COMO ERAM AS MULHERES PURITANAS?

puritan

Nos últimos anos, tem sido despertado um crescente interesse pelo puritanismo, sobretudo por sua teologia e espiritualidade, que vieram a refletir esplendidamente em todos os aspectos da vida. Os puritanos tinham famílias fortes e bem estruturadas, cada membro cumpria com excelência seu chamado e a família era valorizada e norteada pelos princípios Escrituristicos. Sendo a mulher a joia do lar, seu papel foi essencial na construção daquela sociedade. Conhecer um pouco sobre a vida dessas mulheres será de grande beneficio para desintoxicar nossa mente dos conceitos e filosofias modernas e anti-Deus em que a nossa sociedade caída está imersa e tem influenciado grandemente a vida daqueles que reivindicam a postura de filhos de Deus. As mulheres puritanas, ao longo de suas vidas, cultivaram virtudes que em nossos dias são desprezadas, como submissão, mansidão e ternura. Vamos olhar para a história da nossa fé e conhecer um pouco sobre cada fase da vida dessas mulheres que foram esposas e mães de gigantes.

Menina/Jovem Solteira – Os pais puritanos, obedecendo à instrução do Senhor, começavam a doutrinar os filhos desde os seus primeiros anos de vida. A menina puritana recebia ensinamentos e exemplos não apenas de sua mãe, mas também de seu pai, este como chefe da família, tinha a responsabilidade de conduzi-las nas atividades espirituais. No domingo, dia do Senhor, toda a família ia para a igreja, o pai tratava de ensinar as crianças à importância da santificação deste dia. Após cada sermão, todos os membros da família eram examinados pelo pai, inclusive as meninas, ele tinha a preocupação de saber o que tinham aprendido e quais as partes da exposição bíblica tiveram dificuldade em assimilar, pois ele como pastor de sua família deveria ensinar e se certificar de que não restaram dúvidas. Assim as filhas dos puritanos eram instruídas em toda a doutrina bíblica, tendo seu pai como líder espiritual imediato, conduzindo-as ao conhecimento das Palavras da Vida.

É muito provável que uma menina puritana entendesse mais das doutrinas ortodoxas do que muitos pastores dos nossos dias. Além das instruções doutrinárias, recebidas em casa e na igreja, muitas ainda eram escolarizadas em leitura, caligrafia, música (escrita), matemática, desde aritmética à geometria ou álgebra, também em geografia, história filosofia e línguas. Entretanto, em sua grande maioria eram educadas para serem capazes apenas de ler, escrever e usar os algarismos.

O mandamento, que tratava sobre a obediência dos filhos aos pais, era uma realidade presente no relacionamento familiar. A filha puritana mostrava sua obediência com serenidade, reverência e respeito, amando e obedecendo a seus pais, pois isso é bom aos olhos do Senhor e ela fora ensinada que a razão da sua vida consiste em agradar a Deus, através da obediência a Sua vontade revelada na Escritura.

Na medida em que ia deixando a infância, para se tornar uma jovem senhorita, ela era treinada nos trabalhos domésticos e quanto a isso, podia-se esperar muito dela. A moça ideal para casar, na visão puritana, era aquela obediente aos pais, submissa, gentil, amável, disciplinada nas atividades espirituais, treinada nos afazeres do lar e econômica. Essas qualidades ela via claramente em sua mãe e buscava cultivá-las em si mesma, pois essas virtudes se mostrariam essenciais no próximo estagio da sua vida, quando ela deixaria a custodia dos pais para estar debaixo da autoridade do marido.

Esposa – A mulher puritana como esposa, era antes de tudo submissa, pois ela fora muito bem instruída, pelos pais e pela igreja, no principio bíblico da submissão. Sendo assim, quando casada, não tinha nenhuma dificuldade em obedecer ao mandamento do Senhor, mas sujeitava-se ao marido com mansidão e docilidade, entendendo que a ordem que fora estabelecida por Deus na criação não deveria ser quebrada, tanto para o bom funcionamento da sociedade, como para o seu próprio bem. A submissão feminina, entendida pelos puritanos, não queria dizer, de forma alguma que o homem tinha mais valor que a mulher, pois a hierarquia familiar não consiste em valor, mas em funções distintas, que o próprio Criador determinou. A desobediência deste mandamento, por parte de uma mulher que não quer se sujeitar ao marido é tão errado quanto a Igreja que não quer se submeter a Cristo e a comparação do relacionamento de Cristo com a Igreja é exatamente o do marido com a esposa (Ef. 5:24).

Essa esposa que era submissa era também companheira, consoladora e conselheira. John Angell James, em sua obra Female Piety (Piedade Feminina) descreve o ideal da esposa puritana:

“Na vida de casada, ela deve ser sua companheira constante, em cuja sociedade ele deve achar alguém que se una a ele mão com mão, olho com olho, lábio com lábio e coração com coração: a quem ele pode desabafar os segredos de um coração pressionado pelos cuidados, ou oprimido por angústias; cuja presença ela tem como prioridade perante toda a sociedade; cuja voz será para ele sua música mais doce; cujo sorriso, sua luz do sol mais brilhante: de quem ele se afastará com pesar, e a cuja conversa ele retornará com pés ansiosos, quando o labor do dia tiver terminado; quem caminhará próximo de seu coração amoroso, e palpitará o pulso de suas afeições quando os braços dela se apoiarem nele e forem pressionados em seu lado. Nos momentos de conversa a sós ele lhe falará de todos os segredos de seu coração; encontrará nela todas as capacitações, todos os estímulos, da mais terna e encarecida sociedade; e em seu gentil sorriso e loquacidade, gozará de tudo que possa ser esperado em quem foi dada por Deus para ser sua companheira e amiga.”

A esposa puritana tinha consciência de que seu marido seria grandemente beneficiado, assim como ela mesma, se tão somente cumprisse o papel para o qual fora chamada, ser uma auxiliadora idônea.

Mãe – A mulher como mãe, na família puritana, tinha a responsabilidade que era dividida com seu marido, de educar a próxima geração de homens e mulheres no temor do Senhor. As meninas eram ensinadas pelo próprio exemplo da mãe, a cultivarem um espírito submisso e manso, mas também a serem dotadas de força e coragem em seu Deus, com os olhos fixos na eternidade para suportarem as adversidades da vida que nos séculos XVI/XVII não eram poucas, J. I. Packer descreve nesses termos a dura vida dos puritanos:

“Os puritanos experimentaram perseguição sistemática por sua fé; a ideia que temos hoje dos confortos de uma casa eram desconhecidas a eles; sua medicina e cirurgia eram rudimentares; eles não tinham aspirinas, tranquilizantes, soníferos ou pílulas anti-depressivas, assim como não tinham nenhuma segurança social ou seguro; num mundo em que mais da metade da população adulta morria jovem e mais da metade das crianças nascidas morriam na infância, uma media de expectativa de vida inferior a apenas trinta anos, doenças, perigos, aflições, desconforto, dor e morte eram seus constantes companheiros. Eles estariam perdidos se não mantivessem seus olhos no céu e não conhecessem a si mesmo como peregrinos rumo ao lar na Cidade Celestial… a consciência dos puritanos de que no meio da vida nós estamos na morte, a apenas um passo da eternidade, deu-lhe uma profunda seriedade, calma embora apaixonada, com respeito aos negócios da vida que os cristãos no mundo ocidental de hoje opulento, mimado, materialista, raramente consegui se igualar. Eu penso que poucos de nós vivem diariamente à margem da eternidade da forma consciente que os puritanos viveram, e o resultado é que nós ficamos na desvantagem.”

Nestes tempos difíceis, cristãos maduros e convictos foram produzidos, e a geração posterior de cidadãos estava debaixo dos cuidados de mães que obedeciam ao chamado de Deus para suas vidas e não viam nisso degradação, nem se sentiam menos importantes que os homens, mas viam em ambas as funções a importância que Deus atribuiu a cada uma e sentiam-se honradas por Deus ter lhes dado tamanho privilegio de participarem, de forma significativa, para a gloria de Deus e para o bem da nação.

Não podemos transplantar o puritanismo dos séculos XVI/XVII para os nossos dias, nem para a nossa realidade cultural, mas podemos resgatar aquilo que foi essencial: teologia sólida, piedade fervorosa, busca incansável por santidade e um alto conceito sobre a família.

Que não venhamos a cair no erro de desprezar dois mil anos de historia e termos a pretensão de achar que o cristianismo começou conosco, mas que possamos aprender com as gerações passadas, como a dos puritanos, pessoas comuns e cheias de defeitos que é possível viver nesse mundo de forma digna do Reino de Deus.

Sonaly Soares

HULSE, Erroll. Quem foram os Puritanos?… e o que eles ensinaram?. 1. ed. São Paulo: PES, 2004.

GONZÁLEZ, Justo L. Historia Ilustrativa do Cristianismo. 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 2011.

PACKER, J. I. Entre os Gigantes de Deus: Uma visão puritana da vida cristã. São José dos Campos: Fiel, 1996.

RYKEN, Leland. Santos no Mundo: Os puritanos como realmente eram. 2. ed. São José dos Campos, 2013.

BEEKE, Joel. Vivendo para a Gloria de Deus: Uma introdução à fé reformada. 1. ed. São Jose dos Campos: FIEL, 2010.

LIPSY, David. A Mulher Puritana. Editora: Os Puritanos.

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8 comentários

  1. Muito boa iniciativa de trazer a tona o que por muitos tem sido esquecidos. Na nossa sociedade atual, lembra-se de buscar os direitos mas esquecem de cumprir os seus deveres. Voltemos a Palavra verdadeira e genuína. Mulheres submissas (não escravas), Homens honrosos e respeitadores que amam a sua esposa como Cristo ama a igreja. Graça e Paz.

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