A SERPENTE DE GÊNESIS E A JARARACA DE LULA

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“Então o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida. E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gênesis 3:14,15)

A serpente de Gênesis

A queda do homem – no pecado – é um episódio determinante na narrativa bíblica, uma vez que, após este fato, toda a humanidade se tornou pecadora, “não há um justo sequer” (cf. Rm 3:23). A escritura ainda diz que: “Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores” (Rm 5: 19).

O 3º capítulo da bíblia, isto é, Gênesis 3, relata esse episódio bem como os seus desdobramentos. Adão e Eva viviam no paraíso, o pecado ainda não habitava neles. Deus havia estabelecido uma ordem, a saber, que eles não comessem o fruto da árvore que estava no meio do jardim. Contudo, ocorreu um momento que foi crucial na história da humanidade: onde Eva foi tentada por Satanás, este assumindo a forma de uma serpente. O réptil, portanto, convenceu Eva a tomar o fruto, comê-lo e, em seguida, dividi-lo com Adão: eis o momento da consumação do primeiro pecado!

A serpente, destarte, foi a primeira personificação de Satanás, usada, assim, para conseguir seu objetivo, qual seja, fazer com que o homem desobedecesse a Deus! No entanto, o texto bíblico vai trazendo mais informações acerca do que ocorreu após esse fato. Eis, então, a primeira profecia anunciando Jesus Cristo como aquele que era o Redentor e Salvador da humanidade, vencendo os reinos malignos de Satanás e desferindo um golpe mortal contra ele: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gênesis 3:14). Segundo o notável teólogo do século XVI, Matthew Henry:

“O fruto desta inimizade, é a existência de uma guerra contínua entre a graça e a corrupção nos corações do povo de Deus. Satanás, por meio de suas corrupções, os esbofeteia, os ciranda e procura devorá-los. O céu e o inferno jamais poderão ser reconciliados, tampouco a luz e as trevas; assim também não há acordo entre Satanás e a alma santificada. Além do mais, existe uma luta contínua entre os maus e os santos deste mundo. É feita uma promessa bondosa a respeito de Cristo, como o libertador do homem que está caído por causa do poder de Satanás” [1]

Em suma, a promessa bíblica é que no final de todas as coisas, é certo que o mal será vencido e a serpente, ou seja, Satanás, não subsistirá, porquanto foi ferida mortalmente, visto que sua cabeça foi, literalmente, esmagada!

A jararaca de Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na data de hoje (04/03/2016), recebeu um mandando de condução coercitiva – a condução coercitiva é quando a pessoa é obrigada a comparecer frente a uma autoridade policial – para prestar depoimento à Polícia Federal em mais uma fase da já conhecida Operação Lava Jato. A etapa da operação batizada de “Aletheia” (do grego, “a busca da verdade”), apura denúncias contra Lula e outras pessoas por crimes de lavagem dinheiro, corrupção, entre outros. No entanto, o ex-presidente nega todas as acusações.

Após uma manhã toda de depoimentos em uma sede da PF na cidade de Curitiba – PR, o presidente se dirigiu até o diretório nacional do seu partido (PT), na cidade de São Paulo, para dar uma entrevista coletiva que foi, basicamente, um discurso acerca de tudo que aconteceu no dia de hoje, bem como sobre outros acontecimentos.

Não vou detalhar a repercussão sobre esse fato que chamou a atenção de todos os brasileiros no dia de hoje, uma vez que basta acessar o Facebook e os portais de noticias para acompanhar todas as novidades referentes ao caso, todavia, gostaria de destacar uma coisa no discurso de Lula que me chamou muita atenção.

O discurso foi, a meu ver, um misto de vitimismo e autocomiseração consubstanciado com soberba e arrogância (veja o vídeo e tire suas próprias conclusões [2]). Entretanto, não irei me delongar, nesse texto, sobre todo o teor do discurso, mas, estritamente a uma frase conclusiva que Lula proferiu. Ele disse: “Tentaram matar a jararaca, mas não acertaram na cabeça, acertaram no rabo. A jararaca está viva”. Não posso adivinhar se ele fez uma metáfora referente à narrativa bíblica, contudo, após escutar essas palavras isto foi a primeira coisa que me veio a mente.

Segundo a minha interpretação, deu a entender que, para o ex-presidente, a tentativa de envolvê-lo nas investigações com a finalidade de provar seu envolvimento com os crimes não foi um golpe forte e eficaz, mas sim um mero “pisão” no rabo da Jararaca. Ou seja, algo que não iria imobilizar ou diminuir o seu vigor; mas, pelo contrário, iria despertar a raiva da serpente peçonhenta e venenosa que estava quieta em seu lugar. Portanto, diferentemente, da serpente de Gênesis (ou Satanás), que foi ferida mortalmente na cabeça, a jararaca estava astuta e atenta para agir e destilar seu tóxico!

A redenção e o fim da corrupção

Ora, ainda bem que pela graça de Deus e como cristão, creio numa perspectiva de eternidade, onde, em um determinado dia da história, a ordem natural das coisas será restabelecida por Deus – não haverá mais pecado! Neste dia, a bíblia diz, que todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor (Rm 14:11). Toda a corrupção será aniquilada, “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Apocalipse 21:4).

Mas antes disso, todos nós compareceremos ante o Santo e Justo Tribunal de Deus, onde daremos conta de todos os nossos atos. Ai daquele que não se arrepender de seus pecados e não tiver Jesus Cristo constituído como seu advogado fiel (1 Jo 2:1)! Ai daquelas jararacas que destilaram todo o seu veneno ao longo da vida, achando que ficariam impunes de seus crimes!

Enquanto este dia de redenção não chega, oremos para que Deus nos livre de toda sorte de bichos peçonhentos que assolam a nossa nação!

Rafael Durand Couto

NOTAS:

[1] Matthew Henry – Comentário Bíblico Condensado. Editora: CPAD.

[2] Parte 1 do discurso: < https://www.youtube.com/watch?v=Jh-AnVr2fxQ >; Parte 2 do discurso < https://www.youtube.com/watch?v=KvK5Z6_ziHI >.

 

 

 

A UNIDADE DOS CRISTÃOS SOB A PERSPECTIVA DE RICHARD BAXTER

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INTRODUÇÃO

Na era Pós-Moderna, a qual nós, cristãos do século XXI, brasileiros, vivemos, há inúmeros sinais, os quais inequivocamente demonstram que estamos sob o juízo de Deus. A palavra de Deus fala: “Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor” (Sl 33:12a). Ora, não precisa ser nenhum gênio para perceber rapidamente que no país do “jeitinho” estamos mui aquém de ter zelo pelos ensinamentos de Deus, bem como de O considerarmos como verdadeiramente Senhor de nossa nação.

Se o profeta Isaías estivesse vivendo esses dias, certamente ele iria proferir o mesmo julgamento que bradou para o povo de Israel quando estes estavam se corrompendo demasiadamente: “Ah, nação pecadora, povo carregado de iniquidade, descendência de malfeitores, filhos que praticam a corrupção! Deixaram o Senhor, desprezaram o Santo de Israel, voltaram para trás” (Is 1:4).

AS MAZELAS ESPIRITUAIS E SOCIAIS DE UMA NAÇÃO CAÍDA

Irei elencar, sucintamente e sem me delongar por cada ponto, algumas dessas mazelas espirituais e sociais proeminentes no nosso contexto atual, destacando, no entanto, a última; e trazendo uma perspectiva principiologica bíblica do pastor puritano, inglês, Richard Baxter (1615 – 1691) que, em face dessa confusão ética, moral e religiosa, mostra a unidade do povo de Deus – ou seja, da igreja invisível de Cristo — como norte e força motriz para enfrentar tais dificuldades e, portanto, ser sal na terra e luz em mundo obscuro e caído em virtude do pecado (cf. Mt 5: 13-16).

  • O relativismo impera: as ideologias humanas pervertem os valores da sociedade, apregoando, destarte, que cada pessoa pode ter a sua própria verdade, e que todo pensamento pode ser desconstruído, porquanto o homem é a “medida de todas as coisas” – e não Deus;
  • O cristianismo bíblico é veementemente atacado: a apostasia é difundida escancaradamente nos púlpitos e seminários teológicos que outrora eram comprometidos com o zelo pela palavra de Deus, através de suas multifacetadas expressões, tais como, o liberalismo teológico – que nega a autoridade das Escrituras como sendo a palavra de Deus –, o teísmo aberto – que apregoa, em suma, que Deus fez o mundo, mas está distante dele –, entre outras teologias heterodoxas.
  • As seitas e heresias se propagam numa proporção descomunal: “Macêdos”, “Waldomiros”, “Agenores” entre outros corifeus da cura e prosperidade, têm comercializado um falso evangelho e mercadejado a fé com um povo que perece por falta de conhecimento (Os 4:6) ou que buscam o hedonismo religioso, isto é, uma vida de prosperidade financeira e prazeres terrenos.

Pois bem, agora destaco mais um ponto, o qual, certamente, faz com que o Senhor tenha repúdio a muitas de nossas condutas como membros do corpo de Cristo.

  • Debates doutrinários infrutíferos entre os cristãos: primeiramente, deixo bem claro que não critico o debate construtivo, edificante e fundamentado em premissas das Escrituras, afinal, eles foram e são essências na historia da igreja — notadamente, quando visam extirpar falsos ensinamentos e heresias que vão de encontro ao verdadeiro evangelho –, mas sim a forma e às consequências de alguns debates que os cristãos se envolvem, porquanto ao invés de haver uma exposição saudável de argumentos, há de fato, muitas vezes, uma ruptura e fragmentação no corpo de Cristo, ocasionados em virtude de deboches, desdém, intrigas, soberba e até achincalhamentos. Ora, em muitos debates teológicos, irmãos que convergem em questões essenciais à fé cristã — tais como: a doutrina da Trindade, a deidade de Jesus, a salvação somente por meio de Cristo, a doutrina do pecado original –, acabam se tornando praticamente inimigos religiosos.

Em face do último ponto elencado, a consequência logica nada mais é senão prejuízo para o corpo de Cristo, ou seja, a Igreja. Esta deveria se fortalecer em vez de enfrentar debilidades, uma vez que é sua missão pregar o evangelho e influenciar virtuosamente um mundo que jaz no maligno (1 Jo 5:19).

A PERSPECTIVA DE UNIDADE DA IGREJA DE RICHARD BAXTER EM 1 CO 12

Os puritanos foram cristãos notáveis na história da igreja, mormente por terem um especial zelo pela palavra de Deus, bem como uma busca implacável pela aplicação da palavra na vida prática, isto é, uma ênfase na vida santa e piedosa que glorifica a Deus (1 Co 10:31). Richard Baxter, pastor inglês do século XVII, integrou esse rol de gigantes da fé. Foi um eminente pastor e evangelista. Sua obra “O pastor Aprovado”, exemplifica uma vida piedosa voltada para a santidade e ministério pastoral, obra esta que inspira e edifica até hoje muitos pastores e líderes cristãos ao redor do mundo.

Baxter, todavia, também tinha outra característica peculiar, a saber: uma grande motivação para reconciliar às divisões cristãs de seus dias. Certamente, sabia a importância da unidade orgânica da igreja. Como Paulo asseverou em 1 Co 12:12 que “assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também”, o Pastor Aprovado sabia que deveria zelar pela comunhão dos santos. A busca pela integridade e unidade na igreja é para que “não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros iguais cuidados uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele (1 Coríntios 12:25,26)”, afinal somos membros de um só corpo – o corpo de Cristo!

Essa característica de Richard Baxter, contudo, não implica em dizer que ele era condescendente com práticas e doutrinas consideradas equivocadas e errôneas pelos protestantes. Pelo contrário; ele galgava a unidade com a finalidade de difundir o Evangelho verdadeiro, o qual prega Cristo crucificado como nosso único Salvador. Inclusive, ele foi expulso da Igreja da Inglaterra quando se recusou a assinar um Ato de Uniformidade que obrigava os pregadores puritanos usar a liturgia anglicana nos cultos. Vale ressaltar, também, que mesmo tendo sido proibido de pastorear, ele continuou escrevendo  e pregando;  sendo perseguido, acabou preso por três vezes.

No livro “Servos de Deus – espiritualidade e teologia na história da igreja” o pastor e escritor Franklin Ferreira dedica um capítulo especial à vida e ministério de Baxter. Ainda sobre a busca de Richard em prol da unidade dos cristãos, Ferreira fala que:

“[…] o senso de unidade e diversidade no corpo de Cristo deveria estender-se às outras igrejas que também confessam a fé evangélica básica. Estas comunidades devem ser vistas como congregações companheiras na igreja universal do nosso Senhor, pois, em suas palavras [de Baxter*] ‘em coisas essenciais, unidade; nas não essenciais, liberdade; em todas as coisas, caridade’.”

CONCLUSÃO

Como cristãos – assim como o fizeram os puritanos — devemos zelar pela pureza da igreja. As doutrinas e princípios elementares do evangelho jamais podem ser negociados ou relativizados. Como disse Lutero, “É melhor ser dividido pela verdade do que ser unido pelo erro”. No entanto, em questões periféricas da fé, podemos respeitar opiniões diversas das nossas, sem, contudo, comprometer o zelo e o que é essencial, a saber, às verdades concernentes a Jesus Cristo, que é o cabeça da Igreja e requer a unidade do seu povo.

Reitero, portanto, que, sacrificar a unidade e pensamentos convergentes em virtude de sentimentos pecaminosos, relacionados ao ego humano, à soberba e à vaidade, é um suicídio missional para a igreja. Hodiernamente, sobretudo no contexto brasileiro, os cristãos sinceros têm mais é de se unir para impactar positivamente a nossa sociedade e pregar o evangelho, a fim de suprimir toda influencia mundana e diabólica que se levanta objetivamente contra os princípios, valores e virtudes inerentes à palavra de Deus!

Rafael Durand Couto

 *Grifo nosso

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Baxter, Richard. O pastor aprovado. São Paulo: PES, 1989

Ferreira, Franklin. Servos de Deus – espiritualidade e teologia na história da igreja. São Paulo: Editora Fiel, 2014.

10 razões do porque tudo vai ficar bem

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Quando estamos passando por algo difícil, nós só queremos alguém para nos olhar nos olhos e nos assegurar: “Vai ficar tudo bem.” Eu não sei o que você está enfrentando agora ou o que está ao virar da esquina, mas eu adoraria ser esse alguém para você hoje. Em linha reta na Palavra de Deus, aqui estão dez maneiras de você saber que vai ficar tudo bem.

  1. Deus é sempre, sempre, sempre bom.

“Tu és bom, e o que fazes é bom; ensina-me os teus decretos”. (Salmos 119: 68).

“O Senhor é bom para todos; a sua compaixão alcança todas as suas criaturas”. (Salmos 145:9).

Deus é bom por completo. Ele não está flutuando em uma nuvem, com um raio em volta pronto para ser disparado. Mesmo quando as nossas circunstâncias são muito, muito ruim, podemos ter esperança em nosso bom Deus.

  1. Deus ama você.

“Eu vos tenho amado com um amor eterno; portanto, eu continuei com a minha fidelidade a você”. (Jeremias 31:3).

“Porque Deus amou o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).

Tempos difíceis são mais fáceis de enfrentar, se você sabe que alguém está na sua esquina, a sua espera. Deus o ama profundamente. Isso nem sempre pode ser sentido como verdade. Por causa disso, eu me esforço a dizer esta frase muitas vezes:

Vou meditar sobre o seu amor na cruz, e seu poder para a ressurreição. A cruz permanece através dos tempos como uma nota gigante sobre o amor de Jesus.

  1. Deus está lutando por você.

“Eles lutarão contra você, mas não prevalecerão contra ti, pois eu sou contigo, diz o Senhor, para te livrar” (Jeremias 1:19).Se você está olhando para um inimigo e se perguntando como você pode, eventualmente. O mesmo Deus que ajudou David a matar um gigante, o mesmo Deus que ajudou Josué a derrubar uma cidade com uma trombeta, luta  por você.

  1. Deus não vai deixar esse momento passar em vão.

E sabemos que, para aqueles que amam a Deus todas as coisas cooperam para o bem, para aqueles que são chamados segundo o seu propósito (Romanos 8:28).

Tudo o que você está passando agora, Deus já tem um plano para usá-lo para o seu bem. Eu ouvi dizer isso desta maneira: o teste de hoje é o testemunho de amanhã; seu conflito será a sua mensagem. Confie que há esperança para além de problemas de hoje.

  1. Ele nunca vai sair do seu lado.

“Sejam fortes e corajosos. Não tenham medo nem fiquem apavorados por causa delas, pois o Senhor, o seu Deus, vai com vocês; nunca os deixará, nunca os abandonará”. (Deuteronômio 31:6).

“Eu estarei sempre convosco, até ao fim dos tempos” (Mateus 28:20)

Deus não vai abandonar o barco quando as coisas estiverem difíceis. Assim como Ele se juntou a Sadraque, Mesaque e Abedenego na fornalha ardente, Ele vai ficar com você quando as coisas estiverem difíceis.

  1. Os problemas de hoje são temporários.

“pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles”. (2 Coríntios 4:17).

Esta vida é apenas um ligeiro desvio em comparação com a eternidade. Não vai ser sempre assim.

  1. O céu é real.

Podemos ter esperança porque estamos indo para algum lugar melhor do que este mundo cheio de pecado.

“Pois não temos aqui nenhuma cidade permanente, mas buscamos a que há de vir”. (Hebreus 13:14).

O que é que vai acontecer quando chegarmos lá? Continue lendo.

  1. Suas lágrimas secarão.

Ele enxugará toda lágrima de seus olhos, e a morte não será mais, nem haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram (Apocalipse 21:4).

Um dia virá em que todos vão parar de chorar. Talvez você já chorou muito hoje, mas virá o dia em que todos vão parar de chorar.

  1. Você está no seu caminho para aperfeiçoar.

“Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem que falte a vocês coisa alguma”. (Tiago 1:2-4).

Tiago nos lembra que podemos responder aos problemas com alegria, porque a pressão do sofrimento produz diamantes em nós. Uma das maneiras que Deus faz com que todas as coisas cooperem para o nosso bem (ver ponto 4) é usando as coisas difíceis para nos tornar mais semelhantes a Ele.

  1. Um cavalo branco está montando em seu socorro.

Agora eu assisti quando o Cordeiro abriu um dos sete selos, e ouvi um dos quatro seres viventes dizer com uma voz de trovão: “Vem!” E olhei, e eis um cavalo branco! E seu cavaleiro tinha um arco e uma coroa foi dada a ele, e ele saiu vencendo, e para vencer (Apocalipse 6:1-2).

Se você é saudade de um salvador, não procure mais longe do que Jesus.

Se você é desejoso de um salvador, não procure mais longe do que Jesus. O dia está chegando quando Ele vai montar em um cavalo branco e derrotar todos os inimigos que se levanta contra nós. Se você precisa de um herói neste momento, saiba que Ele já está a caminho.

Traduzido e Editado por: LARYSSA LOBO
https://www.facebook.com/laryslobo
 Link original: http://www.liesyoungwomenbelieve.com/10-reasons-why-it-will-be-okay/?utm_content=buffer9161c&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer
Taken from Erin Davis’ blog post “10 Reasons Why It Will Be Okay.” www.LiesYoungWomenBelieve.com. Used with permission.

DA CRISE À REDENÇÃO!

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O país está em crise,
Mas em Cristo somos fortes;
Suportaremos às tempestades,

Porquanto Deus é nosso aporte.

Vivemos dias sem precedentes,
Com demasiada corrupção;
Eis a natureza humana,

Inclinada à ambição.

Consequência lá do Éden,
Onde o homem quis usurpar,
O lugar do Deus Altíssimo –

Seu santíssimo altar.

Em maior ou menor escala
Sempre isso ocorreu:
O homem deseja tomar para si

Aquilo que não é seu.

O poder emana do povo
Diz a nossa Constituição,
Mas não somos representados

Por um “bando de ladrão”!

Todavia, nossa fé
Não está fulcrada em homens.
A esperança, para nós,

Na verdade, tem um nome.

Não será um presidente,
Tampouco um governador,
Mas é o Deus Soberano,

Que enviou o Salvador!

Sentimento indelével
Para todos os escolhidos,
É ter plena suficiência

No Senhor Jesus Cristo.

DEPENDÊNCIA OU MORTE?

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É 7 de setembro! Hoje nosso país está em festa. Chegou o dia onde o patriotismo fumega, como nunca, no coração de muitos brasileiros. As tropas militares desfilam nas ruas em respeito e honra pela nação. Afinal, é o dia onde celebramos nossa “independência”. Sim, aquilo mesmo que você estudou nos seus tempos de colegial, naquela inspirada e romântica aula de história. Neste mesmo dia e mês, do ano de 1822, o Brasil deixara de ser tão somente colônia e tornara-se independente de Portugal.

Não queremos focar no contexto histórico da época, ou trazer-lhe, neste texto, algumas informações sobre este dia tão marcante na história de nosso país. Mas, existe um fato muito peculiar a este evento que quero lembrar-lhe. Dom Pedro, diante de um “imbróglio” político com a “metrópole” e motivado por um grande sentimento de liberdade, sobre às margens do Rio Ipiranga, brada em alto e bom som: “INDEPENDÊNCIA OU MORTE”, o que ficou conhecido como o “Grito do Ipiranga”. Se isto de fato aconteceu, pouco importa… Mas, te convido a entrar numa breve reflexão sobre esta frase.

Não nego que qualquer país deva ser independente para que tenha, de fato, soberania e seja reconhecido como “Estado”, é requisito elementar. No entanto, analise: NÓS, seres humanos, somos totalmente independentes de qualquer coisa? Ou, com isso, somos soberanos, e, sendo assim, guiaremos nossas vidas de maneira inconsequente sem que nenhum juízo caia sobre nós ou sem que qualquer efeito causado por isso nos alcance? Será que podemos nos salvar? Somos autossuficientes?

Na carta do apóstolo Paulo aos romanos, no capítulo 3 e versículo 23 está escrito: “Pois, todos pecaram e carecem da glória de Deus”. Ora, se carecemos, precisamos. Logo, se precisamos, dependemos! Amado… Creio que, neste momento devem surgir vários questionamentos em sua consciência. Quem sabe, isto te motivou a fazer uma retrospectiva de sua vida e chegado à conclusão de que você é uma boa pessoa, ou você esteja pensando que é socialmente aprovável, pois sempre praticou boas obras, nunca roubou, nem matou ou adulterou, ou nunca se envolveu em algo tão reprovável que poderia te fazer depravado ou “pecador”, como diz o texto. No entanto, as sagradas escrituras nos traz segurança para informar-lhe que por mais insignificante que seja qualquer ato impuro que tenhas praticado, cometemos contra um Deus que é infinitamente santo e justo (Hb 1:13, Sl 5:5), portanto somos infinitamente condenáveis. A verdade é que, infelizmente, nossa natureza nos coloca numa posição de total rebelião contra Deus, tornamo-nos sujos, sendo nossas melhores obras comparadas a trapos de imundícia (Is 64:6).

Ademais, em outra passagem, a bíblia também nos informa que “o salário do pecado é a morte”(Rm 6:23). E agora? Visto que pecamos, estamos condenados a morte, o que fazer? Qual nosso rumo? Qual atitude devemos tomar? Ou qual obra devemos realizar para tornarmo-nos limpos diante de Deus? DE QUE/QUEM DEPENDEMOS? Na palavra de Deus, também está escrito: “Ele nos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef 2:1). Isso mesmo! Existe uma saída! Deus, por misericórdia, amor e compaixão infinitos, mesmo sendo todos nós condenáveis a morte eterna por causa do pecado, providenciou salvação para nós, nos amando de “tal maneira que deu o seu filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Apenas mediante o seu filho amado que “certamente, tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas transgressões levou sobre si” (Is 53:4) e “foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades” (Is 53:5) alcançaremos perdão para nossos delitos e pecados e poderemos tornarmo-nos justificados, mediante a fé em seu sacrifício propiciatório na cruz do calvário. Através dele, podemos ter livre acesso a Deus. Cristo carregou toda a iniquidade humana e nos tornou livres da ira e da justiça divina. Ele é o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vai ao Pai, senão por Ele (Jo 14:6). Ele é nosso único mediador: “Porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos” (1 Tm 2 5-6).

Longe dessas verdades, tudo que conheceremos é o inferno e a condenação eterna. Provaremos o gosto amargo da Ira de Deus de eternidade em eternidade, para sempre! Portanto, entregue-se a Jesus, arrependa-se de seus pecados e corra para Ele o mais rápido possível! Ele é a nossa maravilhosa esperança, nossa fonte de renovação, nosso guia fiel. Nas palavras do saudoso pregador Charles Spurgeon: “Jesus é a única base de confiança que temos para nós, e é toda a esperança que podemos apresentar aos outros”. Ele é a rocha de nossa salvação, o nosso refúgio, nossa fortaleza, nosso fiel libertador que em breve voltará para arrebatar sua igreja e reinarmos junto com Ele para todo sempre, Amém!

Ou dependemos d’Ele ou morremos! Dependência ou morte eterna!

Sollus Christus!

“Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” (Romanos 11:36).

Wallison Osório
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A INSENSATEZ DO HOMEM DISTANTE DE DEUS

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“Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem” (Salmo 14:1)

O versículo epigrafado nos traz uma mensagem de suma importância dentro do livro de Salmos. O Salmo 14 tem tamanha relevância e aspecto didático que é, praticamente, repetido no Salmo 53 – com divergências apenas entre os versos 5 e 6. Ora, mas que mensagem nos traz essa porção da escritura sagrada, a ponto de ser repetida em duas ocasiões no mesmo livro? Certamente, o salmo 14 nos traz grandes lições acerca da pecaminosidade humana, bem como da redenção do homem.

Não pretendo, aqui, fazer uma profunda exposição desse Salmo (aconselho que estude esse Salmo mais profundamente em outra ocasião, ele é mui rico!), mas gostaria de chamar sua atenção para uma realidade que parece ser longínqua, entretanto, pode ser claramente percebida em nosso meio cristão.

O Insensato

A palavra insensato no texto (Sl 14:1) – diferentemente do seu sentido na língua portuguesa, que significa pessoa que não tem bom senso, louco, sem noção da realidade, etc – traz o significado de alguém que é oposto o do sábio, isto é, alguém que não anda segundo o temor do Senhor — que é o princípio da verdadeira sabedoria (Pv. 9:10). Logo, o insensato no salmo 14 é alguém que despreza absolutamente a realidade de que Deus existe! Essa condição de insensatez desemboca no que chamaremos de Ateísmo Prático, ou seja, negar que a existência de Deus seja relevante para vida humana, o que ocasiona, conseguintemente, consoante a parte b do vs. 1, à violação de todos os princípios, estatutos e leis estabelecidas por Deus, uma vez que eles “Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem” (Sl 14:1b).

Cumpre ressaltar, no entanto, que esse tipo de ateísmo do Salmo 14 é algo bem diferente do ateísmo técnico e filosófico que estamos acostumados a ver hodiernamente nos debates entre teístas e ateístas – esse tipo de negação da existência de Deus só veio emergir no séc. XVIII e hoje tem como um dos mais conhecidos proponentes, o biólogo Richard Dawkins.

Todavia, o ateu prático do Salmo 14 é alguém que vive como se Deus não existisse, praticando toda sorte de atos pecaminosos e repugnantes – é uma questão moral. Portanto, o insensato – ateu prático – passa a viver como se Deus não mais existisse, nem tampouco fosse nos julgar um dia em face de todas as nossas ações. Com maestria, o puritano do séc. XVII Matthey Henry comenta esse versículo, dizendo que “nenhum homem pode dizer: “Não há Deus”, sem que esteja a tal ponto endurecido no pecado, que tenha como seu especial interesse a não existência de alguém que o chame a prestar contas” [1].

No contexto histórico dessa passagem, o autor do Salmo (Davi), se referia aos insensatos, não em relação a pessoas de outras tribos inimigas de Israel ou a nações distantes dele; ele se referia, no entanto, aos israelitas, ou seja, o próprio povo de Deus que começara a viver como se Ele não mais existisse.

Estamos nos tornando insensatos?

Diante disso, para os nossos dias, podemos perceber que o Ateísmo Prático, também pode estar intrínseco ao nosso meio cristão, eclesiástico e, infelizmente, até em nossas vidas. Isso é perceptível, categoricamente, quando passamos a desprezar as realidades concernentes à Deus, ao Espírito Santo e ao nosso salvador Jesus Cristo.

Ocorre que, quando nos afastamos dos meios de graça deixados pelo próprio Deus, nossa fé e obediência a Ele declinam de tal maneira que nos tornamos insensatos.

Veja o porquê:

  • Quando deixamos de orar, passamos a confiar não mais em Deus, mas nas nossas forças e até no acaso. Esquecemos, destarte, do que Tiago diz em sua carta, a saber, que a oração de um justo pode muito em seus efeitos (Tg 5:17).
  • Já dizia o salmista Davi que a palavra de Deus é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho (Sl 119:105). Quando nos afastamos do princípio de que a bíblia e tão somente a escritura é a nossa regra de fé e prática, e que essa palavra deve guiar às nossas vidas, estamos desdenhando o que Deus tem para falar conosco e dando ouvidos somente ao nosso egocentrismo e mundanismo inerentes a natureza humana.
  • A velha máxima “me diz com quem tu andas que te direi quem és” tem muito a ver com a realidade bíblica, veja o Salmo 1:1: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”. Nesse sentido, quando nos afastamos da comunhão com nossos irmãos em Cristo, estamos fadados a nos tornarmos pessoas desventuradas e insensatas diante de Deus, pois somos seres influenciáveis, sobretudo, para o mal!

E agora, o que fazer para não me tornar um insensato?

Decerto, eu, na minha posição de miserável pecador, não sou a pessoa que terá a resposta final e mais eficaz para a pergunta supracitada, uma vez que “todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Sl 14: 3). Quero dizer, com isso, que todos nós somos falhos e pecadores, mas como outrora disse Calvino: “Na igreja de Cristo não há ninguém tão pobre que não possa compartilhar conosco algo de valor” [2].

Portanto, se valendo de outra máxima popular, qual seja, a de que “devemos aprender com os nossos erros para não repeti-los”, posso vos auxiliar nessa reflexão. Ora, já vimos nos parágrafos anteriores sobre se “Estamos nos tornando insensatos?” algumas cousas que nos afastam de Deus. E, assim como o antídoto para a cura de um envenenamento por cobra é extraído de seu próprio veneno, devemos verificar nas nossas faltas ou áreas débeis de nossas vidas, afim de encontrar o local ideal para aplicar o remédio curador ou preventivo que nos imuniza ante os enfraquecimentos da nossa fé cristã.

Primeiramente, caros leitores, quero esclarecer que devemos nos dedicar impetuosamente a oração, entendendo que não oramos ao acaso, nem tampouco a uma força impessoal e transcendente, oramos, no entanto, ao Deus soberano que controla todas às cousas e, até nos momentos onde estamos nos tornando insensatos Ele é capaz de fortalecer nossa fé! E, como já citado, ele nos deixou meios para isso.

Em segundo lugar, lembremos que a Bíblia é divinamente inspirada e “útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Tm 3:16-17). Ou seja, nós devemos nos alimentar diuturnamente desse rico alimento sagrado. Afinal, você não viverá apenas de comer Subway, Mc Donald’s ou Burger King, mas de toda palavra que sai da boca de Deus (Mt 4:4)! Em outro texto, neste blog [3], eu disse que ela – a palavra de Deus – é como um GPS infalível que sempre nos conduz a rota correta.

Em terceiro lugar, quero dizer que você jamais se tornará um insensato se cultivar amizades santas, boas e que te aproxime de Deus. Pelo contrário; os seus irmãos verdadeiros de fé, mostrarão cada vez mais que você nunca deverá viver como se Deus não existisse, uma vez que você foi criado para glorifica-lO e ser satisfeito nEle perenemente [4].

E Cristo, onde está nisso tudo?

Se vocês lerem todo o Salmo 14, perceberão o seguinte: esses homens insensatos estavam vivendo como se Deus não existisse, cometendo às atrocidades mais espúrias possíveis, todavia, no final do Salmo (Sl 14: 5 – 7), verão que eles “Tomar-se-ão de grande pavor, porque Deus está com a linhagem do justo. Meteis a ridículo o conselho dos humildes, mas o SENHOR é o seu refúgio. Tomara de Sião viesse já a salvação de Israel! Quando o SENHOR restaurar a sorte do seu povo, então, exultará Jacó, e Israel se alegrará”. Isto é, aqueles que não se tornaram insensatos, acharam refúgio e fortaleza em Deus (Sl 46) e se alegraram pela salvação que logo vinha de Sião (vs. 6 e 7).

Como não perceber Cristo nisso tudo?!

Eis o ponto nevrálgico da nossa reflexão: somente a verdadeira fé e plena convicção no nosso Salvador Jesus Cristo é que não nos permite cair em insensatez! Que essa verdade esteja incutida em nossas mentes, de modo que o sacrifício do Cordeiro na cruz do calvário produza conforto ante às mais variadas situações da nossa vida. Ele mesmo prometeu que estaria conosco até a consumação dos séculos, em virtude da nossa passagem pela terra – como forasteiros e peregrinos. Ele disse que haveríamos de passar por aflições, mas que estaria conosco e, por isso, deveríamos ter bom ânimo, afinal, Ele já venceu o mundo (Jo 16:33)!

Sollus Christus

Rafael Durand
https://www.facebook.com/RafinhaDurand

[1] Comentário bíblico condensando — Matthey Henry.

[2] As Instituas da Religião Cristã – João Calvino

[3] Sola Scriptura um brado permanente, em: https://cristaoscontraomundo.wordpress.com/2014/10/29/sola-scriptura-um-brado-permanente/ — Rafael Durand

[4] Catecismo Maior de Westminster

Escravos, Graça e Salvação

Em meados do século XVIII, John Newton, antigo funcionário da Marinha Real Inglesa, iniciou sua carreira como comandante de um navio negreiro inglês. Sua missão era ao mesmo tempo simples e muito extensa: negociar com chefes tribais na costa africana “cargas” compostas por homens e mulheres capturados em seu território natal, acorrentar e acoplar a carga obtida (normalmente de 600 unidades) abaixo das plataformas com acesso à luz solar (para evitar doenças e tentativas de suicídio), conduzi-la à América e negociar seu valor em medidas de açúcar e melaço para transporte à Inglaterra.

Em uma destas viagens, entretanto, Newton e sua tripulação foram fortemente atingidos por uma tempestade, causando a morte de alguns de seus homens. Não se sabe ao certo se o barco suportou as torrentes daquela noite. John Newton, por outro lado sobreviveu e, mais que isto, conheceu àquele que o conduziria ao seu maior legado histórico e a um verdadeiro sentido para sua vida. Neste momento de tribulação John ofereceu sua vida ao Mestre, abandonou o tráfico de escravos e tornou-se cristão, seminarista e autor de hinos.

Alguns anos depois, em 1779, John publica a letra intitulada “Amazing Grace” (Graça Maravilhosa), que fala sobre a incrível graça proveniente de Deus e manifesta através de seu Filho a um perdido pecador que não conseguia enxergar seu pecado.

O tema marcante da letra de Newton está muito mais além do que o simples ato de impedir sua morte durante a terrível tempestade ou de afasta-lo do tráfico de escravos. Amazing Grace fala da misericórdia e graça de nosso Senhor ao nos permitir acesso a si mediante o sacrifício de Jesus. É graças a esta misericórdia que podemos ser chamados filhos de Deus, noiva de Cristo, Coroa da criação. Assim, mesmo com todas as nossas inclinações carnais, como afirma Paulo em sua carta aos Efésios, “Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo” (Ef. 2.4,5).

Agora, não apenas Newton, mas todos nós cristãos devemos afirmar como Paulo: pela graça somos salvos!

Tiago Silva

A EXISTÊNCIA DE DEUS, A CRIAÇÃO DO UNIVERSO E A SALVAÇÃO DO HOMEM

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“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1:1). Esta frase pode gerar muitos dilemas ou questionamentos em sua cabeça. Não se assuste! Pois, na verdade, isso é comum de acontecer. Homens considerados muitíssimo inteligentes ao ponto de receberem títulos de cientistas, doutores, grandes filósofos e religiosos, dedicaram toda uma vida para compreendê-la. Além do mais, pessoas comuns também refletem acerca dessa questão desde toda à história da humanidade e, certamente, essa questão ainda suscitará inúmeros questionamentos na vida dos seres humanos. Afinal, sabemos que a crença é inerente ao ser humano – é um aspecto universal que está presente em todas às culturas e civilizações ao redor do planeta Terra.

Não sabemos seu conceito acerca da criação ou, até mesmo, da existência de Deus; talvez, você pense que tudo que precisamos é de fé para acreditar nisto. Não. Você não está errado. De fato, devemos ter fé! “Pois sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11:6). No entanto, existem algumas verdades que devem ser consideradas para se construir um conceito honesto à respeito dessa questão.

Nossa fé, não precisa, necessariamente, ser cega para acreditar que Deus existe. Ora, você dirige seu carro, contudo, você não vê que ele foi projetado de tal maneira que funcionará e se locomoverá levando você de um lugar ao outro. Você simplesmente confia na idoneidade da empresa pela qual esse carro foi desenvolvido. Logo, você teve segurança baseada numa fé inteligente, ela não foi cega nem tampouco desprezou evidências que te assegurasse de que algo foi criado mesmo sem você está lá para comprovar.

Algumas teorias defendem a ideia que o universo surgiu ex nihilo (do nada) ou de uma simples combinação de forças que acarretaram em uma grande explosão onde deu origem ao universo – por muitos, conhecido como teoria do big-bang. Mas, é evidente e lógico que as coisas não podem surgir do vago. Tudo tem sua causa. Tudo tem um princípio. O tempo, o espaço e a matéria não existiam antes do começo, portanto, o universo deve ter surgido de uma causa atemporal, ilimitada e incorpórea. Em suma, queremos levar você a refletir que, se o universo teve um principio, logo, foi alguém que o causou. E, não obstante esses exercícios cognitivos não nos faça chegar diretamente ao Deus da Bíblia, esse argumento exclui a impossibilidade da existência de um ser criador e regente de todo o universo.

No parágrafo supracitado citamos que o ser criador também tem um atributo de regente ou mantenedor do universo. Basta olhar para a natureza e para a suas leis, que logo constataremos este atributo. Perceba que tudo foi minuciosamente planejado, de modo que a mínima variação de qualquer lei natural – como a lei da gravidade -, poderia ocasionar um caos generalizado, ao ponto de tornar inviável a própria existência da vida humana.

Entretanto, mesmo diante de todos esses argumentos expostos, nós ressaltamos que esse criador e gestor do universo é o Deus da Bíblia. Uma vez que ele se revela à toda humanidade através da Sua criação, como já fora citado, no entanto, ele também se revela de modo salvifico através de sua Palavra, isto é, as Sagradas Escrituras. Destarte, cremos que esse livro é integralmente verdadeiro, visto que é uma das heranças que Deus deixou para os homens compreender tudo que Ele viu ser necessário.

Portanto, aceitando as duas premissas, a saber, que o universo foi criado por Deus e que Ele além de se revelar pela natureza também se revela pela Sua palavra, aceitamos a conclusão de que esse Deus criador do universo se revelou de forma mais clara na pessoa de Jesus Cristo, conforme o relato bíblico.

Esse relato, afirma que, além do universo, nós – os homens -, também fomos criados por Ele. Mas no Jardim do Éden o desobedecemos e nos tornamos inimigos e filhos da ira desse Deus; e, consequentemente, merecedores de uma eternidade de tormentos no inferno. Todavia, em Seu plano soberano, aprove a Si escolher um povo para salvação através de sua livre graça mediante a fé (cf. Ef 2:8) no sacrifício propiciatório e redentor de Seu filho Jesus Cristo na cruz do Calvário!

Em última análise, concluímos que a criação do universo, passando pela revelação de Deus na natureza e na Bíblia, aponta diretamente para a indiscutível grandeza dEle e a crucial necessidade do homem prostrar-se ante à magnitude do plano divino redentivo para o Seu povo. “Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5:3).

Rafael Durand (facebook.com/RafinhaDurand) e Wallison Osório (facebook.com/wallison.osorio)

Socialismo, Cristo e a Bíblia

Já dizia Deus através do profeta Oséias que o seu povo perece por falta de conhecimento (Oseias 4.6). Sim, não é de hoje que certas linhas de pensamento querem entrar na Igreja e mudar aquilo que já está firmado há tempos. O problema é quando o povo não conhece – ou finge não conhecer, mas eu prefiro acreditar que seja ignorância mesmo – o que o seu objeto de fé diz e passa a ser mais influenciado por esses pensamentos que vem de fora. Nesse sentido, esse texto busca avaliar brevemente a afirmativa de que “Jesus era socialista”.

Para começarmos precisamos definir o que é socialismo. O socialismo é a propriedade estatal dos meios de produção, que precederia, segundo Marx, o estágio final para o qual a sociedade caminha: o comunismo. O estado, no sistema socialista, regularia tudo. Como disse Mises em Intervencionismo – Uma análise econômica:

Num regime socialista, todas as atividades econômicas estão sob a responsabilidade do estado. Todos os estágios da produção estão sob o comando do governo, assim como no Exército ou na Marinha. Não há espaço para a atividade privada; tudo está sob as ordens do governo. (…) Tem de cumprir as tarefas que lhe foram determinadas e consumir apenas o que lhe for alocado pelo governo.

Mas o socialismo não se resume a uma mera questão econômica, ela envolve toda uma forma de ver o ser humano, uma cosmovisão de mundo, e assim por diante. Por exemplo, tem uma visão dialética do mundo (opressores x oprimidos), anuncia o fim do casamento[1], busca a eliminação da propriedade privada, que seria não só a coletivização dos meios de produção, mas também haveria a coletivização das mulheres e o fim da personalidade humana[2], para mencionar apenas alguns exemplos.

No Brasil, após o início do período de governo militar, surge na igreja brasileira uma corrente “marxista-cristã” chamada Teologia da Libertação[3], com expoentes como Leonardo Boff e Hugo Assman. Segundo Ferraro (p.42), descobre-se

um novo modo de transmitir a fé, que modifica a maneira de ler a Bíblia, interpretando-a por meio das relações de classe, de gênero, etnia, geração e ecologia. Essa nova forma de transmitir a fé gerou um novo modo de teologizar, que desembocou na Teologia da Libertação e abriu caminho para uma nova catequese que se preocupa com a fé vivida nas situações de opressão, exploração e exclusão” (grifo do autor).

Essa corrente de pensamento tem como foco desenvolver um “projeto de sociedade” (nome bonito para dizer “implantar o socialismo”) levando para dentro da igreja a busca para o engajamento para essa luta. Isto é, considera-se que os cristãos, tendo como chave hermenêutica fundamental a opção pelos pobres, são convocados a transformar uma realidade “injusta” para outra que “inclua a todos”, pois Deus em Cristo é um libertador das vítimas da opressão social, da exploração.[4]

Tendo isso em mente, é possível afirmar que Jesus era socialista?

Os defensores dessa linha de pensamento usam, por exemplo, alguns textos do livro de Atos, tal como:

Todos os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum. Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade. (Atos 2.44,45 – NVI);

Da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham. (Atos 4.32 – NVI);

Então perguntou Pedro: “Ananias, como você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, a ponto de você mentir ao Espírito Santo e guardar para si uma parte do dinheiro que recebeu pela propriedade? (Atos 5:3 – NVI)

“Jesus respondeu: Se você quer ser perfeito, vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me”. (Mateus 19.21 – NVI)

            Ao ler esses textos, é natural pensar que sim, Jesus e os apóstolos eram socialistas. Entretanto, essa é uma interpretação muito superficial e descontextualizada dos textos em questão. Por exemplo, no caso do jovem rico, Cristo deu duas lições: uma ao jovem rico que mostrou mais amor ao dinheiro que a Deus e outra aos apóstolos, que achavam que os ricos seriam salvos, como se as riquezas indicassem algum favor divino (por isso aquela ilustração de ser mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no reino dos céus), mas percebem que só se podem ser salvos pela graça de Deus (v.25 e 26).

No contexto de Atos, tem de se ter em mente que a propriedade privada não foi 1) colocada nas mãos do Estado, e mesmo se considerássemos que os apóstolos fossem uma espécie de “Estado”, só era passado para os mais necessitados aquilo que era colocado “aos pés dos apóstolos”. Eles não se tornaram administradores das terras dos cristãos. 2) Esse tipo de comportamento dos cristãos são mais doações do que socialização da propriedade privada; que, aliás, esse é o tipo de comportamento que a Bíblia defende. 3) Ninguém era, em absoluto, obrigado a doar o que quer que fosse ou quanto fosse. O caso de Ananias e safira é um exemplo claro disso. Ele reteve parte do dinheiro para si, sabendo disso também sua mulher; e o restante levou e colocou aos pés dos apóstolos. Então perguntou Pedro: “Ananias, como você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, a ponto de você mentir ao Espírito Santo e guardar para si uma parte do dinheiro que recebeu pela propriedade? Ela não lhe pertencia? E, depois de vendida, o dinheiro não estava em seu poder? O que o levou a pensar em fazer tal coisa? Você não mentiu aos homens, mas sim a Deus”. (Atos 5.2-4 – NVI). Ananias não era obrigado a doar, mas doou mentindo.

Outra coisa que os adeptos da TL e da TMI se esquecem é de que a distribuição não era meramente para o tinha menos, isto é, “é pobre, recebe para que todos fiquem iguais”. Não! Havia requisitos que deveriam ser preenchidos. Veja 1 Timóteo 5.3-16, no caso das viúvas. Não era pelo simples fato de ser viúva que automaticamente se recebia o “benefício”. Nunca foi objetivo dos apóstolos criar um “sistema político” no qual se tira daquele que tem para dar aquele que não tem, isto é, uma repartição forçada de bens.

Conforme Wayne Grudem diz a “Bíblia pressupõe e reforça um sistema no qual as propriedades pertencem aos indivíduos, não ao governo ou à sociedade como um todo”. Prova? É só olhar o oitavo e o décimo mandamento. Aliás, isso já toca em um ponto que as pessoas, principalmente de esquerda, gostam de tocar: “Jesus era um revolucionário. Buscou mudar a cultura”. Entretanto, é só dar uma olhada no Antigo Testamento, nas leis dadas por Deus. Lá Deus diferenciou o povo israelita dos demais povos da região através de costumes e leis diferentes (ver Deuteronômio 14.1,2). Ora, porque ele não fez de Israel uma nação conforme o que chamamos de socialista? Porque ele deu e protegeu a propriedade privada?

Continuando, quando Cristo foi pra cruz com os malfeitores, ele não foi porque era um cara que salvou ladrões porque eram ladrões (vítimas da desigualdade social), mas porque um deles se arrependeu e pediu perdão para os seus pecados. Falo isso pois tenho em mente um texto de um colunista de um importante jornal nacional que usa isso para dizer que Jesus era um cara de esquerda, amante dos pobres, um carinha que sonha com um “mundo melhor”. Jesus amava o pobre. Mas não como Rousseau que amava a humanidade, mas odiava o próximo –  que é também a linha da esquerda quando ela diz que ama o pobre.

Caminhando para a conclusão, Jesus passou longe de ser um socialista. Veja Lucas 12.13-15. Pediram a Cristo pra fazer “redistribuição” e o que ele disse? “Homem, quem fez de mim um juiz ou repartidor entre vós?” Olhe a parábola do bom samaritano e veja o valor da piedade pessoal (ao invés de um assistencialismo estatal). Observem Deuteronômio 24.19-21 e vejam como se é ensinado que se deve ter clemência para com aqueles que passam fome, não sendo uma responsabilidade do governo, mas das pessoas individualmente. E que dizer da parábola dos trabalhadores da vinha de Mateus 20 onde o valor do salário é negociando entre patrão e empregado: cadê a mais-valia?

Isso sem entrar nos méritos da questão da incompatibilidade entre a fé cristã e o marxismo, o que já seria assunto para uma série de posts. Mas, como diz Flávio Quintela no livro Mentiram (e muito) para mim:

…todo esquerdista estrategista, participante da causa revolucionária, sabe que a substituição da adoração ao divino pela adoração ao partido é essencial para os planos comunistas, pois na sociedade idealizada por Marx não há religião e nem Deus, há somente o povo e o partido, este ocupando na vida de cada um o papel que caberia à figura divina, através do Estado Todo-Poderoso. Assim, o Estado é o cuidador, a família, o juiz, o provedor, o médico, o defensor etc. Destruir a religião, que no ocidente é majoritariamente cristã, é portanto essencial aos planos da esquerda.

E:

O cristão que se diz socialista e que defende a esquerda trabalha em favor do maior inimigo de sua fé, servindo como um agente corruptor interno, na maioria das vezes sem ter ideia do trabalho sujo do qual está sendo cúmplice e, como tal, co-responsável pela degradação moral decorrente da esquerdização da Igreja. Se soubesse – e se estiver lendo este livro passará a saber agora – do nível de planejamento estratégico que a esquerda dispende com o objetivo de solapar o cristianismo, jamais, em todo o restante de sua vida, diria que é socialista, que apoia a esquerda ou que nutre qualquer tipo de simpatia por essas ideologias.

Meus irmãos, precisamos ter cuidado para não levarmos interpretações ideológicas para a Bíblia. Pensamentos como esse fazem da Igreja um instrumento para a revolução marxista e terminamos transferindo para ele as responsabilidades que são das famílias e das igrejas.

Lucas Dantas.

https://www.facebook.com/LucasDantas19

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[1] Segundo Engels: “Quando os meios de produção passarem a ser propriedade comum, a família individual deixará de ser a unidade econômica da sociedade. A economia doméstica converter-se-á em indústria social. O trato e a educação das crianças tornar-se-ão assunto público; a sociedade cuidará, com o mesmo empenho, de todos os filhos, sejam legítimos ou naturais. Desaparecerá, assim, o temor das “consequências”, que é hoje o mais importante motivo social — tanto do ponto-de-vista moral como do ponto-de-vista econômico — que impede uma jovem solteira de se entregar livremente ao homem que ama.” Disponível em:  <https://www.marxists.org/portugues/marx/1884/origem/cap02.htm&gt;.

 

[2] Marx diz: “Por fim, essa tendência a opor a propriedade privada em geral à propriedade privada é expressa de maneira animal; o casamento (que é incontestavelmente a forma de propriedade privada exclusiva) é posto em contraste com a comunidade das mulheres, em que estas se tornam comunais e propriedade comum. Pode-se dizer que essa ideia de comunidade das mulheres é o segredo de Polichinelo desse comunismo inteiramente vulgar e irrefletido. Assim como as mulheres terão de passar do matrimônio para a prostituição universal, igualmente todo o mundo das riquezas (i. é, o mundo objetivo do homem) terá de passar da relação de casamento exclusivo com o proprietário particular para a de prostituição universal com a comunidade. Esse comunismo, que nega a personalidade do homem em todos os setores, é somente a expressão lógica da propriedade privada, que é essa negação.” Disponível em: https://www.marxists.org/portugues/marx/1844/manuscritos/cap04.htm

[3] “A Teologia da Missão Integral é uma variante protestante da Teologia da Libertação”, disse Ariovaldo Ramos à revista Le Monde Diplomatique.

 

[4] Ariovaldo Ramos, adepto da TMl, disse: “Eu quero o socialismo dos crentes que, em meio à marcha dos trabalhadores e, diante do impasse do confronto com as forças do estabelecido, grita ao megafone: companheiros, avancemos! Deus está do nosso lado!” Disponível em: http://juliosevero.blogspot.com.br/2010/03/farsa-integral-de-ariovaldo-ramos.html

LUGAR SECRETO

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O momento particular de oração deve ser algo que nos encha de gozo e paz e realizado com a mais profunda devoção e fervor. Mas nem sempre é assim que acontece. A frieza toma conta dos nossos corações e nos sentimos fatigadas e indispostas. Isso porque, em nossa velha natureza, há uma resistência contra a convivência próxima a Deus. Embora a nova natureza (criada pelo Santo Espírito, na regeneração) aprecie o momento de adoração e deseje ansiosamente estar com Deus, preferimos fazer qualquer outra coisa e nos envolver em qualquer distração, em vez de buscarmos o momento de comunhão com o Senhor. Assim, quando chega o momento designado para a oração, inventamos desculpas como: “Nossa! Estou tão cansada! O Senhor entende, não é, Deus?”, “Puxa, tenho tantas coisas para fazer! Acho que não tem problemas se eu deixar pra orar só à noite”, “Senhor, estou tão perturbada que só quero dormir. Amanhã a gente conversa”. Nossa carne é muito competente em criar situações para nos afastar da convivência íntima com Deus! No entanto, o momento de intimidade é algo que interessa tanto a Deus quanto à nossa vida espiritual.

Nosso Deus está sempre nos chamando para estarmos a sós com Ele porque, além de nos salvar, Ele nos adotou: somos Seus filhos, objetos do Seu amor paternal. O momento de oração deve ser, antes de tudo, o momento de comunhão com Deus, de dizer que você podia estar fazendo qualquer outra coisa, mas preferiu estar ali (porque Ele é o mais importante em sua vida), que nada nesse mundo te traz mais alegria e prazer do que estar em profunda e doce comunhão, e que estar com Ele é o melhor momento do seu dia. O ativismo do nosso tempo, somado com as corrupções de nossos corações, lutará contra nossa alma para nos afastar dos exercícios espirituais. Precisamos, então, nos disciplinar para não negligenciarmos o lugar secreto com o Pai -Ele estará lá nos esperando todos os dias. Mas se desprezarmos a Sua companhia, Ele nos corrigirá escondendo a luz de Sua face de nós e nos deixando por algum tempo cambalear nas trevas, até percebermos que Ele nos basta.

Muitas vezes, ficamos fascinadas pelas coisas visíveis deste mundo e tão atraídas pela feira das vaidades – coisas que nossa carne clama com violência para ser atendida e que são tão prejudiciais para nossa alma, que tornam nossa vida espiritual frágil e sem forças para nos aplicar vigorosamente naquilo que agrada o “homem interior”. Daí, torna-se tão difícil usar nosso tempo para ficar a sós com Deus. Precisamos desesperadamente deixar o barulho dos nossos dias, os apelos constantes das multidões, a atração do entretenimento e usar nosso tempo para nos esconder em Deus, no lugar onde ninguém nos vê somente Nosso Pai (Mt. 6.6). Pois a alegria, a força, o conforto e o poder de nossa vida espiritual dependem da vida secreta com Deus.

Sonaly Soares

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