativo do que eu” é uma experiência assustadora. No entanto, quando um homem me diz algo que ele aprecia sobre mim, eu sinto uma grande sensação de segurança e amor. É assim que Deus se relaciona conosco em pontos de tensão – com paciência e lembretes de bondade (Romanos 2: 4). Temos a oportunidade de fazer o mesmo para os outros homens – para ser lugares seguros e não competitivos para eles.

  1. Através dos pais, ele oferece empoderamento.

Os pais têm o poder de amargurar os seus filhos, e Deus proíbe isso (Efésios 6: 4). A partir de homens mais velhos, devemos, supostamente, aprender a crescer. Aprendemos que estamos bem quando falhamos. Aprendemos que o ideal físico é inatingível (Provérbios 16:31).

Dos dois homens mais velhos que me habilitaram a me sentir mais competente e confiante na minha vida, nenhum dos dois é o meu pai, um pesa 55 kg e o outro tem uma barriga saliente. Eles demonstram a mim o que a piedade parece quando a Marvel não iria lançar você como Thor. E eles modelam casamentos incríveis sem o nível do modelo de atratividade. A maior intimidade que um pai (ou figura paterna) pode dar a nós é o fortalecimento da paz, para que “tenham acesso em um só Espírito ao Pai” (Efésios 2:18). Pais são destinadas a fornecer capacitação divina, e Deus como Pai faz o mesmo (Efésios 3: 14-16).

  1. Através do seu filho, nós recebemos amor.

Um pacote de seis não desempenha nenhum papel no amor de Deus para você. Você está sendo conformado com o ideal físico cultural muda o amor de Deus por você em exatamente 0%.

Nós somos flagelados com uma imagem corporal negativa porque sentimos os olhos exigentes de umDeus deísta e desaprovador. Acreditamos que Deus não retém nenhuma coisa boa aos que andam [e correm e fazem dieta e se exercitam] irrepreensivelmente (Salmo 84:11). Felizmente, o caminhante irrepreensível nos dá presentes do Pai, apesar de estarmos mal [e inconsistente e indulgente e com preguiça] (Mateus 7:11).

Seja qual for a mordomia saudável do corpo parece, é mais saudável quando ocorre no contexto da aceitação segura e amorosa de Deus, que é o que dá, inventou, e ordena o romance, a autoridade, e a amizade. E Deus não é o recompensador do saradão, do sexy e do body build. “É em vão que você se levantem cedo [na academia, na trilha, na esteira] e fiquem até tarde [em fóruns de musculação, no GNC, na academia de novo], labutando por comida para comer [e pré-treinos, pós-treinos, ciclos de creatina] – Pois Deus dá aos seus amados enquanto dormem “(Salmo 127: 2).

Você não tem que parar de malhar ou fazer dieta ou suplementação. E talvez você deva começar a fazer dieta e exercício. Esta não é uma repreensão em qualquer direção. É um convite à perspectiva e intimidade – com nós mesmos, com o sexo oposto, com o mesmo sexo, autoridades, e Deus. O amor é melhor do que a proteína (Provérbios 15:17). Em seu amor abundante, Deus se deleita em tudo sobre você, inclusive seu corpo. Lembremo-nos do que estamos realmente tentando fazer, e vamos buscar o amor de Deus e ao próximo de maneira que nunca pode ser alcançada através da adoração ou ódio aos nossos corpos.

Paul Maxwell

Texto traduzido por: Igor Sabino

Facebook: https://www.facebook.com/igorhsabino

Publicado Originalmente em: http://www.desiringgod.org/articles/the-epidemic-of-male-body-hatred

Jesus e as nações: O verdadeiro Natal

“Contudo, não haverá mais escuridão para os que estavam aflitos. No passado ele humilhou a terra de Zebulom e de Naftali, mas no futuro honrará a Galiléia dos gentios, o caminho do mar, junto ao Jordão. O povo que caminhava em trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz.” (Isaías 9:1-2)

Hoje é véspera de Natal e essa sem dúvidas é uma das épocas do ano em que mais gosto, principalmente depois que consegui compreender de forma plena o que realmente significa essa data. Desde criança eu fui cristão e sempre soube que papai Noel não existia, bem como que o nascimento de Jesus é que era o verdadeiro significado do Natal. Mas confesso que mesmo sabendo de tudo isso, quando criança, uma das coisas que mais me faziam gostar do Natal era esperar para receber os presentes que eu ganharia dos meus pais e amigos.

Quando cresci e passei a estudar um pouco mais de teologia, logo passei a questionar o significado teológico do natal e se nós realmente deveríamos comemorar tal data. Inicialmente, quando eu era pentecostal (não sei porquê, mas muitos dizem que eu ainda sou, rsrs), logo encontrei uma série de “mensagens subliminares” nos principais símbolos natalinos. O papai Noel e seus duendes logo viraram símbolos demoníacos e não havia razão nem para montarmos árvores de natal ou fazermos decorações natalinas em nossa casa. Minha mãe chegou até mesmo a passar um bom tempo sem fazer isso.

Depois, quando passei a estudar teologia reformada travei um novo embate com relação ao Natal. O Natal é mesmo uma festa cristã ou é uma festa pagã? É correto haver culto de Natal? E quanto à realização de presépios? Enfim, todo esse tipo de discussão que é comum entre os círculos “reformados” nas redes sociais.

Sinceramente, com todo respeito, mas acredito que todos esses debates são inúteis. No último Natal, ao pensar sobre isso, me dei conta que ao me preocupar com eles eu nunca havia de fato celebrado o verdadeiro sentido do Natal e todas as implicações que ele deveria ter para nós cristãos.

Sou quase um graduado em Relações Internacionais e a minha linha de pesquisa acadêmica é a perseguição aos cristãos no Oriente Médio. Em minhas pesquisas, percebi que durante o período do Natal a perseguição aos cristãos tende a se acentuar  ao redor do mundo inteiro, despertando ainda mais ódio nos Estados e outros atores políticos hostis ao Cristianismo. É geralmente nesse período em que as políticas de repressão aos cristãos na China aumenta, bem como os ataques de grupos terroristas islâmicos a igrejas na África e no Oriente Médio.

 Ano passado, foi durante o Natal que uma igreja foi bombardeada no Paquistão, deixando milhares de mortos. Em 2012, o Boko Haram, grupo extremista islâmico, realizou uma série de ataques contra igrejas e vilas cristãs por toda a Nigéria. Em 2011 no Egito, outra igreja também foi bombardeada uma semana após o Natal, na véspera de ano novo.

Todos esses eventos me fizeram questionar o que o Natal realmente significa e  inevitavelmente fui levado a refletir sobre o texto de Isaías 9 sobre o nascimento do Príncipe da Paz. Esse texto é muito conhecido e geralmente é citado agora nesse período de Natal. Eu sempre recorria a ele ao saber de tragédias como essas que tem ocorrido aos cristãos do Oriente Médio. Mas ainda não havia reparado o seu significado tão especial, sobretudo no Natal e tendo em vista esses acontecimentos recentes.

Logo no primeiro versículo o profeta Isaías afirma que um território específico de Israel que estava em grande aflição e que durante muitos anos havia sido desprezada iria ver grande luz e que essa luz tornaria glorioso o caminho do mar, além do Jordão, na Galileia dos gentios. Ou seja, esse texto é uma profecia sobre o nascimento de Jesus e foi exatamente na Galileia em que Jesus viveu e desempenhou grande parte do seu ministério, como nos mostra Mateus 4.12-17.

É no fato de Jesus ter vindo ao mundo e desempenhado o seu ministério na Galileia, junto aos gentios em que encontro o verdadeiro significado do Natal.

No Antigo Testamento a salvação era praticamente exclusiva ao povo judeu, mas ainda assim Deus já usava os seus profetas como Isaías para anunciar o seu plano de extender a salvação a todas as nações da terra e isso só poderia acontecer através de Jesus. Esse é o verdadeiro Natal. É Jesus vindo ao mundo para trazer a esperança da salvação a todas as nações. É por isso que Isaías profetiza que Jesus viveria na Galileia, uma região que além de ser perto do mar, continha muito gentios, ou seja, pessoas de outras etnias além dos judeus.

 A palavra “gentios” no hebraico é “goyim”, que no grego é traduzido como “ethne” e é a plavra usada por Jesus ao comissionar os seus discípulos a pregar o Evangelho a todas as nações. Ou seja, desde o início, a razão de Jesus vir ao mundo era para salvar os eleitos de Deus de todas as nações e é isso o que deveria tornar o Natal uma data tão especial para nós. Diante de um ano como esse de 2014 em que vimos tantas coisas horríveis acontecendo nas nações, como os conflitos no Oriente Médio e a epidemia de Ebola na África, podemos, no Natal descansar diante da certeza de que temos um salvador. Temos alguém que realmente é o Príncipe da Paz e pode trazer um fim a todos os problemas da humanidade.

Pensar o significado do Natal como a vinda de Jesus para salvar as nações, além de trazer conforto aos nossos corações diante de tudo o que temos vivido, também deveria nos despertar para desejarmos ainda mais que ele retorne ao mundo outra vez, a fim de restaurar todas as coisas e trazer a paz sem fim. Mas novamente a sua vinda ao mundo está ligada ao destino das nações. Jesus falou em Mateus 24.14 que para que Ele retornasse era necessário que o Evangelho fosse pregado a todas as nações do mundo. Nesse Natal, ainda há cerca de 7.000 povos que nunca ouviram o Evangelho e que por mais um ano não conhecerão o verdadeiro significado do Natal, que é a esperança da vinda de Jesus.

Por isso, que neste Natal, não nos esqueçamos o verdadeiro significado dessa data tão especial. Que sejamos lembrados da vinda de Jesus e seu propósito de salvar as nações. Que isso nos leve a orar e nos solidarizarmos como nossos irmãos que sofrem perseguição ao redor do mundo e que muito provavelmente sofrerão ainda mais nesse Natal, apenas por entenderem que Jesus é o Príncipe da Paz. Ao mesmo tempo, que nesse Natal, ansiemos para que Jesus volte novamente e nos empenhemos em fazer com os 7.000 povos não alcançados também entendam qual é o verdadeiro natal.

Igor Sabino                                                                                                                             https://www.facebook.com/igorhsabino

O QUE A BÍBLIA FALA SOBRE A PROPRIEDADE

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O oitavo mandamento é “não furtarás” (Ex. 20.15). Apesar de ser uma frase simples e clara, ela envolve um grande número de questões que um leitor desatento pode não reparar ou simplesmente não reflete por achar demasiadamente óbvio. Por isso, gostaria de trazer, de maneira breve, três pontos que julgo importantes envolvendo este mandamento e que fará com que se reflita seus posicionamentos.

Os três pontos são o seguinte: 1) Se algo pode ser roubado, significa ela pertence a alguém; 2) O direito de propriedade não pode ser violado; por fim, 3) A violação da propriedade de alguém é uma atitude que deve ser condenada. Passo então a destacar brevemente algumas questões pontuais sobre isso.

O que é a propriedade?

A propriedade pode ser definida, segundo nos diz Melnik (2009, p.10), como o “direito do dono ou donos, devidamente documentado, formalmente reconhecido pela autoridade pública e  protegido por lei, passível de exploração de ativos, seja material ou imaterial, na exclusão de qualquer outra pessoa e a seu dispor para venda ou de outra forma”. Ou seja, é “qualquer coisa que as pessoas possam usar, controlar ou dispor que legalmente as pertença” (Ibid, p. 8). Ela pode ser algo tangível, como uma casa, carro ou roupa; ou intangível, como direitos autorais, marcas, etc., além de que a propriedade pode ser produtiva ou pessoal. A primeira refere-se àquilo que gera outras propriedades, como a terra. A segunda está relacionada àquilo que é para ser usado, consumido. A propriedade, juntamente com a família e a religião, formam os três pilares da sociedade.

Sobre a violação da propriedade

Respeito pela propriedade alheia é muito importante. O ser humano tem direito possuir, e, possuindo, não pode ser privado por quem quer que seja. Tudo o que alguém possui vem do trabalho, seja dela ou de outrem. Isto é, ela pode ter conseguido pelo fruto de seu trabalho ou pela doação de outras pessoas. A bíblia relata que o trabalhador é digno do seu salário (Lc 10.7), por isso não se pode privar um homem do fruto do seu trabalho, do seu sacrifício pessoal.

A violação desse direito é algo que não deve ser permitido pelo Estado. A propriedade estará devidamente protegida quando seu direito é garantido por meio das leis. É através a aplicação das leis na sociedade que os magistrados poderão garantir que a propriedade não será violada. Assim, o livre comércio entre as pessoas, empresas, e assim por diante, ficam assegurados. Ora, a liberdade para negociar não teria sentido se as pessoas não tiverem seus direitos (à propriedade) assegurados.

Concluindo, como cristãos devemos defender direito à propriedade, que é assegurado pela Bíblia. Devemos cobrar dos nossos magistrados que protejam aquilo que deve ser protegido. Os cristãos devem incentivar o direito a propriedade privada e sua inviolabilidade; devem requerer dos governantes leis que garantam esse direito; devem exigir leis que tornem esse direito constitucional. A violação desse direito deve ser rigorosamente punida, dadas às proporções. Portanto, enquanto cristãos, não podemos aceitar que o Estado, ou ideologias, em momento algum possam retirar dos cidadãos esse direito.

Lucas Dantas

https://www.facebook.com/LucasDantas19

Melnik, S. Liberdade e propriedade. São Paulo: Instituto Friedrich Naumann, dezembro 2009.

MISSÕES E MASTURBAÇÃO

Masturbação é a experiência do orgasmo sexual produzido através de auto-estimulação. Virtualmente todo homem e quase todas as mulheres já tentaram. É prática regular da maioria dos homens solteiros.

Uma das maiores forças que previnem os jovens de obedecerem o chamado de Deus para o serviço vocacional cristão é a derrota na área da luxúria. Um adolescente ouve um desafio de se lançar na causa da evangelização mundial. Ele se sente compelido pelo Espírito Santo. Ele saboreia a emoção de seguir o Rei dos Reis na batalha. Mas ele não obedece porque está se masturbando regularmente. Ele se sente culpado. Ele mal pode imaginar testemunhar para uma garota bonita sobre a condição eterna de sua alma, porque está habituado a olhar garotas nuas em sua imaginação. Então ele se sente indigno e incapaz de obedecer ao chamado de Deus. A Masturbação se torna inimiga de missões.

Masturbação é errado? Deixe-me tratar deste assunto principalmente para homens. Eu não consigo imaginar um orgasmo sexual sem que haja uma imagem sexual na mente. Eu sei que há polução noturna, o que é considerado inocente e útil, mas eu duvido que ela gere orgasmo aparte de um sonho sexual que supra a imagem necessária na mente. Evidentemente Deus constituiu a conexão entre o orgasmo sexual e o pensamento sexual de tal forma que a força e o prazer do orgasmo sejam dependentes dos pensamentos ou imagens em nossas mentes.

Desta forma, para masturbar, é necessário criar pensamentos ou imagens vívidos e excitantes na mente. Isto pode ser feito por pura imaginação ou com imagens, filmes, histórias ou pessoas reais. Estas imagens sempre envolvem a mulher como objeto sexual. Eu uso a palavra “objeto” porque para que uma mulher seja um “sujeito” verdadeiramente sexual na sua imaginação ela deve ser aquela com quem você está experimentando o que está imaginando. O que não é o caso na masturbação.

Então eu voto não para a masturbação. Devem existir outros motivos pelos quais isto é errado. Por agora, eu baseio meu voto no fato inevitável que imagem sexuais acompanham a masturbação e tornam as mulheres em objetos sexuais. Os pensamentos sexuais que permitem a masturbação não ajudam nenhum homem a tratar mulheres com maior respeito. Assim, a masturbação produz culpa real e legítima e permanece no meio do caminho para a obediência.

Três encorajamentos para os homens solteiros:

  1. Você não está sozinho na batalha.
  2. Falha periódica nesta área não te desqualifica para o ministério mais do que falhas com impaciência (o que também é um pecado).
  3. Busque o poder exclusivo de uma nova afeição. Eu caminhei a seção completa dos livros de “fotografia” no Walker Art Center (galeria de artes) na última quinta capacitado pelo prazer maior de sentir Cristo vencendo a tentação de olhar.

Pela causa do Seu poder,

Pastor John Piper

Igor Sabino

https://www.facebook.com/igorhsabino

7 COISAS QUE A SUA IGREJA PRECISA DE VOCÊ

Não muito tempo atrás eu tive a oportunidade de falar a um grupo de jovens de diversas igrejas da nossa cidade. Eu escolhi falar sobre como qualquer cristão (não só os jovens) podem fazer a igreja melhor mais forte. Aqui está alguma das coisas que eu trouxe: 7 coisas que sua igreja precisa de você.

Sua igreja precisa que você…

… Seja humilde

Não existe qualidade mais importante que a humildade. Embora a humildade não venha naturalmente para qualquer um de nós, ela pode ser aprendida, porque aqui está o ponto: humildade não é um sentimento ou uma atitude – é uma ação. Se você quer aprendera humildade, precisa agir humildemente. Aqui vai três dicas rápidas para se tornar humilde:

  • Encontre cristãos maduros que exemplifique a humildade e passe tempo junto deles. Aprenda deles e como ser parecido com eles.
  • Seja voluntário para as tarefas mais simples. Não peça para estar a vista de todos quando estiver servindo, mas se contente em ficar nos bastidores.
  • Conheça a Jesus. Foi Jesus quem disse: “E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado (Mateus 23:12). E foi Jesus quem mais se humilhou e foi o mais exaltado.

… Priorize a Igreja

Toda igreja tem pessoas que dão ao culto publico[1] pouca prioridade. Essas são as pessoas que só vão a igreja quando é conveniente e que usam qualquer desculpa para perder um dia ou um trabalho. Toda igreja precisa desesperadamente de pessoas que façam das reuniões uma prioridade máxima. Hoje é o dia de começar a aumentar a importância da igreja em sua vida.

Deixe-me dar duas razões:

  • Primeiramente, você irá precisar da sua igreja. Deus te fez parte da igreja para seu próprio bem. Você não tem vida em si mesmo. Você não é forte o suficiente, não é sábio o suficiente, não é maduro o suficiente, você não é piedoso o suficiente. Sem os lindos meios ordinários[2]de graça que você encontra na sua igreja, você não conseguiria. Sem a ajuda de seus irmãos e irmãs, você não conseguiria.
  • Em Segundo lugar, sua igreja precisa de você.Deus te fez parte da sua igreja para o bem de outros. I Pedro 4.10 diz, “Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.” Deus te deu um dom para você ser parte da sua igreja, e aqueles dons devem ser usados para o bem de outras pessoas. Então, priorize a igreja como expressão da generosidade para outras pessoas.

…Considere dar um dia a Deus.

Porque você não pensa em reservar um dia inteiro da sua semana e o dedica para Deus de uma maneira especial? Nós acreditamos que a lei do Antigo Testamento foi cumprida em Cristo, embora haja uma discordância entre os cristãos sobre as implicações disso. Mas mesmo que você acredite que a o mandamento do sábado não é mais obrigatório para nós, ainda há algo a aprender com ele.

O domingo muda completamente quando você dá o dia inteiro ao Senhor e ao seu povo. Agora você não está tendo que decidir se vai ou para aquela aula ou se participa daquele grupo que se reúne nos domingos à tarde. Você não está faltando a igreja durante a época de provas porque tem que estudar. Você não está saindo mais cedo para chegar em casa antes do jogo começar.Ao contrário, você está deixando para trás todos os cuidados da vida, e até mesmo muitas alegrias dessa vida e dedicando o dia inteiro para adorar, para a comunhão e para servir aos outros.

… Viva como um cristão durante toda a semana

É fácil demais ser cristão na igreja, mas você chega em casa. Mas você vai trabalhar. Mas você vai pra escola. E então você estará cercado por pessoas agindo de maneira impiedosa, e até pior; você é deixado a sós com seus próprios pensamentos e desejos. Mesmo assim sua igreja precisa de você para viver como um cristão durante toda a semana.

Cada um de nós lida com diferentes desafios e tentações. Mas a chave para viver como cristão durante toda a semana é gastando tempo na Palavra e oração todo dia. Fazendo disso uma prioridade, não importando quão ocupado você está, e não importando o quão louca a vida parece. Faça disso algo que você pratique, não importa o quanto você tenha pecado e quão pouco você queira praticar.Ore dia após dia, não somente por você, mas pela sua igreja. Tome o rol de membros e ore de A a Z, e então recomece. Faça da sua vida devocional algo que é feito não só para seu próprio bem, mas também pelo bem dos outros.

…Conheça pessoas diferentes de você

Igrejas são comunidades involuntárias — nós não escolhemos quem vai para elas, Deus sim. Então nós temos que aprender a viver com essas pessoas e amá-las, mesmo quando eles são muito diferentes de nós.. “Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” (Romanos 12:4-5).Se sua igreja está dividida de modo que os mais jovens saem juntos e todo o pessoal mais velho saem também juntos, ou se todas as pessoas com sotaque sair juntos e todas as pessoas sem sotaques saem juntos, isso faz uma indicação sobre o evangelho – que o evangelho não é grande o suficiente e poderoso o suficiente para realmente fazer as pessoas amarem uns aos outros, mesmo que eles são diferentes.  Então se comprometa a conhecer pessoas diferentes de você. Não há motivos para você não poder dizer que seus melhores e mais chegados (mais próximos) relacionamentos são com pessoas muito diferentes de você.

…Aprenda a generosidade

Poucas coisas mostram [o seu] coração melhor do que o dinheiro. O dinheiro mostra de maneira maravilhosa aquilo que você realmente acredita e valoriza. Não importa quem você é ou que estágio da vida você está, não existe melhor época do que agora para aprender a ser generoso com o seu dinheiro. A Bíblia diz: “Cada um dêconforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria.” Você deve dar, e deve aprender a fazer com alegria.

Aqui vai duas dicas rápidas:

  • Lembre-se de que o dinheiro não é seu. O dinheiro pertence a Deus — ele apenas nos deixa administrar. E ele quer quevocê administre bem e para a glória dele.
  • Dê primeiramente a Deus. Eu conheço pessoas que dizem que eles não podem ofertar para igreja, sendo que eles compraram um celular novo e levam um copo de Starbucks para igreja toda semana. Aprenda a dar as primícias e o melhor do seu dinheiro ao Senhor. Quanto mais difícil parecer, mais você precisa fazer.

…Seja um ótimo membro da Igreja

Torne-se inestimável para sua igreja, e faça isso servindo a outras pessoas. Eu amo ler sobre Dorcas, a mulher que Pedro ressuscitou dos mortos que foi descrita como “que se dedicava a praticar boas obras e dar esmolas” (veja Atos 9). “Pedro foi com eles e, quando chegou, foi levado para o quarto do andar superior. Todas as viúvas o rodearam,chorando e mostrando-lhe os vestidos e outras roupas que Dorcas tinha feito quando ainda estava com elas.” Dorcas era uma ótima membra da Igreja. Ela amava tanto as pessoas, e fez tão bem a elas, que toda a comunidade lamentou (pranteou) quando ela morreu.

Seria assim com você? Será que as pessoas da sua igreja chorariam quando se lembrassem de você por todo o bem que você fez pelos outros? Encontre um local em que você possa servir na sua igreja, e sirva sem vacilar, sem desculpas, sem requerer orações e elogios. Faça isso pelo bem dos outros e para a glória de Deus.

Tim Challies: http://www.challies.com/christian-living/7-things-your-church-needs-from-you

Lucas Dantas.
Facebook: https://www.facebook.com/LucasDantas19

[1] Ou “reuniões públicas…”

[2] Comum?